Entre olhares(fundo)
Sinfonia de Marcas e Obsessão
O calor no quarto havia se tornado uma entidade física, pesada e opressiva, mas Luna não queria respirar nenhum outro ar que não fosse aquele saturado pelo cheiro de Titan. A seda azul do pijama, que antes parecia um refúgio de conforto, agora era um obstáculo irritante entre sua pele e as mãos ásperas do alfa. Luna se contorcia sob o peso de Titan, seus quadris subindo em um arco involuntário, buscando o contato que prometia tanto prazer quanto punição.
— Você está tremendo, Luna — sussurrou Titan, a voz agora um rosnado baixo contra a pele da mandíbula do menor. — É medo ou é aquela sua necessidade doentia de ser dominado falando mais alto?
Luna soltou uma risada fegante, a cabeça jogada para trás, expondo a linha pálida de sua garganta. Seus olhos estavam levemente nublados, uma mistura de luxúria e aquela centelha de loucura que sempre surgia quando ele se sentia possuído.
— Você sabe a resposta, seu idiota — retrucou Luna, tentando manter o tom tsundere, embora sua voz falhasse miseravelmente. — Eu odeio o fato de que você tem esse poder sobre mim... mas eu odeio ainda mais a ideia de que você possa usar esse poder em qualquer outra pessoa. Se eu descobrir que você tocou em alguém com essa mesma intensidade, eu juro que queimo este mundo com nós dois dentro.
Titan apertou o aperto em volta da cintura de Luna, seus dedos se enterrando na carne macia. Ele adorava quando Luna mostrava as garras, quando aquele ciúme yandere transbordava. Para Titan, não era um sinal de instabilidade, mas a prova máxima de lealdade.
— Você é tão possessivo quanto eu, pequeno monstro — disse Titan, os olhos brilhando com uma satisfação sombria. — Mas você esqueceu a regra principal: nesta cama, você não dita as regras. Você apenas as segue.
Com um movimento brusco, Titan puxou os botões da camisa de seda de Luna. O som do tecido se abrindo foi como um tiro no silêncio do quarto. Luna soltou um suspiro agudo, o peito subindo e descendo rapidamente enquanto o ar frio da noite atingia sua pele quente. Ele se sentia exposto, vulnerável e, acima de tudo, ansioso.
— O que você vai fazer? — perguntou Luna, os olhos fixos nos de Titan, desafiando-o a ir além.
— Vou garantir que ninguém mais se atreva a olhar para você e pensar que tem uma chance — respondeu Titan. Ele se inclinou, prendendo os lábios de Luna em um beijo que não tinha nada de gentil. Era uma invasão, uma disputa de línguas onde Titan dominava sem esforço, forçando Luna a aceitar seu ritmo.
Luna gemeu contra a boca de Titan, suas mãos subindo para os ombros largos do alfa, as unhas cravando-se na pele bronzeada, deixando marcas vermelhas que combinavam com o temperamento explosivo de ambos. Ele queria sentir a força de Titan, queria ser subjugado até que sua mente não passasse de um borrão de sensações.
Quando Titan se afastou para recuperar o fôlego, um fio de saliva conectava os dois por um breve segundo antes de se romper. Ele desceu para o peito de Luna, suas mãos mapeando cada costela, cada curva daquele corpo que ele conhecia melhor do que a si mesmo.
— Você é tão pequeno — murmurou Titan, a voz carregada de uma ternura perigosa. — Às vezes eu sinto que poderia te quebrar ao meio se não tomasse cuidado.
— Então me quebre — implorou Luna, a voz reduzida a um sussurro quebrado. — Eu não quero cuidado, Titan. Eu quero que você me marque. Quero que todos vejam que eu pertenço a um bruto ciumento que não sabe o que é delicadeza.
Titan sorriu, um sorriso que enviou calafrios pela espinha de Luna. Ele deslizou a mão para baixo, puxando a calça do pijama de Luna com uma impaciência controlada. A nudez de Luna sob a luz âmbar era uma visão que Titan guardava como um tesouro privado, algo que ele mataria para proteger.
— Você quer marcas? — Titan perguntou, sua voz descendo uma oitava. — Eu vou te dar tantas marcas que você vai ter que usar gola alta por um mês. E cada vez que você sentir a ardência na sua pele, você vai lembrar que é minha propriedade. Entendido?
— Sim... — Luna arquejou, fechando os olhos enquanto sentia as mãos de Titan explorando áreas mais sensíveis. — Sim, mestre.
O uso daquela palavra fez o autocontrole de Titan vacilar. Ele sempre soube que Luna era um masoquista nato, mas ouvir a submissão total na voz do garoto era o combustível que faltava para sua própria possessividade explodir. Titan mordeu o ombro de Luna, com força suficiente para deixar uma marca profunda e arroxeada, ignorando o pequeno grito de dor que escapou dos lábios do menor — ou melhor, alimentando-se dele.
— Dói? — perguntou Titan, a língua traçando o local da mordida logo em seguida.
— Dói... é maravilhoso — confessou Luna, as lágrimas agora escorrendo livremente, não de tristeza, mas de uma euforia avassaladora. — Mais. Não para.
Titan não parou. Ele continuou seu caminho de reivindicação, deixando trilhas de beijos ardentes e mordidas possessivas por todo o torso de Luna. Ele parou nos quadris, onde seus dedos deixaram impressões digitais que certamente se transformariam em hematomas no dia seguinte. Cada toque era uma afirmação de domínio, e cada reação de Luna — cada espasmo, cada gemido abafado — era uma aceitação de sua posição.
— Você é tão barulhento para alguém que diz que me odeia — provocou Titan, olhando para cima para ver o rosto de Luna distorcido pelo prazer.
— Eu odeio... o quanto eu preciso disso — Luna admitiu, a voz embargada. — Eu odeio que ninguém mais consiga me fazer sentir assim. Você me estragou para qualquer outra pessoa, Titan. Você sabe disso, não sabe?
— Esse era o plano desde o início — disse Titan, voltando a subir para ficar cara a cara com Luna. — Eu não quero que você seja funcional para mais ninguém. Eu quero ser o único que conhece seus limites, o único que pode te levar ao topo e o único que pode te trazer de volta.
Luna envolveu o pescoço de Titan com os braços, puxando-o para mais perto, o ciúme yandere brilhando novamente em seus olhos através das lágrimas.
— Se eu descobrir que você está sendo "o único" para outra pessoa, Titan... eu juro que corto sua garganta enquanto você dorme.
Titan soltou uma gargalhada genuína, o som vibrando contra o peito de Luna.
— É por isso que eu te amo, seu pequeno psicopata. Ninguém mais teria a coragem de me ameaçar enquanto está nessa posição.
Ele se posicionou entre as pernas de Luna, o clima atingindo o ponto de ebulição. A festa do pijama de outrora era agora uma memória distante, substituída por uma realidade crua e intensa. Luna abriu as pernas voluntariamente, convidando o alfa para dentro de seu mundo caótico.
— Me mostre — sussurrou Luna, as unhas cravadas nas costas de Titan. — Me mostre que você é meu, tanto quanto eu sou seu.
Titan não precisou de outro convite. Ele se moveu com uma determinação que tirou o fôlego de Luna, preenchendo o vazio com uma presença que era ao mesmo tempo avassaladora e necessária. Luna soltou um grito que foi abafado pelo travesseiro que Titan pressionou contra sua boca, uma medida para manter o segredo daquela noite entre as quatro paredes do quarto.
O ritmo era frenético, uma dança de poder onde Luna se perdia na sensação de ser possuído. Ele sentia cada estocada como uma promessa, cada aperto de Titan como um selo de garantia. Em sua mente deturpada, a dor física era a única coisa real o suficiente para acalmar a ansiedade de seu ciúme constante. Se Titan estava ali, se Titan o estava tocando com aquela força, então Titan não estava pensando em mais ninguém.
— Olhe para mim — ordenou Titan, sua voz soando como um trovão no silêncio do quarto.
Luna abriu os olhos, a visão turva focando no rosto de Titan. O alfa parecia um deus antigo, suado, focado e absolutamente devoto à tarefa de marcar seu território.
— Diga meu nome — exigiu Titan, aumentando a intensidade.
— Titan... Titan! — Luna gritou, o nome soando como uma prece. — Por favor... mais... me possua... me use... eu sou seu!
A entrega total de Luna foi o que finalmente quebrou a última barreira de Titan. Ele se entregou ao desejo, seus movimentos tornando-se puramente instintivos, guiados pela necessidade de fundir suas existências. O quarto parecia girar para Luna, o prazer atingindo níveis insuportáveis, uma sobrecarga sensorial que o fazia sentir como se estivesse flutuando e afundando ao mesmo tempo.
Quando o ápice finalmente os atingiu, foi como uma explosão silenciosa. Luna arqueou as costas, seu corpo tremendo violentamente enquanto ele clamava pelo nome de Titan uma última vez antes de desabar contra o colchão. Titan caiu sobre ele, o peso do alfa sendo o conforto final que Luna precisava.
Eles ficaram ali por um longo tempo, apenas ouvindo a respiração pesada um do outro, o suor misturando-se enquanto o calor do quarto começava a diminuir lentamente. Titan retirou-se com cuidado, mas não se afastou, puxando Luna para o seu peito e cobrindo ambos com o edredom descartado.
Luna estava exausto, seu corpo coberto de marcas que contariam a história daquela noite pelos próximos dias. Ele se aninhou no peito de Titan, ouvindo o coração do alfa bater em um ritmo constante.
— Você está bem? — perguntou Titan, sua voz agora suave, a possessividade agressiva dando lugar a uma proteção silenciosa.
Luna deu um sorriso fraco, fechando os olhos enquanto sentia os dedos de Titan acariciando seu cabelo.
— Eu estou perfeito — murmurou Luna. — Mas você ainda é um bruto.
— E você ainda é meu — retrucou Titan, beijando o topo da cabeça de Luna.
— Sou — concordou Luna, o brilho yandere ainda presente em seu tom sonolento. — E é bom você não esquecer que o contrário também é verdade. Se eu vir aquela garota da conveniência sorrindo para você amanhã, eu vou precisar de outra noite como esta para me acalmar.
Titan riu baixinho, apertando Luna contra si.
— Acho que posso viver com essas condições. Agora durma, Luna. Você vai precisar de descanso se quiser conseguir andar amanhã.
Luna fechou os olhos, finalmente em paz. No mundo distorcido deles, as correntes eram feitas de desejo, as feridas eram provas de amor e o ciúme era o oxigênio que mantinha a chama acesa. Ele estava exatamente onde queria estar: nos braços do único homem louco o suficiente para amá-lo em todas as suas contradições.