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enemies to love

O Eclipse da Razão e a Fumaça do Destino

A sexta-feira chegou com o peso de uma sentença de morte para a sanidade de Anne Isabella. Durante toda a semana, ela se transformou em uma mestre da evasão. Se Nick Salvatori entrava na biblioteca, ela saía em trinta segundos. Se ele se aproximava no corredor, ela subitamente lembrava que precisava falar com um professor no lado oposto do prédio. Ela se tornou uma especialista em ler o ambiente, em sentir a massa de 1,90 de altura se deslocando pelo campus antes mesmo de ele dobrar a esquina.

Mas o que Anne não conseguia controlar era o que acontecia quando o sol se punha e o silêncio do seu quarto se tornava um amplificador para seus pensamentos mais obscuros.

Ela se sentia uma hipócrita completa. Durante o dia, mantinha a fachada de garota nerd, extrovertida e focada, cujos únicos interesses eram Star Wars, física quântica e manter a maior distância possível de Nick. Mas, à noite, sob os lençóis, a realidade era outra. As mãos que ela usava para resolver equações complexas tornavam-se instrumentos de uma curiosidade pecaminosa. Ela fechava os olhos e não via fórmulas; via o brilho sombrio dos olhos dele. Ela não ouvia o tilintar dos seus brincos; ouvia a voz rouca dele chamando-a de "bb" e "pequena".

Naquelas noites solitárias, Anne explorava o próprio corpo com uma urgência que a assustava, e o nome que escapava de seus lábios entre suspiros e gemidos abafados era sempre o dele. "Nick...". Era um mantra de rendição que ela jamais admitiria em voz alta sob a luz do dia.

A última aula de sexta-feira finalmente terminou. O ar estava pesado, carregado com a promessa de uma tempestade que se recusava a cair. Anne Isabella praticamente correu para fora do portão da escola, sem olhar para trás. Ela não queria ver Nick. Não queria sentir aquele magnetismo que parecia puxar suas costelas em direção a ele toda vez que estavam no mesmo raio de ação.

Ela chegou em casa ofegante. Seus pais não chegariam antes das nove, e a casa vazia parecia o único lugar seguro no mundo. Anne subiu as escadas correndo, entrou em seu quarto e girou a chave na fechadura com um clique definitivo.

— Trancada — murmurou, encostando a testa na madeira da porta. — Aqui ele não entra. Aqui eu estou no controle.

Mas o calor era insuportável. Talvez fosse a umidade pré-tempestade, ou talvez fosse o fogo interno que a consumia desde que aquele beijo na parede de tijolos havia destruído suas defesas. Anne caminhou até a janela e a abriu de par em par. Seu quarto dava para os fundos da propriedade, voltado para um terreno abandonado coberto por vegetação alta e algumas árvores antigas, um lugar onde ninguém costumava passar.

Ela precisava de ar. Precisava se livrar daquela armadura que era o uniforme escolar.

Com movimentos rápidos e impacientes, Anne desabotoou a camisa branca e a jogou sobre a cadeira. Ficou apenas de sutiã de renda preta, sentindo o ar fresco da noite tocar sua pele, arrepiando os pelos de seus braços. Ela soltou o fecho da saia, deixando-a cair no chão, permanecendo apenas com a legging preta que usava por baixo para o treino de vôlei, que marcava perfeitamente seu corpo ampulheta.

Ela se sentia exposta, mas havia uma liberdade inebriante nisso. Anne Isabella caminhou até a janela, apoiando as mãos no parapeito. O céu era de um roxo profundo, e as sombras do terreno abandonado pareciam dançar conforme o vento soprava. Ela fechou os olhos por um momento, deixando que a brisa resfriasse o suor em seu pescoço, bem em cima daquela marca que Nick deixara e que ainda não havia sumido completamente.

Foi então que ela sentiu.

Não foi um som, nem um movimento brusco. Foi aquele cheiro. A fragrância de floresta úmida, couro e o toque acre de tabaco.

Anne abriu os olhos e o coração pareceu parar de bater.

Lá embaixo, encostado em um carvalho antigo cujos galhos quase tocavam o muro de sua casa, estava uma silhueta inconfundível. Uma espiral de fumaça cinzenta subia preguiçosamente, iluminada pela luz pálida da lua que começava a surgir entre as nuvens.

Nick Salvatori estava lá.

Ele não estava apenas passando. Ele estava parado, com a cabeça inclinada para trás, os olhos fixos na janela dela. Mesmo à distância, Anne conseguia sentir a intensidade daquele olhar. Ele a estava observando. Ele a vira tirar a roupa. Ele vira cada movimento dela.

O pânico e a excitação lutaram pelo controle de seus nervos. Anne deveria recuar, fechar a cortina e se esconder. Mas ela ficou paralisada, as mãos agarrando o parapeito com força.

Nick deu um passo à frente, saindo da sombra da árvore. Ele jogou o cigarro no chão, o brilho da brasa morrendo sob sua bota. Ele não disse nada, mas levantou a mão e tocou a própria garganta, exatamente no mesmo lugar onde ele a havia marcado. Foi um gesto lento, deliberado, uma reivindicação silenciosa que atravessou o espaço entre eles.

— O que você está fazendo aqui? — o grito de Anne saiu como um sussurro desesperado, mas no silêncio da noite, ela sabia que ele a ouviria.

Nick não respondeu de imediato. Ele apenas continuou a encará-la, os olhos escuros brilhando com uma fome que parecia capaz de incendiar o terreno inteiro. Ele começou a caminhar em direção ao muro que separava o terreno da casa dela. Com uma agilidade que não condizia com seu tamanho, ele apoiou as mãos no topo da estrutura de pedra e saltou para o lado de dentro, aterrissando sem fazer ruído, como um predador acostumado à caça noturna.

— Eu disse que você estava sempre no meu caminho, Furacãozinho — a voz dele subiu, grave e vibrante, cortando o ar até chegar aos ouvidos dela. — Mas a verdade é que você está sempre na minha cabeça. E eu não consegui mais ficar longe.

Anne recuou um passo da janela, o peito subindo e descendo rapidamente. Ela estava de sutiã e legging, exposta, vulnerável, e Nick Salvatori estava no seu jardim, invadindo seu espaço, quebrando todas as regras.

— Você é louco, Nick! — ela exclamou, embora não fizesse menção de se cobrir. — Vá embora agora! Meus pais...

— Seus pais não chegam por mais duas horas — ele a interrompeu, agora parado logo abaixo da janela dela. Ele olhou para cima, e a luz do quarto iluminou seu rosto, revelando a expressão de absoluta possessividade. — Eu verifiquei a escala de plantão deles, Isa. Eu sei tudo sobre você.

Anne sentiu um frio na barriga. Aquilo era obsessão pura. Era sombrio, era errado, e era exatamente o que ela desejava em seus sonhos mais secretos.

— Você me seguiu? — perguntou ela, a voz tremendo.

— Eu te sigo desde o dia em que te vi pela primeira vez — confessou Nick, a voz baixando para um tom perigosamente íntimo. — Eu sigo o som dos seus brincos, o cheiro do seu perfume... e sigo o rastro de desejo que você deixa por onde passa, mesmo que tente esconder atrás desse seu ódio de fachada.

Ele começou a escalar a trepadeira que subia pela parede lateral da casa, perto da janela. Os músculos de seus braços e costas se contraíam sob a camiseta preta, uma exibição de força bruta que deixou Anne sem fôlego.

— Nick, pare! Você vai cair! — ela avisou, mas não se afastou. Pelo contrário, ela se inclinou para frente, observando-o subir com uma fascinação mórbida.

Em segundos, as mãos grandes de Nick agarraram o parapeito da janela. Ele se impulsionou para cima com uma facilidade assustadora e saltou para dentro do quarto, aterrissando com a leveza de um gato.

O quarto, que antes parecia grande, tornou-se minúsculo com a presença dele. Nick se ergueu em toda a sua altura de 1,90, a cabeça quase tocando o teto. O cheiro de tabaco e couro agora preenchia todo o ambiente.

Anne deu vários passos para trás, até bater com as costas no guarda-roupa. Ela cruzou os braços sobre o peito, uma tentativa tardia de se cobrir.

— Você não pode estar aqui — ela disse, a respiração entrecortada.

Nick fechou a janela atrás de si e girou o trinco. Ele se virou para ela, o olhar percorrendo o corpo de Anne com uma lentidão que parecia queimar sua pele. Quando seus olhos encontraram os dela, Anne viu que ele estava completamente lúcido, sem vestígios da substância da noite anterior, mas a intensidade era dez vezes maior.

— Eu passei a semana inteira vendo você fugir de mim — disse ele, dando um passo à frente. — Vendo você usar essas estrelas idiotas nos ouvidos para tentar abafar o som que eu gosto. Vendo você fingir que não sente o que eu sinto.

— Eu não sinto nada por você além de irritação! — ela mentiu, a voz falhando miseravelmente.

Nick soltou uma risada sombria e deu mais um passo, encurralando-a contra o móvel. Ele estendeu a mão e, com as costas dos dedos, traçou a linha da mandíbula de Anne, descendo até o pescoço, parando exatamente sobre a marca arroxeada.

— Então por que seu coração está batendo como se fosse saltar do peito, pequena? — ele perguntou, inclinando-se até que seus lábios estivessem a milímetros do ouvido dela. — E por que, quando eu cheguei na janela, você estava gemendo o meu nome?

Anne congelou. O sangue fugiu de seu rosto e depois voltou com tudo, tingindo suas bochechas de um vermelho profundo.

— Eu não... eu não estava...

— Eu ouvi, Isa — ele sussurrou, a mão descendo para a cintura dela, apertando a carne macia acima da legging. — Eu estava lá embaixo e ouvi cada som que saiu da sua boca. Você quer ser inteligente? Quer ser a nerd que tem todas as respostas? Então me responda: por que você me chama no escuro se diz que me odeia na luz?

Anne sentiu as lágrimas de frustração e desejo arderem em seus olhos. Ela tentou empurrá-lo, mas seus braços pareciam sem força contra o peito sólido dele.

— Eu te odeio porque você me faz perder o controle! — ela gritou, a voz embargada. — Eu odeio que você saiba o que eu penso, odeio que você me olhe como se eu fosse sua propriedade e odeio que eu não consiga parar de pensar em você por um segundo sequer!

Nick agarrou os pulsos dela e os prendeu acima da cabeça dela contra o guarda-roupa. Ele a prensou com todo o peso de seu corpo, forçando-a a sentir cada centímetro de sua força e sua necessidade.

— Você é minha propriedade, Anne Isabella — ele declarou, a voz carregada de uma autoridade possessiva que não aceitava contestação. — Desde o momento em que você entrou naquela sala e desafiou o meu mundo, você se tornou o meu único objetivo. Eu não sou um garoto legal. Eu não sou o nerd que vai te pedir em namoro com flores. Eu sou o cara que vai te perseguir, que vai te marcar e que não vai deixar ninguém mais chegar perto de você.

Ele soltou os pulsos dela, mas apenas para envolver o rosto de Anne com as duas mãos, forçando-a a olhar para ele.

— Você quer controle? — ele perguntou, o polegar pressionando o lábio inferior dela. — Pois eu estou perdendo o meu. Agora mesmo, a única coisa que me impede de te levar para essa cama e mostrar exatamente o que eu sinto é o fato de que eu quero que você admita. Diga, Isa. Diga que você me quer tanto quanto eu te quero.

Anne olhou para aqueles olhos marrom-escuros, profundos como um abismo, e percebeu que a luta havia terminado. Não havia mais sentido em mentir. A inteligência dela, sua lógica, sua fachada de inimizade... tudo havia sido consumido pelo fogo que Nick Salvatori carregava consigo.

— Eu te quero — ela sussurrou, as palavras saindo como uma confissão final. — Eu te quero tanto que dói, Nick.

O olhar de Nick mudou instantaneamente. A paciência que ele vinha mantendo desapareceu, substituída por uma urgência selvagem. Ele a beijou com uma ferocidade que fez os joelhos de Anne fraquejarem. Não era mais um beijo de descoberta; era um beijo de conquista.

Ele a pegou no colo, as pernas de Anne se envolvendo instintivamente na cintura dele, e a carregou até a cama. Nick a deitou sobre os lençóis de algodão, cobrindo seu corpo com o dele, uma massa de músculos e calor que a fazia se sentir pequena e protegida ao mesmo tempo.

— Você é meu furacão — ele murmurou contra a pele do decote dela, as mãos explorando as curvas de seu corpo ampulheta com uma reverência possessiva. — E eu vou passar o resto da noite provando que você não precisa de mais nada além de mim.

Lá fora, a tempestade finalmente desabou. O som do trovão ecoou pelo quarto, mas Anne Isabella não se importou. O tilintar das estrelas em seus ouvidos foi substituído pelo ritmo frenético de dois corações que haviam finalmente encontrado seu ponto de colisão. Anne percebeu que Nick tinha razão: a guerra entre eles nunca fora sobre ódio ou competição. Era sobre a força inevitável de dois corpos celestes destinados a se chocar, destruindo tudo ao redor para criar algo novo, sombrio e absolutamente irresistível.

E enquanto Nick a beijava, marcando novamente sua pele e reivindicando cada centímetro de seu ser, Anne Isabella soube que, não importava o quanto ela fosse nerd ou inteligente, nunca haveria uma equação capaz de explicar o caos perfeito que era pertencer a Nick Salvatori.