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Entre espadas e trono

O Altar de Cinzas e Seda

O Grande Salão do Palácio de Pedersen resplandecia com o brilho hipnótico de mil candelabros de cristal, mas a atmosfera era de um desespero mascarado por opulência. O Rei Pedersen, em uma tentativa fútil de demonstrar força enquanto suas fronteiras ruíam, convocara a nobreza para o baile de noivado de sua herdeira. O problema, sussurrado entre taças de vinho e leques de seda, era que a noiva estava desaparecida, capturada pela "General de Gelo" do reino inimigo.

Lorde Alistair, o nobre prometido a Sonya — um homem cujos títulos eram tão vastos quanto sua arrogância —, desfilava pelo salão com o peito estufado, prometendo resgatar sua futura esposa e trazer a cabeça de Lookmhee Punyapat em uma bandeja.

— Ela é apenas uma mercenária com um título de general — bradava Alistair para um círculo de cortesãos bajuladores. — Quando eu colocar minhas mãos naquela mulher, ela implorará pela morte. Sonya é minha por direito de sangue e contrato.

O som metálico de um estrondo interrompeu sua bravata. As pesadas portas duplas de carvalho do salão foram arrancadas de suas dobradiças, não por aríetes, mas pelo impacto de dois guardas de Pedersen que foram arremessados para dentro, desacordados.

O silêncio caiu sobre o salão como um manto de gelo.

Lookmhee Punyapat entrou primeiro. Ela não vestia trajes de gala, mas sua armadura de combate negra, ainda ostentando os arranhões de batalhas recentes. Com um metro e oitenta de altura, sua presença física era esmagadora, uma torre de autoridade gélida que fazia os nobres recuarem como gado assustado. A pequena cicatriz no canto de sua boca parecia mais acentuada sob a luz dos candelabros.

Mas não foi a general que paralisou o coração do Rei. Foi a mulher que caminhava ao lado dela, com a mão possessivamente entrelaçada à de Lookmhee.

Sonya Saranphat não usava mais o vestido de seda clara de sua linhagem. Ela vestia um traje de montaria em tons de escarlate e negro, as cores do exército de Punyapat. Seus cabelos castanho-claro estavam presos em uma trança firme, e seus olhos, antes suaves, agora carregavam o reflexo do aço de Lookmhee.

— Que ultraje é este? — o Rei Pedersen rugiu do seu trono, a voz trêmula de fúria e medo. — Guardas! Prendam essa invasora!

Ninguém se moveu. Os soldados de elite de Lookmhee já haviam flanqueado as entradas, suas lanças batendo no chão em um ritmo hipnótico e ameaçador.

— Silêncio — ordenou Lookmhee. Sua voz, um barítono baixo e controlado, cortou o salão. Ela não olhou para o Rei; seus olhos estavam fixos na multidão, garantindo que cada alma ali sentisse o peso de sua presença. — Não viemos para uma guerra hoje. Viemos para um anúncio.

— Você ousa invadir minha casa e falar de anúncios? — Alistair deu um passo à frente, o rosto vermelho de humilhação. Ele desembainhou uma espada decorativa, cravejada de joias que nunca haviam visto sangue. — Solte a princesa, sua bárbara! Sonya, venha para cá agora mesmo. Você pertence a mim!

Sonya apertou a mão de Lookmhee, sentindo o calor da general. Ela deu um passo à frente, sua voz clara e desprovida de hesitação.

— Eu não pertenço a um contrato, Alistair. E certamente não pertenço a um homem que se esconde atrás de paredes enquanto outros sangram por ele.

— O que você está dizendo? — o Rei Pedersen levantou-se, cambaleando. — Sonya, recupere o juízo!

— Eu, Sonya Saranphat, herdeira de Pedersen, renuncio formalmente à minha coroa e a qualquer direito sobre este trono — declarou ela, as palavras ecoando no salão como sentenças. — Este reino é um cadáver mantido vivo por mentiras. Eu escolho a verdade. Eu escolho a General Punyapat.

O choque foi tão profundo que o barulho de uma taça de cristal quebrando no chão soou como uma explosão. Alistair, com o ego inflado e a racionalidade perdida, soltou um grito de fúria e avançou contra Lookmhee.

— Sua vadia manipuladora! Você a enfeitiçou!

O movimento de Lookmhee foi um borrão de eficiência letal. Ela não desembainhou sua espada; não foi necessário. Com uma mão, ela desviou a lâmina ornamental de Alistair e, com a outra, agarrou o antebraço do nobre. Houve um som seco e nauseante de osso se partindo — um estalo que fez as damas da corte desviarem o olhar.

Alistair caiu de joelhos, segurando o braço que agora pendia em um ângulo impossível, seus gritos de dor preenchendo o salão. Lookmhee permaneceu imóvel, nem sequer ofegante, olhando para ele com o desprezo que se dedica a um inseto.

— Você é lento, fraco e barulhento — disse Lookmhee, limpando a mão na lateral de sua calça de couro. — Tente tocar nela novamente e eu não quebrarei apenas o seu braço. Eu arrancarei sua alma.

— Sua... sua decepção! — o Rei Pedersen gritou, apontando o dedo trêmulo para a filha. — Você é uma vergonha para o sangue que carrega! Uma traidora! Eu preferiria que você tivesse morrido naquela emboscada a ver você se deitar com o inimigo. Você não é mais minha filha. Você é um nada!

O olhar de Lookmhee mudou instantaneamente. A frieza metódica deu lugar a uma fúria incandescente. Ela deu um passo em direção ao trono, a mão indo para o punho de sua espada pesada. O ar ao redor dela parecia entrar em combustão. Ninguém insultava o que era dela. Ninguém diminuía a mulher que ela aprendera a venerar.

— Você viveu tempo demais, velho — sibilou Lookmhee, a lâmina de sua espada deslizando para fora da bainha com um som sibilante. — Vou garantir que suas últimas palavras sejam um engasgo com o próprio sangue.

— Lookmhee! — a voz de Sonya soou firme, parando a general no meio do caminho.

Lookmhee parou, a tensão em seus ombros largos era quase visível através da armadura. Ela olhou para Sonya, seus olhos ainda selvagens de ódio.

— Ele a insultou, Sonya. Ele a repudiou.

Sonya caminhou até a general e colocou a mão sobre o punho da espada, forçando-a gentilmente de volta para a bainha. Ela olhou para o pai, mas não havia ódio em seus olhos castanhos, apenas uma piedade gélida.

— Deixe-o — disse Sonya. — Ele já está morto, Lookmhee. Veja-o. Ele governa um salão de fantasmas e covardes. Ele não vale o aço da sua lâmina, nem o esforço do seu braço. Matá-lo seria dar-lhe uma importância que ele não possui mais.

Lookmhee respirou fundo, o peito subindo e descendo contra a armadura. Ela obedeceu. O controle que Sonya exercia sobre a fera mais perigosa do continente era absoluto. A general relaxou a postura, mas não se afastou.

— Como desejar, minha princesa — respondeu Lookmhee, a voz voltando ao tom de devoção que reservava apenas para ela.

A general então se virou para a multidão de nobres, que observavam a cena com terror absoluto. Ela envolveu a cintura de Sonya com um braço forte, puxando-a para perto, reivindicando-a diante de todos os que um dia a conheceram como uma herdeira submissa.

— Ouçam bem, ratos de Pedersen! — a voz de Lookmhee trovejou, alcançando cada canto do Grande Salão. — Sonya Saranphat não é mais uma moeda de troca para os seus jogos políticos. Ela é minha. Cada centímetro da sua pele, cada pensamento da sua mente. Eu matarei qualquer um que ousar olhar para ela com desrespeito. Eu queimarei cidades inteiras se ela derramar uma única lágrima por culpa de vocês.

Lookmhee olhou para Sonya, e diante de todos — diante do rei, do noivo humilhado e da corte estupefata — ela se inclinou e a beijou. Foi um beijo profundo, carregado de posse e de uma paixão que desafiava a lógica da guerra que as unira. Era uma declaração de soberania.

Quando se separaram, Lookmhee manteve o olhar fixo na multidão.

— De hoje em diante, vocês devem a ela a mesma obediência que devem a mim — declarou a general. — Na verdade, devem a ela mais. Pois eu sigo as ordens dela, e ai de quem não fizer o mesmo.

Sonya olhou para o salão, para as pessoas que esperavam que ela fosse uma vítima, e sorriu. Era um sorriso que carregava o brilho gélido da obsessão de Lookmhee.

— Vamos embora daqui — pediu Sonya suavemente. — Este lugar cheira a mofo e passado.

— Sim — concordou Lookmhee, seus olhos nunca deixando o rosto da princesa. — Temos um novo mundo para construir.

Lookmhee guiou Sonya para fora, seus soldados abrindo caminho com uma precisão mortal. Enquanto cruzavam as portas destruídas, o Rei Pedersen desabou em seu trono, um homem esquecido em um reino que já não lhe pertencia.

Do lado de fora, sob a luz da lua, Lookmhee ajudou Sonya a montar em seu cavalo negro. Antes de subir no seu, a general segurou a mão de Sonya e beijou os nós dos seus dedos.

— Você foi perfeita lá dentro — murmurou Lookmhee.

— Eu apenas disse a verdade — respondeu Sonya, inclinando-se para tocar a cicatriz na boca da general. — Eu não sou mais uma Pedersen, Lookmhee. Eu sou sua.

— E eu sou sua serva mais leal — respondeu a General de Gelo, com um brilho nos olhos que prometia que o mundo inteiro ainda ouviria o nome delas.

Elas galoparam para longe das cinzas do passado, rumo a uma fortaleza onde o gelo e o fogo haviam finalmente aprendido a coexistir, forjando um poder que nenhum rei ou exército jamais seria capaz de quebrar. A guerra terminara, mas o reinado da obsessão estava apenas começando.