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Família,amor,ciúmes e união

O Labirinto de Emoções e a Rede do Caos

A manhã de domingo na mansão das Bergmova não começou com o despertador, mas com o som de algo pesado atingindo o chão, seguido por uma gargalhada aguda que só poderia pertencer a uma criança muito satisfeita consigo mesma. Léo, o pequeno ruivo de um ano, havia descoberto que o controle remoto da televisão fazia um som fascinante quando arremessado contra o piso de madeira.

— Léo! Não, meu amor, isso não é brinquedo! — Julia Bergmann exclamou, surgindo na sala com os cabelos ruivos em um desalinho matinal completo.

O bebê olhou para a mãe, inclinou a cabeça e, com um brilho de puro abuso nos olhos, pegou um dos seus carrinhos de borracha e o lançou na direção da TV. Ao ser repreendido com um "não" mais firme, o lábio inferior de Léo começou a tremer. Em três segundos, a gargalhada transformou-se em um choro estridente e dramático que ecoou por toda a casa.

— Ah, não... agora não, pequeno — Julia suspirou, pegando-o no colo e tentando acalmá-lo enquanto ele se debatia, claramente em um daqueles dias em que a paciência de todos seria testada.

Na cozinha, o clima não estava muito mais calmo. Nicolas e Thiago, com a energia típica de adolescentes que dormiram demais, estavam sentados à mesa, observando Gabriella tentar, sem sucesso, fritar um ovo sem quebrar a gema.

— Sabe o que eu acho, Gabi? — Thiago começou, com um sorriso travesso. — Esse seu mau humor matinal é falta de um esquema. Você precisa de uma namorada.

— Uma não, Thiago, ela precisa de alguém que tenha a paciência de um monge budista para aguentar essas patadas — Nicolas completou, rindo quando Gabi quase derrubou a espátula.

— Escutem aqui, seus dois desocupados — Gabi disse, virando-se com a faca de manteiga na mão como se fosse uma arma —, se vocês falarem mais uma palavra sobre a minha vida amorosa, eu vou colocar pimenta no suco de vocês. Eu estou ótima sozinha, obrigada.

— Está tão ótima que ontem passou meia hora stalkeando a central do vôlei para ver quem estava solteira — Nicolas provocou, desviando de um pano de prato que Gabi lançou em sua direção.

Enquanto o caos fervia no andar de baixo, Ekaterina Antropova descia as escadas com uma calma que beirava o irritante. Ela vestia apenas um short de treino largo e uma regata branca que acentuava seus ombros fortes. Ao ver Julia tentando acalmar o choro de Léo perto da janela, Kate sorriu de lado. Ela se aproximou por trás, ignorando solenemente o drama do filho por um momento.

— Ele está impossível hoje, não está? — Kate sussurrou no ouvido de Julia, sua voz rouca de sono fazendo os pelos do braço da ruiva se arrepiarem.

— Impossível é pouco. Ele resolveu que hoje é o dia do arremesso de objetos — Julia respondeu, tentando não ceder ao arrepio.

Kate não respondeu com palavras. Em vez disso, sua mão desceu com firmeza e desferiu um tapa sonoro na bunda de Julia, seguido por uma mordida rápida e marcada no pescoço da esposa.

— Aí, Antropova! — Julia deu um pulo, o rosto ficando instantaneamente vermelho. — O Léo está no meu colo, sua abusada! Respeite a criança!

— Ele está distraído com o próprio choro, Bergmann — Kate provocou, dando outra mordida, desta vez mais lenta, no ombro de Julia. — Além disso, você sabe que eu adoro quando você fica brava.

— Você é insuportável — Julia resmungou, mas não se afastou. O choro de Léo finalmente diminuiu para soluços baixos enquanto ele observava a interação das mães com curiosidade.

O dia seguiu quente, e a única solução lógica para o calor do verão era a piscina. O quintal tornou-se um campo de batalha aquático. Nicolas e Thiago tentavam desesperadamente derrubar Gabi na água, enquanto ela gritava impropérios e tentava manter o cabelo seco, uma missão fadada ao fracasso.

Julia e Kate estavam na parte rasa, com Léo entre elas. O bebê batia na água com as mãos, espirrando em tudo e em todos.

— Cuidado, Léo! — Julia riu, limpando o rosto.

— Deixe ele, Julia. Ele precisa gastar essa energia ou não vamos dormir à noite — Kate disse, mergulhando e voltando à superfície com os cabelos loiros colados ao rosto, parecendo uma sereia nórdica.

Em um momento em que os meninos conseguiram finalmente submergir Gabi, a correria e os gritos de alegria tomaram conta do ambiente. Julia observava a cena com um sorriso, sentindo a mão de Kate buscar a sua por baixo da água, os dedos se entrelaçando com uma promessa silenciosa.

Após o jantar — um churrasco improvisado que Nicolas e Thiago insistiram em ajudar a preparar, quase queimando as sobrancelhas no processo —, a casa finalmente começou a baixar o tom. O sol já havia se posto, e a brisa da noite trazia um alívio bem-vindo.

Na varanda do primeiro andar, a grande rede de fios tramados convidava ao descanso. Julia e Kate se acomodaram ali, envoltas em uma penumbra suave. A luz vinha apenas da sala de estar, cujas portas de vidro estavam abertas.

— Finalmente um pouco de paz — Julia murmurou, deitando a cabeça no peito de Kate.

A russa não perdeu tempo. Suas mãos, sempre exploradoras, começaram a percorrer o corpo de Julia sob a luz do luar. O beijo de língua foi profundo, lento, carregado de uma saudade que parecia acumular-se mesmo quando passavam o dia inteiro juntas. Kate desceu os beijos para o pescoço de Julia, aspirando o perfume de pele e sol que a ruiva exalava. A mão boba de Kate deslizou por dentro da blusa de Julia, encontrando a pele macia e fazendo a ruiva soltar um suspiro longo.

— Kate... eles estão logo ali — Julia sussurrou, embora não fizesse menção de parar o contato.

Do outro lado do vidro, a poucos metros de distância, o contraste era absoluto. Nicolas, Thiago e Gabi estavam sentados no tapete da sala, em volta da mesa de centro, em meio a uma partida feroz de Uno e um jogo de tabuleiro que parecia envolver muitas regras e discussões.

— Compra quatro, Thiago! Chupa! — Gabi gritou, jogando a carta com um entusiasmo exagerado.

— Isso é roubo! Você escondeu essa carta na manga da blusa! — Thiago protestou, enquanto Nicolas ria da desgraça do amigo.

Léo, que deveria estar dormindo no cercadinho, havia decidido que a liberdade era melhor. Ele engatinhava entre os adolescentes, tentando pegar as cartas de Uno e derrubar as peças do tabuleiro.

— Léo, não! A peça do dragão não é comida! — Nicolas reclamou, tentando tirar o bonequinho da boca do sobrinho.

O bebê, frustrado por ter seu "lanche" retirado, começou a engatinhar em direção à varanda. Ele atravessou a porta de vidro aberta, determinado a encontrar as mães. Julia e Kate, perdidas em seus próprios carinhos, só perceberam a presença do pequeno quando sentiram a rede balançar violentamente.

Léo, em sua pressa para subir na rede, acabou tropeçando no próprio pé e caindo de cara na quina de madeira da base da rede. O silêncio que se seguiu durou apenas um segundo antes do grito de dor rasgar a noite.

— Meu Deus, Léo! — Julia sentou-se bruscamente, o clima romântico evaporando no mesmo instante.

Ela pegou o bebê no colo. Léo tinha um pequeno corte no lábio e o nariz ralado, e chorava com uma intensidade que partia o coração.

— Deixa eu ver, meu amor... calma — Kate disse, sua voz transbordando preocupação maternal enquanto examinava o ferimento.

Gabi e os meninos apareceram na porta da varanda, as cartas de Uno ainda nas mãos.

— O que aconteceu? Ouvimos o grito lá de dentro! — Gabi perguntou, aproximando-se.

— Ele caiu na quina da rede — explicou Julia, balançando o bebê para frente e para trás. — Está tudo bem, Gabi. Foi só o susto e um cortezinho.

Léo, soluçando, agarrou-se à regata de Julia, recusando-se a soltar. Ele olhou para Kate com os olhos azuis marejados e esticou a mãozinha para ela também.

— Acho que a nossa noite a sós acabou — Kate suspirou, mas não havia irritação em sua voz, apenas um carinho profundo. Ela se ajeitou na rede e puxou Julia e Léo para o seu abraço.

A rede, agora, abrigava os três. Léo, sentindo o calor das duas mães, começou a se acalmar. Ele encostou a cabeça no peito de Julia, segurando a mão de Kate com seus dedos pequenos.

Gabi, observando a cena da porta, suavizou a expressão.

— Bom, acho que o jogo de Uno perdeu a graça. Vou levar esses dois ali para baixo para assistirem a um filme e pararem de me encher o saco sobre namoradas.

— Boa sorte com isso, Gabi — Julia riu baixo, enquanto via a amiga arrastar os adolescentes para longe.

O silêncio voltou à varanda, mas agora era um silêncio diferente. Não era o silêncio do desejo, mas o da plenitude. Léo finalmente pegou no sono, exausto pelo choro e pelo dia longo. Julia e Kate permaneceram ali, balançando suavemente sob o céu estrelado.

— Ele é realmente abusado, não é? — Kate sussurrou, observando o filho dormindo. — Interrompeu a gente da melhor maneira possível.

— Ele sabe que é o centro do nosso universo, Kate — Julia respondeu, sentindo a mão da esposa acariciar seu braço. — E, sinceramente? Eu não mudaria nada. Nem o choro, nem a Gabi gritando, nem esse cortezinho no nariz.

Kate inclinou-se e deu um beijo suave nos lábios de Julia, um beijo que carregava gratidão e promessa.

— Eu também não, ruiva. Mas amanhã, quando ele estiver na creche... a gente termina o que começou.

Julia sorriu contra os lábios de Kate, fechando os olhos e deixando-se levar pelo balanço da rede, sentindo que, em meio ao caos daquela família, ela finalmente tinha encontrado o seu lugar de paz. O amor delas não era feito apenas de momentos perfeitos, mas de quedas, choros, interrupções e, acima de tudo, da capacidade de sempre encontrarem o caminho de volta uma para a outra, mesmo que houvesse um pequeno ruivo chorão no meio do caminho.

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