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Festival e a família

Laços de Gelo e Algodão-Doce

O sol da manhã em Tempest brilhava com uma intensidade festiva, refletindo-se nas janelas de cristal do palácio e iluminando as ruas decoradas com lanternas coloridas. No entanto, dentro da sala de conferências principal, o clima era uma mistura bizarra de formalidade política de alto nível e a mais pura doçura doméstica.

Rimuru Tempest estava sentado em sua cadeira de cabeceira, mas sua postura não era a de um monarca rígido. Em seu colo, Ryota Sekiguchi, de apenas seis anos, era a imagem da resistência matinal. O menino usava um macacão branco adornado com pequenos dragões azuis bordados nos bolsos, sobre uma blusa azul de mangas compridas que realçava seus cabelos rebeldes. Calçando botinhas pretas minúsculas, ele mantinha uma chupeta azul firmemente na boca e abraçava seu dragão de pelúcia como se sua vida dependesse disso.

— Hmph... não quero... — resmungou Ryota, a voz abafada pela chupeta, enquanto enterrava o rosto no peito de Rimuru, recusando-se a aceitar que o dia já havia começado.

— Só mais um pouco, querido — sussurrou Rimuru, balançando o corpo levemente para os lados em um ritmo hipnótico. — A mamãe tem que conversar com os reis agora, mas você pode continuar seu cochilo aqui.

Do outro lado da mesa, os convidados da reunião — o Rei Gazel Dwargo, os representantes da Dinastia Feiticeira de Sarion e alguns nobres humanos influentes — pareciam ter esquecido como se respira. Gazel, em particular, massageava as têmporas, tentando reconciliar a imagem do "monstro perigoso" que ele conhecia com a "mãe carinhosa" que via diante de si.

— Rimuru... — começou Gazel, sua voz rouca de incredulidade. — Nós estamos aqui para discutir as rotas de exportação de minério de magisteel e o tratado de não agressão das fronteiras orientais. Você está... balançando uma criança.

Rimuru soltou uma risadinha cristalina, ajustando Ryota em seus braços.

— Peço desculpas pela informalidade, Gazel, e a todos os presentes. Mas como sabem, estamos no meio de um festival. Meus filhos estão aproveitando cada segundo, mas estes dois — ele gesticulou para Ryota e depois para o lado — simplesmente se recusaram a ficar longe de nós hoje. Ryota teve um pesadelo leve e Chloe... bem, Chloe é muito apegada ao Guy.

O choque na sala atingiu um novo patamar quando os olhares se voltaram para Guy Crimson. O Lorde Demônio mais antigo, o "Vermelho" que inspirava terror em gerações de heróis, estava sentado de forma relaxada em uma poltrona luxuosa. Em seu colo, Chloe O'Bell, a pequena de cabelos escuros, estava em um estado de sonolência profunda.

Chloe estava adorável em um macacão que imitava um vestido lilás, com um desenho de slime branco no centro. Sua blusa branca tinha babados delicados nas golas e punhos, e seus cabelos estavam presos por laços lilás de cada lado, combinando com suas sapatilhas brancas. Sem sua chupeta naquele momento, a menina havia encontrado um substituto inusitado: ela segurava a mão grande de Guy e mordiscava distraidamente um de seus dedos, como um filhote de gato testando os dentes.

Guy, longe de ficar irritado, observava a cena com uma expressão de serenidade que beirava o absurdo. Com a mão livre, ele fazia pequenos bonecos de gelo flutuarem no ar, esculpidos com uma precisão mágica que faria qualquer mestre de gelo chorar de inveja. Os bonequinhos dançavam sobre a cabeça de Chloe para mantê-la entretida entre um cochilo e outro.

— Ela morde forte para uma humana — comentou Guy, sua voz profunda ecoando suavemente na sala, fazendo os nobres humanos empalidecerem. — Mas é fofo. Eu permito.

— Isso é... — O representante de Sarion tentou encontrar as palavras, mas falhou miseravelmente. — Inesperado.

— É apenas a vida em Tempest — disse Rimuru, sorrindo de forma radiante, o que só servia para acentuar sua beleza divina na forma feminina. — Ryota e Chloe ficarão conosco até o meio da reunião. Depois, Diablo e Testarosa virão buscá-los. Chloe adora brincar de esconde-esconde com o Diablo, e Ryota tem uma estranha obsessão por treinar "golpes secretos" com a Testarosa.

Gazel Dwargo soltou um suspiro pesado, desistindo de manter a etiqueta real estrita.

— Muito bem. Se o Lorde Crimson não se importa de ser usado como mordedor, suponho que possamos prosseguir. Sobre a cota de minério de Dwargon...

A reunião avançou por trilhos incomuns. Enquanto Gazel falava sobre números e logística, Rimuru revisava documentos com uma mão enquanto a outra dava tapinhas rítmicos nas costas de Ryota. O menino, sentindo-se seguro, finalmente parou de resmungar e relaxou, a respiração tornando-se pesada contra o ombro de Rimuru.

Chloe, por sua vez, cansou-se de morder o dedo de Guy e soltou um bocejo silencioso. Guy, percebendo a mudança, materializou uma chupeta lilás com desenhos delicados de um slime branco e a entregou à menina. Ela a aceitou prontamente, voltando a focar sua atenção nos bonecos de gelo que Guy agora fazia lutar em uma pequena arena invisível diante de seus olhos.

— Olhe, Guy... o bonequinho de slime venceu o dragão — sussurrou Chloe, sua voz doce e carregada de sono.

— Claro que venceu — respondeu Guy, inclinando-se para perto dela, ignorando completamente o fato de que um conde humano estava tentando explicar uma crise inflacionária a dois metros de distância. — O slime é baseado na sua mãe. Ele nunca perde.

Rimuru sentiu as bochechas esquentarem levemente com o comentário de Guy e lançou-lhe um olhar de advertência, que foi prontamente ignorado pelo demônio ruivo.

— Como eu dizia — continuou o representante humano, limpando o suor da testa —, o comércio de poções de cura de baixo custo está...

— Espere — interrompeu Rimuru, sua voz mantendo a doçura, mas carregando a autoridade de um governante. — Esse preço está 15% acima do que acordamos no trimestre passado. Tempest preza pela acessibilidade. Se aumentarmos agora, os aventureiros iniciantes serão os mais prejudicados.

— Mas, Lorde Rimuru, os custos de transporte através da floresta...

— Eu mesmo limpei as rotas comerciais de monstros de classe B na semana passada enquanto levava as crianças para um piquenique — rebateu Rimuru, enquanto Ryota se mexia no colo dele, apertando a pelúcia. — O risco diminuiu, logo, o custo de transporte deveria cair, não subir.

O representante engoliu em seco. Era difícil argumentar com um ser que gerenciava a economia mundial enquanto ninava uma criança com sono.

A reunião fluiu de maneira estranhamente eficiente. Talvez fosse a presença das crianças que acalmava os ânimos, ou talvez fosse o medo latente de que qualquer grito mais alto pudesse acordar Ryota e irritar Guy Crimson. De qualquer forma, acordos que normalmente levariam dias foram selados em horas.

Perto do meio-dia, a porta da sala de conferências se abriu silenciosamente. Diablo e Testarosa entraram, movendo-se com a graça predatória que lhes era característica. Ambos estavam vestidos impecavelmente, mas Testarosa carregava uma pequena bolsa que claramente continha lanches e brinquedos.

— Kufufufu — a risada de Diablo preencheu o ambiente. — Viemos buscar os pequenos tesouros, conforme solicitado, Lorde Rimuru.

— Ryota-kun, está na hora do nosso treino — disse Testarosa, aproximando-se de Rimuru com um sorriso que era ao mesmo tempo belo e assustador.

Ryota, ao ouvir a voz de Testarosa, abriu um olho. Ele retirou a chupeta por um momento e esticou os braços para a demônio branca.

— Testarosa! Vou te mostrar o soco de fogo que eu aprendi! — exclamou o menino, subitamente cheio de energia.

— Mal posso esperar para ver, pequeno mestre — respondeu ela, pegando-o no colo com uma facilidade impressionante.

Guy, por sua vez, entregou Chloe a Diablo. A menina, ainda um pouco sonolenta, agarrou-se ao pescoço do demônio primordial negro.

— Diablo... você prometeu que íamos ver os peixes no lago — murmurou Chloe, ajeitando seu laço lilás.

— E nós vamos, pequena Chloe. Preparei um banquete de frutas e os peixes mais brilhantes da floresta estão esperando por você — prometeu Diablo, curvando-se para Rimuru e Guy antes de se retirar.

Quando as crianças saíram, o silêncio na sala de conferências foi quase ensurdecedor. Guy Crimson esticou os braços, fazendo as articulações estalarem, e olhou para os humanos e anões presentes com um olhar que dizia claramente que a "fase pai" havia terminado.

— Agora que as distrações acabaram — disse Guy, sua aura de Lorde Demônio vazando apenas o suficiente para fazer as taças de água tremerem na mesa —, podemos falar sobre as sanções para quem quebrar os acordos que acabamos de assinar?

Os representantes endireitaram as costas imediatamente, o suor frio voltando a brotar. Rimuru, agora livre do peso de Ryota, cruzou as pernas e apoiou o queixo na mão, assumindo uma postura mais imponente, embora ainda mantivesse aquele sorriso amigável.

— Guy tem razão. Vamos finalizar os detalhes técnicos. Gazel, você mencionou os ferreiros?

A reunião continuou, mas a imagem de Rimuru como uma mãe dedicada e Guy como um pai protetor ficou gravada na mente de cada líder presente. Eles aprenderam uma lição valiosa naquele dia: em Tempest, a força não vinha apenas de magias destrutivas ou exércitos imensos. Vinha da capacidade de amar e proteger o que era precioso.

E, acima de tudo, aprenderam que nunca, sob hipótese alguma, deveriam interromper a hora da soneca dos filhos de Rimuru Tempest.

Ao final da tarde, quando os líderes se retiravam, exaustos mas satisfeitos com os termos, Rimuru e Guy caminharam juntos até a varanda do palácio, observando o festival lá embaixo. À distância, podiam ver Diablo segurando uma sombrinha para Chloe enquanto ela apontava para o lago, e Testarosa observando, orgulhosa, Ryota tentar conjurar pequenas brasas em suas mãos.

— Eles crescem rápido — comentou Rimuru, encostando o ombro no de Guy.

— Crescem — concordou Guy, olhando para a própria mão, onde ainda parecia sentir a pressão dos dentes de Chloe. — Mas enquanto eu estiver aqui, eles terão todo o tempo do mundo para serem apenas crianças.

Rimuru sorriu e segurou a mão de Guy.

— Nós daremos esse tempo a eles, Guy. Juntos.

O sol se pôs sobre Tempest, tingindo o céu de laranja e violeta, enquanto os risos das crianças subiam das ruas, misturando-se à música do festival. No coração da nação dos monstros, o equilíbrio entre o poder absoluto e o carinho mais simples estava, finalmente, em perfeita harmonia.