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Família,ciúmes e tentação

O Labirinto de Desejos e a Sinfonia do Caos

A manhã de domingo na mansão Bergmann-Antropova começou com uma trilha sonora que Julia já conhecia bem: o choro persistente de Léo. O pequeno, geralmente tão calmo, parecia ter decidido que aquele dia seria dedicado a testar os limites da paciência de suas mães. Julia estava sentada na poltrona do berçário, com a blusa aberta, enquanto o bebê mamava com uma sofreguidão que beirava o desespero, mas, mesmo com o bico do seio na boca, ele soltava gemidos de insatisfação.

— Amor, ele não para — suspirou Julia, vendo Kate entrar no quarto com os cabelos loiros ainda bagunçados pelo sono. — Ele mamou, a fralda está limpa, mas esse choro não cessa.

Kate aproximou-se, depositando um beijo na testa da esposa e outro na cabecinha rala de Léo.

— Talvez seja o agito de ontem, Ju. Ou ele só está sentindo a tensão no ar. Você sabe que ele é sensível.

— A tensão no ar se chama Gabi — rebateu Julia, tentando ajeitar o bebê. — Ela não perde uma oportunidade de fazer piada com a nossa cara. Se ela comentar sobre a "ginástica" na frente da Rosa Maria hoje, eu juro que enfio um brigadeiro na garganta dela.

Kate soltou uma risada baixa, aquela risada rouca que sempre fazia Julia estremecer.

— A Gabi é a Gabi. E hoje é o aniversário da filha da Rosa, temos que manter a compostura.

O evento na casa de Rosa Maria era uma festa infantil clássica: balões coloridos, gritos de crianças e o cheiro doce de algodão-doce. Mas, para Julia e Kate, o ambiente era um campo minado. Léo não parou de chorar um segundo sequer. Nem o colo de Kisy, nem as caretas de Gabi — que, fiel ao seu estilo, não parava de cochichar no ouvido de Kate sobre como Julia parecia "radiante e cansada ao mesmo tempo" — conseguiram acalmar o menino.

— Não dá mais, Kate — disse Julia, com o rosto encostado no ombro da esposa enquanto balançava o bebê freneticamente no meio do salão. — Ele está ficando roxo de tanto chorar. Vamos para casa.

— Mas acabamos de chegar, a Rosa vai ficar chateada — ponderou Kate, embora seus olhos mostrassem que ela também estava no limite.

— A Rosa é mãe, ela vai entender. Eu não aguento mais os olhares de pena de todo mundo e as piadinhas da Gabi sobre como "o próximo vai ser mais calmo". Vamos embora. Agora.

A volta para casa foi silenciosa, pontuada apenas pelos soluços de Léo que, exausto, finalmente adormeceu no bebê conforto assim que o carro entrou na garagem da mansão. A tarde seguiu em uma calmaria tensa. Nicolas estava no quintal, e as duas mães decidiram que um filme em família era a melhor forma de recuperar a sanidade. Estavam todos amontoados no sofá imenso da sala de cinema: Kate, Julia com Léo no colo, e Nicolas esparramado no tapete.

No entanto, a paz durou pouco. Na manhã seguinte, bem cedo, o som da campainha ecoou pela casa. Era Gabi, mas ela não estava sozinha.

— Bom dia, família favorita! — exclamou Gabi, entrando como se fosse a dona do lugar. — Trouxe reforços. Davi, meu sobrinho, vai passar o dia aqui para brincar com o Nicolas enquanto a gente resolve as coisas do treino.

Davi tinha a mesma idade de Nicolas, mas uma personalidade explosiva. Não demorou dez minutos para que o primeiro desentendimento acontecesse.

— Esse brinquedo é meu! — gritou Nicolas da sala de jogos.

— Mas a minha tia disse que eu podia usar tudo! — rebateu Davi, puxando um controle de videogame com força.

— Nicolas, divida as coisas! — gritou Kate da cozinha, sentindo a dor de cabeça latejar.

A solução encontrada por Gabi e Kisy foi levar a tropa para fora.

— Vamos fazer o seguinte: eu, Kisy, Nicolas, Davi e o Léo vamos ao circo que abriu na cidade — propôs Gabi, já pegando a bolsa do bebê. — Vocês duas ficam aqui, descansam, dormem ou... bom, fazem a tal "ginástica" sem serem interrompidas por crianças chutando a porta.

Julia e Kate trocaram um olhar rápido. A ideia de ter a casa inteira para elas por algumas horas era tentadora demais para recusar.

— Tem certeza, Gabi? O Léo pode dar trabalho — disse Julia, embora já estivesse desejando que elas saíssem logo.

— Deixa com a tia Gabi. Se ele chorar, eu dou um pirulito para ele... brincadeira, Bergmann! Relaxa. Vão logo para o quarto.

Assim que a porta da frente bateu e o som do carro de Gabi desapareceu, o silêncio na mansão tornou-se quase ensurdecedor. Kate virou-se para Julia, prendendo-a contra a ilha da cozinha.

— Enfim, sós — sussurrou a loira, as mãos grandes subindo pelas coxas de Julia, puxando-a para cima do mármore frio.

— O quarto, Kate. Agora — ordenou Julia, a respiração já curta.

Elas subiram as escadas quase correndo, tropeçando nos próprios passos. O desejo acumulado de dias de interrupções, choros de bebê e visitas inconvenientes explodiu no momento em que a porta da suíte foi trancada. Kate não perdeu tempo. Ela jogou Julia na cama, mas a ruiva, em um movimento ágil, inverteu as posições.

Julia estava faminta. Ela queria o controle. Ela queria sentir Kate se rendendo a ela da mesma forma que ela se rendia à loira todas as noites. Julia despiu a esposa com uma pressa febril e, em pouco tempo, estava ajoelhada entre as pernas de Kate, fazendo a russa arquear as costas e gemer o nome de Julia como se fosse uma prece.

— Mais, Ju... por favor — implorava Kate, as mãos enterradas nos lençóis.

Julia subiu no corpo de Kate, sentando-se sobre o rosto da loira. Ela movia o quadril com uma agressividade possessiva, sentindo a língua de Kate trabalhar com uma precisão que a levava ao delírio. Julia estava no ápice, o corpo tenso, os olhos fechados enquanto o prazer a consumia por completo. Ela estava a um segundo de gozar, a um suspiro de perder totalmente os sentidos na cara da esposa, quando o som de vozes infantis e risadas altas explodiu no corredor.

— KATE! JULIA! O PALHAÇO ERA MUITO RUIM E A GABI TROUXE A GENTE DE VOLTA! — gritou Nicolas, batendo na porta com a força de quem não conhece limites.

Julia congelou. O prazer foi substituído por um choque de realidade tão violento que ela quase caiu da cama. Kate soltou um rosnado de pura frustração, a testa encostada no abdômen de Julia, os ombros subindo e descendo com a respiração pesada.

— A gente chegou! O Davi quer ver o quarto de vocês! — continuou Nicolas, girando a maçaneta que, por sorte, estava trancada.

Julia se jogou para o lado, puxando o edredom para cobrir o corpo suado e trêmulo. Kate sentou-se na beira da cama, passando as mãos pelo rosto, tentando não explodir.

— Nicolas! — gritou Kate, a voz saindo mais rouca do que o normal. — Vá para a sala agora! A gente já vai descer!

— Mas a tia Gabi disse que vocês estavam dormindo! — disse Davi do outro lado. — Por que a porta está trancada se é dia?

— Porque sim, Davi! Vão logo! — berrou Kate, a paciência em frangalhos.

O silêncio voltou ao corredor, seguido pelo som dos meninos descendo as escadas correndo. Julia olhou para Kate, que parecia pronta para socar a parede.

— Não é possível, Kate — disse Julia, a voz trêmula entre o riso e o choro. — A gente não tem um minuto. Nem um minuto.

Kate virou-se para ela, os olhos ainda escuros de desejo e raiva. Ela aproximou-se de Julia, segurando seu queixo com firmeza.

— Isso não acabou, Bergmann.

Julia deu um sorriso de lado, apesar da frustração que ainda vibrava em seu corpo. Ela se inclinou e sussurrou no ouvido da loira, com uma promessa que fez os pelos do braço de Kate se arrepiarem:

— A gente continua depois, Antropova. E da próxima vez, eu vou levar o Nicolas para a casa da sua mãe antes mesmo de você tirar a camisa.

Kate soltou um suspiro pesado e beijou Julia com uma intensidade que selava a promessa. Elas se vestiram rapidamente e desceram, encontrando Gabi na sala com Léo no colo, ostentando um sorriso cínico.

— Ué, já acordaram? — perguntou Gabi, piscando para Julia. — O circo estava uma chatice, as crianças começaram a brigar e eu achei melhor voltar para o aconchego do lar.

— Você é uma praga, Gabi — murmurou Julia, pegando Léo do colo dela.

— Eu sei, querida. Mas admitam: a vida de vocês sem esse caos seria um tédio total.

Julia olhou para o bebê, que agora sorria para ela, e depois para Kate, que tentava separar Nicolas e Davi de uma nova disputa por um brinquedo. O caos era real, a exaustão era constante e as interrupções eram garantidas. Mas, enquanto trocava um olhar cúmplice com Kate por cima da cabeça das crianças, Julia soube que, no final da noite, quando a casa finalmente silenciasse, o labirinto de desejos delas estaria esperando, mais ardente do que nunca.

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