enimes to lovers
O Brilho das Estrelas e o Calor do Pecado
A noite na Terra do Nunca havia caído com um manto de veludo escuro, salpicado por estrelas que pareciam vibrar com uma luz própria. O silêncio da floresta era profundo, interrompido apenas pelo farfalhar ocasional das folhas e pelo som distante das ondas batendo nos recifes. Eu estava em minha cabana, mas o sono era um visitante que se recusava a aparecer. Meus pensamentos estavam agitados, girando em torno de Peter e das sensações que ele despertava em mim.
Eu sabia que Peter não precisava dormir da mesma forma que os mortais. Ele era a própria essência da ilha, eterno e incansável. Aproveitando que a solidão do quarto estava começando a me sufocar, levantei-me e caminhei até o esconderijo dele. Eu não queria ficar sozinha; queria o calor da presença dele, aquele magnetismo que só o Pan possuía.
Ao entrar, encontrei-o sentado à mesa improvisada. Ele estava curvado sobre um caderno, escrevendo com uma intensidade que raramente demonstrava. Sua expressão era séria, as sobrancelhas franzidas em um vinco de concentração ou, talvez, de preocupação. Aproximei-me silenciosamente e sentei-me ao seu lado, observando o perfil do seu rosto iluminado pela luz trêmula de uma lanterna de fada.
— Peter? — chamei baixinho, tocando seu ombro. — Por que você está assim? Parece que o mundo inteiro está pesando nos seus ombros.
Ele parou de escrever, mas não fechou o caderno imediatamente. Ele se virou para mim, e seus olhos cor de mel pareciam buscar algo profundo nos meus.
— Hanna... — Ele suspirou, deixando a pena de lado. — Eu estava pensando. Você gosta de mim? De verdade?
Eu franzi a testa, surpresa com a vulnerabilidade na voz dele.
— É claro que sim, Peter. Eu já provei isso de mil maneiras. Por que a pergunta agora?
Ele desviou o olhar por um momento, batucando os dedos na mesa de madeira.
— Então, se você gosta de mim, por que não podemos ficar juntos de vez? — Ele se inclinou na minha direção, a voz ganhando força. — Nós já nos beijamos, já dormimos abraçados... até os meninos acham que estamos namorando. Eles me perguntam por que eu não te apresento como minha rainha de uma vez. Me explica, Nana, por que você ainda coloca essa barreira entre nós?
Senti um aperto no peito. A verdade era que as sementes da dúvida tinham sido plantadas há algum tempo, e elas tinham raízes profundas.
— Peter, me desculpa... — comecei, baixando o olhar para minhas próprias mãos. — É que, há um tempo, eu cruzei com alguns piratas perto da enseada. Eles falaram coisas... disseram que eu era apenas mais uma, que você já tinha trazido outra menina antes de mim e que ela era especial. Eles ficaram enfiando isso na minha cabeça e eu não conseguia parar de pensar que, talvez, eu fosse apenas uma fase para você.
Peter soltou uma risada curta, mas não era de deboche; era de incredulidade. Ele segurou meu queixo, forçando-me a olhar para ele.
— Piratas, Hanna? Você acreditou em homens que vivem de mentiras e trapaças? — O olhar dele suavizou. — Não tem outra menina. Nunca houve ninguém que me fizesse sentir o que você faz. Aquilo foi só uma tentativa de nos afastar. Está tudo bem, eu não estou bravo, mas não deixe que o veneno deles estrague o que temos.
Eu assenti, sentindo um peso enorme sair das minhas costas.
— Me desculpa por ter tido dúvida. É que eles falaram tanto que ficou estranho na minha cabeça.
Ele sorriu de lado, mas logo sua expressão ficou pensativa novamente.
— E o Felix? — perguntou ele, observando minha reação. — É por causa dele? Eu sei que ele gosta de você. Ele é meu melhor amigo, mas eu vejo como ele te olha. Você não quer me namorar para não magoar ele?
Eu não o deixei terminar de falar sobre o Felix. Inclinei-me para frente e selei nossos lábios em um beijo profundo e calmo, silenciando suas inseguranças. Quando nos separamos, eu acariciei seu rosto.
— Não é por causa do Felix, Peter. Eu gosto dele como amigo, mas é você quem eu amo. Se você quiser, a gente pode namorar, pode até casar se isso existisse aqui. Eu só não quero que você fique chateado comigo, nem que brigue com seu melhor amigo por minha causa.
Peter relaxou visivelmente. Ele soltou um suspiro de alívio e me puxou para um abraço apertado, escondendo o rosto no meu peito.
— Eu não vou brigar com ele — murmurou ele contra minha pele. — Mas agora todo mundo vai saber que você é minha. Só minha.
Ficamos ali conversando por horas, acertando os ponteiros do nosso relacionamento de um jeito que nunca tínhamos feito antes. Eventualmente, o cansaço nos venceu e acabamos dormindo ali mesmo, entrelaçados.
Quando acordei, ainda era madrugada. O ar estava fresco e o silêncio da cabana era preenchido apenas pela respiração rítmica de Peter. Sentei-me na cama, sentindo o lençol escorregar. Peter já estava acordado, sentado ao meu lado. Ele estava sem camisa, a luz da lua filtrada pela janela delineando os músculos de suas costas e ombros. Eu também estava apenas de sutiã e um short de dormir extremamente curto, sentindo a liberdade da pele exposta.
— Não consegue dormir? — perguntei, aproximando-me dele.
Ele se virou devagar. Seus olhos não encontraram os meus de imediato. Em vez disso, eles desceram para minha boca, fixando-se ali com uma fome que fez meu sangue ferver.
— Peter? — chamei, com um sorriso brincalhão. — Você está prestando atenção no que eu estou falando?
Ele soltou um som baixo na garganta, uma mistura de riso e desejo.
— É impossível prestar atenção em palavras quando se tem uma menina linda e gostosa como você do meu lado, Hanna — disse ele, a voz rouca.
Antes que eu pudesse responder, ele avançou. O beijo foi urgente, possessivo, derrubando-me de volta nos travesseiros enquanto ele se posicionava por cima de mim. Senti suas mãos descendo pela minha cintura, a pele dele quente contra a minha. Uma de suas mãos deslizou pela minha perna, subindo até apertar minha bunda por cima do short curto, arrancando um suspiro surpreso dos meus lábios.
— Peter... — sussurrei entre os beijos.
Suas mãos continuaram sua exploração, subindo para meus seios, acariciando-os por cima do tecido do sutiã. Eu não queria ser apenas passiva. Segurei seus ombros e, com um movimento ágil, troquei nossas posições, sentando-me sobre o colo dele. Comecei a me movimentar, sentindo a fricção que nos incendiava.
Peter segurou minha cintura com firmeza, tentando guiar o ritmo, mas eu fui mais rápida, ditando meu próprio tempo. Vi seus olhos se fecharem e sua cabeça pender para trás enquanto ele relaxava sob meu comando.
— O que você tem de gostosa, tem de esperta, Nana... — ele arquejou, apertando minha bunda com força.
O aperto dele me fez soltar um gemido baixo, que pareceu encorajá-lo ainda mais. Eu rebolei no colo dele, sentindo a conexão entre nós se tornar algo quase insuportável de tão bom. A inocência da Terra do Nunca parecia ter ficado do lado de fora daquela cabana.
Momentos depois, estávamos deitados novamente. Ele havia tirado meu short e sua mão explorava meu corpo com uma curiosidade devota. Quando ele começou a me penetrar com os dedos, senti meu corpo arquear. Mas o ápice veio quando ele desceu sua boca até mim.
A sensação da língua de Peter contra minha intimidade foi avassaladora. Eu segurei seus cabelos, puxando-os levemente enquanto tentava buscar ar. Meus gemidos preenchiam o quarto, e eu ouvi sua risada abafada contra minha pele, um som de puro triunfo.
— Peter... para... eu não consigo... — eu tentava dizer, mas a falta de ar e o prazer não deixavam.
Eventualmente, ele parou, subindo novamente para o meu lado. Ele ergueu meu short, vestindo-me com uma delicadeza contrastante com a intensidade de segundos atrás, e deitou-se em cima de mim, escondendo o rosto no meu pescoço.
— Agora você quer carinho? — perguntei, rindo e passando as mãos pelos cabelos dele. — Depois de quase me deixar manca, você vem dar uma de carente?
Ele se aconchegou mais, como se quisesse se fundir a mim.
— Eu sou seu neném, não sou? — perguntou ele, a voz agora doce e manhosa.
— É sim — respondi, beijando o topo da cabeça dele. — É o meu neném. Só meu.
Ele levantou o rosto um pouco, olhando-me com uma mistura de adoração e malícia.
— Mas que mãe mais gostosa que eu tenho, meu Deus... Sua foda é boa demais, e você ainda cuida de mim.
Eu comecei a rir, achando graça da forma como ele misturava as coisas.
— Peter, você não existe!
— É sério, Hanna — disse ele, voltando a esconder o rosto. — Agora eu só vou te chamar de mãe. Você é minha mãe, sim, mas é gostosa pra caralho. Puta que pariu, que sorte a minha.
Eu continuei rindo, abraçando-o com força enquanto o resto da madrugada passava lá fora. Naquela noite, a Terra do Nunca entendeu que o seu rei finalmente tinha encontrado algo pelo qual valia a pena, se não crescer, pelo menos amadurecer no amor. E eu, nos braços de Peter, sabia que nenhuma mentira de pirata ou dúvida de amizade poderia destruir o que tínhamos construído entre lençóis e confissões ao luar.