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Encontro?!!

O Pequeno Rebento de Sangue e o Instinto do Lorde

O vento do continente gélido soprava com uma fúria renovada, mas Rimuru Tempest caminhava pela floresta de árvores de cristal como se estivesse em um passeio de primavera em sua própria nação. Naquele dia, ele havia decidido elevar o nível da sua aparência. Ele trajava uma blusa azul-escura de tecido fino e justo, com mangas longas que terminavam em punhos folgados e elegantes. Uma saia preta, que ia até o meio das pernas e marcava sua cintura com um corpete escuro, completava o visual junto a uma meia-calça preta translúcida e saltos altos que ecoavam no chão congelado.

Ao seu lado, Guy Crimson mantinha uma mão possessiva na base das costas de Rimuru. Seus olhos vermelhos escaneavam os arredores, não por medo, mas por um tédio perigoso que só era aplacado pela presença da criatura delicada e poderosa ao seu lado.

— Você está sendo muito silencioso hoje, Guy — comentou Rimuru, ajeitando uma mecha de cabelo azul-prateado que insistia em cair sobre seus olhos amarelos.

— Estou apenas apreciando a vista — respondeu Guy, sua voz rouca e profunda. — Embora eu preferisse que estivéssemos no meu quarto e não no meio desta floresta inóspita.

Rimuru ia responder com uma provocação ácida, mas parou abruptamente. Seus sentidos aguçados captaram algo que não pertencia ao som do vento. Um choro baixo, sufocado, e o rosnado de demônios famintos.

— Guy, ali! — Rimuru apontou para uma clareira entre as árvores de gelo.

No centro da clareira, uma pequena figura estava encolhida. Era uma criança demônio, não devia ter mais de quatro anos. Ela tinha cabelos vermelhos curtos e encaracolados, bochechas rosadas e macias que agora estavam manchadas de lágrimas, e olhos amarelos que transbordavam um terror inocente. Dois demônios maiores, criaturas grotescas de classe inferior movidas apenas pela fome, avançavam sobre ela com as garras prontas.

A fúria de Rimuru ferveu instantaneamente.

— Guy. Mate-os. Agora.

Não houve hesitação. Guy Crimson não precisava de ordens, mas o tom gélido e autoritário de Rimuru o instigou. Em um borrão de movimento vermelho, Guy apareceu entre a criança e os agressores. Ele nem sequer usou magia complexa; apenas um movimento de sua mão e as cabeças dos demônios explodiram em uma névoa de sangue negro que evaporou antes mesmo de tocar o chão.

— Lixo — cuspiu Guy, virando-se com uma expressão de tédio, mas seus olhos suavizaram um pouco ao ver Rimuru já ajoelhado na neve, abraçando a pequena criança.

— Está tudo bem, pequena... shhh, eu estou aqui — Rimuru murmurava, ignorando o fato de que sua saia cara estava tocando o gelo. — Ninguém vai te machucar.

A criança, Camille, agarrou-se à blusa de Rimuru, os soluços sacudindo seu corpinho frágil. Ela tentava falar, mas apenas sons abafados saíam de sua garganta. Ela era muda, mas seus olhos amarelos, tão parecidos com os de Rimuru, imploravam por segurança.

— Ela está tremendo de fome, Guy — disse Rimuru, sentindo o estômago da pequena roncar contra seu corpo. — E estamos longe demais do castelo para chegar a tempo de preparar algo.

Rimuru olhou para a criança e sentiu um instinto que nunca imaginou possuir. Talvez fosse a forma feminina que ele estava usando, ou talvez fosse apenas o seu desejo inerente de proteger os fracos.

— Ciel... — ele chamou em sua mente — ...existe alguma maneira de eu providenciar sustento imediato? Meu corpo atual pode... você sabe, produzir leite materno?

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"Sim. Faça agora."

Um calor estranho e formigante percorreu o peito de Rimuru. Ele se sentou em uma rocha de cristal lisa, ignorando o olhar estupefato de Guy. Com uma naturalidade surpreendente, Rimuru abriu os botões superiores de sua blusa azul e do corpete, expondo a curva de seu seio esquerdo.

— Venha aqui, Camille — ele chamou suavemente.

A criança, guiada por um instinto primordial, aproximou-se. Rimuru a acomodou em seus braços e a ajudou a se alimentar. O silêncio que se seguiu na floresta foi absoluto.

Guy Crimson estava estático. Ele observava a cena com uma mistura de choque, admiração e uma fúria territorial que fazia sua mana vazar pelos poros. Ver Rimuru, o ser que ele desejava, em um ato tão puro de maternidade era algo que sua mente demoníaca mal conseguia processar.

— Rimuru... o que você está fazendo? — a voz de Guy era um sussurro perigoso.

— Salvando uma vida, Guy — Rimuru respondeu, olhando para Camille com um carinho infinito enquanto acariciava os cachos vermelhos da menina. — E se você continuar liberando essa aura assassina, vai assustá-la de novo. Controle-se.

Guy rosnou, mas obedeceu. Ele se posicionou como uma sentinela ao redor deles. Durante todo o trajeto de volta ao castelo, Rimuru carregou Camille, que adormeceu profundamente após ser alimentada. Guy caminhava ao lado deles, seus olhos vermelhos brilhando com uma promessa de morte para qualquer servo que ousasse olhar para Rimuru naquele estado de vulnerabilidade e intimidade.

Quando entraram no castelo, o pânico entre os demônios foi palpável. Misery e Rain quase caíram ao ver seu mestre carregando sacolas (que ele pegara no caminho apenas para manter as mãos ocupadas e não destruir o castelo) enquanto Rimuru Tempest caminhava calmamente com uma criança demônio de cabelos vermelhos nos braços.

— Preparem um quarto. O melhor — ordenou Guy, sua voz ecoando como um trovão. — E se alguém mencionar o que viu na floresta, eu pessoalmente garantirei que sua alma sofra por toda a eternidade.

As semanas seguintes trouxeram uma mudança drástica na dinâmica do castelo de gelo. Camille, a pequena órfã muda, tornou-se o centro das atenções. Rimuru a adotou como se fosse sua própria filha, vestindo-a com as melhores sedas e ensinando-lhe linguagem de sinais.

Mas a maior surpresa foi Guy.

O Lorde Demônio Primordial, que antes não tinha paciência para nada além de guerra e prazer, agora se via em situações absurdas.

— Guy, ela quer que você conte uma história — disse Rimuru, entrando na sala do trono onde Guy estava revisando relatórios de inteligência.

Camille correu até Guy, puxando a barra de sua túnica carmesim. Ela apontou para um livro de gravuras e depois para o colo de Guy.

— Eu estou ocupado, pequena — murmurou Guy, tentando manter sua fachada de seriedade.

Camille inclinou a cabeça, seus olhos amarelos começando a brilhar com lágrimas não derramadas, e fez um sinal com as mãos que Rimuru lhe ensinara: "Por favor, papai Guy".

Guy travou. Ele olhou para Rimuru, que estava encostado na porta com um sorriso vitorioso.

— Você é uma influência terrível, Rimuru — resmungou Guy.

Ele fechou os relatórios, pegou Camille com uma mão e a sentou em seu colo como se ela fosse um tesouro precioso.

— Era uma vez... um dragão muito estúpido que decidiu desafiar o mestre deste castelo... — começou Guy, sua voz suavizando enquanto Camille se aninhava contra seu peito, fascinada.

Rimuru observava a cena, sentindo seu coração derreter. Guy nunca negava nada a Camille. Se ela queria uma flor que só crescia no pico mais alto, Guy voava até lá pessoalmente. Se ela queria doces de Tempest, ele enviava subordinados em missões de "extrema urgência" para buscar.

Em uma tarde, enquanto Camille brincava com alguns cubos mágicos no chão do salão, Rimuru sentou-se ao lado de Guy no sofá.

— Você leva jeito para isso, sabe? — disse Rimuru, apoiando a cabeça no ombro do ruivo.

— Eu só estou garantindo que ela cresça forte o suficiente para não ser um estorvo — mentiu Guy, mas sua mão desceu para acariciar o cabelo de Rimuru enquanto a outra vigiava Camille atentamente. — Ela tem cabelos vermelhos. É quase como se fosse...

— Como se fosse nossa — completou Rimuru suavemente.

Guy não discordou. Ele olhou para a criança, que agora corria em direção a eles e pulava no colo dos dois, abraçando-os com força. Camille beijou a bochecha de Rimuru e depois, com uma coragem que só a inocência permite, beijou o nariz de Guy.

O Lorde Vermelho soltou uma risada ruidosa e genuína, abraçando a pequena e Rimuru ao mesmo tempo.

— Se alguém lá fora souber disso, minha reputação estará arruinada — comentou Guy, embora seu sorriso dissesse o contrário.

— Sua reputação já era, Guy — Rimuru riu, puxando Camille para um beijo na testa. — Agora você é apenas um pai babão.

O caos social no território de Guy Crimson atingira seu ápice. Os demônios agora viam seu governante não apenas como uma divindade intocável, mas como parte de uma família peculiar e poderosa. E enquanto Camille crescia sob a proteção do Slime e do Primordial, o castelo de gelo tornava-se, pela primeira vez em milênios, um verdadeiro lar.

— Guy? — chamou Rimuru, enquanto Camille adormecia entre eles.

— Hmm?

— Eu te amo.

Guy silenciou por um momento, olhando para as duas pessoas que mudaram sua existência eterna.

— Eu também te amo, Rimuru. E que o mundo se dane se não gostar disso.