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entre tapas e beijos

Sob a Sinfonia do Zinco

O ar dentro do galpão parecia ter se tornado espesso, saturado pelo calor que emanava de seus corpos e pela umidade que a chuva, agora uma garoa constante, deixava para trás. O som da água batendo no teto de zinco não era mais um ruído irritante; era o metrônomo que ditava o ritmo dos batimentos cardíacos de Deb. Ela sentia cada centímetro da pele de Moon sob suas palmas, uma descoberta tátil que fazia seu cérebro dar voltas.

Deb nunca tinha se sentido tão vulnerável e, ao mesmo tempo, tão poderosa. Sua postura masculina, os ombros largos e a atitude protetora sempre foram seu escudo, mas ali, com Moon entre suas pernas na beirada daquela mesa de madeira, o escudo havia se transformado em um convite. Ela deslizou as mãos das coxas de Moon para a barra da regata preta, os dedos roçando a linha da cintura.

— Você está tremendo, Deb — sussurrou Moon, a voz carregada de um prazer provocativo. Ela inclinou o corpo para frente, as mãos puxando a jaqueta jeans de Deb para baixo, expondo os ombros dela. — Onde foi parar toda aquela marra de quem resolve tudo?

— Ela ainda está aqui — respondeu Deb, a voz saindo mais grave do que o normal. — Só mudou de foco.

Com um movimento decidido, Deb ajudou Moon a se livrar da regata. A peça de roupa caiu no chão empoeirado, esquecida. Sob a luz pálida e acinzentada que filtrava pelas janelas altas, a pele de Moon parecia brilhar. As tatuagens nos antebraços serpenteavam conforme ela se apoiava nos cotovelos, observando a reação de Deb com um sorriso vitorioso.

Deb engoliu em seco. A beleza de Moon era agressiva, do tipo que exigia atenção plena. Ela se aproximou, enterrando o rosto na curva do pescoço de Moon, inalando o cheiro de suor doce e menta. Seus lábios trilharam um caminho de beijos úmidos e pequenas mordidas até o ombro, onde o corte de cabelo sidecut de Moon deixava a nuca exposta.

— Deb... — Moon soltou um suspiro longo, as unhas cravando-se levemente nos braços de Deb. — Por favor... para de me torturar.

— Eu achei que você gostasse de jogos, Moon — provocou Deb, subindo as mãos para os seios de Moon, cobrindo-os com as palmas firmes. O contraste entre a delicadeza do toque e a força das mãos de Deb fez Moon arquear as costas, buscando mais contato.

— Eu gosto de ganhar — arquejou Moon, puxando Deb para um beijo faminto.

As línguas se entrelaçaram com uma urgência que beirava o desespero. Não havia mais espaço para piadinhas ou defesas. Deb empurrou Moon devagar, fazendo-a deitar sobre a mesa de trabalho. O ranger da madeira velha protestou sob o peso delas, mas nenhuma das duas se importou. Deb se posicionou entre as pernas de Moon, sentindo o atrito do jeans contra jeans, uma fricção que incendiava o baixo ventre.

A mão de Deb desceu para o botão do short de Moon. Seus dedos, geralmente tão ágeis para consertar coisas ou carregar peso, agora agiam com uma precisão trêmula. Ela abriu o zíper devagar, os olhos fixos nos de Moon, desafiando-a a desviar o olhar. Moon não desviou. Ela mantinha os olhos bem abertos, escuros de desejo, observando a garota que ela sempre soube que estava escondida sob aquela fachada de "hétero durona".

— Você é linda, Deb — murmurou Moon, a voz falhando. — Especialmente quando para de lutar contra o que sente.

— Eu não estou lutando — disse Deb, deslizando o short de Moon para baixo, revelando a lingerie de renda que contrastava com sua própria roupa íntima de algodão simples e funcional. — Eu estou aceitando a minha derrota. E admito que o prêmio é muito melhor do que eu esperava.

Deb livrou-se de sua própria jaqueta e da camiseta, ficando apenas de top esportivo, revelando os braços definidos e a linha forte dos ombros. Moon estendeu a mão, traçando os músculos de Deb com uma reverência que fez o coração da outra falhar uma batida.

— Minha vez de cuidar de você — disse Moon, puxando Deb para baixo.

O encontro de suas peles nuas foi como um curto-circuito. Deb sentiu o calor de Moon envolver seu corpo, a maciez dos seios dela pressionando contra seu peito. Ela desceu o corpo, beijando o abdômen de Moon, sentindo os músculos da garota se contraírem a cada toque. Quando os dedos de Deb finalmente encontraram a intimidade de Moon, o galpão pareceu desaparecer.

Moon soltou um grito abafado contra o ombro de Deb, as pernas envolvendo a cintura da mais alta, puxando-a para mais perto, para mais fundo. O ritmo de Deb era constante, guiado pelos sons que Moon fazia, uma melodia de prazer que ecoava nas paredes de metal. Deb usava a mesma determinação que aplicava em tudo na vida, mas agora temperada com uma sensibilidade que ela nunca soube que possuía.

— Deb... ah, meu Deus... Deb! — Moon chamava seu nome como se fosse uma prece, a cabeça balançando de um lado para o outro sobre a mesa.

Deb subiu o corpo, querendo ver o rosto de Moon naquele momento. Ela queria registrar cada detalhe daquela entrega. A timidez de Deb havia sido completamente substituída por uma fome voraz. Ela beijou Moon com intensidade enquanto seus dedos continuavam o trabalho lá embaixo, sentindo a umidade e o calor que provavam o quanto Moon a queria.

O ápice veio como uma onda avassaladora. Moon se tensionou por completo, as unhas deixando marcas vermelhas nas costas de Deb, antes de relaxar em um tremor prolongado. Ela respirava de forma ruidosa, o peito subindo e descendo, os olhos nublados.

Deb não teve tempo de se afastar antes que Moon a puxasse pelo pescoço, invertendo as posições com uma agilidade surpreendente. Agora era Moon quem estava por cima, o cabelo bagunçado caindo sobre o rosto, um brilho selvagem nos olhos.

— Você achou que eu ia deixar você sair ilesa dessa? — Moon sorriu, um sorriso que era puro perigo.

Ela desceu as mãos para a calça de Deb, removendo as camadas de roupa com uma eficiência que fez Deb soltar um gemido de antecipação. Quando a boca de Moon encontrou a de Deb novamente, o gosto era de descoberta. Moon sabia exatamente onde tocar, como pressionar, como fazer Deb perder o controle que tanto prezava.

— Moon... eu... — Deb tentou falar, mas as palavras se perderam quando sentiu a língua de Moon traçar um caminho descendente pelo seu corpo.

— Shh — sussurrou Moon contra a coxa de Deb. — Apenas sinta, Deb. Deixa eu ver o que você escondeu esse tempo todo.

O prazer que Moon proporcionava era diferente; era fluido, provocante, cheio de nuances que faziam Deb se sentir como se estivesse derretendo. Deb agarrou as bordas da mesa, os nós dos dedos brancos pela força, enquanto sua cabeça caía para trás. Ela se sentia exposta, aberta, mas nos olhos de Moon, ela só via adoração.

Quando Deb finalmente atingiu o limite, seu corpo se arqueou em um espasmo de puro êxtase. Ela soltou um som que era metade gemido, metade rugido, sentindo cada fibra de seu ser vibrar. Moon subiu o corpo imediatamente, abraçando-a com força, permitindo que Deb escondesse o rosto em seu pescoço enquanto recuperava o fôlego.

O silêncio voltou a reinar no galpão, interrompido apenas pela respiração pesada das duas. A chuva lá fora tinha se transformado em um sussurro quase inaudível.

— Então... — começou Moon, depois de alguns minutos, a voz abafada pelo cabelo de Deb. — Ainda vai dizer que é hétero?

Deb soltou uma risada fraca, apertando o abraço. Ela se sentia leve, como se um fardo imenso tivesse sido removido de seus ombros.

— Eu acho que essa piada perdeu a validade uns dez minutos atrás — admitiu Deb, afastando-se um pouco para olhar para Moon. — Você ganhou, Moon. Satisfeita?

Moon acariciou o rosto de Deb, limpando uma mecha de cabelo que grudava na testa suada dela. O olhar de Moon era suave, desprovido de qualquer deboche agora.

— Eu não queria ganhar de você, Deb. Eu queria ganhar você. Tem uma diferença enorme.

Deb sorriu, sentindo um calor no peito que não tinha nada a ver com o sexo. Ela puxou Moon para um beijo calmo, um selinho demorado que selava algo muito mais profundo do que uma aventura em um galpão abandonado.

— Você é muito brega às vezes — disse Deb, tentando recuperar um pouco de sua pose, embora o brilho nos seus olhos a entregasse.

— E você ama isso — rebateu Moon, ajeitando-se para deitar ao lado de Deb na mesa estreita, as duas se apertando para não cair. — O que a gente faz agora? A chuva parou de vez.

Deb olhou para as roupas espalhadas pelo chão, para o ambiente rústico e para a garota maravilhosa em seus braços. Ela sabia que as coisas seriam complicadas lá fora. Sabia que teria que lidar com as perguntas, com os olhares e com sua própria jornada de aceitação. Mas, olhando para Moon, ela percebeu que não tinha mais medo.

— Agora — disse Deb, puxando a jaqueta jeans do chão para cobrir as duas contra o ar frio que começava a entrar — a gente aproveita mais cinco minutos desse silêncio. E depois... depois a gente sai daqui e vê o que acontece. Mas eu não vou mais fingir, Moon. Não com você.

Moon sorriu e encostou a cabeça no peito de Deb, ouvindo o coração dela que ainda batia forte.

— É tudo o que eu queria ouvir, Deb.

Elas ficaram ali, entrelaçadas sobre a madeira velha, protegidas pelo zinco e pela nova verdade que haviam construído. O mundo lá fora podia esperar; ali dentro, sob a sinfonia do que restava da chuva, elas finalmente estavam em casa.