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Entre a cruz e a espada

O Brilho do Diamante Negro e a Promessa de um Reino

O céu sobre a propriedade dos West estava tingido de um roxo profundo, quase como se o próprio universo estivesse prestando homenagem à união que estava prestes a acontecer. O tema era "Eclipse": uma celebração em preto e branco que simbolizava a fusão perfeita entre a luz doce da minha alma e a escuridão poderosa de Jade.

Eu estava no quarto de vestir, cercada por espelhos de molduras douradas. O meu vestido era uma obra-prima de seda branca pura, com um corpete estruturado que abraçava minhas curvas generosas e um decote coração que valorizava meu colo. A saia era volumosa, feita de camadas de tule e renda francesa, bordada com minúsculos cristais que brilhavam como gotas de orvalho. Eu me sentia uma rainha, mas não uma rainha frágil; eu era a rainha de uma Alfa Alfa.

— Você está deslumbrante, Karen — sussurrou a babá, trazendo Ethan no colo, que vestia um micro-terninho branco. Luna corria ao redor, já com seu vestidinho de dama de honra, parecendo uma pequena fada das sombras.

Quando as portas da clareira se abriram, o mundo pareceu prender a respiração. Todos os convidados estavam vestidos em cores vibrantes — azuis, vermelhos, amarelos — formando um mar de cores que apenas servia para destacar as duas figuras centrais.

No final do corredor de pétalas brancas, Jade West me esperava.

Ela estava magnífica. Vestia um terno de corte impecável, inteiramente preto, feito de um tecido que parecia absorver a luz ao redor. A camisa de seda por baixo era negra, e ela dispensara a gravata, deixando os primeiros botões abertos, revelando a marca de união no seu pescoço. Seus cabelos negros estavam soltos, caindo em ondas perfeitas sobre os ombros.

Quando nossos olhos se encontraram, o mundo exterior desapareceu. Vi a mandíbula de Jade travar por um segundo, e o verde de seus olhos brilhou com uma intensidade predatória e adoradora. Ela não apenas me olhava; ela me consumia. Senti o vínculo entre nós vibrar, uma onda de calor que me fez caminhar com mais firmeza.

Jade deu um passo à frente antes mesmo de eu chegar ao altar, incapaz de esperar mais um segundo. Ela segurou minha mão, e o toque foi como um choque elétrico.

— Você está tentando me matar antes do "sim"? — sussurrou ela, a voz rouca, audível apenas para mim. — Eu nunca vi nada tão perfeito em toda a minha existência.

— Você não está nada mal para uma Alfa das Sombras — respondi, sorrindo entre as lágrimas de felicidade.

A cerimônia foi breve, mas carregada de significado ancestral. Trocamos votos que falavam de proteção, sangue e eternidade. Quando Jade colocou o anel de diamante negro no meu dedo, ela inclinou-se e beijou minha mão com uma reverência que fez os convidados suspirarem.

— Eu, Jade West, reivindico você como minha esposa, meu coração e minha soberana — declarou ela, a voz de Alfa ecoando pela floresta, fazendo os pássaros levantarem voo em sinal de respeito.

A recepção foi um espetáculo de elegância. Dançamos sob a luz da lua, cercadas pelo contraste do preto e do branco, enquanto nossos amigos e aliados celebravam em suas cores festivas. Mas, para Jade e para mim, o verdadeiro momento começou quando a festa diminuiu e finalmente nos retiramos para o nosso refúgio particular, a nova ala da mansão que havíamos acabado de construir.

Estávamos sentadas no parapeito da grande janela do quarto, observando as luzes da propriedade. Eu estava encostada no peito dela, sentindo as batidas firmes do seu coração, enquanto ela brincava com os fios do meu cabelo.

— Jade... — comecei, sentindo a empolgação de planejar nosso novo lar. — Estive pensando nos detalhes da nossa casa. Quero que cada canto tenha a nossa marca, sabe?

— Tudo o que você quiser, pequena — respondeu ela, beijando o topo da minha cabeça. — O império é seu.

— Eu quero que a nossa sala de estar seja toda em tons de prata — disse, gesticulando no ar como se pintasse a cena. — Algo que brilhe com a luz da lua. Mas a sala de jantar... ah, a sala de jantar precisa ser dourada. Quero que todos que se sentem à nossa mesa sintam o peso do ouro e da nossa vitória. E a cozinha? Quero bronze. Algo quente, terroso, acolhedor. O que você acha?

Jade soltou uma risada baixa, o som vibrando contra minhas costas.

— Prata, ouro e bronze. Você está construindo um palácio de metais preciosos, Karen. Eu adoro. Continua.

— E o nosso quarto... — Virei-me para encará-la, meus olhos brilhando. — Eu quero um quarto de casal vermelho. Um vermelho profundo, cor de sangue e de paixão. Quero que aquele lugar seja o nosso santuário de fogo.

— Vermelho — concordou Jade, seus olhos escurecendo com desejo. — Uma escolha perigosa, mas perfeita para nós.

— E as crianças! — continuei, animada. — O quartinho da Luna tem que ser roxo, cor de ametista. Ela é nossa pequena mística. E o do Luan... verde, como esmeralda, exatamente da cor dos seus olhos, Jade.

— Meus olhos no meu filho — murmurou ela, parecendo tocada. — Gostei disso.

— Para as visitas, o quarto de hóspedes será azul como safiras. Quero que quem durma lá se sinta mergulhado no oceano. E os banheiros... ah, o nosso banheiro de casal precisa ser preto, mas um preto especial, como pérola negra. Elegante e misterioso. Já o banheiro dos andares inferiores, quero cinza, como pérola cinza. O que você acha, amor?

Jade me puxou para mais perto, selando nossos lábios em um beijo rápido e carinhoso.

— Acho que você tem o gosto de uma imperatriz. E eu vou providenciar cada detalhe. Se você quiser que as paredes sejam feitas de diamantes, eu farei acontecer.

— E tem mais uma coisa — eu disse, mordendo o lábio inferior, um pouco tímida. — Eu queria um carro novo. Um Mini Cooper.

Jade arqueou uma sobrancelha, claramente surpresa pela escolha modesta em comparação ao luxo da casa.

— Um Mini Cooper? Só isso?

— Mas eu quero que ele seja vermelho — expliquei, rindo. — Um vermelho tipo "Rainha de Copas". Quero que ele seja a minha pequena joia na estrada. Já até escolhi o nome dele: Irace.

— Irace — repetiu Jade, testando o nome na língua. — A Rainha de Copas em seu Irace vermelho. Faz sentido. É audacioso, charmoso e um pouco letal. Exatamente como você quando decide me desafiar.

— Então você deixa? — perguntei, abraçando o pescoço dela.

— Eu não "deixo", Karen — corrigiu ela, segurando minha cintura com firmeza. — Eu ordeno que você tenha tudo o que deseja. Amanhã mesmo o seu Irace estará na garagem, e os arquitetos começarão a pintar o nosso mundo de prata, ouro e vermelho.

Eu me aconcheguei nela, sentindo uma paz absoluta. O caminho até ali fora tortuoso — a gravidez secreta, o noivado rompido, os ataques do conselho e o medo da perda. Mas agora, enquanto o cheiro de Jade me envolvia e os planos para o nosso futuro ganhavam cores preciosas, eu sabia que éramos invencíveis.

— Eu te amo, Jade West — sussurrei.

— Eu te amo mais do que o sangue que corre nas minhas veias, Karen West — respondeu ela, a voz carregada de uma promessa eterna. — E nada neste mundo ousará ficar entre nós de novo.

Sob a luz da lua, no silêncio da nossa nova vida, a Alfa e sua Rainha celebraram não apenas um casamento, mas o nascimento de uma dinastia que seria tão brilhante quanto as safiras e tão intensa quanto o quarto vermelho que em breve abrigaria seus sonhos mais profundos.