Voltar ao resumo

ferah5

A Ruptura da Promessa

A mão estendida de Paris Anderson parecia queimar o ar à sua frente.

Clara recuou. Ela não pensou, não calculou; foi um espasmo puro de sobrevivência que a fez arrastar as coxas pelo chão de concreto áspero, ralando a pele sob o tecido simples do vestido cinzento. Alice soltou um ganido assustado contra o seu peito, e Clara curvou a coluna protetoramente, enterrando a cabeça da menina entre a clavícula e o queixo.

A poça de sangue de Delalieu se expandia a menos de três metros de distância, espessa e brilhante sob as lâmpadas fluorescentes que zumbiam como moscas vorazes. O cheiro de cobre fresco e cérebro queimado misturava-se de maneira nauseante ao perfume amadeirado de Paris — o mesmo aroma que, por sete anos, fora a única definição de lar que ela conhecia.

— Não... — A palavra escapou dos lábios de Clara quase inaudível, esmagada pelo choro que a sufocava. — Fique longe. Não chegue perto de nós.

Paris franziu a testa ligeiramente, mas a rigidez implacável que ele reservava ao resto da humanidade não retornou. Ele permaneceu agachado, com um joelho apoiado no chão sujo, sem demonstrar qualquer pressa, como quem lida com um pássaro silvestre ferido. Seus olhos cinzentos, do mesmo tom tempestuoso dos olhos de Alice, examinaram o corpo trêmulo da jovem com uma minuciosidade cirúrgica e dolorosamente íntima.

Ele viu o suor frio colando as mechas castanhas na testa dela. Viu a palidez em torno dos lábios que tantas vezes beijara ao amanhecer. E viu a maneira como ela pressionava a mão livre contra a lateral do seio esquerdo, arqueando os ombros para aliviar uma pressão insuportável.

— Você está sofrendo, Clara — disse Paris, a voz tão baixa e aveludada que parecia pertencer a um quarto aquecido por lareira, e não a uma zona de combate cercada por dezenas de canos de fuzis rebeldes. — Você não amamenta há horas. Os seus seios estão duros como pedra, vazando na sua roupa. Eu conheço o formato da sua dor antes mesmo de você sentir a primeira pontada.

As bochechas de Clara arderam em uma mistura humilhante de vergonha e pavor. O vestido já estava úmido na altura do corpete, manchas redondas e escuras denunciando o excesso de leite que empedrava seus tecidos mamários com uma pontada latejante a cada batida do coração. Era verdade: ela mal conseguia respirar sem que o busto farto doesse. Mas o fato de ele apontar isso ali, diante dos rebeldes armados, diante do cadáver estirado de um velho que ele assassinara sem vacilar, fez seu estômago revirar em nós apertados.

— Não fale do meu corpo — soluçou ela, os dentes batendo. — Não fale como se você ainda tivesse o direito de me conhecer!

— Eu tenho todo o direito — retrucou ele com uma calma inabalável, dando mais um passo lento para a frente, diminuindo a distância entre eles. — Eu cuidei de cada centímetro da sua carne desde que você era uma menina assustada na fronteira. Eu conheço cada linha do seu quadril, a textura macia da sua barriga, o som que você faz quando a dor de cabeça ameaça chegar. Fui eu quem trouxe compressas quentes quando o leite desceu pela primeira vez após o parto da nossa filha. Eu sei o quanto você está sofrendo agora, meu amor. Venha. Deixe-me cuidar de você.

Ele estendeu a mão novamente. Os dedos compridos e pálidos se aproximaram da bochecha gordinha e manchada de lágrimas de Clara.

O pânico a consumiu por inteiro. A imagem de Delalieu tombando para trás com a cabeça aberta piscou diante de seus olhos, sobrepondo-se ao rosto nobre de Paris. Aquele não era o homem que lia poesias ao pé de sua cama. Aquele era o carrasco de quem Juliette falara; o monstro que Warner descrevera com ódio tão visceral. Ele a tocaria com a mesma mão que acabara de puxar o gatilho.

— Fique longe de mim! — gritou Clara.

O terror atingiu o ápice, e com ele veio a fratura.

No fundo do peito de Clara, onde a respiração curta parecia presa em uma gaiola de ferro, algo estalou. Uma vibração estranha, densa e distorcida, subiu por sua espinha dorsal, expandindo-se a partir de seu ventre e peito dolorido como uma onda de choque invisível. O ar ao redor dela pareceu dobrar, tornando-se pesado como mercúrio.

Uma força repulsora colossal irrompeu de seu corpo macio.

Não era fogo, não era eletricidade; era pura e violenta pressão gravitacional e cinética, expelida pelo instinto materno desesperado de afastar o perigo.

O impacto atingiu Paris em cheio no tórax.

Mesmo com toda a sua estatura imponente, seu treinamento marcial impecável e sua força física formidável, o Comandante Supremo foi arremessado para trás com violência estarrecedora. O som do ar sendo expulso de seus pulmões ecoou quando suas costas colidiram contra uma mesa de metal a quatro metros de distância, amassando a estrutura de aço com um rangido estridente antes que ele deslizasse para o chão, envolto pela poeira que subira do piso.

No mesmo instante, pratos, bandejas de latão e canecas que estavam sobre as mesas vizinhas voaram pelos ares, estilhaçando-se contra as paredes de concreto. Os soldados rebeldes cambalearam para trás, erguendo os braços para proteger o rosto enquanto a onda de choque se dissipava em um vento cortante que sacudiu até as lâmpadas do teto.

Alice abriu a boca em um berro assustado, o choro agudo e desamparado preenchendo a sala em ruínas.

Clara caiu para a frente, ofegante, com os braços frouxos ao redor da filha, a cabeça girando em uma tontura avassaladora. Seu peito doía ainda mais, as têmporas pulsavam como se tivessem sido perfuradas por agulhas quentes. Ela olhou para as próprias mãos trêmulas, em choque absoluto com o que acabara de fazer.

— Que porra foi essa?! — exclamou Kenji, quase tropeçando nos próprios pés enquanto tentava firmar a mira de sua arma, os olhos arregalados passando de Clara para Anderson. — Ela... ela também tem dons?!

— Não atirem! — gritou Castle, abrindo os braços e se colocando diante da linha de fogo dos próprios soldados. — Ninguém dispare! Abaixem as armas agora!

No meio dos escombros da mesa retorcida, Paris Anderson se moveu.

Ele não praguejou. Não demonstrou dor, embora o tecido de sua túnica preta estivesse rasgado no ombro e o impacto na coluna tivesse sido forte o bastante para quebrar as costelas de um homem comum. Com uma precisão calculada e assustadoramente graciosa, ele apoiou uma bota no chão e se levantou devagar, limpando a fuligem da manga com a mão esquerda. A bandagem em seu pescoço havia se descolado ligeiramente com o golpe, revelando uma borda avermelhada e crua de pele costurada às pressas.

Ele olhou para Clara. Não havia fúria em sua expressão. Havia apenas uma paciência sombria, quase satisfeita, misturada a um lampejo perigoso de admiração.

— Você sempre foi magnífica quando tentava se defender — disse Paris, ajeitando a gola alta com um movimento mecânico dos dedos. — Eu sei exatamente o que você é capaz de fazer, Clara. Eu sempre soube. Quem você acha que mascarava as assinaturas de energia anômala que você emitia toda vez que tinha um pesadelo durante a gravidez? Quem você acha que alterou os sensores do Setor para garantir que nenhum cientista do Restabelecimento soubesse da sua existência?

Clara engoliu em seco, as lágrimas escorrendo até os cantos de sua boca aberta. O coração martelava tão alto que parecia quebrar suas costelas inchadas de leite.

— Você... você sabia?

— Eu sei tudo sobre você — afirmou ele, dando um passo lento à frente, sem luva, revelando a pele pálida que Clara tantas vezes acariciara na intimidade de suas noites roubadas. — Eu protegi você do mundo, e protegi você de si mesma. Eu criei uma fortaleza onde você não precisasse usar essa maldição para sobreviver. Mas não use essa força contra mim, meu amor. Isso apenas me cansa, e eu não tenho paciência a perder com futilidades hoje.

Paris parou e desviou o olhar finalmente de Clara, virando a cabeça para o centro da sala. Seus olhos cinzentos fixaram-se em Castle.

O líder rebelde sustentou o olhar, embora a tensão transparecesse em cada músculo retesado de seu rosto envelhecido. Kenji mantinha-se a dois passos de distância, os nós dos dedos brancos sobre as empunhaduras de suas pistolas, pronto para descarregar o pente ao menor sinal de avanço.

— Castle — pronunciou Paris, e o nome soou como um insulto refinado na boca do Comandante Supremo. — Você sempre foi o único homem neste refúgio miserável com capacidade intelectual suficiente para compreender causa e efeito. Ao contrário do traidor do meu filho, você não é guiado puramente por histeria ou rancor infantil.

Castle respirou fundo, mantendo a postura ereta, a voz firme e ressonante.

— O que você quer aqui, Anderson? Você está desarmado das suas tropas, em território ocupado. Seus batalhões recuaram após o ataque ao quartel. Juliette o derrubou.

Um sorriso tênue, gélido e desprovido de qualquer calor humano repuxou o canto da boca de Paris.

— Juliette Ferrars me deu um tiro superficial na traqueia e assumiu que eu era feito da mesma carne frágil que os idiotas que vocês costumam enfrentar — desdenhou ele, tocando de leve a gaze manchada no pescoço. — O quartel pode ter caído temporariamente, mas eu comando trezentos setores continentais. Se eu der uma única ordem por rádio de alta frequência, uma frota inteira de bombardeiros táticos estará sobre este teto em menos de quarenta minutos. Vocês não têm defesas antiaéreas para isso. Nem a sua garotinha elétrica conseguiria segurar cinquenta ogivas termobáricas caindo em sincronia sobre as suas cabeças.

Kenji deu um passo à frente, os dentes cerrados.

— Experimenta, desgraçado. Você morre antes de sair por essa porta.

Anderson nem sequer se dignou a olhar para Kenji. Continuou encarando Castle, os olhos fixos como os de uma serpente diante da presa.

— Eu não vim aqui hoje para travar uma guerra — disse o Comandante Supremo, as palavras pesadas caindo como lajes de chumbo no salão silencioso. — Eu não trouxe um batalhão. Não ativei os esquadrões de extermínio que estão estacionados a dez quilômetros desta cerca perimetral. Eu atravessei os dutos subterrâneos sozinho, rastejando pela imundície deste setor em ruínas, por um único e exclusivo propósito: recuperar a minha mulher e a minha filha.

O silêncio que se seguiu foi sepulcral, interrompido apenas pelo soluçar intermitente de Alice.

— Uma proposta, Castle — continuou Paris, com a frieza de quem negociava provisões de trigo em um gabinete ministerial. — Uma trégua temporária. Um adiamento formal de todas as hostilidades no Setor 45. Eu suspendo o avanço das tropas do Setor 46. Dou a vocês tempo para enterrar os seus mortos, reorganizar seus suprimentos, cuidar dos feridos e até mesmo buscar os líderes de vocês que desapareceram nas patrulhas externas. A guerra entre nós pode esperar semanas, ou meses, se for necessário.

Castle semicerrou os olhos, cauteloso e desconfiado até a medula dos ossos.

— E em troca desse cessar-fogo?

— Em troca, eu pego a minha esposa e a minha filha, e nós saímos daqui agora — declarou Paris com absoluta simplicidade. — Vocês não serão perseguidos hoje. Ninguém mais morrerá nesta base nas próximas horas. O corpo daquele burocrata incompetente no chão será o único sangue derramado. Vocês preservam a patética rebelião de vocês por mais algum tempo, e eu levo o que me pertence de volta para o meu refúgio. É o acordo mais generoso que você jamais receberá em toda a sua vida insignificante.

Castle olhou de relance para Kenji, depois para os soldados cansados, feridos e cobertos de fuligem que formavam a última linha de defesa daquele complexo. A oferta era absurda, vinda do homem mais implacável do mundo conhecido, mas carregava a verdade inegável do desespero de um predador que queria apenas proteger a própria toca. Paris Anderson estava realmente oferecendo a sobrevivência do Setor 45 por causa de uma única mulher.

Castle virou o rosto na direção de Clara.

Ela ainda estava sentada no chão, os joelhos recolhidos sob a barra puída do vestido, a respiração entrecortada sacudindo seu corpo largo e curvado. Os cabelos caíam sobre o rosto úmido de lágrimas. A menininha chorava em seu colo, esfregando a mãozinha no queixo da mãe.

Paris deu um passo em direção a ela, suavizando a voz novamente, estendendo a mão limpa, livre de armas, em um gesto que implorava por conformidade.

— Está resolvido, Clara — sussurrou ele, os olhos cinzentos brilhando com uma intensidade possessiva e devota. — Ninguém precisa sangrar mais. O acordo está feito. Eu adiei a porra de uma guerra continental inteira por você. Levante-se. Deixe-me tirar você dessa sujeira. Eu vou levar vocês para uma casa segura no norte, onde há médicos particulares, comida quente e água limpa. Eu mesmo vou preparar o banho para você descansar esse corpo que está doendo. Venha comigo.

Clara olhou para a mão dele.

Era a mesma mão que segurara seus dedos na noite em que ela tivera febre alta após o parto. A mão que acariciava suas curvas com uma adoração silenciosa enquanto o resto do mundo desmoronava sob o tacão de ferro do Restabelecimento. A mão que ela acreditara ser a de um protetor nobre e injustiçado.

Mas, ao lado daquela mão, no chão manchado de cinza, jazia a cabeça estraçalhada de Delalieu.

O cheiro de ferro subiu pela garganta de Clara, amargo e sufocante. Ela se lembrou das palavras de Aaron: *Você viveu em uma gaiola dourada construída sobre os ossos de dezenas de milhares de pessoas.* Lembrou-se do olhar de piedade de Juliette ao dizer que Paris havia trancado crianças em celas até apodrecerem. Ele assassinara aquele homem a três metros de distância sem nem mudar a frequência do pulso, como quem esmaga um mosquito na parede.

O amor que sentira por sete anos colidiu de frente contra o monstro de carne e osso diante dela. E a dor daquela colisão foi pior do que o desconforto agudo que repuxava seus seios empedrados.

Clara ergueu o queixo devagar. As lágrimas continuavam a escorrer pelas bochechas cheias, mas os lábios trêmulos se fecharam em uma linha dura de repulsa e desespero.

— Não — disse ela.

A palavra caiu como uma navalha cortando o ar estagnado da sala.

Paris congelou. A mão dele permaneceu suspensa no ar, os dedos contraindo-se ligeiramente, como se o cérebro dele se recusasse a processar o comando auditivo.

— O que você disse? — perguntou ele, a voz baixando uma oitava, perdendo a suavidade e adquirindo uma rigidez perigosa e incrédula.

— Eu disse não — repetiu Clara, a voz ganhando volume, alimentada por uma coragem dilacerada que ela nem sabia possuir. Ela apertou Alice com mais força contra o peito dolorido, ignorando a pontada de queimação no busto. — Eu não vou com você.

— Clara... — advertiu ele, dando mais meio passo à frente, a mandíbula de pedra cerrando-se com tanta força que os tendões de seu pescoço saltaram sob o curativo. — Você não sabe o que está dizendo. O choque está nublando o seu julgamento. Você está em perigo aqui, cercada por terroristas sujos que usariam você como moeda de troca. Você pertence à sua casa. Você pertence a mim.

— Eu não pertenço a um assassino! — gritou ela, a garganta ardendo com o esforço, os olhos faiscando de uma dor furiosa. — Você matou aquele homem na minha frente! Você olhou nos meus olhos e mentiu por sete anos! Você me disse que cuidava das pessoas! Você me disse que o mundo lá fora estava em paz graças ao seu trabalho! E você... você é um carniçal! Você é o demônio de quem todos têm medo!

A máscara de afeto de Paris estremeceu. Pela primeira vez desde que entrara na sala, um abismo de desespero cru e perturbador rasgou a postura aristocrática do Comandante Supremo. Ele a olhava como se ela tivesse cravado uma adaga enferrujada em seu coração blindado.

— Eu menti para salvar a sua alma! — retrucou ele, a voz quebrando em uma nota rouca e angustiada que fez Kenji e Castle recuarem um passo involuntário. — Eu suportei todo o peso deste mundo em decomposição para que você pudesse continuar rindo no jardim! Eu cometi atrocidades para que a nossa filha nunca precisasse passar fome como você passou quando era criança! Tudo o que eu fiz... cada morte, cada execução, cada ordem hedionda que eu assinei... foi para que você nunca precisasse saber o que é a lama!

— Então você falhou! — soluçou Clara, as lágrimas caindo sobre as bochechas coradas de Alice. — Porque agora eu sei. Eu vi. E eu tenho mais medo de você do que de qualquer pessoa armada nesta sala.

O golpe foi mais devastador do que a explosão gravitacional que o arremessara contra a mesa minutos antes. Paris Anderson pareceu perder o ar. Seus olhos cinzentos vagaram pelo rosto inchado e marcado de Clara, descendo para a filha que chorava em seus braços, e a frieza que sustentava aquele homem há décadas se desfez em um deserto desolado de choque e rancor.

— Você não pode ficar aqui — disse ele, a voz descendo a um sussurro trêmulo, perigoso e sufocado. — Eles vão destruir você, Clara. Eles não conhecem a sua fragilidade. Eles vão deixar você morrer de fome, vão transformar a nossa filha em um peão de guerra...

— Eles não atiraram na cabeça de ninguém na minha frente — rebateu Clara, sustentando o olhar dele com uma dignidade que ele nunca esperara ver na mulher mansa que deixara nos bosques. — Eles não mentiram para mim. Eu prefiro ficar no chão sujo desta cela com a minha filha a voltar para a sua cama manchada de sangue inocente.

Paris permaneceu estático. A mão suspensa no ar finalmente caiu ao lado do corpo, os nós dos dedos cerrados com tanta intensidade que as articulações empalideceram sob a pele.

O silêncio que se abateu sobre o refeitório era asfixiante. Kenji não ousava respirar. Castle mantinha a mão a centímetros do coldre, observando o Comandante Supremo do Restabelecimento ser destruído não por fuzis ou superpoderes devastadores, mas pela recusa irredutível da mulher gordinha e ingênua que ele mantivera em uma redoma de ouro.

Paris recuou um passo. Apenas um.

O rosto dele lentamente se fechou de novo, voltando a ser a máscara de mármore e chumbo que o continente inteiro temia, mas havia uma rachadura irreparável no centro de seus olhos. O monstro estava de volta, mas estava ferido de morte por dentro.

— Muito bem — sussurrou Paris, a voz tão gélida que o ar pareceu congelar nas gargantas dos presentes. Ele olhou para Castle, desprovido de qualquer traço de humanidade. — O acordo de cessar-fogo continua de pé. Vocês têm quatro semanas.

Ele voltou a fitar Clara. O olhar era uma promessa sombria, um juramento gravado em pólvora e sangue.

— Amamente a nossa filha, Clara — disse ele, a voz ressoando com uma autoridade fúnebre. — Alivie a dor do seu corpo. Cuide dela. Porque quando essas quatro semanas acabarem, eu voltarei. E eu não pedirei a sua permissão para levá-las de volta para casa.

Sem dizer mais nenhuma palavra, Paris Anderson deu meia-volta. Ele caminhou com passos firmes e regulares em direção à abertura na parede de aço, pisando sem hesitar na poça de sangue de Delalieu, e desapareceu na escuridão dos túneis subterrâneos, deixando para trás o eco de suas botas militares e o rastro de uma destruição que apenas começara a se desenhar.

Entrar com Telegram

Confirme o login no bot.