Família,ciúmes e tentação
O Caos da Paixão e o Preço da Inocência
A mansão das Bergmann-Antropova raramente conhecia o silêncio absoluto. Naquela tarde de domingo, o som predominante era o das gargalhadas de Nicolas e Kisy na piscina, misturado ao choro intermitente de Léo, que parecia ter decidido que aquele seria o seu dia de protesto. Julia, com os cabelos ruivos presos em um coque desleixado e olheiras que nem o melhor corretivo poderia esconder, tentava ninar o bebê enquanto Gabi a observava do sofá, segurando uma taça de vinho com um sorriso travesso no rosto.
— Você está com uma cara péssima, Bergmann — comentou Gabi, balançando o vinho. — Parece que passou por um trator. Ou será que a "ginástica" da Kate foi pesada demais ontem à noite?
Julia lançou um olhar mortal para a amiga.
— Se você disser a palavra "ginástica" mais uma vez, eu juro que te expulso desta casa, Gabi. O Léo não dormiu três horas seguidas. Ele está com cólica, e a Kate... bom, a Kate está sendo a Kate.
— O que eu fiz agora? — A voz rouca de Ekaterina soou da entrada da sala. Ela vinha da cozinha, secando as mãos em um pano de prato, com aquela postura imponente que sempre fazia o coração de Julia errar uma batida, mesmo quando ela estava furiosa.
— Você fez o que sempre faz — retrucou Julia, ajeitando o bebê no colo. — Deixou o Nicolas dar sorvete para o Léo lamber ontem. Eu te falei que ele é pequeno demais, Kate! Agora ele está com a barriguinha inchada e quem não dorme sou eu.
Kate suspirou, aproximando-se e tentando pegar o filho, mas Julia se esquivou.
— Foi só um pouquinho, Julia. O Nicolas queria interagir com o irmão. Não seja tão dramática.
— Dramática? — Julia riu, uma risada seca e sem humor. — É fácil dizer isso quando você apaga assim que encosta a cabeça no travesseiro, enquanto eu fico andando de um lado para o outro neste quarto. Você é irresponsável com a rotina dele, Kate.
Gabi, sentindo a tensão subir, resolveu intervir da pior maneira possível.
— Ih, começou a DR. Sabe o que resolve isso? Outro neném. Um para a Kate cuidar do jeito dela e o Léo fica só com a Julia. O que você acha, Ju? Um novo ruivinho ou uma loirinha vindo aí?
Julia exclamou, indignada, enquanto tentava manter a voz baixa para não assustar Léo.
— Gabi, cala a boca! Não dá agora, nem nos próximos dez anos. Eu mal recuperei meu corpo, mal recuperei minha sanidade e você vem falar de outro filho?
Kate, porém, deu um passo à frente e parou logo atrás de Julia. Ela deslizou as mãos pela cintura da esposa, ignorando a presença de Gabi. Seus dedos apertaram a carne macia do quadril de Julia com uma firmeza possessiva.
— Eu não acho uma má ideia — sussurrou Kate contra a nuca de Julia, fazendo a ruiva estremecer. — Imagine só, mais uma miniatura sua correndo por aqui. Eu adoraria te ver grávida de novo.
— A gente vai conversar sobre isso depois, Ekaterina. De preferência quando você não estiver tentando me seduzir na frente da nossa visita — disse Julia, embora sua voz tivesse perdido metade da firmeza.
O almoço foi uma extensão desse cabo de guerra. Nicolas entrou correndo, ensopado da piscina, e quase derrubou a fruteira de cristal.
— Nicolas! Para dentro agora e vá se secar! — gritou Kate, a paciência finalmente se esgotando.
O menino fez um bico, mas obedeceu, não sem antes soltar uma pérola.
— A Kisy disse que você está brava porque a Julia não deixou você brincar com ela no chuveiro hoje cedo.
Kisy, que vinha logo atrás, ficou vermelha como um pimentão, enquanto Gabi quase engasgou com o riso. Julia apenas enterrou o rosto nas mãos, desejando que o chão da mansão se abrisse.
— Eu vou colocar o Léo para dormir — anunciou Julia, levantando-se bruscamente. — E Kate, se o Nicolas entrar naquele quarto mais uma vez para pedir qualquer coisa, eu não respondo por mim.
Duas horas depois, a casa finalmente parecia ter entrado em um estado de trégua. Gabi e Kisy haviam levado Nicolas para tomar sorvete fora, dando um descanso para as mães. Léo dormia profundamente no berço, exausto de tanto chorar.
Julia estava no quarto, terminando de dobrar algumas roupas, quando sentiu a presença de Kate. A loira fechou a porta e girou a chave. O clique da fechadura soou como um tiro no silêncio.
— O que você está fazendo? — perguntou Julia, embora soubesse muito bem.
— Tirando a sua raiva — respondeu Kate, caminhando em direção a ela com a predação de um lobo. — Você passou o dia me dando patadas, Bergmann. Agora é a minha vez de te dar um motivo para gritar.
Kate a prensou contra a cômoda, suas mãos grandes encontrando o rosto de Julia. O beijo foi imediato, carregado de uma fome que havia sido represada por dias de cansaço e obrigações parentais. Julia gemeu contra os lábios da esposa, suas mãos subindo para os ombros largos de Kate, puxando-a para mais perto.
— Eu ainda estou brava com você — murmurou Julia, entre beijos.
— Eu sei. Eu amo quando você está brava. Fica mais gostosa — Kate respondeu, descendo os beijos para o pescoço de Julia, mordiscando a pele sensível logo abaixo da orelha.
Kate a pegou no colo com uma facilidade impressionante, levando-a para a cama. O desejo era uma chama viva, queimando qualquer resquício de desentendimento. A loira se posicionou entre as pernas de Julia, suas mãos subindo pelas coxas ruivas, afastando o tecido da lingerie com urgência.
— Kate... por favor — implorou Julia, arqueando as costas. — Do jeito que eu gosto. Agora.
A língua de Kate encontrou o centro da intimidade de Julia com uma maestria que só anos de conhecimento mútuo poderiam proporcionar. Julia enterrou as unhas nos lençóis, os gemidos começando a escapar, altos e desavergonhados. Ela não se importava com mais nada, apenas com a sensação de Kate a dominando, a língua quente e ágil fazendo-a ver estrelas.
Julia, em um surto de agressividade e desejo, inverteu as posições. Ela subiu em cima de Kate, sentando-se sobre o rosto da loira, movendo o quadril com uma voracidade que buscava o ápice. Seus gemidos preenchiam o quarto, uma sinfonia de prazer puro.
— Você é minha, Antropova — arfou Julia, sentindo o clímax se aproximar como uma onda gigante. — Só minha!
Mas, como se o destino tivesse um senso de humor distorcido, o som de passos rápidos no corredor interrompeu o transe. E então, as batidas na porta.
— Kate! Julia! A Gabi esqueceu a chave dela aqui e a gente voltou! — A voz de Nicolas era alta e animada. — Abre a porta! Eu quero mostrar o desenho que eu fiz no carro!
Kate parou o que estava fazendo, a cabeça caindo para trás no travesseiro.
— Não é possível — rosnou a loira, a voz carregada de uma fúria sombria. — Eu vou matar aquele menino.
Julia desabou sobre o peito de Kate, rindo de puro desespero e frustração.
— Nicolas, vá para o seu quarto! — gritou Kate, levantando-se da cama com o rosto vermelho de raiva. — Agora! Se eu abrir esta porta e você estiver aí, você vai ficar sem videogame por um mês!
Houve um silêncio do outro lado, seguido pelo som de passos correndo para longe. Kate sentou na beira da cama, as mãos na cabeça, tentando controlar a respiração.
— Eu não aguento mais, Julia. A gente não tem paz.
Julia se aproximou, abraçando-a por trás, sentindo o calor da pele da esposa.
— Calma, loira. Ele é só uma criança.
— Uma criança que tem o timing perfeito para arruinar a minha vida sexual! — Kate virou-se, puxando Julia para um abraço apertado. — Eu te amo, mas às vezes eu queria morar em uma ilha deserta só com você.
— E o Léo? — brincou Julia.
— Ele pode ir, desde que aprenda a não chorar quando a gente estiver ocupada — Kate sorriu, finalmente relaxando.
A noite caiu sobre a mansão, trazendo uma calma relativa. Gabi e Kisy estavam na sala com Nicolas, enquanto Julia e Kate desciam as escadas, ambas com uma aparência suspeitamente desgrenhada.
Gabi olhou para as duas e deu um sorriso de orelha a orelha.
— E então? O novo sobrinho já está a caminho ou o Nicolas interrompeu a produção de novo?
Kate apenas pegou uma almofada do sofá e jogou na cara de Gabi.
— Cala a boca, Gabi. O Léo está no colo de quem?
— No meu — respondeu Gabi, balançando o bebê que agora estava acordado e calmo. — Ele é lindo, Julia. Mas sério, pensem no próximo. O Nicolas precisa de alguém para distrair ele enquanto vocês... bom, vocês sabem.
Julia olhou para Kate, que deu uma piscadela discreta.
— Quem sabe, Gabi — disse Julia, sentando-se ao lado da amiga e pegando o filho nos braços. — Mas da próxima vez, eu vou colocar um isolamento acústico neste quarto e trancar o Nicolas no quintal.
Todos riram, e por um momento, a tensão da semana desapareceu. O Léo bocejou, Nicolas finalmente se aquietou com um livro, e as quatro amigas ficaram ali, compartilhando histórias de quadra e de vida. A mansão Bergmann-Antropova era um caos, sim, mas era um caos regado a um amor tão intenso que nenhuma interrupção ou ciúme poderia abalar. E enquanto Julia amamentava Léo sob o olhar atento e protetor de Kate, ela soube que, apesar de tudo, não mudaria absolutamente nada naquela vida.