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Festival e a família

O Orgulho do Rei Vermelho e o Doce Reinado de Tempest

O encerramento do festival de Tempest era um espetáculo de luzes que desafiava a própria noite. Fogos de artifício mágicos, criados pela divisão de pesquisa de Vesta e Gabil, pintavam o céu com figuras de dragões e slimes, enquanto a multidão rugia em celebração. No centro do palanque real, Rimuru Tempest, exalando uma aura de divindade e graça, fazia seu discurso final, agradecendo a presença de todas as raças e selando novos tempos de paz.

No entanto, a verdadeira atração para os convidados de "alto escalão" não estava no palanque, mas sim na área reservada aos Lordes Demônios, logo atrás das cortinas de seda.

Guy Crimson estava sentado em um trono improvisado de veludo, cercado por uma aura que, pela primeira vez em milênios, não era de pura sede de sangue, mas de uma satisfação paternal quase arrogante. Chloe O'Bell dormia profundamente em seu colo esquerdo, com o rosto escondido na curva de seu pescoço, enquanto Kenya Misaki, exausto após um dia de lutas e doces, estava aninhado contra seu braço direito, lutando bravamente contra o sono.

— Ele é... ele está realmente fazendo isso — sussurrou um nobre de uma nação vizinha, que passava por perto e quase tropeçou nos próprios pés ao ver a cena. — O Lorde Demônio Vermelho... está servindo de travesseiro?

— Fale baixo, seu idiota! — sibilou seu companheiro. — Se você acordar a menina, ele transforma este festival em um funeral em três segundos!

Guy ouviu os sussurros e apenas arqueou uma sobrancelha, um sorriso de canto aparecendo em seus lábios. Ele não se sentia diminuído; pelo contrário, sentia-se como se tivesse conquistado o troféu mais valioso do multiverso.

— Olhe para eles, Leon — disse Guy, sua voz saindo em um barítono baixo e vibrante, direcionada ao Lorde Demônio Prateado que tentava, sem sucesso, manter uma distância segura de dez metros. — Você já viu algo tão perfeito? Eles têm o espírito de Rimuru e a minha... presença.

Leon Cromwell suspirou, uma mão cobrindo os olhos em um gesto de pura exaustão mental.

— Guy, você está agindo como um idiota. São apenas crianças humanas que Rimuru adotou. Pare de se projetar neles como se fossem sua linhagem direta.

— "Apenas crianças"? — Guy riu baixinho, tomando cuidado para não sacudir Chloe. — Kenya, diga ao "Tio Leon" quem eu sou.

Kenya, com os olhos semicerrados e a voz arrastada pelo sono, murmurou sem sequer levantar a cabeça:

— Papai Guy é barulhento... deixa eu dormir...

O silêncio que se seguiu foi absoluto. Leon arregalou os olhos, e até mesmo os guardas de elite de Tempest, que estavam por perto, prenderam a respiração. Guy Crimson, o ser que não se curvava a ninguém, sentiu algo estranho aquecer seu peito — uma emoção tão forte que seus olhos vermelhos brilharam com uma intensidade incomum.

— Você ouviu isso, Leon? — Guy perguntou, sua voz quase falhando em um momento de vulnerabilidade pública raríssima. — Ele me chamou de papai. Eu, o Rei Vermelho.

— Eu ouvi. Agora, por favor, pare de brilhar, você vai acordar a Chloe — resmungou Leon, embora, no fundo, houvesse uma ponta de inveja da facilidade com que Guy se integrara àquela família improvisada.

Enquanto isso, a poucos metros dali, Ryota e Gale estavam envolvidos em uma brincadeira caótica com Milim Nava. Milim, que tecnicamente era uma das Lordes Demônios mais antigas e poderosas, estava agindo como a "tia legal" — ou talvez apenas como uma irmã mais velha hiperativa.

— E então o Papai Guy deu um dragão de pelúcia para o Ryota porque ele estava chorando por causa de um pesadelo! — exclamou Gale, rindo enquanto Milim o girava no ar.

— Ele deu?! O Guy?! — Milim gargalhou, os olhos brilhando de malícia. — Eu preciso contar isso para o Veldora! O Guy Crimson, o terror dos mundos, comprando pelúcias!

— Ele mima a gente muito mais que a Mamãe Rimuru! — revelou Ryota, recuperando o fôlego. — Se a gente pede um doce extra, o Papai Guy faz aparecer do nada. Mas a Mamãe Rimuru... ela é doce, mas dá medo.

Milim parou de girar e inclinou a cabeça, curiosa.

— Medo do Rimuru? Mas ele é tão fofinho!

— Não, Tia Milim — explicou Gale com seriedade. — É um medo diferente. Ela nunca grita. Ela nunca levanta a mão. Mas quando a gente faz algo errado, ela olha para a gente com aquele sorriso calmo e diz: "Estou muito decepcionada, crianças".

Ryota estremeceu visivelmente.

— É pior que levar um golpe de espada! O ar fica pesado e parece que o mundo vai acabar. O Papai Guy até tenta defender a gente, mas quando a Mamãe olha para ele, ele também fica quietinho e começa a ajudar a gente a limpar a bagunça.

Luminous Valentine, que se aproximara para ouvir a fofoca, soltou uma risada elegante por trás de seu leque.

— Então o grande Guy Crimson também foi domado pela "aura materna" de Rimuru? Que visão fascinante.

Guy, ouvindo a conversa, não se deu ao trabalho de negar.

— É uma questão de hierarquia, Luminous — disse ele, ajustando Chloe em seu colo. — Rimuru comanda o coração da casa. Eu comando a segurança. Se a Rainha decide que as crianças precisam de disciplina, quem sou eu para contradizer?

— Você é um caso perdido, Guy — zombou Luminous, embora seus olhos mostrassem um respeito relutante pela harmonia daquela cena.

O encerramento do festival terminou com uma salva de palmas estrondosa. Rimuru desceu do palanque, retirando a coroa cerimonial e soltando um suspiro de alívio. Sua forma feminina, vestida com um quimono de seda azul e prata, parecia brilhar sob as lanternas. Ele caminhou em direção ao grupo, e imediatamente a atmosfera mudou.

As crianças que estavam com Milim correram para ele.

— Mamãe! Você foi incrível no discurso! — gritou Ryota, abraçando a cintura de Rimuru.

— Shh, falem baixo — pediu Rimuru, sorrindo e acariciando os cabelos dos meninos. — Chloe e Kenya já dormiram. Como eles se comportaram, Guy?

Guy levantou-se com uma graça sobrenatural, mantendo as duas crianças em seus braços como se não pesassem nada. Ele caminhou até Rimuru, parando a poucos centímetros de distância.

— Eles foram perfeitos — disse Guy, sua voz carregada de um orgulho que ele não tentava mais esconder. — Kenya me chamou de pai, Rimuru. Acho que mereço uma recompensa por ser um tutor tão exemplar.

Rimuru revirou os olhos, mas seu sorriso era doce. Ele se inclinou e depositou um beijo rápido nos lábios de Guy, fazendo os nobres humanos que ainda observavam quase desmaiarem de choque.

— Essa é a sua recompensa por enquanto. Agora, vamos levar essas crianças para a cama. Elas tiveram um dia longo.

— Eu ajudo! — ofereceu-se Milim, pegando Ryota no colo.

— Eu também vou — murmurou Leon, surpreendendo a todos. — Alguém precisa garantir que o Guy não tente ensinar magia de destruição em massa para o Kenya enquanto ele dorme.

O pequeno grupo começou a caminhar em direção ao palácio real. Os espectadores abriam caminho, observando em silêncio absoluto a procissão mais estranha da história de Tempest: o Líder da Federação Jura, o Lorde Demônio mais antigo, a Rainha dos Vampiros, o Rei de El Dorado e a Destruidora de Mundos, todos caminhando juntos para colocar cinco crianças humanas para dormir.

Dentro do palácio, o silêncio era acolhedor. Rimuru e Guy entraram no quarto das crianças, onde cinco camas de dossel estavam preparadas. Com movimentos sincronizados, eles deitaram cada um em seu lugar.

Rimuru cobriu Chloe, retirando a chupeta lilás e substituindo-a pelo coelho de pelúcia. Ele se inclinou e sussurrou palavras de proteção em seus ouvidos, uma magia antiga que garantia sonhos tranquilos.

Guy, enquanto isso, ajeitava o cobertor de Kenya. Ele ficou parado por um momento, observando o rosto sereno do menino que o chamara de pai.

— Sabe, Rimuru — sussurrou Guy, aproximando-se do namorado enquanto saíam do quarto e fechavam a porta suavemente —, eu nunca entendi por que Veldora era tão apegado a este lugar. Mas agora... eu entendo.

— É o calor, não é? — perguntou Rimuru, encostando a cabeça no ombro de Guy enquanto caminhavam pelo corredor iluminado pela lua.

— É a paz — corrigiu Guy. — Ter algo para proteger que não seja apenas território ou poder. É algo que me faz sentir... vivo de uma forma diferente.

Eles chegaram à varanda principal, onde os outros Lordes Demônios os esperavam com taças de vinho. O festival lá embaixo estava diminuindo, as luzes se apagando uma a uma, dando lugar ao brilho das estrelas.

— Então — começou Luminous, quebrando o silêncio —, agora que a creche fechou, podemos finalmente agir como os seres temíveis que somos?

Rimuru riu, aceitando uma taça de vinho de Diablo, que apareceu silenciosamente ao seu lado.

— Creio que sim, Luminous. Mas aviso logo: amanhã cedo temos um café da manhã de panquecas com as crianças. E Guy prometeu que ia deixar o Kenya treinar com a espada dele.

Guy engasgou com o vinho.

— Eu prometi o quê?

— Você disse que ele tinha o espírito de um guerreiro — lembrou Rimuru, piscando para ele. — Agora terá que cumprir.

Milim gargalhou, batendo nas costas de Guy com força suficiente para rachar o chão.

— Boa sorte, Papai Guy! O Kenya não desiste fácil!

Guy Crimson, o Lorde Demônio que já enfrentou deuses e dragões sem hesitar, soltou um longo suspiro, olhando para o quarto onde as crianças dormiam.

— Que assim seja — murmurou ele, um sorriso genuíno cruzando seu rosto. — Se eu sobrevivi a colocar o Ryota para dormir depois de ele comer três quilos de açúcar, eu sobrevivo a um treino matinal.

Rimuru segurou a mão de Guy, sentindo a força e o calor do demônio. Ele olhou para seus amigos e subordinados, sentindo uma gratidão imensa. Tempest não era apenas uma cidade; era um lar onde até os seres mais orgulhosos do mundo podiam encontrar a doçura de uma família.

E enquanto a lua subia no céu, selando o fim de mais um festival, Rimuru soube que, não importava quais ameaças surgissem no horizonte, eles estariam prontos. Porque agora, eles não lutavam apenas por um reino. Eles lutavam pelo futuro daqueles que, em meio ao sono, os chamavam de mãe e pai.

A noite em Tempest era silenciosa, mas cheia de promessas. E no coração do Rei Vermelho, uma nova chama havia se acendido — uma que não destruía, mas que aquecia e protegia o que havia de mais precioso no mundo.