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Flor de cerejeira

O Eclipse dos Três Sóis e a Melodia de Seul

A revelação de que Maya era irmã de Song Weilong enviou ondas de choque por toda a indústria do entretenimento na China. Durante uma semana inteira, os paparazzi acamparam nos portões da Academia de Artes Cênicas, tentando capturar um vislumbre da "Princesa Brasileira" que unia dois mundos. No entanto, o que ninguém — nem mesmo Zhang Linghe — suspeitava, era que a árvore genealógica de Maya tinha raízes ainda mais profundas e estendia-se para além das fronteiras chinesas, alcançando o coração da Coreia do Sul.

A mãe de Maya, uma renomada violoncelista coreana que se apaixonara por um brasileiro, trouxera para a união dois filhos de um casamento anterior na Coreia. E esses dois filhos não eram apenas cidadãos comuns; eram titãs do Hallyu, atores cujos nomes faziam as ruas de Seul pararem.

Maya estava sentada no pátio da faculdade, tentando ignorar os sussurros, quando seu telefone vibrou com uma notificação internacional. Era um grupo de chat intitulado "Os Guardiões da Pequena".

— "Estamos chegando em Xangai, Maya. O contrato para o novo drama de cooperação China-Coreia foi assinado. Prepare o coração, porque a saudade está batendo forte" — dizia a mensagem de Lee Min-ho, o irmão mais velho, acompanhada por um emoji de coração de seu outro irmão, Cha Eun-woo.

Maya sentiu um frio na barriga. Se a revelação de Weilong fora um terremoto, a chegada de Min-ho e Eun-woo seria um cataclismo. Ela ainda estava tentando equilibrar seu namoro recém-assumido com Zhang Linghe e a pressão de ser irmã de um ícone chinês. Como Linghe reagiria ao descobrir que ela era o elo perdido entre as maiores estrelas da Ásia?

Na manhã seguinte, o clima na faculdade estava elétrico. Um comboio de carros pretos de luxo estacionou em frente ao prédio principal. O diretor da Academia, geralmente um homem severo, corria de um lado para o outro como um assistente de palco iniciante.

— Eles chegaram! Os representantes coreanos para o projeto 'Luzes do Oriente' estão aqui! — gritou um estudante.

Maya estava na biblioteca com Li Wei quando a porta se abriu. O silêncio que se seguiu foi absoluto. Lee Min-ho entrou primeiro, com sua aura de rei e um sobretudo que parecia custar mais do que a biblioteca inteira. Logo atrás dele, com uma beleza que parecia esculpida por anjos, estava Cha Eun-woo, sorrindo de forma gentil, mas com um olhar que buscava apenas uma pessoa na sala.

— Onde está a nossa pequena? — perguntou Min-ho em um mandarim impecável, embora com um leve sotaque coreano.

Maya levantou-se lentamente, as pernas tremendo. Li Wei quase desmaiou ao seu lado, agarrando-se à mesa para não cair.

— Oppa... — sussurrou Maya, usando o termo carinhoso coreano para irmãos mais velhos.

Eun-woo foi o primeiro a correr. Ele a envolveu em um abraço que a tirou do chão, girando-a enquanto ria.

— Você está mais alta? Ou são apenas esses sapatos? — brincou ele, beijando o topo da cabeça dela.

Min-ho aproximou-se logo em seguida, afastando Eun-woo para abraçá-la com mais calma, mas com a mesma intensidade.

— Você nos deu um susto com aquela revelação do Weilong — disse Min-ho, olhando-a de cima a baixo. — Ele sempre foi o mais exibido de nós três. Mas agora é a nossa vez. Viemos te buscar.

— Buscar? Para onde? — perguntou Maya, ainda em choque.

— Para o set, é claro — respondeu Eun-woo, piscando para as estudantes que assistiam à cena em transe. — Hoje é o primeiro dia de leitura de roteiro e filmagem das cenas promocionais. Queremos nossa consultora favorita ao nosso lado. E, claro, queremos conhecer esse tal de Zhang Linghe que anda ocupando suas mensagens.

O coração de Maya deu um salto. Ela não teve tempo de protestar. Em questão de minutos, ela estava sendo escoltada para fora da universidade sob os olhares incrédulos de centenas de alunos.

O set de filmagem era uma estrutura monumental montada nos arredores de Xangai. Quando os carros chegaram, a equipe de produção chinesa já estava a postos. E lá, parado perto da área de maquiagem, estava Zhang Linghe. Ele usava um traje moderno, pois o drama era um romance contemporâneo, mas sua expressão era de pura confusão.

Linghe vira as notícias de que os astros coreanos estavam na cidade, mas nunca imaginou que eles apareceriam no set carregando sua namorada como se ela fosse um tesouro nacional.

Min-ho saiu do carro primeiro, seguido por Eun-woo, que mantinha o braço protetoramente sobre os ombros de Maya. Maya caminhou até Linghe, que parecia estar processando a informação em câmera lenta.

— Linghe... — começou Maya, com um sorriso nervoso. — Eu acho que precisamos conversar sobre a minha árvore genealógica novamente.

Linghe olhou para Lee Min-ho, depois para Cha Eun-woo, e finalmente para Maya.

— Maya — disse Linghe, sua voz falhando levemente —, por favor, me diga que você não é irmã de todo o elenco do 'Who's Who' da Ásia.

— Só desses três, eu prometo! — respondeu ela, escondendo o rosto nas mãos.

Lee Min-ho deu um passo à frente, estendendo a mão para Linghe com uma polidez gélida que apenas um irmão mais velho protetor poderia emanar.

— Então você é o Zhang Linghe — disse Min-ho. — Eu vi seu último trabalho. Boa técnica. Mas vamos ver como você se sai protegendo a nossa irmã da imprensa coreana agora que estamos aqui.

Eun-woo, por outro lado, foi mais amigável, embora seu olhar fosse analítico.

— Prazer em conhecê-lo, Linghe-ssi. Maya fala muito de você. Mas saiba que temos um grupo de chat familiar e o Weilong já nos deu um relatório completo sobre você.

Linghe engoliu em seco, mas não recuou. Ele endireitou os ombros e apertou a mão de Min-ho com firmeza.

— É uma honra conhecê-los. E eu pretendo proteger a Maya de qualquer coisa, inclusive das expectativas dos irmãos dela, se for necessário.

Um silêncio tenso pairou no ar por alguns segundos, até que Min-ho soltou uma risada sonora, quebrando o gelo.

— Ele tem coragem, Eun-woo. Eu gostei dele.

O dia no set foi uma experiência surreal para Maya. Ela passou as horas sentada entre os três "sóis" de sua vida: Linghe, Min-ho e Eun-woo. Enquanto os atores coreanos e chineses discutiam o roteiro, Maya servia como uma ponte cultural informal, explicando nuances de comportamento e traduzindo termos que o tradutor oficial às vezes perdia.

Durante o intervalo para o almoço, os quatro se retiraram para um trailer privado para evitar os olhos curiosos da equipe.

— Então — começou Eun-woo, servindo chá para Maya —, como é ser a pessoa mais famosa da faculdade agora?

— É exaustivo — confessou Maya, recostando a cabeça no ombro de Linghe, que a envolveu com o braço de forma possessiva, mas carinhosa. — Eu só queria estudar atuação, mas sinto que a minha vida virou o dorama mais assistido do ano.

— É o preço da beleza e do talento, pequena — disse Min-ho. — Mamãe está orgulhosa de você na Coreia. Ela quer que você vá para Seul nas férias de verão. E ela disse que o Sr. Zhang está convidado, desde que ele saiba que o pai dela era um mestre de Taekwondo.

Linghe riu, sentindo-se finalmente aceito na dinâmica complexa daquela família internacional.

— Eu começarei as aulas de artes marciais amanhã mesmo — brincou ele.

— Maya — disse Eun-woo, tornando-se sério por um momento —, sabemos que é difícil. Ser estrangeira aqui já é um desafio, e agora com todo esse foco sobre quem são seus irmãos e quem é seu namorado... você tem certeza de que quer continuar na frente das câmeras?

Maya olhou para os irmãos, depois para Linghe. Seus olhos verdes brilharam com uma determinação que nenhum deles vira antes.

— Eu amo vocês. E eu amo o que o Weilong fez por mim. Mas eu não estou aqui para ser a "irmã de fulano" ou a "namorada de sicrano". Eu estou aqui porque tenho uma voz, e quero usá-la. Se o preço de seguir meu sonho é lidar com os holofotes, então que eles brilhem. Eu não vou me esconder mais.

Linghe apertou a mão dela, orgulhoso.

— Ela é mais forte do que todos nós juntos — comentou ele para os irmãos coreanos.

— Nós sabemos — respondeu Min-ho com um sorriso suave. — É por isso que viemos. Não para te esconder, mas para te dar o palco que você merece.

A tarde continuou com as filmagens das primeiras cenas promocionais. Em um momento que não estava no roteiro, o diretor sugeriu uma foto de grupo. Maya ficou no centro, com Linghe de um lado e seus dois irmãos coreanos do outro. Quando a foto foi tirada, o flash pareceu capturar não apenas quatro celebridades, mas a essência de uma nova era no entretenimento asiático.

Ao final do dia, enquanto o sol se punha sobre os estúdios de Xangai, Linghe e Maya caminharam um pouco afastados dos trailers.

— Você está bem? — perguntou ele, parando sob uma lanterna tradicional que acabara de ser acesa.

— Estou feliz — respondeu ela, olhando para o pingente de jade que ele lhe dera, que agora brilhava junto com uma pulseira de ouro que Eun-woo a trouxera de Seul. — Sinto que finalmente todas as peças da minha vida estão no mesmo lugar.

— Maya — disse Linghe, puxando-a para perto —, eu sei que a partir de amanhã, a pressão sobre nós será dez vezes maior. A imprensa coreana, os fãs chineses, os curiosos brasileiros... vai ser um caos.

— Eu sei — disse ela, passando os braços pelo pescoço dele, seus longos cachos balançando ao vento.

— Mas eu quero que você saiba de uma coisa — continuou ele, seus olhos fixos nos dela. — Eu não me importo com quantos irmãos famosos você tenha ou de quais países eles venham. No final do dia, quando as luzes do set se apagam, é você quem eu quero ver. Você é a minha única estrela.

Maya sorriu e o beijou, um beijo que carregava a promessa de resiliência.

— E você é o meu porto seguro, Linghe. Em qualquer língua, em qualquer país.

Eles foram interrompidos pelo grito de Eun-woo vindo de longe.

— Ei! Nada de beijos longos! O Weilong está ligando por vídeo e ele quer participar da reunião de família!

Maya e Linghe riram, caminhando de volta para o grupo. A vida de Maya não era mais um simples intercâmbio; era uma sinfonia de culturas, um épico de amor e família que desafiava fronteiras.

Naquela noite, as redes sociais da Ásia e do Brasil explodiram com a foto de Maya entre Lee Min-ho, Cha Eun-woo e Zhang Linghe. O título da matéria principal no Weibo dizia: "A Garota que Uniu o Oriente: O Mistério de Maya e seus Três Reis".

Mas para Maya, enquanto ela se deitava e ouvia os áudios de seus irmãos brigando amigavelmente sobre quem era o favorito dela, a fama era apenas um detalhe. Ela era uma brasileira na China, amada por um ator chinês e protegida por ídolos coreanos. Sua história estava apenas começando, e ela sabia que, com aquele exército de amor ao seu redor, não havia roteiro que ela não pudesse conquistar, nem final feliz que não pudesse alcançar. O palco era dela, e o mundo estava, finalmente, pronto para assistir.