ERICK+JORGE
Sangue, Pólvora e Devoção
O silêncio na imensa mansão na Zona Sul do Rio de Janeiro soou como um alarme aos ouvidos de Erick Pulgar. Eram quase três horas da madrugada quando o chileno de quarenta anos cruzou a entrada principal, arrastando consigo o cheiro metálico de semanas exaustivas de reuniões, cobranças e execuções no Chile. O terno de corte impecável moldava sua compleição intimidadora, ocultando os noventa por cento de pele densamente tatuada com histórias de guerras, linhagem e devoção à família.
Erick herdara o império do pai, Seu Pablo, carregando o peso da mais tradicional e abastada máfia chilena. Sabia comandar com mãos de ferro e olhar penetrante de um predador impiedoso. Mas, ao subir os degraus de mármore e encontrar o quarto principal vazio, a cama intocada e o lado do marido frio, o sangue do chefe ferveu.
Jorge Carrascal não era homem de dormir fora. Em doze anos de casamento, aquilo simplesmente não existia.
Com a mandíbula travada, Erick sacou o celular criptografado. Quatro chamadas. Nenhuma resposta. A irritação transformou-se em uma fúria gélida quando ele discou diretamente para Ramirez, o chefe da escolta armada de Carrascal.
— Senhor Pulgar? — atendeu a voz hesitante do segurança após o terceiro toque.
— Onde caralho está o meu marido, Ramirez? — rosnou Erick, a voz rouca e perigosamente baixa ecoando pelo corredor escuro. — E é bom medir as palavras. Quatro ligações não atendidas. O que está acontecendo?
— Chefe... nós tivemos uma emergência na Baixada — gaguejou o subordinado, ciente da fama de pitbull implacável do chileno. — O senhor Kevin Castaño caiu numa emboscada durante a finalização do carregamento de fuzis. Ele ligou desesperado pro patrão Jorge... e o senhor sabe como o patrão é. Ele reuniu a equipe e partiu em disparada pro resgate.
O estômago de Erick revirou com a menção daquele nome.
— Houve confronto? — indagou Erick, sentindo a veia de sua têmpora pulsar.
— Intenso, senhor. Conseguimos extrair o Castaño e os homens dele vivos, mas... houve uma brecha. O patrão Jorge se jogou na frente de um disparo que ia direto no peito do Kevin. O tiro pegou no braço dele.
O ar sumiu dos pulmões de Erick por uma fração de segundo, sendo substituído por puro veneno.
— Manda a porra da localização agora. Se um único fio de cabelo do Jorge cair antes de eu chegar, eu mesmo limpo a sua certidão de nascimento.
Quinze minutos depois, três SUVs blindadas rasgavam o asfalto em direção a um galpão abandonado na Zona Norte. Erick dirigia com as mãos calejadas cravadas no volante, a mente em combustão. Kevin Castaño. O fantasma colombiano do passado. O ex-namorado da juventude humilde de Jorge em Cartagena, o homem que dividira a miséria com Carrascal antes de Jorge construir seu próprio império na base da coragem e de trabalhos pesados — de entregador e lavador de pratos a um temido chefe do narcotráfico e de armas.
E o pior de tudo: Kevin ainda era padrinho de Santino. O garoto, hoje com dezoito anos, idolatrava o tio Kevin, arrancando gargalhadas do colombiano e crises de ciúmes sufocantes de Erick, que nunca suportou a sombra daquele homem sobre sua família.
Quando os homens de Pulgar cercaram o galpão, as portas foram empurradas com estrondo. O cenário de guerra ainda fumegava pólvora, mas o que paralisou Erick foi o canto iluminado por uma luminária fraca.
Jorge estava sentado sobre um engradado de munição, com a camisa de linho ensanguentada e rasgada até o ombro, enquanto Kevin terminava de amarrar uma bandagem improvisada em seu braço esquerdo.
— Você é louco, Jorge! Podia ter morrido por mim, seu imbecil — dizia Kevin, com a voz embargada de alívio. O homem segurou o rosto bronzeado de Carrascal com as duas mãos, enchendo-o de beijos na testa, nas bochechas e na têmpora, num chamego desesperado. — Obrigado, meu irmão... obrigado.
Jorge soltava uma risada rouca, exibindo aquele sorriso malandro e gengival, encostando a testa na do amigo com a intimidade de quem se conhecia há mais de duas décadas:
— Cala a boca, Kevin. Padrinho do meu filho não morre em solo carioca enquanto eu respirar.
A imagem foi uma facada na alma de Erick. Ver aquelas mãos tocando a pele do seu marido, a boca de outro roçando o rosto do colombiano, despertou a besta mais primitiva dentro do chileno.
— Que porra de palhaçada é essa aqui? — a voz de Erick trovejou pelo galpão, fazendo os soldados baterem continência instintiva e Kevin se afastar abruptamente.
Jorge ergueu os olhos e, por um segundo, seu semblante iluminou-se com a volta do marido após semanas de distância.
— Erick... amor, você voltou — murmurou Jorge, tentando se levantar com aquele dengo característico que usava para desarmar o gigante.
Mas Erick empalideceu ao ver o rasgo na carne e o sangue escuro escorrendo pelos dedos do marido. A raiva foi engolida em um segundo pelo pavor absoluto de perder sua vida inteira.
— Cala a boca, Jorge! Vamos pro hospital agora! — ordenou Erick, passando o braço são do marido pelo seu pescoço robusto e puxando-o com firmeza para o peito, fuzilando Kevin com um olhar de puro ódio. — Se você cruzar o meu caminho de novo nas próximas quarenta e oito horas, Castaño, nem o Jorge te salva de uma cova rasa.
***
A clínica clandestina da máfia na Barra da Tijuca resolveu o problema com rapidez profissional. O projétil havia apenas raspado a lateral do bíceps, exigindo oito pontos, medicação antibiótica e repouso.
No entanto, o silêncio pesado que se instaurou no carro durante a volta para casa anunciava o desastre. Ao passarem pela porta da mansão, por volta das seis da manhã, Erick finalmente explodiu.
— Você perdeu a porra do juízo, Jorge? — Erick atirou as chaves na bancada de granito da sala, virando-se para o marido com os punhos cerrados. — Se jogar na frente de tiro? Agir como um soldado raso qualquer? Você tem trinta e seis anos, comanda um cartel inteiro e tem um filho de dezoito dentro de casa! Que caralho de irresponsabilidade foi aquela?
Jorge fechou a cara, a ginga colombiana endurecendo em pura altivez.
— Eu fui salvar um homem que me ajudou a alimentar o Santino quando a gente não tinha um tostão furado em Cartagena, Erick! — rebateu Jorge, a voz firme cortando a sala. — Eu não deixo os meus pra trás. Nunca deixei.
— Os seus? — Erick deu uma risada amarga, venenosa, dando dois passos à frente até prensar Jorge contra o batente da porta com sua sombra colossal. — Ou foi pelo chamego? Pela saudade do ex-namorado? Porque o jeito que eu encontrei vocês dois naquele galpão, ele te enchendo de beijinhos e você todo mole rindo pra ele... não tinha nada de amizade ali! Foi por amor que você quase tomou um tiro no peito, Carrascal?
A acusação caiu como chumbo derretido sobre Jorge. A expressão do colombiano mudou: a raiva deu lugar a uma mágoa profunda, visível no brilho úmido que tomou seus olhos amendoados.
— Você tá falando sério? — perguntou Jorge, num sussurro tão dolorido que fez o ar rarear. — Doze anos, Erick. Doze anos dividindo a mesma cama, o mesmo império e a criação do meu filho. Você realmente acha que eu seria capaz de desonrar o nosso casamento?
Erick vacilou, mas a marra cega não permitiu que recuasse.
— Eu vi o que vi, Jorge.
— Pois então guarde muito bem essa sua desconfiança imunda — Jorge cuspiu as palavras, a voz embargada. — Eu lavei chão de padaria, servi mesa e passei fome pra não dever nada a ninguém. Eu tenho a honra limpa. Se depois de tudo o que eu construí do seu lado, você acha que eu sou uma puta infiel que suspira pelo passado... então o nosso casamento não vale a merda do papel em que foi assinado. Pega as suas coisas ou me deixa em paz, porque pra mim já deu.
Sem esperar resposta, Jorge deu meia-volta, segurando o braço dolorido, e marchou até o quarto de hóspedes no fim do corredor, batendo e trancando a porta.
O estalo da fechadura ecoou como uma sentença de morte. Erick permaneceu estático no meio da sala, sentindo o peso devastador da merda colossal que acabara de fazer.
***
O final da tarde caía sobre o Rio quando Santino desceu as escadas. Aos dezoito anos, o rapaz era a cópia do pai Jorge no sorriso e no estilo, mas carregava a postura protetora e intimidadora que aprendera com Erick.
Na cozinha, encontrou Erick debruçado sobre a ilha central, os cabelos desgrenhados e um copo de uísque intocado à frente.
— Ouvi os gritos de manhã cedo — disparou Santino, apoiando-se no batente e cruzando os braços. — O senhor fez uma cagada daquelas, né, pai Erick?
Erick suspirou fundo, esfregando o rosto tatuado com as mãos calejadas.
— Santino... não se mete nas coisas dos adultos.
— Eu tenho dezoito anos, chefe — retrucou o jovem, num tom sarcástico. — E conheço o meu pai Jorge melhor do que qualquer um. Ele morreria por você, e você sabe disso. Agora, o senhor tem a noite inteira pra consertar essa merda, porque eu tô saindo. Vou dormir lá no Milano. O Arrascaeta e o Varela tão chamando pra um churrasco lá na Barra e eu só volto amanhã à tarde.
Erick levantou os olhos, absorvendo a dica óbvia do filho: a casa vazia.
— Obrigado, moleque — murmurou o chileno, com um raro vislumbre de vulnerabilidade.
Santino piscou um dos olhos para Erick, mas sua postura mudou completamente quando a porta da despensa se abriu e Jorge entrou, usando uma regata larga que deixava o curativo no braço à mostra.
— Pai? — Santino aproximou-se rápido, tocando suavemente o ombro são de Jorge. — Que porra de curativo é esse?
Jorge forçou aquele sorriso acolhedor e brilhante que sempre usara para blindar o filho de qualquer medo:
— Nada, mi vida. Só um arranhão no trabalho. Coisa boba de negociação. Vai lá curtir com o Milano, aproveita sua noite e se cuida com esses carros blindados.
Santino deu um beijo carinhoso na bochecha do pai, encarou Erick por cima do ombro com um olhar de aviso e despediu-se, deixando a casa em completo silêncio.
Erick tentou dar um passo em direção ao marido:
— Jorge, espera...
Carrascal sequer o olhou nos olhos. Pegou uma garrafa d’água na geladeira e saiu em passos firmes, retornando ao refúgio do quarto de hóspedes.
***
Às nove da noite, o cheiro inconfundível de molho de tomate fresco, manjericão e carne assada começou a se espalhar pelos dutos de ar do casarão.
Movido pelo estômago vazio, Jorge abriu a porta do quarto devagar e caminhou silenciosamente até a cozinha. Mas estancou no limiar do cômodo.
A iluminação principal estava apagada. Pequenas velas aromáticas com essência de âmbar e baunilha cintilavam pela bancada de mármore negro, cercadas por pétalas de rosas vermelhas espalhadas com esmero. Sobre a mesa central, repousava uma travessa fumegante de massa fresca italiana — a sua favorita no mundo — ao lado de duas taças de cristal e uma garrafa de vinho tinto de uma safra raríssima chilena, trazida diretamente da adega de Seu Pablo.
No centro daquele cenário delicado, contrastando de forma quase poética, estava Erick. Ele vestia apenas uma camisa social preta com as mangas arregaçadas, exibindo os antebraços cobertos de tinta escura, o olhar fixo no colombiano.
— Por favor, senta — pediu Erick, a voz mansa, despida de qualquer marra de mafioso. — Apenas come comigo. Depois você pode voltar a me odiar.
Jorge manteve a postura defensiva, mas o cheiro da comida e o esforço evidente do chileno quebraram uma lasca de seu orgulho. Caminhou devagar e sentou-se à mesa, cruzando as pernas e encarando o prato.
Erick serviu o vinho com mãos firmes e sentou-se na cadeira ao lado, inclinando o corpo para a frente.
— Eu fui um desgraçado ciumento e imaturo — começou Erick, com a sinceridade pesando em cada sílaba. O homem que mandava e desmandava no submundo do continente estava desarmado, expondo as entranhas. — Eu confio em você de olhos fechados, Jorge. Você é a pessoa mais leal, mais honesta e mais pura que já pisou nesse mundo podre em que a gente vive. Eu me senti um merda quando te vi sangrando naquele galpão... e o medo de te perder se misturou com a porra do ciúme doentio que eu tenho daquele homem. Eu errei. Errei feio com o meu marido. Me perdoa?
Jorge ouviu tudo em silêncio. Seus olhos castanhos percorreram o rosto tenso do chileno. A dor ainda pulsava no peito, mas o amor visceral que sentia por Erick falou mais alto. Ainda assim, a ginga colombiana exigia um preço.
Jorge recostou-se na cadeira, cruzou os braços e formou o mais clássico e petulante biquinho nos lábios cheios, virando o queixo para o lado:
— Não sei se perdoo. O senhor foi muito injusto comigo, Pulgar. Jogou doze anos de fidelidade no lixo por causa de um curativo. Tô muito chateado ainda.
Aquele bico manhoso foi a ruína de Erick. Um sorriso ladino e faminto brotou no canto da boca do chileno.
— É mesmo, mi vida? — Erick levantou-se com lentidão calculada, como um predador rondando sua presa mais cobiçada. Ele contornou a mesa em passos firmes e silenciosos, parando atrás da cadeira de Jorge. — Então você vai ter que me deixar redimir essa merda tim-tim por tim-tim.
Erick inclinou-se sobre o ombro do colombiano, colando o peito largo nas costas tensas de Jorge. Suas mãos grandes pousaram nos ombros do marido, deslizando com infinita cautela para não esbarrar no curativo do braço esquerdo.
— Eu não quero a sua comida, Pulgar... — murmurou Jorge, mas o corpo traiu suas palavras, arrepiando-se por inteiro quando os lábios quentes de Erick tocaram a pele sensível da sua nuca.
— Não precisa comer a massa, amor — sussurrou Erick contra o lóbulo da orelha de Jorge, a voz caindo para uma frequência gutural, rouca, carregada de pura devassidão. — Hoje você vai me comer todinho. Mas antes... eu vou adorar cada centímetro dessa carne marrenta até você esquecer até o próprio nome.
Jorge engoliu em seco, sentindo o calor líquido subir pelo baixo-ventre.
— Erick... eu tô com raiva de você — tentou resistir o colombiano, embora a voz tenha saído manhosa, quase um sussurro quebrado.
— Pode ficar com raiva, minha putinha manhosa — rosnou o chileno ao pé do ouvido dele, descendo uma das mãos com firmeza entre as pernas de Jorge por cima do moletom fino, apertando o volume que já começava a pulsar em resposta ao toque. — Pode me xingar do que quiser enquanto eu te arrombo nessa cozinha. Mas hoje você é meu. Só meu.
Jorge soltou um gemido sôfrego, jogando a cabeça para trás no ombro de Erick. A marra do temido chefe de Cartagena desmoronou por completo, como sempre acontecia quando aquele chileno colossal decidia tomá-lo.
Erick virou a cadeira de Jorge com um movimento rápido e o puxou pela cintura, sentando o colombiano sobre a fria bancada de mármore negro, entre as pétalas de rosa e a luz trêmula das velas. Sem pressa e com devoção quase religiosa, Erick arrancou a regata de Jorge, beijando cada tatuagem do peito bronzeado, contornando com a língua os mamilos eretos e descendo com beijos quentes e mordiscos possessivos pelo abdômen definido.
— Erick... porra, por favor... — implorou Jorge, enterrando os dedos nos cabelos do marido.
Erick puxou o moletom e a peça íntima de Jorge de uma só vez pelas pernas torneadas, deixando o colombiano totalmente exposto e pulsando sob o reflexo das chamas. Mas em vez de tomá-lo de imediato, o chileno dobrou os joelhos no chão da cozinha, apoiando as mãos maciças nas coxas abertas do marido.
Com um olhar escuro e dominador, Erick puxou os quadris de Jorge até a beirada da pedra e inclinou-se para a frente.
A primeira lambida na fenda mais íntima e vulnerável do colombiano arrancou um grito rouco da garganta de Jorge.
— Meu Deus... Erick! — Jorge arqueou a coluna para trás, as mãos cravando-se com desespero nas bordas do mármore.
Erick não teve pressa. Entregou-se a um beijo grego molhado, profundo e escandaloso, venerando a entrada apertada com a ponta da língua e a sucção voraz, mostrando em cada movimento despudorado que era capaz de se ajoelhar e limpar a alma do homem que amava daquela forma. Ele lambia, chupava e acariciava a próstata indiretamente, enquanto sussurrava obscenidades contra a pele úmida:
— Essa bunda linda é minha... Cada pedaço de você me pertence, caralho... geme pro seu homem, Jorge. Fala que me perdoa enquanto eu chupo esse cu gostoso.
— Eu te perdoo... porra, eu te perdoo, papi! — gritou Jorge, revirando os olhos em puro delírio, rebolando contra a boca faminta do marido enquanto o prazer o consumia em ondas avassaladoras.
Satisfeito com a submissão delirante de Jorge, Erick levantou-se com o fôlego pesado. Abriu a própria calça num solavanco, libertando o membro colossal e latejante. Sem perder um segundo sequer, espalhou a própria saliva farta na entrada já amolecida e empurrou os quadris para a frente com firmeza implacável.
A invasão foi brutal e perfeita. Jorge soltou um gemido agudo e necessitado, abraçando o pescoço de Erick com o braço bom e cruzando as pernas ao redor da cintura larga do chileno.
— Caralho... você me fode tão gostoso... — arfou Jorge, a boca colada na de Erick, trocando um beijo sujo, desesperado, misturando o gosto de saliva, vinho e rendição.
Erick começou a estocar com força bruta e ritmo cadenciado, fazendo as taças de cristal e os pratos vibrarem sobre o mármore. O som úmido do impacto das peles ecoava pelo teto alto da mansão deserta, misturando-se aos rosnados graves do chileno e aos gemidos sem pudor do colombiano.
— Olha pra mim, Jorge — ordenou Erick, segurando o queixo do marido com força, encarando as pupilas dilatadas de Carrascal. — De quem é essa boca? De quem é essa porra desse corpo?
— Seu... sempre foi seu, Erick! Mais fundo, meu amor... me quebra no meio, porra!
A cadência acelerou num frenesi de puro tesão e reconciliação. Erick enterrava-se até o limite, sentindo as paredes internas de Jorge apertarem-no como uma luva em chamas. Cada investida profunda arrancava lágrimas involuntárias e gemidos entrecortados do colombiano, que não aguentou a intensidade daquele transe por mais de alguns minutos.
Jorge desabou primeiro, derramando-se espesso sobre o próprio peito e sobre o abdômen tatuado de Erick com um grito abafado contra o pescoço do marido. O espasmo apertado levou o chileno à beira do abismo: com três estocadas violentas e descompassadas, Erick rugiu contra a curva da clavícula de Jorge, esvaziando-se por inteiro dentro dele em jatos quentes e intermináveis.
Os dois permaneceram colados, ofegantes, os corpos brilhando de suor sob a luz mortiça das velas que começavam a se apagar.
Erick puxou Jorge com imensa delicadeza para o seu colo, aninhando o corpo bronzeado contra o seu peito largo, beijando com infinita devoção a testa, as bochechas e a ponta do nariz do marido — apagando qualquer vestígio de outros toques com os seus próprios.
— Você é a minha vida inteira, meu colombiano marrento — sussurrou Erick, ajeitando o curativo no braço do homem que amava.
Jorge soltou uma risada fraca, rouca de tanto gemer, e mordiscou o lábio inferior do gigante tatuado com ternura:
— Eu sei, seu pitbull ciumento. Agora me carrega pra cama... porque você vai ter que me mimar a noite inteira.