Fácil de amar
O Santuário das Cicatrizes e o Ritmo da Rendição
A noite em Seul poderia ser fria e impiedosa lá fora, mas dentro do quarto principal da mansão Bang, o ar era denso, carregado com o cheiro de sândalo, suor e uma devoção que beirava o religioso. Seungmin estava entregue. Seus pulsos, ainda marcados levemente pelo toque das cordas de seda que Chan acabara de afrouxar, repousavam sobre os travesseiros de cetim. Ele estava exausto, mas seus olhos, semicerrados e brilhantes, buscavam os de Chan com uma fome que dez anos de casamento não foram capazes de saciar.
Chan posicionou-se novamente entre as pernas de Seungmin, sentindo o calor que emanava do corpo do marido. Ele não queria apenas prazer; ele queria cura. Ele queria apagar cada insulto homofóbico que o pai de Minjae gritara, cada hematoma que Seungmin ganhara naquela briga, e substituir tudo pelo peso do seu amor e da sua posse.
— Você ainda está comigo, Minnie? — sussurrou Chan, a voz vibrando grave no peito de Seungmin enquanto ele se inclinava para beijar a cicatriz recém-formada perto da sobrancelha do vocalista.
— Eu nunca saí do seu lado, Channie — respondeu Seungmin, a voz falhando, mas os dedos cravando-se nos ombros largos do marido. — Não pare. Eu preciso que você me preencha até que não reste espaço para mais nada. Nem para o medo, nem para o passado.
Chan não precisou de outro convite. Ele se moveu com uma lentidão deliberada, entrando em Seungmin novamente. O som da carne se encontrando era o único ritmo que importava. Seungmin arqueou as costas, um gemido agudo escapando de sua garganta. Era a segunda vez naquela noite, mas parecia a primeira. O prazer era tão nítido quanto uma nota alta perfeitamente executada.
— Isso... — ofegou Seungmin, a cabeça pendendo para trás. — Chan, por favor...
Chan acelerou o passo. Ele conhecia cada centímetro do corpo de Seungmin, cada ponto de pressão que o fazia perder a razão. Ele o levou ao ápice com uma precisão cirúrgica. Quando Seungmin gozou pela segunda vez, seu corpo estremeceu violentamente, as pernas envolvendo a cintura de Chan como se ele fosse sua única âncora em um mar revolto.
— Eu te tenho — rosnou Chan, beijando o suor no pescoço de Seungmin. — Eu sempre vou te ter.
Mas Chan não permitiu que o clima esfriasse. Ele queria levar Seungmin ao limite da exaustão e do êxtase. Com paciência e carícia, ele manteve a ereção do marido viva, provocando-o com beijos lentos e estocadas rítmicas que faziam Seungmin choramingar de prazer.
— Você é tão responsivo, Minnie — murmurou Chan, observando como os mamilos de Seungmin se endureciam sob seu toque. — Quantas vezes mais eu consigo fazer você quebrar para mim hoje?
— Quantas vezes... — Seungmin fez uma pausa, tentando recuperar o fôlego — ...quantas vezes você quiser me tomar.
A terceira vez foi um borrão de luxúria e necessidade. Chan mudou a posição, puxando Seungmin para o seu colo, de frente para ele. Nessa posição, eles estavam coração contra coração. Seungmin enterrou o rosto no pescoço de Chan, soluçando baixo enquanto o prazer se acumulava novamente. O ritmo era frenético, uma dança de dois homens que tinham sobrevivido a uma tempestade e agora celebravam a sobrevivência. Quando o terceiro orgasmo atingiu Seungmin, ele sentiu como se sua alma estivesse sendo purificada.
— Channie... eu não consigo... — sussurrou Seungmin, o corpo amolecendo nos braços do marido.
— Consegue sim — disse Chan, a voz cheia de uma ternura possessiva. — Só mais uma vez, meu amor. Deixe-me ver você se perder por mim uma última vez.
Chan o deitou de volta, elevando as pernas de Seungmin sobre seus ombros. A visão era erótica e crua. Ele começou a se mover com uma força renovada, cada estocada atingindo o âmago de Seungmin. O vocalista sentia que estava flutuando. O quarto parecia girar, e a única coisa sólida era o aperto das mãos de Chan em seus quadris.
Quando a quarta onda de prazer absoluto lavou o corpo de Seungmin, ele gritou o nome de Chan de uma forma que ecoou pelas paredes do quarto, um som de rendição total e alegria pura. Ele gozou tanto que sentiu seus músculos tremerem em espasmos involuntários por longos minutos. Chan, atingindo seu próprio limite logo em seguida, desmoronou sobre o marido, o peito subindo e descendo em sincronia com o dele.
O silêncio que se seguiu foi sagrado. O suor esfriava em suas peles, mas o calor interno permanecia. Chan não se retirou. Ele sentia a necessidade visceral de permanecer conectado a Seungmin, de ser um com ele naquela noite de cura.
— Fique — sussurrou Seungmin, as mãos vagando preguiçosamente pelas costas de Chan. — Não saia.
— Eu não vou a lugar nenhum — prometeu Chan.
Com cuidado, Chan puxou o edredom pesado sobre os dois, abafando o som da chuva que ainda batia na janela. Ele se acomodou de lado, trazendo Seungmin para perto, mantendo-se unido a ele, sentindo a pulsação do marido contra a sua própria carne. Era uma união que transcendia o físico; era o selo de uma família que fora testada pelo fogo e saíra intacta.
— Você está bem, Minnie? — perguntou Chan, a voz já pesada pelo sono iminente.
— Estou em casa — respondeu Seungmin, fechando os olhos e descansando a cabeça no peito do marido.
Eles dormiram assim, unidos e inseparáveis. Chan permaneceu dentro de Seungmin durante toda a noite, um guardião silencioso no escuro. Naquela mansão, onde Minjae finalmente dormia sem pesadelos e Sora sonhava com seu futuro, o amor de Bang Chan e Bang Seungmin era o alicerce de tudo. As cicatrizes físicas podiam permanecer, mas naquela noite, a alma de Seungmin fora restaurada, nota por nota, no ritmo do coração do homem que ele chamava de seu.