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enemies to love

Sombras de Neon e o Aluguel do Desejo

A tarde no Colégio Saint Jude arrastava-se como uma equação diferencial sem solução. O céu, que durante a manhã ostentava um azul pálido, rapidamente se tingiu de um cinza plúmbeo, anunciando que a noite chegaria mais cedo, carregada pela umidade pesada que precedia outra tempestade. Anne Isabella sentia o peso do olhar de Nick Salvatori em suas costas durante toda a aula de cálculo, uma pressão constante que fazia os pelos de sua nuca se arrepiarem e o metal de seus brincos de cereja parecer subitamente mais frio contra sua pele.

O sinal tocou, ecoando pelo corredor como um gongo de libertação, mas para Anne, o som trouxe apenas mais ansiedade. Ela guardava seus cadernos com mãos trêmulas quando o visor de seu celular brilhou sobre a mesa de madeira clara.

"Isa, querida, houve uma emergência múltipla no hospital devido a um engavetamento na rodovia. Eu e seu pai ficaremos de plantão dobrado até amanhã cedo. Por favor, fique na escola para o jantar e durma no dormitório de visitantes ou peça para a governanta te buscar mais tarde. Não queremos você sozinha em casa com essa tempestade. Juízo. Beijos, Mamãe."

Anne Isabella sentiu o ar escapar de seus pulmões. Ficar na escola? O dormitório de visitantes era um lugar estéril, com cheiro de desinfetante e regras rígidas. Mas a alternativa — voltar para uma casa vazia onde cada sombra lembrava a invasão de Nick na sexta-feira — parecia ainda mais perturbadora.

— Problemas no paraíso, pequena? — A voz de Nick ressoou logo atrás dela, tão profunda e vibrante que ela pôde sentir a vibração no próprio peito.

Ela se virou bruscamente, encontrando-o encostado na mesa vizinha. Nick parecia uma mancha de escuridão em meio à sala de aula iluminada por lâmpadas fluorescentes. Ele estava com a jaqueta de couro preta aberta, o uniforme impecável por baixo, e aquele brilho possessivo e inteligente nos olhos marrons que a desarmava completamente.

— Meus pais estão presos no hospital — Anne respondeu, tentando manter a voz firme. — Vou ter que passar a noite aqui.

Nick inclinou a cabeça, um cacho preto caindo sobre sua testa. Um sorriso lento e predatório curvou seus lábios.

— Passar a noite trancada em uma cela de freira com cheiro de mofo? — Ele deu um passo à frente, invadindo o espaço dela, forçando-a a recuar até bater contra a lousa. — Acho que não, Furacãozinho. Você não foi feita para ficar enjaulada.

— E o que você sugere, Salvatori? — Anne cruzou os braços, fazendo o corpo ampulheta se destacar sob o suéter do colégio. — Que eu fuja com você para o seu covil de nerd obsessivo?

Nick se inclinou, apoiando as mãos na lousa, uma de cada lado da cabeça dela. O cheiro de couro, tabaco e algo puramente masculino a envolveu instantaneamente.

— Eu vou te levar para conhecer o mundo real, bb — ele sussurrou, o hálito quente roçando sua bochecha. — Aquele que os seus livros de física não explicam. Vamos sair daqui. Agora.

— Nick, eu não posso simplesmente sumir...

— Você pode tudo o que eu permitir que você possa — ele a interrompeu, a voz carregada de uma autoridade sombria que a fazia estremecer. — Confie em mim. Ou você tem medo de ver o que acontece quando as luzes da escola se apagam?

Vinte minutos depois, Anne Isabella se viu no banco do passageiro do carro de Nick, um veículo escuro e potente que rugia como uma fera sob o comando dele. A chuva começou a cair, transformando a cidade em um borrão de luzes de neon e asfalto molhado. Ela olhava pela janela, vendo o contorno elegante do colégio diminuir no retrovisor, sentindo uma mistura de terror e uma euforia proibida.

— Para onde estamos indo? — perguntou ela, tocando nervosamente um de seus brincos de cereja. — Esse não é o caminho da sua casa.

— Eu disse que te levaria para ver o mundo real — Nick respondeu sem tirar os olhos da estrada. — Um lugar onde a moralidade é apenas uma sugestão e onde eu posso ter você só para mim, sem interrupções de plantões médicos ou inspetores de corredor.

O carro desacelerou em uma zona industrial da cidade, longe dos bairros nobres e das fachadas limpas do Saint Jude. Nick estacionou em frente a um prédio discreto, cuja única identificação era uma luz vermelha pulsante acima de uma porta de metal pesado. O som de uma batida abafada de música eletrônica vibrava através das paredes de concreto.

— Nick... o que é este lugar? — Anne sentiu a garganta secar.

— Um clube exclusivo — ele disse, saindo do carro e dando a volta para abrir a porta para ela. — Alguns chamam de puteiro de luxo. Eu chamo de santuário para quem não quer ser encontrado.

Anne hesitou, mas a mão de Nick encontrou sua cintura, firme e quente, guiando-a para dentro. O contraste foi imediato. O interior era luxuoso, decorado com veludo carmesim, espelhos fumês e uma iluminação tão baixa que tudo parecia um sonho febril. Mulheres em trajes mínimos e homens de terno circulavam pelo saguão, mas ninguém parecia notar a presença de dois adolescentes. Nick caminhava com uma confiança que sugeria que ele não era um estranho ali, apesar da idade.

Ele se aproximou do balcão de mármore, onde um homem corpulento o cumprimentou com um aceno respeitoso. Nick deslizou um cartão preto e algumas notas de alto valor sobre a superfície.

— A cabine VIP do fundo. A que tem isolamento acústico total — Nick ordenou, a voz fria e decidida.

— Imediatamente, Sr. Salvatori.

Anne sentia o coração martelar contra as costelas. Nick a conduziu por um corredor estreito, onde o som da música se tornava apenas uma vibração distante. Ele parou em frente a uma porta de madeira escura e a abriu, revelando um espaço pequeno, mas opulento: um sofá de couro circular, paredes acolchoadas em seda negra, uma mesa de vidro com bebidas e uma luz âmbar que criava sombras dramáticas.

Ele fechou a porta e girou a chave. O clique metálico pareceu ecoar na alma de Anne.

— Por que estamos aqui, Nick? — ela perguntou, a voz falhando. — Isso é... isso é demais, mesmo para você.

Nick jogou a jaqueta no sofá e começou a desabotoar os punhos da camisa, os olhos escuros fixos nela com uma intensidade predatória.

— Na sua casa, eu tive que me apressar — ele disse, dando um passo lento em direção a ela. — Na escola, eu tenho que fingir que não quero te rasgar as roupas no meio do refeitório. Mas aqui... aqui o tempo é meu. Eu aluguei este espaço para que você entenda de uma vez por todas que não existe fuga, Isa.

Anne recuou até que suas pernas batessem na borda do sofá de couro.

— Você é louco — ela sussurrou, mas não havia medo real, apenas uma entrega inevitável. — Você me trouxe para um puteiro para provar um ponto?

— Eu trouxe você para um lugar onde ninguém vai te ouvir gritar o meu nome — Nick rebateu, a voz carregada de uma possessividade nua. — Onde eu posso te ensinar que a dor e o prazer são apenas variáveis na mesma equação.

Ele a alcançou, as mãos grandes segurando o rosto de Anne com uma firmeza que a obrigava a olhar para cima. O polegar dele traçou o lábio inferior dela, que ainda guardava a memória dos beijos de sexta-feira.

— Sabe o que eu sinto quando vejo você discutindo literatura com aquele professor? — ele perguntou, a voz baixando para um sussurro perigoso. — Eu sinto vontade de quebrar o pescoço dele. Sinto vontade de gritar para todos que cada pensamento seu, cada suspiro e cada centímetro desse corpo ampulheta pertencem a mim.

— Nick... — Anne arquejou quando ele desceu as mãos para a gola do seu suéter escolar.

— Você acha que é inteligente, pequena? — Ele começou a puxar o tecido para cima, expondo a pele macia da barriga dela. — Pois a coisa mais inteligente que você pode fazer agora é aceitar que você é minha. Minha nerd, meu furacãozinho,