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O Ciúme da Pequena Tempestade e o Calor do Refúgio
O sol da manhã em Tempest trazia consigo um brilho suave, filtrado pelas cortinas de seda que balançavam levemente com a brisa da floresta de Jura. No grande quarto real, o tempo parecia correr em um ritmo diferente, mais lento e carregado de uma ternura que contrastava com a natureza caótica de seus ocupantes. Rimuru estava sentado em uma poltrona de veludo na sacada, seu corpo ainda magro e a pele com uma palidez que insistia em permanecer, mas seus olhos amarelos recuperavam, pouco a pouco, o brilho de outrora.
Em seu colo, a pequena Sakura, agora com alguns meses de vida e uma energia que faria um dragão hesitar, estava inquieta. Ela vestia uma pequena túnica de seda carmesim, combinando com os cabelos vibrantes que herdara do pai. Sakura era uma força da natureza; adorava seguir Diablo pelas sombras do castelo, tentando imitar seus movimentos elegantes, ou apostar corridas desajeitadas com Veldora pelos jardins, rindo alto enquanto o Dragão da Tempestade dramatizava cada pequena queda da sobrinha.
No entanto, não importava o quão longe ela fosse ou o quanto se divertisse com seus "tios", o centro de gravidade de Sakura era sempre o mesmo: Rimuru.
— Pronto, pequena... acalme-se — sussurrou Rimuru, sua voz ainda um pouco frágil, mas carregada de doçura.
Com gestos lentos, ele abriu a parte superior de sua túnica, expondo o seio para alimentar a filha. Sakura parou de se debater instantaneamente, seus pequenos dedos agarrando a pele de Rimuru com uma possessividade que arrancou um riso baixo do slime. Para Rimuru, aqueles momentos eram sagrados. O parto quase o levara, e a recuperação era um caminho árduo onde ele mal conseguia caminhar até a sacada sem precisar de apoio, mas a conexão com Sakura era o que mantinha seu núcleo mágico estável.
A paz, contudo, durou pouco.
A porta da sacada se abriu e Guy Crimson surgiu, exalando sua aura de confiança absoluta e uma pitada de travessura que ele só reservava para aquele ambiente privado. Ele observou a cena — o sol iluminando os cabelos azul-prateados de Rimuru e o carmesim de Sakura — e um sorriso predatório surgiu em seus lábios.
— Vejo que a pequena tirana finalmente decidiu se acalmar — disse Guy, aproximando-se com passos felinos.
— Ela só estava com fome, Guy — respondeu Rimuru, sorrindo para o parceiro. — Não a chame de tirana, ela entende tudo o que você diz.
Guy parou atrás da poltrona e inclinou-se, envolvendo os ombros de Rimuru em um abraço protetor. Ele enterrou o rosto no pescoço do slime, aspirando o perfume de mel e magia que Rimuru exalava. Sakura, sentindo a intrusão, parou de mamar por um segundo e lançou um olhar mortal para o pai. Seus olhos dourados brilharam com uma advertência clara: "Este território é meu".
— Ela está fazendo de novo — comentou Guy, sua voz vibrando contra a pele de Rimuru. — Esse olhar de quem quer me reduzir a cinzas.
— Você a provoca, Guy — Rimuru suspirou, sentindo o calor do corpo de Guy contra suas costas. — Deixe-a comer em paz.
— Por que eu deveria? — Guy soltou um riso baixo e, ignorando o rosnado baixo que emanou da garganta da bebê, inclinou-se mais.
Ele começou a beijar o ombro de Rimuru, subindo para a curva do pescoço e a mandíbula. Com uma audácia que só ele possuía, Guy deslizou a mão pela túnica de Rimuru e aproximou o rosto do outro seio, roçando o nariz contra a pele macia, perigosamente perto de onde Sakura estava alimentando-se.
Sakura soltou o peito de Rimuru com um estalo audível. Suas pequenas mãos se fecharam em punhos e ela soltou um grito de indignação, empurrando o rosto de Guy com toda a força que seus bracinhos gorduchos permitiam.
— Ei! — Guy riu, segurando as mãos da filha. — Eu cheguei aqui primeiro, pequena. Ele é meu antes de ser seu.
— Guy, pare com isso! — Rimuru reclamou, embora não fizesse nenhum esforço real para afastá-lo. Pelo contrário, sua mão subiu para os cabelos ruivos de Guy, acariciando os fios rebeldes com carinho. — Você é pior que ela. Parece uma criança carente.
— Sou carente apenas do que é meu — rebateu Guy, acomodando-se melhor. Ele descansou o rosto pesadamente sobre o seio exposto de Rimuru, fechando os olhos e aproveitando o calor. — Você não tem ideia do quanto é difícil governar um continente de gelo e depois vir aqui disputar atenção com uma miniatura minha.
Rimuru sentiu o peso do cansaço de Guy e cedeu. Ele inclinou a cabeça para trás, descansando-a sobre o ombro do Lorde Demônio, enquanto continuava a amamentar Sakura. A bebê, por sua vez, estava em um dilema. Ela olhava para o pai, que agora parecia ter se apossado do "seu" lugar, e para a mãe, que parecia perfeitamente feliz em ser o travesseiro de Guy.
— Veja, Sakura — sussurrou Rimuru, movendo os dedos para acariciar a bochecha da filha. — O papai só está cansado. Não precisa ficar brava.
Sakura bufou — um som que era uma cópia perfeita dos bufos de Guy quando estava irritado com os outros Lordes Demônios. Ela observou o rosto de Guy, tão perto do dela, e a raiva começou a se transformar em curiosidade. Com uma hesitação que durou apenas segundos, ela estendeu a mãozinha e agarrou uma mecha do cabelo ruivo de Guy, puxando-a levemente.
Guy abriu um dos olhos, encontrando o olhar dourado da filha.
— O que foi? Vai me puxar o cabelo agora? — perguntou ele, embora sua voz fosse suave.
Em vez de empurrá-lo novamente, Sakura soltou um som baixo, quase como um arrulho, e voltou a mamar. No entanto, ela não soltou o cabelo de Guy. Seus dedos pequenos se entrelaçaram nos fios vermelhos e ela puxou o dedo de Guy com a outra mão, guiando-o para perto. Era um convite mudo, uma trégua na batalha territorial.
Rimuru soltou um suspiro de alívio, sentindo a tensão deixar o ambiente.
— Acho que ela decidiu aceitar você na mesa, Guy.
— Ela é generosa — ironizou Guy, mas ele não se moveu. Ele permitiu que Sakura segurasse seu dedo, sentindo a pequena força daquela nova vida. — Ela tem um gosto interessante. Quer que eu prove também, Rimuru?
Rimuru corou violentamente, o azul de suas bochechas tornando-se um tom profundo.
— Guy! Na frente dela não! — Ele deu um tapinha leve na cabeça do ruivo. — Guarde seu exibicionismo para quando ela estiver com o Diablo.
— Diablo a mima demais — resmungou Guy, fechando os olhos novamente, aproveitando o ritmo tranquilo da respiração de Rimuru. — E Veldora vai acabar ensinando a ela golpes de artes marciais antes que ela aprenda a falar frases completas. Eu tenho que garantir que ela saiba quem manda aqui.
— Ninguém manda aqui, Guy. Nós cuidamos um do outro — Rimuru disse baixinho, sentindo o sono começar a invadi-lo também.
O esforço de passar a manhã acordado estava começando a cobrar seu preço. Seus músculos relaxaram e sua cabeça pendeu um pouco mais sobre Guy. Sakura, percebendo que a mãe estava ficando quieta, diminuiu o ritmo, eventualmente soltando-se e encostando a bochecha no peito de Rimuru, o dedo ainda firmemente preso ao cabelo de Guy.
A cena na sacada era um quadro de contradições: o Lorde Demônio mais temido do mundo servindo de apoio para um slime debilitado, enquanto uma bebê com poder suficiente para devastar cidades dormia pacificamente entre eles.
— Você está ficando mais forte, Rimuru — sussurrou Guy, percebendo que o fluxo de magículas do parceiro estava mais estável do que no dia anterior. — Logo poderá caminhar pelo jardim sem aquele olhar de preocupação da Shuna.
— Eu espero que sim — respondeu Rimuru, já de olhos fechados. — Quero ver Sakura correr na grama... e quero poder te dar um chute de verdade quando você for irritante, em vez de apenas reclamar.
Guy soltou uma risada curta e vibrante, beijando a pele de Rimuru uma última vez antes de se ajeitar para que ambos pudessem cochilar ali mesmo, sob o sol morno de Tempest.
— Eu vou cobrar esse chute, Rimuru Tempest. Mas, por enquanto... apenas descanse.
Ali, no refúgio de sua própria criação, cercado pelo amor possessivo de uma filha prodígio e pela proteção avassaladora de um Lorde Demônio, Rimuru finalmente sentiu que o pesadelo da gestação de risco havia ficado para trás. O futuro ainda exigiria cautela, e Sakura certamente daria mais trabalho do que dez exércitos inimigos, mas, enquanto estivessem juntos naquela sacada, o mundo lá fora — com seus nobres, reuniões e conflitos — podia esperar. O Rei de Tempest estava voltando, um passo lento de cada vez, protegido pelo abraço carmesim de sua nova e caótica família.