Família,ciúmes e tentação
O Peso do Desejo e a Redenção das Sombras
A luz da manhã filtrava-se pelas cortinas de seda da suíte principal, mas o clima dentro do quarto ainda carregava os resquícios da tempestade da noite anterior. Julia estava sentada no sofá de veludo, o pequeno Léo aninhado em seu seio. O silêncio da mansão era quebrado apenas pelo som rítmico da sucção do bebê e pelo leve deslizar dos dedos de Ekaterina sobre a tela do celular.
Kate estava ao lado dela, mas parecia a quilômetros de distância. Seus olhos loiros estavam fixos no aparelho, e a agilidade com que seus polegares se moviam indicava uma conversa intensa. Julia sentiu aquela pontada familiar no peito, uma mistura de posse e insegurança que queimava mais que qualquer treino físico.
— É ela de novo, não é? — A voz de Julia saiu cortante, quebrando o silêncio como um chicote.
Kate nem sequer levantou a cabeça de imediato, terminando de digitar uma frase antes de bloquear a tela.
— Ela quem, Julia? — perguntou Kate, a voz calma, mas com um subtom de cansaço que só irritou a ruiva ainda mais.
— A novata. A Alice. Eu vi o nome dela brilhar na tela antes de você virar o celular. O que ela quer agora? Orientação tática às dez da noite? Ou ela esqueceu mais alguma coisa no seu carro? — A ironia de Julia era ácida, carregada de um ciúme que ela não tentava esconder.
— Julia, pelo amor de Deus, ela só estava perguntando sobre o horário do vídeo de amanhã. Eu sou a capitã, é meu dever responder — Kate suspirou, finalmente guardando o celular no bolso do roupão. — Você precisa parar com isso. Essa possessividade está ficando insuportável.
— Insuportável é ver você dando corda para uma menina que claramente está te cercando! — Julia elevou um pouco o tom, o que fez Léo se mexer inquieto em seu colo. — Eu não quero você conversando com ela fora do ginásio. É simples, Ekaterina.
Nesse momento, a porta de vidro que dava para o corredor se abriu. Nicolas, o irmão de oito anos de Kate, entrou correndo, com as bochechas coradas de tanto brincar no quintal com o Golden Retriever da família. Ele parou no meio do quarto, sentindo a eletricidade no ar.
— Ué, vocês já estão brigando de novo? — perguntou o menino, com a inocência cruel das crianças. — A Gabi disse que quando vocês gritam assim, é porque a Kate fez alguma coisa errada.
Kate revirou os olhos e deu um sorriso forçado para o irmão.
— Não é nada, Nico. A Julia só está... sendo a Julia. Vá lavar as mãos para o lanche, vá.
Julia sentiu o sangue subir ao rosto. Sem dizer mais nada, ela ajeitou Léo nos braços, levantou-se com uma dignidade ferida e caminhou em direção ao quarto do bebê. Ela não queria mais olhar para a calma irritante de Kate.
No berçário, a penumbra ajudou a acalmar Léo, mas não a sua mãe. Julia sentou-se na poltrona de amamentação, balançando o corpo mecanicamente. O silêncio da casa foi subitamente interrompido pelo som da porta da frente batendo com força. Kate havia saído. O som ecoou como um veredito final.
O tempo passou devagar. Léo finalmente pegou no sono, mas Julia continuou ali, na penumbra, alimentando o próprio rancor. Quando ouviu o barulho do carro voltando e os passos pesados subindo a escada, ela endureceu o corpo. A porta do berçário se abriu suavemente. Kate entrou, o cheiro do ar noturno ainda em suas roupas.
— Ele dormiu? — perguntou Kate, aproximando-se.
Julia fechou a cara, desviando o olhar para o berço.
— Onde você estava? — perguntou a ruiva, a voz gotejando veneno. — Foi encontrar a sua "novata" para explicar o vídeo pessoalmente? Ou vocês estavam conferindo se não ficou mais nada esquecido no banco de trás?
— Julia, chega! — O sussurro de Kate foi um grito contido. — Eu fui dar uma volta para não perder a cabeça com você na frente do meu irmão.
— Sei... uma volta bem conveniente — rebateu Julia, levantando-se da poltrona. — Você acha que eu sou cega, Antropova? Eu vejo como ela te olha. E vejo como você gosta da atenção.
A discussão começou a escalar. As vozes subiram de tom, e o pequeno Léo, ainda no colo de Julia, soltou um choro agudo, assustado com a vibração negativa.
— Olha o que você está fazendo! — Kate rosnou, a paciência evaporando.
Com um movimento decidido, a loira pegou o bebê dos braços de Julia. Seus modos eram firmes, mas cuidadosos. Ela colocou Léo no berço, ajeitou a manta e, antes que Julia pudesse protestar, Kate agarrou o pulso da ruiva.
— O que você está fazendo? Me solta! — Julia tentou resistir, mas a força física de Kate era superior.
A loira a conduziu para fora do berçário, arrastando-a pelo corredor até o quarto delas. Kate fechou a porta e trancou-a, virando-se para Julia com um olhar que a ruiva nunca tinha visto — uma mistura de fúria e um desejo avassalador.
— Escuta bem o que eu vou te dizer — Kate começou, encurralando Julia contra a porta. — Eu estou cansada de provar o óbvio. Eu sou sua. Eu durmo com você, eu crio um filho com você, eu planejo meu futuro com você. Aquela menina não é nada. Mas se você continuar agindo como se eu fosse um prêmio que qualquer uma pode roubar, você vai acabar nos destruindo.
Julia abriu a boca para retrucar, para lançar mais um comentário ácido, mas Kate não permitiu. A loira selou os lábios de Julia com um beijo agressivo, faminto, que calou qualquer protesto. Era um beijo que exigia rendição.
— Você é minha, Julia — murmurou Kate entre os beijos, a voz rouca e possessiva. — E eu sou só sua. Entendeu? Ou eu preciso desenhar na sua pele?
O fogo da briga transformou-se instantaneamente em combustão sexual. Julia, cujas mãos antes empurravam o peito de Kate, agora se enterravam nos cabelos loiros da esposa. O ciúme se transformou em uma fome desesperada.
— Então prova — sussurrou Julia no ouvido de Kate, a respiração quente e errática. — Me chupa, Kate... chupa gostoso com essa língua que você usa para mentir que é paciente. Eu quero sentir que você é minha agora.
Kate não precisou de um segundo convite. Ela deslizou pelo corpo de Julia, ajoelhando-se e puxando a camisola da ruiva para cima. A agressividade do momento refletia-se em cada toque. Julia jogou a cabeça para trás, os gemidos começando a escapar sem controle enquanto a língua de Kate trabalhava com uma precisão que beirava a tortura prazerosa.
Incapaz de apenas receber, Julia puxou Kate para cima. Em um movimento ágil, a ruiva inverteu as posições, jogando a loira na poltrona do quarto e subindo em seu colo. Julia sentou-se sobre o rosto de Kate com uma voracidade que buscava punição e prazer simultaneamente. Seus gemidos eram altos, preenchendo o quarto, desafiando o silêncio da mansão.
No auge do ato, quando Julia estava prestes a perder o controle, o som agudo do choro de Léo ecoou pelo monitor de babá eletrônica. Quase no mesmo instante, batidas firmes soaram na porta do quarto.
— Kate? Julia? O Léo acordou e ele tá chorando muito! — A voz de Nicolas era preocupada. — Por que a porta tá trancada?
Julia congelou, a respiração ofegante, o corpo ainda vibrando. Kate soltou um rosnado de pura frustração, a testa encostada no abdômen de Julia.
— Maldição... — resmungou a loira.
Julia se levantou rapidamente, ajeitando a roupa com as mãos trêmulas, enquanto Kate tentava normalizar a voz.
— Já estamos indo, Nico! — gritou Kate, a voz ainda instável. — Vá para o seu quarto, a Julia já vai cuidar dele.
Julia lançou um olhar de desculpas para a esposa e saiu para acudir o bebê. Kate ficou no quarto, a raiva agora direcionada à interrupção constante de sua vida íntima. Quando Julia voltou, vinte minutos depois, após ninar Léo novamente, encontrou Kate em pé perto da janela, olhando para a escuridão do jardim.
— Por que você ainda está com essa cara? — perguntou Julia, aproximando-se e abraçando a loira por trás.
— Eu estou brava porque a gente nunca consegue terminar nada nesta casa — Kate respondeu, virando-se nos braços de Julia.
— Pois eu vou tirar essa raiva de você agora — Julia sorriu maliciosamente. — Vamos continuar de onde paramos, mas em um lugar onde o Nicolas não vai bater na porta.
Julia puxou Kate em direção ao banheiro da suíte. Elas entraram no box amplo, e a ruiva ligou o chuveiro na temperatura máxima. Sob o barulho da água caindo, o mundo exterior desapareceu. Kate abaixou-se novamente, a água escorrendo por seus ombros largos enquanto ela voltava a se concentrar em Julia.
— Kate... eu não vou aguentar em pé — ofegou Julia, as mãos apoiadas nos azulejos frios enquanto o calor de Kate a consumia por dentro.
Sem dizer uma palavra, Kate a pegou no colo, a água ensopando ambas, e a levou de volta para a cama, não se importando em molhar os lençóis. Kate ficou por cima, iniciando um movimento de subida e descida entre as pernas de Julia, criando uma fricção que levava a ruiva ao delírio. Julia estava no limite, as unhas cravadas nos ombros de Kate, o ápice a apenas um segundo de distância, quando...
*Toc, toc, toc.*
— Kate! — A voz de Nicolas soou novamente, desta vez mais insistente.
Kate parou bruscamente, fechando os olhos com tanta força que as pálpebras tremeram. Ela se levantou da cama como um furacão, enrolando-se em um roupão com movimentos violentos.
— O que foi agora, Nicolas?! — Kate abriu a porta, a fúria emanando de cada poro.
O menino recuou um passo, assustado com a expressão da irmã.
— Eu só... eu só queria saber se a Gabi e a Kisy vêm amanhã cedo. Você não me respondeu direito no jantar.
Kate respirou fundo, tentando não explodir com a criança.
— Sim, elas vêm. Agora vá dormir e não saia desse quarto até o sol nascer, entendeu?
Quando a manhã finalmente chegou, a mansão foi invadida pela energia caótica de Gabi e Kisy. Gabi, sempre a primeira a chegar, já estava com Léo nos braços na sala de estar. O bebê, radiante após uma noite de sono interrompido, puxava os cabelos da "tia".
Nicolas, que já estava de pé e devorando cereais, não perdeu tempo assim que viu as visitas.
— A Kate ficou muito brava ontem à noite — contou o menino, entre uma colherada e outra. — Ela gritou comigo porque eu perguntei de vocês. Elas estavam trancadas no quarto fazendo aquela ginástica de novo e a porta estava toda molhada depois.
Gabi e Kisy trocaram um olhar cúmplice e caíram na gargalhada. Julia, que entrava na sala naquele momento, sentiu o rosto queimar.
— Ginástica molhada, Julia? — provocou Kisy, arqueando a sobrancelha. — Vocês estão treinando para o vôlei de praia dentro do quarto agora?
— Parem com isso — resmungou Julia, tentando manter a compostura enquanto preparava o café.
Perto da hora do almoço, o grupo se reuniu na cozinha gourmet. Gabi, observando a interação entre as duas, resolveu colocar lenha na fogueira.
— E aí, Nicolas, você não acha que o Léo precisa de um irmãozinho para brincar? Um sobrinho mais novo para você cuidar?
Julia quase derrubou a travessa de salada na mesa.
— Nem pensar, Gabi! Um já dá trabalho suficiente, e com essas interrupções constantes, a fábrica está fechada por tempo indeterminado.
Kate, que vinha logo atrás carregando as bebidas, aproveitou que Julia estava de costas. Ela deslizou a mão por baixo da blusa da ruiva, apertando sua bunda com firmeza e cheirando seu pescoço, ignorando completamente as visitas.
— Eu acho que seria uma ideia maravilhosa — sussurrou Kate, alto o suficiente para todos ouvirem. — O Nicolas tem razão, a gente precisa praticar mais essa "ginástica".
— Ekaterina, a gente conversa sobre isso depois! — Julia exclamou, embora o arrepio que percorreu seu corpo denunciasse que ela não estava totalmente contra a ideia.
O almoço seguiu tranquilo, com Léo mamando calmamente no seio de Julia enquanto ela tentava comer com uma mão só. Depois da refeição, a casa se dividiu: Kisy levou Nicolas para a piscina, e o som dos mergulhos e risadas ecoava do lado de fora.
Na sala, o trio de jogadoras relaxava nos sofás. Gabi, que nunca sabia a hora de parar, olhou para Julia.
— Mas falando sério, o Nicolas não escuta nada? Porque você, Julia, não é exatamente silenciosa quando a Kate decide te "treinar".
Kate soltou uma risada curta, lembrando-se da frustração da noite anterior.
— Ele escuta, sim. E interrompe no melhor momento. Ontem foi um teste de paciência nível seleção olímpica.
A conversa continuou leve, entre piadas sobre a vida de casadas e os desafios da maternidade. Quando Kisy e Nicolas voltaram da piscina, ensopados e felizes, o grupo se reuniu novamente. Léo, agora satisfeito e sonolento, passou para o colo de Gabi, que o ninava com uma ternura que contrastava com sua personalidade vibrante.
Julia olhou para Kate, que estava sentada ao seu lado, e sentiu que, apesar dos ciúmes, das brigas por causa de novatas e das interrupções constantes, aquela bagunça era o seu lugar. E se Kate queria mais um bebê para aumentar o caos... bom, talvez a ruiva pudesse ser convencida, desde que a tranca da porta fosse trocada por uma mais resistente.