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Fácil de amar

O Eco da Cicatriz e a Redenção da Carne

A mansão dos Bang estava mergulhada num silêncio que, para Minjae, ainda soava como um milagre. O adolescente estava sentado no parapeito da janela do seu novo quarto, observando o jardim iluminado por luzes suaves. Fazia apenas um mês que os papéis da adoção tinham sido assinados, mas o peso de uma vida inteira de abusos não desaparecia com uma caneta e um selo oficial.

Ele sentiu uma presença na porta e não se assustou. O cheiro de sândalo e o som dos passos leves eram inconfundíveis.

— Ainda acordado, Minjae? — perguntou Seungmin, aproximando-se com dois copos de chocolate quente.

— Só pensando, Appa — respondeu o garoto, aceitando a bebida. — Às vezes eu acordo e acho que ainda estou naquele apartamento. Que o som da garrafa quebrando foi só um sonho e que ele ainda vai entrar pela porta.

Seungmin sentou-se ao lado dele, o movimento agora fluido, sem a dor aguda nas costelas que o atormentara nas primeiras semanas. Ele tocou o ombro do filho, sentindo a tensão sob o tecido do pijama.

— O trauma é um eco, Minjae. Ele vai ficando mais baixo com o tempo, mas às vezes o vento sopra do jeito certo e você o ouve de novo. Mas olhe para este quarto. Olhe para a Sora dormindo no quarto ao lado. Olhe para o Chan lá embaixo no escritório. O eco não pode te machucar mais.

Minjae olhou para o pai. Seungmin tinha uma cicatriz quase imperceptível perto da sobrancelha, um lembrete permanente do soco que levara para protegê-lo.

— Você se arrepende? — sussurrou o garoto. — De ter vindo? De ter se machucado por alguém que nem era seu filho na época?

Seungmin sorriu, aquele sorriso ladino e afiado que escondia uma doçura infinita.

— Eu me arrependeria se tivesse ficado parado. O sangue que eu derramei naquele chão foi o preço mais barato que já paguei por algo tão valioso quanto você. Nunca mais pergunte isso, entendeu?

Minjae assentiu, as lágrimas de gratidão brilhando nos olhos. Eles ficaram ali por mais alguns minutos, compartilhando o calor do chocolate e a paz daquela nova vida, até que o sono finalmente reclamou o jovem. Seungmin o ajudou a se deitar, cobriu-o e beijou sua testa antes de sair, fechando a porta com um clique suave.

Ao caminhar pelo corredor, Seungmin sentiu o ambiente mudar. A calmaria da paternidade deu lugar a uma eletricidade latente que sempre pulsava entre ele e Chan. Ele desceu as escadas e encontrou o marido parado no pé da escada, observando-o com olhos escuros e intensos.

Chan não disse nada. Ele apenas estendeu a mão, e Seungmin a pegou, sentindo o calor possessivo do líder que, mesmo após uma década, ainda o olhava como se ele fosse o centro do universo.

— Ele está bem? — perguntou Chan, a voz rouca.

— Está. O eco está diminuindo — respondeu Seungmin, puxando Chan para mais perto, as mãos subindo pelo peito largo do marido. — Mas eu... eu preciso de algo para silenciar os meus próprios ecos hoje, Channie.

Chan entendeu imediatamente. O estresse de lidar com advogados, com a polícia e com a proteção constante da família tinha deixado ambos no limite. Eles precisavam de uma liberação que as palavras não podiam fornecer.

Eles subiram para o quarto principal em silêncio, a tensão aumentando a cada degrau. Assim que a porta foi trancada, o controle de Chan se desfez. Ele prensou Seungmin contra a madeira da porta, tomando seus lábios em um beijo que não tinha nada de gentil. Era uma reivindicação faminta, um choque de dentes e línguas que buscava apagar cada memória ruim com o fogo do agora.

— Noite de regras, Minnie? — murmurou Chan contra o pescoço do marido, suas mãos grandes apertando a cintura de Seungmin com força.

— Sem piedade, Channie — respondeu Seungmin, a respiração errática. — Eu quero que você me prenda. Eu quero que você me faça esquecer que existe um mundo lá fora.

Chan soltou um rosnado baixo e se afastou apenas o suficiente para guiar Seungmin até a cama. No armário planejado, ele puxou o kit de couro e cordas que eles reservavam para momentos em que a realidade pesava demais.

— De joelhos — ordenou Chan, sua voz de líder assumindo o controle total.

Seungmin obedeceu sem hesitar. Ele se posicionou de quatro no centro da cama, os olhos fixos no marido enquanto Chan preparava as cordas de seda preta. Com movimentos precisos e experientes, Chan amarrou os pulsos de Seungmin atrás das costas, prendendo-os com um nó firme que não machucava, mas deixava claro quem estava no comando. Em seguida, ele passou a corda pelo peito de Seungmin, acentuando a musculatura do vocalista e forçando-o a manter as costas arqueadas.

— Você é tão lindo quando está assim, completamente entregue a mim — disse Chan, circulando a cama como um predador.

Ele parou atrás de Seungmin e puxou o cabelo dele para trás, forçando-o a olhar para cima.

— Você foi um herói lá fora, Minnie. Mas aqui dentro, você é meu. Só meu.

— Eu sou seu — ofegou Seungmin, o corpo já tremendo de antecipação. — Me mostre, Appa. Me quebre.

Chan soltou o cinto e as calças, descartando-as rapidamente. Ele não usou lubrificante imediatamente; ele queria que Seungmin sentisse cada centímetro da sua necessidade. Ele usou os dedos primeiro, preparando o marido com uma rispidez deliberada, ouvindo os gemidos agudos que Seungmin soltava.

— Você quer isso? — perguntou Chan, dando uma palmada firme na nádega direita de Seungmin, o som estalando no quarto silencioso.

— Sim! Por favor, Chan! — suplicou o moreno, a cabeça pendida para a frente, o suor brilhando em seus ombros.

Chan se posicionou atrás dele. Ele segurou os quadris de Seungmin com mãos de ferro, cravando os dedos na pele pálida, e se empurrou para dentro com uma estocada única e profunda.

Seungmin soltou um grito abafado, o corpo curvando-se sob a força da invasão. Estar de quatro, amarrado e vulnerável, era a única maneira de Seungmin realmente desligar sua mente analítica e se perder no prazer puro.

— Merda, Seungmin... você está tão apertado — rosnou Chan, começando um ritmo implacável.

As estocadas eram fortes, fazendo o corpo de Seungmin balançar para frente e para trás na cama. Chan não o poupava. A cada impacto, ele lembrava a Seungmin que ele estava ali, que ele era real, que ele era o dono de cada centímetro daquele homem que o mundo via como uma estrela intocável.

Seungmin lutava contra as cordas, não para se soltar, mas para sentir a restrição contra sua pele enquanto o prazer subia por sua espinha como uma descarga elétrica.

— Mais... mais forte! — pedia Seungmin, a voz falhando.

Chan atendeu ao pedido, aumentando a velocidade até que o som da carne batendo contra a carne fosse o único ruído no quarto. Ele se inclinou sobre as costas de Seungmin, mordendo a pele do ombro do marido, marcando-o onde o mundo não podia ver, mas onde Seungmin sentiria por dias.

O clímax veio como uma avalanche. Seungmin sentiu o corpo entrar em espasmos, o prazer sendo amplificado pela impossibilidade de usar as mãos para se tocar. Ele gritou o nome de Chan enquanto seu ápice o atingia de forma devastadora. Segundos depois, Chan rugiu, estocando uma última vez antes de se derramar dentro do marido, mantendo-o preso contra o colchão enquanto o peso do orgasmo os consumia.

Eles ficaram ali por longos minutos, as respirações se misturando no ar pesado. Chan começou a desamarrar as cordas com mãos trêmulas, beijando cada marca vermelha que a seda deixara nos pulsos de Seungmin.

Quando Seungmin finalmente conseguiu se virar, ele puxou Chan para um abraço apertado, escondendo o rosto no pescoço do marido.

— Obrigado — sussurrou Seungmin.

— Pelo quê? — perguntou Chan, acariciando o cabelo dele.

— Por me lembrar que, não importa o quanto o mundo tente nos ferir, aqui dentro, nós somos inquebráveis.

Chan beijou a testa de Seungmin, o mesmo gesto que o vocalista fizera com Minjae horas antes. Naquela casa, o amor se manifestava de muitas formas: na proteção de um pai, no carinho de um irmão e na paixão desenfreada de dois homens que tinham sobrevivido a tudo para construir um império de paz.

E, finalmente, o silêncio era absoluto.