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Foryou

O Labirinto de Vidro e Cinzas

O sol de inverno de Manhattan era pálido, uma luz que iluminava as arestas afiadas dos arranha-céus, mas que não carregava calor algum. Jhe acordou com a sensação de estar sendo observada. O quarto de Richard era um santuário de minimalismo — tons de cinza, preto e o brilho frio do aço — que refletia perfeitamente a mente do homem que agora estava parado junto à imensa janela, vestindo apenas uma calça de pijama de seda escura.

Ela se moveu entre os lençóis de mil fios, sentindo cada músculo do seu corpo protestar com uma doçura pecaminosa. A noite anterior fora uma maratona de descobertas e rendição. Richard não apenas a possuíra; ele a reivindicara em cada centímetro de pele, em cada gemido abafado contra o mármore e a seda.

— Você acorda cedo para alguém que foi mantida acordada até as quatro da manhã — disse ele, sem se virar.

A voz de Richard era um veludo rouco, o som de alguém que ainda carregava o peso da luxúria nos pulmões.

— Minha mente não desliga só porque meu corpo está exausto, Richard — respondeu ela, sentando-se e deixando que o lençol caísse até a cintura. — Você deveria saber disso. Foi minha inteligência que você sempre disse detestar nas reuniões de família.

Richard se virou lentamente. O olhar dele desceu pelo torso nu de Jhe, detendo-se nos seios que ele havia adorado com tanta voracidade horas antes. Havia uma marca leve, quase imperceptível, na curva do seio esquerdo dela — um lembrete do controle que ele perdera.

— Eu nunca detestei sua inteligência, Jhemini — ele caminhou de volta para a cama, sentando-se na borda e passando a mão pelo rosto dela. — Eu detestava o fato de que você era a única pessoa naquela mesa capaz de ver através da minha máscara. E detestava ainda mais o fato de que eu não conseguia parar de imaginar como seria calar essa sua boca questionadora com a minha.

Ele se inclinou, selando os lábios nos dela em um beijo que começou casto e terminou com uma urgência que fez Jhe estremecer.

— Você precisa ir para a faculdade — murmurou ele contra a boca dela. — Meu motorista está esperando.

— E você? — ela perguntou, as mãos subindo pelos ombros largos e definidos dele. — Vai para a Black Enterprises fingir que não é um pecador?

— Eu sou um Black, Jhe. Pecar é o nosso legado. Eu só sou o melhor nisso — ele deu um sorriso de canto, aquele que raramente mostrava ao mundo, mas que agora parecia pertencer exclusivamente a ela.

Duas horas depois, Jhe estava sentada em uma palestra de Direito Internacional, mas suas anotações eram inexistentes. Ela sentia o peso do colar de diamantes discretos que Richard insistira que ela usasse — "Um marcador", ele dissera, "para que você se lembre de quem é a mão que te toca". A possessividade dele era uma faca de dois gumes: a assustava e a excitava na mesma proporção.

No intervalo, seu celular vibrou. Não era uma mensagem de Richard, mas sim de sua mãe, a matriarca socialite que vivia para as aparências.

"Jhemini, seu tio Richard mencionou que você teve problemas com o carro na nevasca e que ele a ajudou. Por que você não me contou? Teremos um jantar de caridade no sábado. Richard estará lá. Use algo que não nos envergonhe."

Jhe sentiu um nó no estômago. A hipocrisia da família era um labirinto de espelhos. Richard estava jogando nos dois lados — sendo o salvador aos olhos da família e o amante predatório nas sombras.

Ela saiu da faculdade e encontrou o SUV preto esperando por ela. O motorista, um homem silencioso chamado Marcus, abriu a porta sem dizer uma palavra. Mas, em vez de levá-la para seu pequeno apartamento no East Village, o carro seguiu em direção ao norte, saindo da cidade.

— Marcus, para onde estamos indo? — perguntou ela, a persistência voltando à tona. — Este não é o caminho de casa.

— O Sr. Black solicitou que a levasse para a propriedade de campo, senhorita. Ele disse que o ar da cidade está... contaminado.

Jhe encostou-se no banco de couro, um sorriso irônico surgindo em seus lábios. Richard estava começando a cercá-la. Ele não queria apenas o corpo dela; ele queria o seu tempo, o seu espaço, o seu oxigênio.

A propriedade de campo era uma construção moderna de vidro e pedra, isolada por hectares de floresta densa. Quando ela chegou, Richard já estava lá. Ele havia trocado o terno de três peças por uma camisa de linho azul marinho com os primeiros botões abertos. Ele segurava um copo de uísque, observando a floresta.

— Bem-vinda ao meu verdadeiro refúgio — disse ele, quando ela entrou na sala de estar de pé-direito duplo.

— Você me sequestrou, Richard — ela disse, caminhando até ele, a confiança de seus vinte e um anos desafiando o poder dele. — Isso é controle excessivo, até para você.

— Eu chamo de proteção — ele se virou, os olhos escuros brilhando. — Minha mãe ligou para você, não foi?

— Como você sabe?

— Porque eu sugeri que ela fizesse isso. Queria ver como você reagiria à pressão da família agora que sabe o que acontece entre nós.

Jhe parou a poucos centímetros dele, o perfume amadeirado dele invadindo seus sentidos.

— Você gosta de jogar com as pessoas, não gosta? Como se fôssemos peças em um tabuleiro de xadrez.

— Com a maioria das pessoas, sim — ele colocou o copo de lado e segurou a cintura dela, puxando-a para o seu espaço. — Mas com você, Jhemini... com você eu não quero jogar. Eu quero ganhar. Quero que você entenda que, a partir do momento em que o gelo quebrou naquele carro, você deixou de ser minha sobrinha. Você se tornou minha obsessão.

— E o que acontece quando a obsessão queima tudo, Richard? — ela perguntou, a voz falhando enquanto ele começava a desabotoar o casaco dela. — Quando a família descobrir? Quando o escândalo nos destruir?

— Eu sou o dono do fogo, Jhe — ele sussurrou, a mão subindo por baixo da blusa dela, encontrando a pele quente que ele tanto desejava. — Deixe que as cinzas caiam onde caírem. Enquanto você estiver no meu fogo, nada vai te tocar.

Ele a levantou, sentando-a em uma mesa de centro de madeira rústica. O contraste entre a sofisticação dele e a urgência de seus movimentos era o que mais a fascinava. Richard começou a beijar o colo dela, seus dentes raspando de leve na pele sensível, fazendo-a soltar um suspiro trêmulo.

— Richard... — ela murmurou, a cabeça caindo para trás.

— Eu passei o dia inteiro pensando em como você ficaria sob a luz deste pôr do sol — disse ele, a voz carregada de uma luxúria sombria. — Pensando em como seus peitos ficariam pesados na minha mão enquanto eu te tomo contra este vidro.

Ele afastou a blusa dela, expondo-a novamente. Jhe sentiu o ar frio da sala contrastar com o calor das mãos de Richard. Ele a analisou como um colecionador analisa sua joia mais valiosa.

— Você é perfeita — ele repetiu, a palavra soando como uma oração profana. — E você é persistente. Você vai tentar lutar contra isso, vai tentar dizer que é errado, que eu sou um monstro frio.

— E você é — disse ela, embora suas mãos estivessem puxando a camisa dele para fora das calças. — Mas você é o meu monstro.

Richard soltou um rosnado baixo, a arrogância dando lugar a uma necessidade bruta. Ele a possuiu ali mesmo, entre o vidro que mostrava a floresta e o fogo que estalava na lareira. Cada movimento era uma lição de poder e entrega. Jhe respondia com a mesma intensidade, sua inteligência sendo substituída por um instinto que só Richard conseguia despertar.

Horas depois, eles estavam deitados no tapete de pele diante da lareira. O silêncio era profundo, interrompido apenas pelo estalar da madeira queimando.

— O jantar de sábado — começou Jhe, a voz sonolenta. — O que vamos fazer?

Richard acariciava as costas dela, seus dedos traçando a linha da coluna com uma delicadeza surpreendente para um homem tão duro.

— Vamos fazer o que os Black fazem de melhor — disse ele. — Vamos mentir. Vamos sorrir para as câmeras, apertar mãos de políticos e fingir que somos a família perfeita. Mas, por baixo da mesa, eu quero que você sinta o meu olhar. Quero que você saiba que, enquanto todos eles acham que me conhecem, só você sabe o que acontece quando as luzes se apagam.

— Isso é doentio, Richard — ela disse, levantando-se um pouco para olhar nos olhos dele.

— É a realidade — ele rebateu, o olhar gélido retornando apenas por um segundo. — Você quer a segurança de um namorado da faculdade como aquele Lucas? Alguém que peça permissão para te tocar? Ou você quer o homem que move montanhas para te ter em uma casa de vidro no meio do nada?

Jhe olhou para o fogo. Ela sabia que a resposta a definiria para sempre. A insegurança que sentia às vezes ainda estava lá, mas o desejo de ser a única capaz de domar a frieza de Richard Black era mais forte.

— Eu não quero permissão — disse ela, finalmente. — Eu quero o fogo.

Richard sorriu, um sorriso que não chegou aos olhos, mas que aqueceu o sangue de Jhe.

— Então é o que você terá.

Naquela noite, Jhe aprendeu que o amor na família Black não era um sentimento suave; era uma guerra de atrito. E, enquanto ela dormia nos braços de seu tio, cercada pelo luxo e pelo perigo, ela percebeu que a nevasca inicial fora apenas o prefácio. O verdadeiro inverno estava apenas começando, e ela estava no centro da tempestade, protegida pelo homem que era, ao mesmo tempo, seu abrigo e seu maior perigo.

No dia seguinte, Richard a enviou de volta para a cidade com uma caixa de veludo negro. Dentro, havia um vestido de seda pura, da cor das cinzas, e um bilhete escrito com sua caligrafia firme e elegante:

"Para o jantar de sábado. Sem sutiã, Jhemini. Eu quero saber que o que é meu está apenas a um milímetro de seda de distância."

Ela segurou o bilhete contra o peito, sentindo o coração martelar. O jogo estava ficando perigoso. As barreiras entre o que era certo e o que era necessário haviam desaparecido completamente sob o peso da obsessão de Richard.

Quando o sábado chegou, a mansão dos Black estava decorada com uma opulência que beirava o obsceno. Jhe desceu do carro usando o vestido cinza. Ele se movia como fumaça ao redor de suas pernas, e o decote profundo nas costas revelava a brancura de sua pele. Como Richard ordenara, ela não usava nada por baixo. A sensação da seda contra seus mamilos sensíveis era um lembrete constante da noite na propriedade de campo.

Ela entrou no salão e o viu imediatamente. Richard estava cercado por homens de poder, mas seus olhos a encontraram no momento em que ela cruzou o umbral. Ele não sorriu. Ele apenas inclinou levemente a taça de cristal em sua direção, um gesto de reconhecimento que ninguém mais percebeu.

— Jhemini! — sua mãe se aproximou, analisando o vestido com um olhar crítico. — Você está... ousada. Richard disse que você tinha bom gosto, mas isso é quase escandaloso.

— Richard sabe exatamente do que eu gosto, mamãe — respondeu Jhe, o tom de voz calmo e carregado de um duplo sentido que fez seus próprios pelos do braço se arrepiarem.

Durante o jantar, a tensão era palpável. Richard estava sentado do outro lado da imensa mesa retangular. Toda vez que ele falava, toda vez que sua voz profunda ressoava pelo salão, Jhe sentia um aperto no baixo ventre. Ela sabia que ele estava observando o modo como o tecido do vestido se comportava quando ela respirava, o modo como ela evitava o olhar dos outros homens.

No meio do jantar, Richard se levantou para fazer um brinde.

— À família — disse ele, sua presença dominando a sala. — E àquilo que nos mantém unidos, mesmo nas tempestades mais intensas. Que saibamos reconhecer o valor do que temos antes que o gelo tome conta de tudo.

Os convidados aplaudiram, mas Jhe sentiu o peso daquelas palavras. Era um aviso. Uma promessa.

Quando o jantar terminou e os convidados se dispersaram para o jardim de inverno, Richard a encontrou em um corredor isolado, perto da biblioteca.

— Você seguiu minhas instruções — disse ele, a voz baixa, enquanto a prensava contra a madeira escura da porta.

— Eu não tive escolha, Richard. Você não me dá escolhas.

— Você sempre tem escolha, Jhemini. Você poderia ter vindo com outro vestido. Poderia ter ficado em casa. Mas você veio. Porque você gosta desse perigo tanto quanto eu.

Ele passou a mão pelo decote do vestido, os dedos encontrando a pele quente e a firmeza de seus seios. Jhe fechou os olhos, o som da festa ao longe tornando-se apenas um ruído branco.

— Alguém pode nos ver — ela sussurrou, embora não fizesse menção de se afastar.

— Deixe que vejam — ele disse, a arrogância brilhando em seus olhos. — Deixe que saibam que o que o dinheiro deles não pode comprar, eu já possuo.

Ele a beijou com uma possessividade que a deixou sem fôlego, um beijo que carregava o gosto do uísque e do poder. Naquele momento, no coração da mansão dos Black, cercados pela hipocrisia e pelas regras, Jhe entendeu que o labirinto em que se encontravam não tinha saída. E, enquanto Richard a puxava para a penumbra da biblioteca, ela percebeu que não queria ser salva. Ela queria queimar nas cinzas daquele desejo, até que não restasse nada além da verdade brutal que os unia.

O gelo havia derretido, mas o incêndio que o substituiu estava prestes a consumir toda a linhagem dos Black. E Jhe, com sua inteligência e sua persistência, seria a única a caminhar sobre as brasas ao lado do homem que a transformara de sobrinha em rainha do seu império sombrio.