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O Som do Silêncio em 4K
O vento no topo da Elysium carregava o cheiro da poluição de Seul misturado ao aroma de pinheiros do jardim suspenso, mas Jimin só conseguia sentir o calor que emanava de Jungkook. O paletó do alfa, que ainda pesava sobre seus ombros, era como um escudo contra o mundo exterior. Por um momento, Park Jimin não era o rosto de doze marcas globais. Ele era apenas um ômega cujo coração batia tão forte que parecia querer quebrar as costelas.
— Você está muito quieto — observou Jungkook, a voz grave cortando o silêncio do telhado. — Onde está o sarcasmo de dez minutos atrás?
Jimin soltou um suspiro, observando a fumaça de sua própria respiração se dissipar no ar gelado.
— Eu estou processando — admitiu Jimin, virando-se para encarar o alfa. — Geralmente, quando as pessoas me sequestram para um telhado, elas querem um autógrafo ou um investimento. Você só queria me dar um sermão sobre a vida real e me beijar até eu esquecer meu próprio nome de usuário.
Jungkook deu um passo à frente, as mãos nos bolsos da calça social, a postura relaxada, mas ainda assim dominante.
— E funcionou?
— O quê? O sermão ou o beijo? — Jimin arqueou uma sobrancelha, recuperando o brilho atrevido nos olhos.
— Ambos.
— O sermão foi um pouco clichê, para ser honesto — Jimin provocou, aproximando-se e tocando o peito de Jungkook com a ponta dos dedos. — Mas o beijo... o beijo teve uma entrega técnica digna de um prêmio. Eu daria cinco estrelas e um comentário positivo.
Jungkook soltou uma risada curta, um som que Jimin decidiu que era seu novo som favorito no mundo.
— Você é impossível.
— Eu sou o melhor no que eu faço, Jeon. E o que eu faço agora é tentar entender quem você é quando não está tentando assustar as pessoas com esse olhar de "eu enterro corpos nos fins de semana".
Jungkook inclinou a cabeça, observando as luzes da cidade refletidas nos olhos de Jimin.
— Eu não enterro corpos nos fins de semana, Jimin. Isso dá muito trabalho e suja o porta-malas. Eu prefiro delegar.
Jimin riu, uma risada cristalina que pareceu suavizar a expressão de Jungkook.
— Justo. Eficiência é tudo.
De repente, um som abafado veio do bolso de Jungkook. O celular de Jimin estava vibrando novamente. O alfa tirou o aparelho do bolso e olhou para a tela.
— Sora de novo? — perguntou Jimin.
— Não. — Jungkook franziu a testa. — "Kim Seokjin". Ele mandou uma mensagem dizendo... — Jungkook hesitou por um segundo — ...que se você não aparecer em cinco minutos, ele vai assumir que você foi recrutado pela máfia e vai pedir para o Namjoon ensiná-lo a usar uma arma.
Jimin cobriu o rosto com as mãos, rindo desesperadamente.
— Meu Deus, o Jin é tão dramático. Ele assiste muitos filmes de ação quando está bêbado. E o Yoongi?
Jungkook deslizou o dedo pela tela, lendo a próxima notificação.
— "Min Yoongi" mandou: "se o jungkook te matar, me avisa pra eu apagar seu histórico do navegador".
— Eles são meus melhores amigos e, claramente, não dão a mínima para a minha sobrevivência — Jimin comentou, balançando a cabeça. — Mas acho que isso significa que nossa pequena fuga acabou.
Jungkook guardou o celular de volta no bolso, mas não o devolveu.
— Não acabou. Eu disse que não ia devolver o seu tempo hoje.
— E o que você sugere? Se voltarmos lá para baixo, o Jin vai me interrogar e o Namjoon vai provavelmente tentar te dar um relatório de danos sobre a minha reputação.
Jungkook estendeu a mão novamente.
— Nós não vamos voltar para lá. Tem uma saída pelos fundos que leva direto para a garagem privativa.
Jimin olhou para a mão de Jungkook e depois para a porta do elevador. Ele sabia que, se fosse com ele, estaria saindo do radar de Sora, de seus fãs e de qualquer senso de segurança que ele cultivara nos últimos anos.
— Você percebe que amanhã a Sora vai me matar, certo? — Jimin disse, colocando sua mão na dele. — Ela vai ter que inventar uma desculpa global para o meu desaparecimento.
— Diga a ela que você estava em uma reunião de negócios — Jungkook sugeriu, guiando-o para a saída. — Afinal, você está negociando algo muito valioso agora.
— Ah, é? E o que seria?
— A minha atenção exclusiva. E acredite, Jimin, isso custa caro.
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A garagem privativa da Elysium era um santuário de metal e luxo. Fileiras de carros pretos blindados estavam alinhadas, mas Jungkook caminhou até um modelo esportivo que parecia mais uma nave espacial do que um veículo.
— Entra — ordenou ele, abrindo a porta para Jimin.
— Você sempre dá ordens assim ou é só porque eu sou fofo? — Jimin perguntou, deslizando para o banco de couro que cheirava a carro novo e poder.
— Um pouco de cada — Jungkook respondeu, dando a volta e assumindo o volante.
O motor rugiu com uma força que fez o peito de Jimin vibrar. Em segundos, eles estavam deslizando pelas ruas de Gangnam, cortando o trânsito da madrugada com uma precisão cirúrgica.
— Para onde estamos indo? — Jimin perguntou, observando o perfil de Jungkook sob as luzes de neon da cidade. — Se você me levar para um galpão abandonado, eu vou ficar muito decepcionado com a sua falta de criatividade.
— Eu não sou um vilão de filme B, Jimin. Tenho um pouco mais de classe.
Eles cruzaram a ponte Han, a água escura refletindo as luzes dos prédios como um espelho quebrado. Jungkook dirigia com uma mão só, a outra descansando casualmente no câmbio, parecendo perfeitamente em controle de tudo ao seu redor.
— Você não perguntou para onde eu quero ir — Jimin notou.
— Eu sei para onde você quer ir.
— Ah, é? O Sr. Onisciente agora lê mentes?
— Você quer ir para algum lugar onde ninguém saiba quem você é — Jungkook disse, sem desviar os olhos da estrada. — Algum lugar onde você não precise ser o Park Jimin da internet.
Jimin ficou em silêncio por um longo tempo, a provocação morrendo em seus lábios. Ele se encostou no banco, observando as pessoas nas calçadas, alheias ao fato de que o homem mais famoso do país estava passando por elas em um carro blindado dirigido pelo homem mais perigoso da cidade.
— Você é muito observador para alguém que diz que eu sou barulhento — Jimin murmurou.
— O barulho é o que você usa para distrair as pessoas do que é real — Jungkook respondeu. — Eu faço a mesma coisa. O medo é o meu barulho.
Dez minutos depois, o carro parou em frente a uma pequena loja de conveniência em um bairro residencial tranquilo, longe do brilho excessivo do centro. Era um lugar comum, com luzes fluorescentes piscando e um senhor de idade cochilando atrás do balcão.
Jungkook desligou o motor e entregou o celular para Jimin.
— Dez minutos.
Jimin olhou para o aparelho como se fosse um objeto estranho.
— O que eu devo fazer com isso?
— O que você quiser. Mas eu sugiro que você compre um sorvete. Ou um ramen instantâneo. E que não tire nenhuma foto.
Jimin sorriu, uma sensação estranha de liberdade borbulhando em seu estômago. Ele abriu a porta do carro, mas parou e olhou para Jungkook.
— Você não vem?
— Se eu sair, o senhor ali dentro vai acordar e achar que está sendo assaltado — Jungkook disse, um rastro de diversão em sua voz. — Eu vou ficar aqui. Vá ser uma pessoa normal por dez minutos, Jimin.
Jimin saiu do carro, sentindo o ar fresco da noite. Ele entrou na loja, o sininho acima da porta anunciando sua chegada. O idoso nem sequer levantou a cabeça. Jimin caminhou pelos corredores estreitos, sentindo o piso de linóleo sob seus sapatos caros. Ele escolheu dois picolés de melão e um pacote de salgadinhos que não comia desde o ensino médio.
Ao pagar, ele sentiu uma vontade súbita de tirar o celular do bolso e registrar o momento. "Olhem para mim, sendo gente como a gente". O dedo pairou sobre o botão de ligar.
Então, ele olhou pela vitrine e viu o carro preto parado na penumbra, com Jungkook visível apenas como uma silhueta imponente.
Jimin guardou o celular de volta no bolso, sem ligá-lo.
Ele voltou para o carro e entregou um dos picolés para Jungkook.
— Aqui. É de melão. É o melhor.
Jungkook olhou para o picolé verde neon como se fosse um artefato alienígena.
— Eu não como isso há anos.
— Considere um presente da sua vítima de sequestro — Jimin disse, abrindo o seu e dando uma mordida. — E então? Como foi a experiência de me ver ser normal?
— Foi... silencioso — Jungkook admitiu, abrindo o picolé com uma destreza que não combinava com a delicadeza do doce. — Você parecia apenas um garoto comprando doce.
— Eu sou apenas um garoto comprando doce, Jungkook. O resto é marketing.
Eles ficaram ali, sentados no carro, comendo picolés em um silêncio que não era desconfortável. Pela primeira vez em anos, Jimin não sentia a pressão de criar uma legenda perfeita ou de verificar o ângulo da luz.
— Por que você me escolheu hoje? — Jimin perguntou de repente. — Na boate. Tinha centenas de pessoas lá. Pessoas mais importantes, mais perigosas, mais úteis para os seus negócios.
Jungkook terminou seu picolé e olhou para Jimin. A intensidade em seus olhos era o suficiente para fazer o ar parecer pesado novamente.
— Porque você foi o único que me olhou de volta como se eu fosse um desafio, e não um destino inevitável.
Jimin sentiu o rosto esquentar.
— Eu sempre gostei de desafios.
— Eu também — Jungkook disse, aproximando-se. — Mas eu não jogo para perder, Jimin.
— Nem eu.
Jungkook esticou a mão e limpou um rastro de sorvete do canto da boca de Jimin com o polegar. O toque foi lento, deliberado, e fez Jimin prender a respiração.
— O que acontece agora? — Jimin sussurrou. — Você me leva para casa e fingimos que isso foi um delírio coletivo?
— Eu não finjo nada — Jungkook respondeu, sua voz baixando para um tom perigosamente íntimo. — Agora, eu levo você para casa. E amanhã, você vai acordar e decidir se quer continuar sendo o homem mais famoso da internet ou se quer ser o homem que conhece os segredos de Jeon Jungkook.
— E se eu quiser os dois?
Jungkook deu um sorriso de lado, um que prometia problemas e prazer em doses iguais.
— Então você vai ter que ser muito boa em manter segredos, Park Jimin.
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O caminho de volta para o hotel de Jimin foi mais rápido. O silêncio no carro agora estava carregado com a promessa do que estava por vir. Quando o carro parou em frente à entrada lateral do hotel luxuoso, Jimin hesitou antes de sair.
— Meu celular — ele disse, estendendo a mão.
Jungkook entregou o aparelho.
— Ele está descarregado. Eu tomei a liberdade de não carregar para você.
Jimin riu, balançando a cabeça.
— Você é inacreditável.
— Boa noite, Jimin.
— Boa noite, Sr. Mafioso.
Jimin saiu do carro e caminhou até a entrada, sentindo o olhar de Jungkook em suas costas até que as portas automáticas se fechassem.
Ao chegar na sua suíte, a primeira coisa que viu foi Sora sentada no sofá, com um tablet na mão e uma expressão que poderia congelar o inferno.
— Park Jimin.
— Sora! Você ainda está acordada? Que dedicação ao trabalho — Jimin disse, tentando passar direto para o quarto.
— São quatro da manhã. Você sumiu da área VIP da Elysium há três horas. O Seokjin disse que você saiu com o Jeon Jungkook. O Yoongi disse que era para eu começar a organizar o seu funeral porque o Jungkook não deixa testemunhas. E o Namjoon... — ela pausou, respirando fundo — ...o Namjoon me mandou uma mensagem dizendo que você estava "em boas mãos".
Jimin se jogou na cama, exausto e estranhamente feliz.
— Eu estava em ótimas mãos, Sora.
— Jimin, você tem noção de quem é aquele homem? Ele não é um influenciador. Ele não é um ator. Ele é a Noctis. Se a imprensa pegar um frame de você com ele, sua carreira acaba em dez segundos.
Jimin rolou para o lado, olhando para o celular desligado em sua mão.
— Ou... ela começa de um jeito que ninguém nunca viu.
Sora se levantou, caminhando até a beira da cama.
— O que aconteceu naquela boate?
Jimin sorriu, lembrando-se do beijo no telhado, do picolé de melão e do jeito que Jungkook o olhava.
— Nada que eu possa postar, Sora. E isso é o que torna tudo tão bom.
Sora suspirou, derrotada.
— Coloque esse celular para carregar. Você tem uma entrevista às dez.
— Problema do Jimin do futuro — ele murmurou, fechando os olhos.
Mas, enquanto pegava no sono, Jimin sabia que o Jimin do futuro não estava nem um pouco preocupado com entrevistas. Ele estava preocupado em como faria para ver Jeon Jungkook novamente sem que o mundo inteiro percebesse que o homem mais barulhento da internet tinha finalmente encontrado alguém que o fazia querer ficar em silêncio.
E em algum lugar de Seul, em um escritório escuro no topo da Elysium, Jeon Jungkook olhava para um palito de picolé de melão em sua mesa e sorria. O algoritmo do caos tinha acabado de encontrar uma variável que ele não pretendia deixar escapar.