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Fácil de amar

O Tempero da Família e o Eco do Riso

A cozinha da mansão Bang era, sem dúvida, o coração pulsante da casa. Dois anos haviam se passado desde que o silêncio quebrado por garrafas e gritos de dor fora substituído pelo som constante de música, debates sobre moda e o aroma reconfortante de comida caseira. Minjae, agora com dezoito anos, caminhava pela calçada em direção ao portão principal, balançando a mochila nos ombros com uma confiança que poucos reconheceriam no garoto assustado de outrora.

Ele havia mudado. O corpo ganhara massa e altura, herança dos treinos de academia que costumava fazer com Bang Chan, mas o olhar... o olhar era puro Seungmin. Ele desenvolvera um sarcasmo refinado, uma língua afiada que usava para desarmar qualquer situação tensa, mas mantinha o coração imenso e protetor que herdara de ambos os pais. Para Minjae, Chan era sua força e Seungmin era sua bússola.

Ao abrir a porta da frente, o silêncio da casa o estranhou. Geralmente, Sora estaria ouvindo música alta em seu ateliê ou Chan estaria em alguma chamada de vídeo barulhenta com a gravadora.

— Cheguei, família! — gritou Minjae, largando as chaves na mesa do hall. — Alguém sobreviveu ao dia ou eu sou o único herdeiro de toda essa fortuna agora?

Ninguém respondeu. Ele franziu o cenho, sentindo o cheiro de algo queimando levemente — talvez alho? — vindo da cozinha. Com um sorriso travesso, ele caminhou na ponta dos pés. Ele adorava assustar Seungmin, embora o pai raramente se abalasse, mantendo sempre aquela expressão impassível que Minjae tanto tentava imitar.

No entanto, ao cruzar o batente da cozinha, a cena que encontrou não era a de Seungmin cortando legumes ou de Chan lendo o jornal.

Bang Chan estava prensado contra o balcão de mármore, com Seungmin sentado sobre a superfície, as pernas do vocalista firmemente entrelaçadas na cintura do marido. As mãos de Chan estavam possessivamente mergulhadas sob a blusa de Seungmin, enquanto o mais novo segurava o rosto de Chan com uma urgência que fazia parecer que não se viam há anos, em vez de apenas algumas horas. O beijo era profundo, barulhento e claramente carregado de uma paixão que dez anos de casamento e dois filhos adotivos não tinham sido capazes de esfriar nem um pouco.

Minjae parou bruscamente. Ele piscou, processando a imagem. Seus pais estavam, literalmente, "se pegando" em cima do lugar onde ele costumava comer cereais todas as manhãs.

— Mas que pouca vergonha é essa na minha cozinha cristã? — exclamou Minjae, cruzando os braços e elevando a voz com um tom dramático de indignação.

O susto foi imediato. Chan deu um pulo tão grande que quase derrubou Seungmin do balcão, mas conseguiu segurá-lo a tempo. Seungmin, por sua vez, apenas limpou o canto da boca com o polegar, mantendo-se sentado no mármore com uma calma irritante, embora suas bochechas estivessem levemente rosadas.

— Minjae! — Chan exclamou, tentando ajeitar a camisa amassada enquanto recuperava o fôlego. — Você não... você não deveria estar na aula de teoria musical até as seis?

— O professor faltou — respondeu Minjae, caminhando até a geladeira com a maior naturalidade do mundo, passando por entre os dois. — Mas pelo visto, quem não faltou com as obrigações matrimoniais foram vocês, não é? Appa Chan, você está suado. É nojento.

Seungmin soltou uma risadinha seca, descendo do balcão e ajeitando o cabelo.

— Deixe de ser dramático, Minjae. Você já tem dezoito anos. Já viu coisas piores na televisão — disse Seungmin, recuperando sua postura de mestre sarcástico. — E a cozinha é minha. Se eu quiser beijar seu pai em cima do fogão, eu beijo.

— Por favor, não no fogão — Minjae pegou uma garrafa de suco e bebeu direto do gargalo, ganhando um olhar reprovador de Seungmin. — Eu não quero comer omelete com gosto de labello de morango e hormônios reprimidos.

Chan passou a mão pelo rosto, rindo da audácia do filho. Ele adorava como Minjae se tornara confortável o suficiente para provocá-los daquela maneira.

— Hormônios reprimidos? — Chan arqueou uma sobrancelha, aproximando-se de Minjae e bagunçando o cabelo do garoto com força. — Respeite seus pais, garoto. Eu ainda posso te colocar de castigo.

— Castigo? — Minjae deu um passo para trás, rindo. — O que você vai fazer? Me proibir de ouvir Stray Kids? Eu já conheço as músicas de cor, Appa. E, honestamente, se o castigo for ficar trancado no quarto enquanto vocês transformam a casa em um cenário de filme proibido para menores, eu aceito a punição de bom grado. Pelo menos me deem um fone de ouvido com cancelamento de ruído.

— Ok, chega — Seungmin interveio, embora houvesse um brilho de diversão em seus olhos. — Vá lavar as mãos. O jantar vai sair assim que seu pai parar de tentar me despir com os olhos e focar em picar as cebolas.

— Eu não estava tentando te despir — mentiu Chan, sem convicção nenhuma.

— Estava sim — rebateu Minjae e Seungmin em uníssono.

Minjae riu, mas antes de sair da cozinha, ele parou e olhou para os dois. O sarcasmo sumiu por um breve segundo, dando lugar a um olhar de puro afeto.

— É bom ver vocês assim — disse ele, mais baixo. — É sério. Eu prefiro encontrar vocês se pegando na cozinha do que ver vocês preocupados ou tristes. Só... avisem da próxima vez. Eu posso bater um gongo ou algo assim antes de entrar.

Chan sorriu, puxando Minjae para um abraço rápido e apertado, o tipo de abraço que sempre dizia "eu te amo" sem precisar de palavras.

— Vá se trocar, filho. Sora deve estar chegando com tecidos novos e ela vai precisar de ajuda para carregar tudo.

— E lá se vai meu descanso — resmungou Minjae, saindo da cozinha. — Nessa casa, ou eu sou enfermeiro, ou sou carregador, ou sou espectador de romance barato. Eu devia ter fugido com o circo.

— O circo não aceita palhaços sem talento musical! — gritou Seungmin de volta, ouvindo a gargalhada de Minjae ecoar pelo corredor enquanto ele subia as escadas.

Chan voltou-se para Seungmin, envolvendo a cintura do marido novamente.

— Onde estávamos? — perguntou ele, com um sorriso malicioso.

Seungmin colocou as mãos no peito de Chan, empurrando-o levemente, mas sem se afastar.

— Estávamos prestes a queimar o alho, Channie. E agora temos um filho de dezoito anos que tem material de chantagem para os próximos dez anos.

— Valeu a pena — sussurrou Chan, selando os lábios de Seungmin com um selinho rápido antes de pegar a faca de cozinha. — Valeu cada segundo.

Naquela casa, as cicatrizes do passado eram apenas sombras distantes, iluminadas pelo riso de um filho que encontrara seu lugar e pelo amor de dois homens que nunca deixaram de lutar um pelo outro. A sinfonia dos Bang estava completa, vibrante e, ocasionalmente, barulhenta demais, exatamente como deveria ser.