Voltar ao resumo

Fácil de amar

O Aroma da Carne e o Tempero do Desejo

O sol de domingo em Seul parecia ter decidido brilhar com uma intensidade especial para o churrasco no jardim da mansão Bang. O gramado estava impecável, e o som da risada de Felix, que parecia um sino de cristal, já podia ser ouvido desde o portão. Era um daqueles raros dias em que as agendas das lendas aposentadas do Stray Kids se alinhavam perfeitamente, transformando a casa em um caos organizado de memórias, piadas internas e muita comida.

Bang Chan, vestindo um avental que dizia "Melhor Churrasqueiro do Mundo" (um presente irônico de Minho), estava diante da grelha de última geração. Ele manejava os utensílios com uma precisão quase coreográfica, mas seus olhos não estavam focados apenas na picanha que dourava. Eles seguiam Seungmin, que atravessava o jardim carregando uma bandeja de acompanhamentos.

— Cuidado com esse peso, Minnie — gritou Chan, com um sorriso de lado que fez as covinhas aparecerem. — Se você machucar essas mãos preciosas, quem é que vai me fazer massagem hoje à noite?

Seungmin parou no meio do caminho, sentindo o rosto esquentar. Ele olhou para os lados, vendo Sora e Minjae sentados em uma mesa próxima com Hyunjin e Felix.

— Chan, por favor — murmurou Seungmin, aproximando-se da churrasqueira. — Estamos em público. Comporte-se.

— Mas eu estou me comportando! — Chan piscou para ele, baixando a voz para um tom rouco que só Seungmin deveria ouvir. — Só estou admirando como essa bermuda realça o seu... talento vocal.

Seungmin revirou os olhos, mas não conseguiu conter um pequeno sorriso.

— Você é impossível.

— E você está delicioso — rebateu Chan, roubando um beijo rápido e barulhento da bochecha de Seungmin antes que ele pudesse protestar.

Na mesa de apoio, Minjae enterrou o rosto nas mãos, enquanto Sora soltava um suspiro dramático.

— Alguém pode, por favor, dar um balde de gelo para o meu pai? — pediu Sora, olhando para Hyunjin. — Ele está em fase de acasalamento de novo. É constrangedor.

Hyunjin soltou uma gargalhada, abraçando Felix pelo ombro.

— Ah, querida, o Chan é assim desde os vinte anos. A única diferença é que agora ele não precisa mais esconder isso das câmeras. O Seungmin é a musa eterna dele.

— É fofo! — exclamou Felix, com os olhos brilhando. — Eu acho lindo que eles ainda tenham esse fogo todo depois de tanto tempo.

— É trauma — corrigiu Minjae, pegando um pedaço de pão de alho. — Eu vou precisar de terapia extra para apagar a imagem do Appa Chan dando tapinhas no... enfim, vocês entenderam.

Enquanto isso, do outro lado do jardim, a paz foi interrompida pela chegada triunfal de Minho e Jisung. Minho carregava uma caixa térmica com uma expressão de superioridade, enquanto Jisung vinha logo atrás, carregando três tipos diferentes de molhos e parecendo que tinha acabado de acordar de uma soneca de dez horas.

— Chegamos! — anunciou Jisung, abrindo os braços. — Onde está a carne? Eu sinto o cheiro de proteína e desejo vindo daquela churrasqueira, e espero que a carne esteja melhor que o flerte do Chan.

— Impossível — gritou Chan de volta, acenando com a pinça de carne. — Meu flerte é nível profissional, Jisung!

Minho colocou a caixa térmica no chão e caminhou até Seungmin, analisando as marcas de sol no rosto do amigo.

— Seungmin, como você aguenta? — perguntou Minho, com sua honestidade brutal de sempre. — Eu teria jogado ele na piscina no primeiro comentário sobre "massagem".

— Eu considero isso todos os dias, Minho — respondeu Seungmin, suspirando. — Mas ele é quem paga as contas da casa e faz um churrasco decente. É uma troca justa.

— Justa? — Chan se aproximou, abraçando Seungmin por trás e apoiando o queixo em seu ombro, ignorando completamente o fato de que Minho estava bem ali. — Eu dou muito mais do que churrasco para ele, não dou, Minnie? Eu dou todo o meu coração... e outras partes também.

— AI, MEU DEUS! — Minjae gritou da mesa. — APPA, PARE! HÁ CRIANÇAS PRESENTES!

— Você tem dezoito anos, Minjae! — Chan riu, apertando mais Seungmin. — E sua irmã tem vinte! Vocês não são mais crianças.

— Mentalmente eu tenho cinco anos toda vez que você abre a boca para flertar com o Appa Seungmin — retrucou Sora, fingindo estar horrorizada. — Hyunjin-uncle, me salve. Me fale sobre moda, sobre Paris, sobre qualquer coisa que não envolva a vida amorosa dos meus pais.

Hyunjin prontamente começou a mostrar fotos de sua última coleção de joias no celular, criando uma zona de segurança para os jovens Bang.

Enquanto a tarde avançava, o churrasco se tornou uma mistura de nostalgia e caos. Felix e Jisung começaram uma competição improvisada de quem conseguia comer mais asinhas de frango apimentadas, com Minho agindo como um juiz imparcial que, secretamente, estava sabotando Jisung colocando mais pimenta no prato dele.

Seungmin estava sentado em uma espreguiçadeira, bebendo um copo de chá gelado, quando Chan se aproximou novamente. O líder aposentado estava sem o avental agora, a camiseta branca levemente justa destacando o físico que ele ainda mantinha com rigor. Ele se sentou na beirada da espreguiçadeira, invadindo o espaço pessoal de Seungmin.

— Você está muito quieto hoje — disse Chan, traçando círculos com o polegar no joelho de Seungmin. — O que foi? Muita gente?

— Só estou observando — disse Seungmin, suavizando a expressão. — Olhe para eles, Chan. Minjae está rindo com o Jisung. Sora está discutindo cores com o Hyunjin. O Minho não tentou chutar ninguém nos últimos vinte minutos. Nós conseguimos.

Chan olhou para a cena e seu peito se encheu de um orgulho morno. Ele se lembrou das noites de insônia, das turnês exaustivas e, principalmente, daquela noite terrível em que quase perdeu a paz de sua família por causa do agressor de Minjae.

— Nós conseguimos — concordou Chan. — Mas eu só consegui porque você estava lá. Você é a nota que mantém a minha música afinada, Seungmin.

Seungmin sentiu o coração disparar, o mesmo efeito que Chan causava nele desde os tempos de trainee.

— Isso foi... realmente bonito, Channie.

— Eu sei — disse Chan, inclinando-se para frente com um olhar malicioso. — Tão bonito que merece um beijo de cinema, não acha?

— Chan, não ouse...

Antes que Seungmin pudesse terminar, Chan o puxou para um beijo profundo e apaixonado, bem ali, no meio do jardim, sob a luz dourada do sol. Foi um beijo que ignorou a presença dos amigos e o protesto imediato dos filhos.

— E LÁ VÃO ELES DE NOVO! — Jisung gritou, batendo palmas. — VAI FUNDO, CHAN! MOSTRA QUEM É O LÍDER!

— MEUS OLHOS! — Minjae exclamou, cobrindo o rosto com um guardanapo. — EU ESTOU FICANDO CEGO! SORA, ME LEVE PARA O HOSPITAL!

Minho apenas balançou a cabeça, pegando um pedaço de carne diretamente da tábua.

— Eles são nojentos — disse Minho para Felix. — Mas são o tipo certo de nojentos.

Felix sorriu, encostando a cabeça no ombro de Hyunjin.

— Eles se amam, Minho. É o que importa.

Quando Chan finalmente se afastou de Seungmin, ambos estavam ofegantes e sorridentes. Seungmin deu um tapa leve no braço de Chan, mas não conseguiu esconder o brilho de felicidade no olhar.

— Você é um exibido, Bang Chan.

— Sou um homem apaixonado pelo meu marido, Bang Seungmin. Há uma diferença.

A festa continuou até o anoitecer. Eles acenderam pequenas tochas pelo jardim e a conversa migrou para as histórias antigas do grupo. Relembraram os erros de coreografia, as brigas bobas por comida nos dormitórios e como se sentiam assustados e invencíveis ao mesmo tempo.

Minjae ouvia tudo com atenção. Ele olhava para aqueles homens, que o mundo inteiro conhecia como ídolos globais, e via apenas sua família. Via os "tios" que o acolheram e o pai que lutou por ele.

— Sabe, Appa — disse Minjae, aproximando-se de Seungmin enquanto os outros estavam distraídos com uma história de Jisung. — Apesar de ser traumatizante ver vocês dois flertando o tempo todo... eu fico feliz.

Seungmin abraçou o filho de lado.

— Por que, querido?

— Porque eu cresci vendo o oposto disso. Eu achava que amor era algo que causava dor. Mas vendo você e o Appa Chan... eu percebi que o amor de verdade é esse barulho todo. É essa vergonha que vocês me fazem passar. É saber que, não importa o que aconteça, vocês sempre vão se olhar desse jeito.

Seungmin sentiu uma lágrima solitária escapar, mas a limpou rapidamente antes que Minjae visse.

— Nós te amamos muito, Minjae. E amamos a Sora. Vocês são o motivo de tudo isso ser tão barulhento e caótico.

— Eu sei — disse o garoto, sorrindo. — Mas sério, se o Appa Chan fizer mais um trocadilho sexual com a sobremesa, eu vou morar com o tio Minho.

— O Minho tem três gatos e uma coleção de facas, Minjae. Você não duraria uma semana — brincou Seungmin.

— Justo. Vou ficar por aqui e aguentar o mico.

A noite terminou com todos reunidos em volta de uma pequena fogueira. Felix começou a cantarolar uma melodia suave, e logo os outros se juntaram, as vozes harmonizando naturalmente, como se o tempo nunca tivesse passado. Chan segurava a mão de Seungmin, entrelaçando seus dedos com firmeza.

Ali, naquele jardim, o passado doloroso era apenas uma cicatriz que não doía mais. O presente era feito de risos, de amigos que eram irmãos e de uma família que fora construída sobre os escombros da dor, tornando-se algo muito mais forte e bonito.

E se Bang Chan continuasse a flertar descaradamente com Seungmin pelo resto da vida, causando reviradas de olhos em seus filhos, era um pequeno preço a pagar pela felicidade absoluta que agora reinava na mansão Bang. Afinal, para eles, a música mais bonita nunca fora um hit de topo de parada, mas sim o som daquela família reunida, vivendo o seu próprio "felizes para sempre".