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Fácil de amar

O Peso do Desejo e a Cura dos Corpos

O silêncio da madrugada na mansão dos Bang era profundo, quebrado apenas pelo tique-taque rítmico do relógio de parede no corredor. No andar de cima, Minjae e Sora dormiam o sono exausto de quem finalmente se sentia seguro. No entanto, no quarto principal, a atmosfera era carregada de uma eletricidade diferente, uma tensão que não vinha do medo, mas de dez anos de uma conexão que nem o tempo, nem a dor, podiam desgastar.

Seungmin estava sentado na beira da cama king-size, vestindo apenas uma calça de moletom larga. A tipóia havia sido deixada de lado por alguns momentos, e o curativo em suas costelas brilhava sob a luz baixa do abajur de âmbar. Ele observava Chan, que estava parado junto à janela, de costas, observando a chuva que voltara a cair.

— Channie — chamou Seungmin, sua voz um barítono rouco que cortou o ar como veludo. — Pare de pensar no que os advogados disseram. Venha para cá.

Chan se virou devagar. Seus olhos estavam escuros, injetados de uma mistura de exaustão e uma proteção possessiva que ainda não havia esfriado. Ele caminhou até o marido, ajoelhando-se entre as pernas de Seungmin e pousando as mãos grandes em suas coxas.

— Eu não consigo parar de olhar para esses roxos — sussurrou Chan, sua voz trêmula. — Cada vez que eu vejo a marca no seu rosto, eu sinto que devia ter batido mais naquele homem. Eu sinto que falhei em te manter seguro.

Seungmin inclinou-se para frente, ignorando a pontada aguda em seu flanco, e segurou o rosto de Chan com a mão ilesa. Seus dedos traçaram a linha da mandíbula do marido, puxando-o para perto até que suas testas se encostassem.

— Você não falhou — disse Seungmin, com uma intensidade que fez Chan estremecer. — Eu sou seu marido, Channie. Eu sou o homem que lutou ao seu lado por uma década. Eu não sou uma porcelana que quebra. Eu sou forte porque você me faz forte. E agora... eu preciso sentir que ainda estou vivo. Que nós estamos vivos.

Chan entendeu o convite no olhar de Seungmin. Era uma fome antiga, uma necessidade de reafirmar a posse e o amor através da carne, de apagar o toque da violência com o toque do desejo. Ele se levantou e pressionou os lábios contra os de Seungmin, um beijo que começou casto e desesperado, mas que rapidamente se transformou em algo voraz.

— Devagar — murmurou Chan contra a boca dele, as mãos descendo para a cintura de Seungmin com uma delicadeza extrema. — Eu não quero te machucar, Minnie. Suas costelas...

— Esqueça as costelas — interrompeu Seungmin, puxando Chan pela gola da camiseta, forçando-o a subir na cama. — Eu aguento. Eu quero você, Chan. Agora.

Chan soltou um rosnado baixo, a sanidade lutando contra a urgência que emanava do corpo de Seungmin. Ele despiu a própria camiseta com um movimento brusco, revelando o peito largo e os ombros que carregavam o peso do mundo. Quando ele se posicionou sobre Seungmin, tomando cuidado para não colocar todo o seu peso sobre o lado ferido do marido, o contraste entre a pele pálida de Seungmin, marcada por hematomas, e a pele bronzeada e firme de Chan era uma imagem de pura devoção.

As mãos de Chan começaram a explorar, beijando cada marca roxa com uma reverência quase religiosa, antes de descerem para o cós da calça de Seungmin. Quando ambos ficaram nus, o calor entre eles era sufocante.

Seungmin arqueou as costas quando os dedos de Chan o encontraram, úmidos e precisos. Um gemido escapou de seus lábios, misturando dor e prazer.

— Você é tão lindo — ofegou Chan, observando como o rosto de Seungmin se contorcia em êxtase. — Meu menino forte... meu herói sexy. Como você pôde ser tão corajoso hoje, hum?

— Eu fiz... o que era meu — respondeu Seungmin, as unhas cravando-se nos ombros de Chan, puxando-o para baixo. — Pare de falar e me mostre que sou seu.

Chan não precisou de outro aviso. Ele preparou Seungmin com paciência, apesar do sangue fervendo em suas veias, ouvindo cada respiração, cada arquejo. Quando ele finalmente se posicionou para entrar, ele parou, os olhos fixos nos de Seungmin.

— Minnie, se doer, você me avisa. Eu paro na hora.

— Não pare — ordenou Seungmin, a voz falhando. — Vá fundo, Chan. Eu preciso sentir você.

Com um impulso lento e firme, Chan se enterrou nele. Seungmin soltou um grito abafado contra o ombro de Chan, as pernas envolvendo a cintura do marido, prendendo-o ali. A plenitude daquela conexão fez o mundo lá fora desaparecer. Não havia mais pais abusivos, tribunais ou hospitais. Havia apenas o ritmo frenético de dois corações batendo como um só.

Chan começou a se mover, estocadas longas e profundas que faziam a cama ranger e a respiração de ambos se tornar um coro de gemidos. A cada movimento, ele sussurrava palavras de adoração e posse no ouvido de Seungmin.

— Você é meu — rosnou Chan, o suor pingando de seu rosto no peito de Seungmin. — Só meu. O homem mais forte que eu já conheci. Olhe para você, aguentando tudo isso por mim, pela nossa família...

Seungmin apertou os olhos, o prazer atingindo níveis insuportáveis. A dor nas costelas era um eco distante, abafado pela onda de calor que subia por sua espinha.

— Sim... — disse Seungmin, a voz entrecortada — ...mais forte, Channie. Não me poupe. Eu quero sentir tudo.

Chan obedeceu, perdendo o controle que tanto tentara manter. Ele segurou as mãos de Seungmin acima da cabeça dele, entrelaçando os dedos, e acelerou o ritmo. O som da carne batendo contra a carne preenchia o quarto, um ritmo primitivo e curativo. Seungmin jogou a cabeça para trás, o pescoço exposto, enquanto Chan o devorava com beijos e mordidas leves.

— Isso... — gemeu Seungmin, as pernas tremendo — ...isso, Chan!

— Você é tão sexy quando está assim — disse Chan, a voz carregada de luxúria —, entregue a mim. Meu vocalista perfeito... meu Bang Seungmin.

O ápice veio como uma explosão de luz branca. Seungmin sentiu o corpo retesar, o prazer irradiando de seu centro até as pontas dos dedos, enquanto gritava o nome de Chan. Segundos depois, Chan o seguiu, desmoronando sobre ele com um rugido final, sua semente selando a promessa de que, não importa o que acontecesse, eles sempre voltariam um para o outro.

Eles ficaram ali por muito tempo, os corpos suados e entrelaçados, as respirações voltando ao normal lentamente. Chan se moveu com cuidado, saindo de dentro de Seungmin, mas recusando-se a se afastar. Ele puxou o edredom sobre os dois e abraçou o marido por trás, encaixando-se nele como uma peça de quebra-cabeça.

— Você está bem? — perguntou Chan, beijando a nuca de Seungmin.

Seungmin soltou um suspiro longo, fechando os olhos enquanto sentia o calor reconfortante do marido.

— Eu estou perfeito, Channie. Pela primeira vez desde aquela ligação... eu me sinto inteiro.

Chan apertou o abraço, tomando cuidado com o lado ferido, mas mantendo-o firme.

— Nós vamos ficar bem — prometeu Chan. — Minjae, Sora, você e eu. Ninguém vai nos quebrar.

— Eu sei — sussurrou Seungmin, o sono finalmente começando a reclamar seu corpo. — Porque nós somos os Bang. E nós sempre lutamos uns pelos outros.

Naquela noite, as cicatrizes de Seungmin começaram a cicatrizar, não apenas pela medicina, mas pelo poder de um amor que transbordava as paredes daquela casa, transformando a dor em uma força inabalável. E enquanto a chuva lá fora lavava as ruas de Seul, por dentro, o fogo que os unia ardia mais brilhante do que nunca.