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eu com voce

Santuário em Tons de Esmeralda

O isolamento acústico da limusine blindada engoliu todo o ruído pulsante da Quinta Avenida assim que as pesadas portas se fecharam com um clique abafado. O vidro fumê separava o interior luxuoso da cabine da chuva fina que começara a tingir o asfalto nov-iorquino, refletindo as luzes douradas e vermelhas dos arranha-céus como borrões reluzentes.

Lá fora, o mundo disputava poder, manchetes e fortunas. Ali dentro, reinava apenas a respiração entrecortada dos dois.

Oscar não esperou o veículo alcançar a rodovia expressa. No segundo em que o motorista de confiança levantou a divisória de privacidade de vidro opaco, a mão do magistrado alcançou a nuca de Lily, enredando os dedos longos nos fios castanhos sedosos que escapavam do coque clássico. Puxou-a contra si com uma urgência contida há horas, tomando-lhe a boca antes mesmo que ela pudesse ajeitar a saia esmeralda sobre o couro macio do banco.

Lily soltou um gemido suave contra os lábios dele, entregando-se sem resistência ao calor avassalador daquele beijo. O gosto sutil do champanhe ainda pairava entre eles, misturando-se à intensidade crua que Oscar sempre reprimia sob a beca preta do tribunal e que apenas desabrochava na intimidade deles.

Quando Oscar finalmente relaxou a pressão, suas pupilas estavam tão dilatadas que o azul-esverdeado de seus olhos parecia quase negro sob a meia-luz azulada do teto do carro. Ele encostou a testa na dela, o peito largo subindo e descendo com força, enquanto sua outra mão permanecia cravada com firmeza na cintura fina da esposa.

— Você quase me fez esquecer cada código de conduta que jurei seguir hoje à noite — murmurou ele, a voz rouca arranhando o silêncio.

Lily sorriu com os lábios entreabertos e ruborizados, apoiando a mão no peito dele e sentindo o ritmo acelerado de seu coração bater contra o linho da camisa.

— Eu não fiz absolutamente nada, excelência. Passei a noite inteira ao seu lado, exatamente como você exigiu.

— Você respirou — retrucou Oscar, descendo a mão pela curva de suas costas com uma lentidão deliberada, fazendo a seda farfalhar baixinho. — Você sorriu para aquele idiota com a mesma doçura com que me olha quando acorda. E você vestiu este pedaço de tecido que deveria ser ilegal em qualquer jurisdição civilizada.

Lily soltou uma risada cristalina, jogando a cabeça para trás por um instante. O pingente de esmeralda colombiana brilhou contra sua clavícula, balançando com o movimento suave de sua garganta.

— Você é terrivelmente dramático quando quer, Oscar. O pobre senhor Hayes parecia ter visto a morte de perto quando você apertou a mão dele. Tenho certeza de que ele terá pesadelos com o tribunal federal pelas próximas três semanas.

— Ele teve sorte — declarou Oscar, sem o menor traço de arrependimento no tom implacável. — Se ele tivesse olhado para o seu decote por mais dois segundos, eu teria ordenado uma auditoria fiscal completa em cada fundo de investimento da família dele antes do amanhecer.

Lily balançou a cabeça de leve, com aquele carinho exasperado que só ela conseguia direcionar ao homem mais temido da cidade. Estendeu os dedos delicados e tocou a lateral do rosto dele, deslizando a ponta do polegar pela linha dura do maxilar até a covinha sutil em seu queixo. O toque era leve, suave, carregando o aroma familiar de flor de laranjeira que sempre agia como um bálsamo sobre a mente analítica e tempestuosa do marido.

Oscar fechou os olhos sob a carícia. O peso invisível dos processos de extradição, dos mandados de prisão e dos esquemas de corrupção bilionários que ele vinha desmontando ao longo das últimas semanas parecia derreter sob as pontas dos dedos de Lily.

— Sinto muito pela confusão mais cedo, no tribunal — murmurou ele, abrindo os olhos e encarando-a com uma sinceridade desarmada. — Aquele lugar não é para você, Lily. É frio, é hostil. E aquela funcionária foi desnecessariamente rude.

— Já esqueci isso, meu amor — assegurou ela, acariciando os cabelos castanhos claros na nuca dele. — Sei como você precisa se cercar de barreiras lá dentro. As pessoas tentam usá-lo o tempo todo. Eu não ligo para a hostilidade de quem não me conhece; me importo apenas com quem me espera do outro lado daquela porta. E você estava lá.

Oscar puxou a mão dela e beijou a palma aberta, demorando-se nas marcas sutis das horas que Lily passava manuseando formas pesadas e batedeiras em sua confeitaria. Para ele, aquelas mãos eram mais nobres e valiosas do que as de qualquer herdeira nascida em berço de ouro.

— Eu sempre estarei lá por você — jurou ele contra a pele macia de sua mão. — Sempre.

O trajeto restante transcorreu em um silêncio aconchegante, preenchido apenas pelo roçar suave de suas mãos entrelaçadas. Quarenta minutos depois, a limusine atravessou os portões de ferro batido e subiu a colina arborizada, parando sob o pórtico iluminado da residência principal dos Piastri.

A propriedade, erguida em pedra calcária e vidro com vista para o vale, brilhava na penumbra da noite. Assim que os pneus estalaram no cascalho fino, a porta foi aberta pelo motorista, e Oscar desceu primeiro. Ele não esperou que nenhum lacaio desse a volta: ofereceu a mão para Lily e a ajudou a descer, envolvendo-a protetoramente contra a brisa fria da madrugada.

No saguão principal, o mordomo-chefe aguardava para recolher os casacos, com a habitual discrição impecável.

— Boa noite, senhor. Senhora Piastri. Desejam que a ceia seja servida na biblioteca ou...

— Dispensados por hoje, George — cortou Oscar, entregando o sobretudo preto com um movimento fluido dos ombros. — Tranque a adega e mande todos os funcionários para a ala de serviços. Ninguém deve subir ao andar superior até as nove da manhã.

— Sim, Meritíssimo. Tenham uma excelente noite.

Com uma reverência formal, o homem desapareceu pelos corredores amplos, deixando o colossal palácio de mármore e madeira nobre inteiramente à mercê do jovem casal.

Oscar voltou-se para Lily. Sem dizer uma única palavra, passou um dos braços por baixo dos joelhos dela e o outro por suas costas, erguendo-a do chão em um movimento fácil e firme que fez o vestido verde ondular ao redor de suas pernas.

Lily deu um pequeno sobressalto de surpresa e passou os braços ao redor do pescoço dele, rindo baixinho contra a curva de sua mandíbula.

— Oscar! Eu posso caminhar perfeitamente bem.

— Eu sei que pode — respondeu ele, subindo os degraus da imensa escadaria curva com passadas largas e atléticas, sem perder o fôlego. — Mas hoje você passou a tarde em pé assando doces para mim e a noite inteira equilibrada nesses saltos diante de uma centena de pessoas bajuladoras. É a minha vez de carregar você.

O peso dela em seus braços parecia a coisa mais natural e necessária do mundo. Oscar cruzou a galeria do segundo andar e empurrou com o ombro a porta dupla da suíte máster. O cômodo era um santuário de serenidade: cortinas pesadas de linho cinza emolduravam as janelas que iam do chão ao teto, uma lareira a gás já crepitava suavemente contra a parede de mármore nero marquina, e a cama king size ostentava lençóis de algodão egípcio imaculadamente preparados.

Ele depositou Lily com cuidado no centro da cama, mas antes que ela pudesse se ajeitar, Oscar retirou os próprios sapatos sob medida e subiu no colchão, ajoelhando-se entre as pernas dela. As mãos do magistrado alcançaram os tornozelos finos de Lily, desabotoando as tiras delicadas dos saltos altos e atirando-os sem qualquer cerimônia no tapete nobre.

— Muito melhor — sussurrou Lily, esticando os dedos dos pés com um suspiro de alívio genuíno.

— Agora, a joia — murmurou ele, inclinando-se para a frente.

Os dedos quentes de Oscar tocaram a nuca de Lily, encontrando o fecho minucioso da gargantilha de platina. O clique metálico ecoou suavemente, e o colar de esmeraldas escorregou para a palma aberta dele, sendo deixado de lado sobre a mesa de cabeceira. Contudo, em vez de se afastar, os lábios de Oscar substituíram o lugar que o metal ocupava.

Ele depositou uma trilha de beijos lentos e febris pela linha sensível do pescoço de Lily, alcançando a curva do ombro descoberto. Lily fechou os olhos, arqueando as costas contra o toque, seus dedos deslizando para a gravata-borboleta de Oscar, desatando o nó de seda com habilidade e abrindo os três primeiros botões da camisa dele.

A pele quente e o peito definido do marido acolheram as palmas das mãos de Lily. Ela sentia a força implacável daquele homem, um indivíduo cuja palavra podia selar o destino de cartéis e magnatas, reduzido à mais terna e submissa adoração apenas por estar ao seu lado.

— Oscar... — sussurrou ela, com a voz falha quando ele mordiscou levemente a junção entre seu ombro e o pescoço.

— Diga — ordenou ele em um murmúrio rouco, subindo a mão pela lateral da coxa dela, puxando lentamente o zíper invisível do vestido de seda.

O tecido verde afrouxou-se, escorregando pelos ombros alvos de Lily e descendo até a cintura. Oscar recuou apenas o suficiente para contemplá-la. A luz alaranjada da lareira desenhava as curvas suaves de seu corpo, banhando sua pele clara em um tom âmbar que a fazia parecer uma pintura renascentista.

Os olhos azuis-esverdeados do juiz a devoraram com uma sede que os anos de casamento jamais conseguiram diminuir. Pelo contrário: quanto mais a conhecia, quanto mais mergulhava na pureza de sua essência, mais viciado ele se tornava.

— Você não tem ideia do tormento que é passar os dias trancado naquele tribunal, ouvindo o pior da humanidade, sabendo que tudo o que me mantém são é a certeza de que você existe — disse Oscar, com uma gravidade que fez o coração de Lily apertar no peito. — Você é a única verdade limpa na minha vida, Lily.

Lágrimas de pura emoção marejaram os olhos da jovem. Ela sentou-se na cama, ignorando a seda que caiu completamente em torno de seus quadris, e envolveu o rosto de Oscar com as duas mãos, obrigando-o a sustentar o olhar dela.

— Eu não sou apenas o seu refúgio, meu amor — disse ela com uma firmeza surpreendente para sua natureza mansa. — Eu sou a sua parceira. Eu escolhi carregar os seus silêncios, a sua severidade e a sua dor. Você não precisa carregar o mundo sozinho, Oscar. Nunca mais.

Oscar soltou o ar que parecia preso em seus pulmões desde o amanhecer daquele dia. Puxou-a para seus braços com uma paixão avassaladora, fazendo os dois tombarem juntos sobre a imensidão dos travesseiros. O smoking foi esquecido no chão, as barreiras foram demolidas, e a noite perdeu qualquer noção de pressa.

Eles se amaram com a intensidade de quem conhecia cada centímetro da alma do outro. Não havia ali o juiz implacável ou a confeiteira recatada; eram apenas duas metades de um mesmo universo, colidindo com uma paixão desesperada e ao mesmo tempo reconfortante. Cada carícia de Oscar era uma jura de proteção; cada suspiro de Lily era uma entrega total e irrestrita.

Quando a tempestade de sensações finalmente acalmou, restou apenas o calor reconfortante de seus corpos suados sob o edredom pesado. Lily descansava a cabeça sobre o peitoral nu de Oscar, seus dedos traçando círculos preguiçosos sobre a cicatriz antiga que ele carregava na costela, enquanto o braço dele permanecia firmemente enrolado em torno de sua cintura, recusando-se a deixá-la afastar-se mesmo durante o sono.

O silêncio do campo envolveu o quarto, quebrado apenas pelo estalar suave da lareira quase extinta.

***

A luz pálida da manhã seguinte filtrava-se através das frestas das cortinas quando Oscar abriu os olhos. O relógio biológico de um homem acostumado a acordar às cinco para revisar peças jurídicas não costumava falhar, mas, pela primeira vez em meses, ele não se moveu.

Lily ainda dormia profundamente contra ele, a respiração serena e compassada fazendo cócegas em sua pele. Alguns fios castanhos cobriam parte de seu rosto delicado, e seus lábios mantinham uma curva suave, como se sonhasse com algo doce.

Oscar ficou imóvel por quase vinte minutos, apenas observando-a. Em Melbourne, onde crescera, sempre lhe ensinaram que o poder exigia solidão e vigilância constante. Por muito tempo, ele acreditara nisso. Vivera trancado em uma fortaleza de lógica, frieza e números. Até que uma jovem mulher com manchas de farinha no avental e olhos cheios de luz cruzou o seu caminho e destruiu todas as suas certezas com um simples sorriso e um pedaço de bolo quente.

Ele ergueu a mão com extremo cuidado e afastou a mecha de cabelo de seu rosto.

O movimento suave fez as pálpebras de Lily tremerem. Ela soltou um muxoxo sonolento, aninhando-se ainda mais contra o peito quente do marido antes de piscar lentamente, revelando os olhos claros banhados pela luz matinal.

— Bom dia... — murmurou ela, com a voz rouca de sono, esticando os braços sob o cobertor.

Um meio sorriso involuntário, caloroso e desarmado, surgiu no rosto de Oscar.

— Bom dia, meu anjo.

Lily ergueu os olhos para o relógio na parede e arregalou-os em surpresa.

— Oito e meia? Oscar! Você não tem audiência preliminar às nove no distrito sul?

Ela fez menção de se sentar com pressa, mas Oscar simplesmente apertou o braço em volta de sua cintura, puxando-a de volta para o colchão e cobrindo seu corpo com o peso reconfortante do dele.

— Não hoje — disse ele, a voz firme e tranquila.

— Como não hoje? — Lily o olhou desconfiada. — Você nunca falta a uma audiência.

— Remarquei todas as sessões não urgentes para a parte da tarde e deleguei as conferências protocolares aos juízes substitutos — explicou ele, descendo o olhar para os lábios sonolentos dela. — Ontem passei o dia inteiro vendo você ser constrangida por uma assistente insolente e a noite sendo cobiçada por imbecis de smoking. Hoje, o tribunal vai ter que aprender a esperar. Eu tenho prioridades mais importantes nesta casa.

Lily riu, sentindo as bochechas esquentarem com a declaração possessiva e ao mesmo tempo incrivelmente doce.

— E quais seriam essas prioridades tão urgentes, Meritíssimo?

Oscar inclinou a cabeça e mordiscou o lóbulo da orelha dela, fazendo-a rir e encolher os ombros.

— Em primeiro lugar, exigir que a minha esposa passe a manhã inteira nesta cama comigo. Em segundo lugar... — ele ergueu o rosto, fitando-a com aquele brilho azul-esverdeado devastador — ...comer aqueles folhados de baunilha que sobraram na caixa que você trouxe ontem, antes que esfriem completamente.

— Você é inacreditável — respondeu Lily, acariciando os cabelos dele, bagunçados pelo travesseiro de uma maneira que ninguém fora daquele quarto jamais veria. — Um bilionário, o juiz mais temido do país, e a sua prioridade matinal é comer massa folhada e ficar deitado?

— Se a massa foi feita por você, e a cama tem você nela... sim. Não há nada neste mundo que me faça sair daqui agora.

Oscar selou suas palavras com um beijo calmo, profundo e repleto da paz que apenas os dois conheciam. Lá fora, o mundo continuaria a exigir sentenças, acordos e julgamentos impiedosos. Mas dentro daquele refúgio, sob os lençóis de linho e as promessas sussurradas ao amanhecer, Oscar Piastri era apenas um homem irrevogavelmente rendido à única mulher capaz de governar seu coração.

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