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Feel the bass.

Ressonância Magnética e o Gosto do Caos

O calor do Texas era sufocante, mas o ar-condicionado do jatinho particular da banda parecia insuficiente para apagar o incêndio que Alexander Valentino carregava sob a pele. Ele estava jogado em uma das poltronas de couro, as pernas longas esticadas, descalço como de costume. A camisa social de seda branca estava completamente aberta, revelando o tórax pálido e definido, onde o suor da última apresentação ainda parecia brilhar sob a luz neon da cabine.

Alexander tinha essa mania. No palco, ele era uma visão de decadência elegante, usando casacos pesados de veludo ou camisas que ele insistia em não abotoar, deixando que o movimento frenético de sua guitarra mostrasse mais do que a censura das emissoras de TV gostaria. Isaac, sentado à sua frente, tentava se concentrar em um livro de fantasia, mas seus olhos traíam sua disciplina a cada cinco segundos.

O olhar de Isaac sempre acabava parando no mesmo lugar: o pequeno ponto de metal prateado que adornava o mamilo esquerdo de Alexander. O piercing brilhava discretamente, um segredo que Alexander adorava exibir para as primeiras filas, sabendo exatamente o efeito devastador que isso tinha no seu baixista.

— Você está fazendo de propósito — murmurou Isaac, fechando o livro com um estalo seco.

Alexander nem abriu os olhos. Um sorriso de canto de lábio surgiu em seu rosto andrógino.

— Fazendo o quê, Moonthorn? Existindo? Ocupando meu espaço físico?

— Você sabe muito bem. Essa... nudez seletiva. A gente saiu do palco faz duas horas. Por que você ainda não se vestiu como uma pessoa civilizada?

Alexander finalmente abriu os olhos, aquelas orbes profundas que pareciam ler a alma de Isaac. Ele se inclinou para frente, a camisa escorregando ainda mais pelos ombros, revelando a curva delicada de sua clavícula.

— Eu detesto a ordem, Isaac. E roupas são apenas ordens têxteis. Além disso, eu sei que você gosta de olhar. Eu vejo como sua linha de baixo treme quando eu me aproximo de você no refrão e o vento do ventilador de palco abre meu casaco.

Isaac sentiu o rosto esquentar. Alexander era um observador implacável. Ele percebia a mudança na respiração de Isaac antes mesmo de o próprio baixista se dar conta de que estava excitado.

— Você é um exibicionista insuportável — Isaac retrucou, levantando-se e caminhando até o frigobar para pegar uma água.

— E você é um mentiroso — Alexander levantou-se também, movendo-se com a graça felina que o caracterizava. Ele parou logo atrás de Isaac, a voz descendo para aquele tom aveludado que fazia os pelos do braço do outro se arrepiarem. — Por que não admite que quer morder esse metal até eu implorar para você parar?

Isaac virou-se bruscamente, a garrafa de água esquecida na mão. A proximidade era perigosa. O cheiro de Alexander — uma mistura de sândalo, cigarro caro e o perfume da chuva que ele tanto amava — preencheu os sentidos de Isaac.

— Se eu começar, Rio, você sabe que não vou parar porque o piloto avisou que vamos pousar — avisou Isaac, a voz rouca.

— Então não pare — desafiou Alexander, pegando a mão de Isaac e levando-a até o próprio peito, pressionando os dedos do baixista contra o mamilo adornado. — O caos não tem horário de pouso.

O toque foi o estopim. Isaac largou a garrafa e empurrou Alexander contra a parede divisória da cabine privativa. Sem dizer uma palavra, ele desceu as mãos pela cintura do guitarrista, puxando-o para um beijo que era puro desespero e posse. Alexander retribuiu com ferocidade, as unhas compridas arranhando a nuca de Isaac, puxando os fios claros com uma força que arrancou um gemido baixo do outro.

Isaac separou o beijo e desceu para o pescoço de Alexander, deixando marcas que o maquiador da banda teria trabalho para esconder no dia seguinte. Quando seus lábios encontraram o piercing, Alexander soltou um suspiro agudo, a cabeça pendendo para trás, os cachos escuros balançando.

— Ajoelhe-se — ordenou Alexander, a voz firme apesar da respiração errática. — Agora, Moonthorn.

Isaac, o mestre do ritmo, o gigante carismático do palco, obedeceu sem hesitar. Ele deslizou pelo corpo de Alexander até ficar de joelhos no carpete luxuoso do jato. A visão era o que Alexander mais amava: Isaac, com toda sua força e beleza, rendido à sua vontade.

— Você estava tão falante hoje na entrevista — Alexander comentou, passando os dedos pelos cabelos de Isaac, forçando-o a olhar para cima. — Vamos ver como você se sai quando eu tirar o seu fôlego.

Alexander desfez o fecho de sua calça de couro com uma lentidão sádica. Quando ele se libertou, a expressão de Isaac mudou de provocação para uma fome absoluta. Alexander não deu tempo para preliminares gentis. Ele segurou Isaac pelo maxilar, guiando-o para o que queria.

— Engula cada palavra sarcástica que você disse hoje — sussurrou Alexander.

O *face fucking* era um jogo de poder que ambos apreciavam. Alexander usava o quadril com uma cadência agressiva, testando os limites de Isaac, enquanto o baixista envolvia a base com as mãos, os olhos lacrimejando, mas nunca desviando do olhar dominante de Alexander. Era visceral, cru, o tipo de conexão que só duas pessoas que compartilham a alma através da música poderiam entender.

Quando Alexander sentiu que estava perto do limite, ele puxou Isaac para cima com um solavanco.

— No quarto — Alexander ordenou, apontando para a suíte nos fundos do avião. — Quero os brinquedos. Quero que você me mostre o quanto é masoquista hoje.

O quarto do jatinho era pequeno, mas funcional. Alexander jogou-se na cama de barriga para baixo, o cabelo espalhado como uma mancha de tinta sobre os lençóis brancos. Ele estendeu a mão para a gaveta da mesa de cabeceira e tirou um conjunto de algemas de couro e um *plug* de silicone preto.

— Eu quero sentir tudo, Isaac — disse Alexander, a voz abafada pelo travesseiro. — Me prenda. Me use até eu esquecer meu próprio nome.

Isaac sentiu uma onda de adrenalina. Ele adorava quando Alexander entregava o controle físico, confiando nele para levá-lo ao limite da dor e do prazer. Ele prendeu os pulsos de Alexander na cabeceira da cama e, com uma paciência que torturava o guitarrista, começou a preparar o corpo dele.

O *rimming* foi lento, deliberado, uma adoração silenciosa que fez Alexander contorcer-se e implorar por mais. Isaac conhecia cada curva, cada reação de Alexander. Ele sabia exatamente onde pressionar para ouvir aquele tom de voz que o guitarrista nunca usava nas gravações — um som de vulnerabilidade pura.

— Por favor, Isaac... agora — Alexander suplicou, as costas arqueadas, o piercing no mamilo pressionado contra o colchão.

Isaac não o fez esperar. Ele entrou em Alexander com uma estocada firme, preenchendo o vazio que ambos sentiam sempre que a adrenalina do palco baixava. O ritmo era pesado, como uma linha de baixo distorcida em um clube de jazz underground. Alexander gemia alto, sem se importar se a equipe técnica na cabine principal podia ouvir. Para ele, o mundo era apenas aquele quarto, aquele toque e a sensação de Isaac o reivindicando.

Eles atingiram o ápice juntos, um choque de frequências que os deixou exaustos e trêmulos. Isaac desabou sobre as costas de Alexander, soltando as algemas e cobrindo os dois com o edredom fino.

O silêncio que se seguiu não era o silêncio vazio de antes, mas uma calmaria pós-tempestade. O avião começou sua descida para o aeroporto de Miami.

— Rio? — chamou Isaac, a voz quase sumindo.

— Hum?

— Você é um desastre de pessoa, sabia?

Alexander deu uma risada fraca, os olhos já se fechando pelo cansaço.

— Mas eu sou o seu desastre favorito.

— É. Você é.

Eles caíram no que chamavam de *sleepy sex* — movimentos lentos, quase inconscientes, enquanto o sono os vencia. Isaac movia-se dentro de Alexander de forma preguiçosa, apenas para manter a conexão, enquanto Alexander murmurava melodias sem sentido no seu ouvido. Era o momento mais íntimo de todos, onde a fama, os "Oceans" e a pressão da turnê deixavam de existir.

Quando o avião finalmente tocou o solo, eles ainda estavam entrelaçados. Alexander acordou com o sol da Flórida entrando pela fresta da cortina. Ele olhou para Isaac, que ainda dormia com a boca entreaberta, parecendo muito mais jovem e menos sarcástico do que o normal.

Alexander levantou-se silenciosamente, sentindo o corpo moído, exatamente como gostava. Ele vestiu sua camisa de seda, deixando-a aberta como sempre, e pegou uma palheta que estava esquecida sobre a cômoda.

Ele caminhou até a janela e observou a pista de pouso. A chuva estava começando a cair — uma tempestade tropical repentina.

— Alexander? — a voz de Isaac soou vinda da cama, rouca e carregada de sono. — Já chegamos?

— Já, Lua. E está chovendo.

Isaac sorriu, sentando-se e passando a mão pelo rosto.

— Claro que está. O mundo não deixaria você chegar em um lugar sem um pouco de drama meteorológico.

Alexander voltou para a cama e sentou-se ao lado dele, passando os dedos pelo piercing no próprio peito, sentindo a leve dor que ainda restava ali.

— Sabe, Isaac... eu estava pensando em uma melodia nova durante... bom, você sabe.

— Se for uma música sobre como eu sou um baixista incrível que te deixa sem fôlego, eu aceito os royalties — Isaac brincou, puxando Alexander para um beijo casto e doce.

— Vai ser uma música sobre o silêncio — Alexander corrigiu, encostando a testa na de Isaac. — Sobre como é difícil encontrar silêncio quando o mundo inteiro está gritando, exceto quando eu estou com você.

Isaac olhou nos olhos profundos de Alexander e viu ali o Rio, o menino descalço que amava vinil e instrumentos antigos, escondido sob as camadas de um ícone andrógino.

— Então escreva, Valentino. Escreva cada nota. Eu vou estar lá para dar o peso que ela precisa.

Eles se arrumaram rapidamente, colocando as máscaras de estrelas do rock antes de a porta do avião se abrir para os flashes e os gritos dos fãs que os aguardavam. Mas, enquanto caminhavam pela pista sob a chuva morna de Miami, as mãos deles se roçaram por um breve segundo.

Um segredo compartilhado. Uma nota que só eles podiam ouvir. O caos estava em ordem, e a música estava apenas começando.