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Foryou

O Banquete das Máscaras de Vidro

A mansão dos Black em Westchester parecia, naquela noite, um mausoléu decorado com excessos. O lustre de cristal na sala de jantar principal lançava luzes frias sobre a prataria polida e as faces impecavelmente maquiadas dos membros da família. O cheiro de assado caro e vinhos envelhecidos misturava-se ao perfume francês pesado das primas e tias, criando uma atmosfera que, para Jhemini, era sufocante.

Ela odiava essas reuniões. Cada palavra proferida ao redor daquela mesa de carvalho maciço era uma peça de teatro mal ensaiada. Eram sorrisos que não chegavam aos olhos, elogios que carregavam veneno e uma necessidade patológica de manter a fachada de "família perfeita".

Jhe sentia-se ainda mais deslocada devido ao gesso em seu braço. A tipoia de seda escura que Richard a obrigara a usar para combinar com o vestido verde-esmeralda era um lembrete constante de sua vulnerabilidade recente. A dor no rádio já havia diminuído, mas o desconforto emocional de estar cercada pela hipocrisia dos Black era uma agonia crescente.

— Jhemini, querida, você ainda não nos contou os detalhes sórdidos dessa queda — disse Beatrice, sua tia, enquanto bebericava um Chardonnay que provavelmente custava mais do que o aluguel de um apartamento médio. — Richard mencionou que foi na universidade, mas você sempre foi tão... precisa. Como pôde ser tão descuidada?

Jhe forçou um sorriso, sentindo a persistência de sua natureza inteligente lutar contra a vontade de revirar os olhos.

— Às vezes a gravidade é a única regra que não podemos questionar ou contornar, tia Beatrice — respondeu ela, o tom de voz calmo escondendo a irritação.

Ao seu lado, Richard Black permanecia em silêncio, a personificação da arrogância e do controle. Ele estava sentado na cabeceira lateral, sua presença dominando o ambiente sem que ele precisasse dizer uma única palavra. Ele vestia um terno preto sob medida, a camisa branca aberta no colarinho, exalando uma masculinidade fria e perigosa.

— Richard tem sido um santo cuidando de você, não é mesmo? — comentou seu pai, Arthur Black, do outro lado da mesa. — Fiquei surpreso quando ele se ofereceu para levá-la para a cobertura dele. Richard nunca foi conhecido por sua... paciência com enfermos.

— Jhemini é um investimento da família, Arthur — a voz de Richard ressoou, profunda e gélida, cortando a conversa como uma lâmina. — Garanti que ela recebesse os melhores cuidados para que possa retornar aos estudos. Um cérebro Black não deve ser desperdiçado por causa de um osso quebrado.

Jhe sentiu um calafrio. O modo como ele falava dela como se fosse um objeto de valor — um "investimento" — era a máscara perfeita que ele usava diante dos outros. Mas ela sabia o que havia por trás daquela frieza. Ela conhecia o calor das mãos dele, a urgência de seus beijos e a obsessão que o fazia perder o controle quando estavam sozinhos.

A conversa mudou para fusões de empresas e o mercado imobiliário em Londres. Jhe tentou se concentrar em seu prato, usando apenas a mão esquerda para manusear o garfo, sentindo-se observada e, ao mesmo tempo, invisível.

Foi então que ela sentiu.

Sob a toalha de linho damascado, uma mão grande e quente pousou firmemente em sua coxa esquerda.

Jhemini congelou. O garfo parou a milímetros de sua boca. Ela olhou de soslaio para Richard. Ele estava inclinado para frente, ouvindo atentamente o irmão falar sobre as novas regulamentações fiscais, com uma expressão de tédio educado. Sua mão direita segurava uma taça de vinho tinto, girando o líquido cor de sangue com elegância.

Mas a mão esquerda... a mão esquerda estava agindo com uma autonomia pecaminosa.

Os dedos de Richard apertaram a carne macia da coxa de Jhe por cima do tecido fino do vestido. Ele começou a subir, lentamente, um centímetro de cada vez. O toque era deliberado, possessivo e carregado de uma audácia que fez o sangue de Jhe entrar em ebulição.

— Você não concorda, Jhemini? — perguntou sua mãe, tirando-a do transe.

— O quê? — Jhe gaguejou, a respiração ficando curta.

— Sobre a viagem para as Maldivas no verão. Seria bom para você descansar após o semestre.

— Sim... claro — respondeu ela, a voz falhando enquanto sentia os dedos de Richard alcançarem a borda de sua calcinha de renda.

Richard não desviou o olhar da conversa. Ele até acrescentou um comentário técnico sobre as flutuações do dólar, sua voz firme e autoritária, enquanto seu dedo médio deslizava por baixo da renda, encontrando a umidade que já começava a florescer entre as pernas de Jhe.

Jhemini apertou as coxas, tentando impedir o avanço dele, mas Richard era implacável. Ele usou a palma da mão para pressionar o centro de sua feminilidade, um movimento circular e firme que a fez soltar um suspiro trêmulo, que ela rapidamente disfarçou como um pigarro.

— Você está bem, querida? — perguntou a mãe, franzindo a testa. — Parece pálida.

— É apenas... a medicação para a dor — mentiu Jhe, as unhas da mão esquerda cravando-se no guardanapo em seu colo. — Às vezes causa um pouco de tontura.

— Richard, você deveria ter verificado se os efeitos colaterais não seriam fortes demais — repreendeu Arthur, rindo levemente.

— Eu verifiquei tudo, Arthur — disse Richard, e Jhe pôde jurar que sentiu uma vibração de satisfação na voz dele. — Jhemini está exatamente onde precisa estar. Sob controle.

Por baixo da mesa, o jogo escalou. Richard encontrou o ponto exato que a fazia delirar. Seus dedos começaram um ritmo lento e torturante, dedilhando-a com uma perícia que só meses de obsessão poderiam ensinar. Jhe sentia o calor subir pelo seu rosto, o contraste entre a conversa mundana sobre iates e a invasão crua e erótica que acontecia sob a mesa era quase insuportável.

Ela olhou para ele, um pedido silencioso de clemência ou talvez um desafio, mas Richard não lhe deu o privilégio do seu olhar. Ele continuou a debater sobre o conselho de administração, sua mão movendo-se com uma urgência crescente, explorando-a, reivindicando-a bem ali, no meio do jantar de família.

Jhe sentia que ia explodir. Cada toque dele era uma promessa de algo mais, uma lembrança de que, não importava quantas pessoas estivessem naquela sala, ela pertencia a ele. O gesso em seu braço parecia uma âncora, impedindo-a de fugir, forçando-a a aceitar a dominação silenciosa de Richard.

— Eu... eu preciso de um pouco de ar — disse Jhe subitamente, empurrando a cadeira para trás.

A mão de Richard retirou-se no último segundo, desaparecendo sob a mesa com a mesma agilidade com que surgira. Ele finalmente olhou para ela, os olhos escuros brilhando com um triunfo predatório.

— Eu a acompanho — disse ele, levantando-se imediatamente. — A tipoia pode estar incomodando a circulação. Com licença, todos.

Ninguém questionou. Richard era a lei naquela casa.

Eles caminharam em silêncio pelo corredor até a biblioteca, um cômodo vasto, forrado de livros antigos e com o cheiro reconfortante de couro e tabaco. Assim que a porta pesada de carvalho se fechou e Richard girou a chave, a máscara caiu.

Ele a prensou contra a porta, as mãos grandes segurando sua cintura com uma força que a fez gemer.

— Você ficou louco? — sibilou ela, embora seu corpo estivesse implorando por mais. — Eles poderiam ter visto! Beatrice estava sentada bem na nossa frente!

— Eles não veem nada, Jhemini — Richard disse, a voz rouca, o rosto afundado no pescoço dela. — Eles estão ocupados demais olhando para os próprios reflexos nas colheres de prata. Eu queria que você soubesse que, mesmo cercada pela nossa linhagem, você é minha. Especialmente aqui, nesta casa.

— Você é um monstro, Richard Black — ela murmurou, a mão esquerda puxando os cabelos da nuca dele.

— E você adora o monstro, não adora? — ele rebateu, as mãos subindo pelo vestido, levantando o cetim verde até a cintura dela. — Eu vi como você apertou as pernas. Vi como sua respiração mudou quando eu te toquei.

Ele a levantou, sentando-a em uma das mesas de apoio de mogno. O gesso de Jhe batia levemente contra o peito dele, um lembrete da fragilidade que ele tanto protegia e, ao mesmo tempo, explorava.

— Eu odeio como você tem esse poder sobre mim — confessou ela, as lágrimas de frustração e desejo brilhando nos olhos. — Odeio essas regras que você quebra e as que você impõe.

— As regras não existem para nós, Jhemini — Richard disse, afastando a calcinha dela e posicionando-se entre suas pernas. — Nós somos os Black. Nós criamos o mundo e depois o consumimos. E eu vou consumir você até que não reste nada para nenhum Julian Vane ou qualquer outro idiota olhar.

Ele a possuiu ali mesmo, entre os clássicos da literatura e o silêncio da noite. Foi um ato de urgência e possessividade bruta. Jhe segurava o ombro dele com a mão boa, seus gemidos sendo abafados pelo beijo ávido de Richard. O contraste entre a frieza do mogno e o calor do corpo dele era a metáfora perfeita para o relacionamento deles: um equilíbrio precário entre a estrutura social e a luxúria indomável.

Richard movia-se com uma cadência que exigia submissão, seus olhos fixos nos dela, forçando-a a ver o homem por trás do terno caro. Não havia tio ou sobrinha naquele momento; havia apenas dois predadores que haviam encontrado um no outro o seu único par à altura.

— Diga — ordenou ele, o suor brilhando em sua testa. — Diga que você não quer estar em nenhum outro lugar.

— Eu não quero... — ela arfou, o prazer atingindo-a em ondas que faziam seu braço engessado latejar em sincronia com o seu coração. — Eu só quero você, Richard.

Quando o ápice finalmente os alcançou, Richard a segurou contra si como se estivesse tentando fundir seus ossos aos dela. O silêncio da biblioteca retornou, mas agora estava carregado com o peso do segredo compartilhado, um segredo que se tornava mais denso a cada encontro.

Minutos depois, Richard a ajudou a descer da mesa. Ele ajeitou o vestido dela com uma delicadeza quase reverente, limpando uma lágrima solitária que escapara do canto do olho de Jhe.

— Volte para o jantar — disse ele, a voz voltando ao tom calmo e autoritário. — Diga que o ar fresco te fez bem.

— E você?

— Eu preciso de um uísque e de cinco minutos para recompor a minha "frieza" — ele deu um sorriso de canto, um gesto raro que sempre a desarmava. — Vá, Jhemini. Antes que eu decida que o jantar acabou e te leve de volta para a cobertura agora mesmo.

Jhe saiu da biblioteca, sentindo o corpo vibrar. Ao retornar à sala de jantar, as conversas continuavam exatamente onde haviam parado. Beatrice falava sobre um leilão de arte, e seu pai discutia golfe.

Ela sentou-se em seu lugar. Momentos depois, Richard retornou, impecável, como se nunca tivesse saído do seu papel de magnata inabalável.

— Tudo certo, Jhemini? — perguntou o pai, sem realmente prestar atenção.

— Sim — respondeu ela, olhando para Richard. — O ar fresco era exatamente o que eu precisava para recuperar os meus sentidos.

Richard levantou sua taça de vinho em um brinde silencioso que apenas ela entendeu.

— À família — disse ele, a voz ressoando pela sala. — E às tradições que nos mantêm unidos.

Jhemini bebeu seu vinho, sentindo o gosto metálico da mentira e o sabor doce do pecado. Ela sabia que a vida sob a tutela de Richard Black seria um labirinto de perigos e prazeres proibidos. Mas, enquanto olhava para o gesso em seu braço e sentia o calor remanescente do toque dele em sua pele, ela percebeu que a segurança da normalidade era um preço que ela não estava mais disposta a pagar.

A nevasca que começara nas montanhas agora soprava dentro daquela mansão, invisível para todos, exceto para os dois. E Jhemini, com sua inteligência e persistência, sabia que não era mais uma vítima da tempestade. Ela era, junto com Richard, a própria tempestade.

O jantar continuou, uma dança de máscaras e espelhos, mas sob a mesa, desta vez, foi Jhemini quem estendeu a mão esquerda e tocou levemente o joelho de Richard. Ela sentiu o músculo dele retesar sob o tecido do terno, uma reação imediata ao seu desafio.

Richard olhou para ela, uma sobrancelha arqueada, um brilho de surpresa e admiração cruzando seus olhos escuros.

— Você está muito silenciosa, Jhe — comentou Beatrice. — No que está pensando?

Jhemini sorriu, um sorriso que carregava toda a perversidade da linhagem Black.

— Estou pensando em como o gesso limita alguns movimentos — disse ela, mantendo o olhar fixo em Richard —, mas como ele nos obriga a ser muito mais... criativos com o que nos resta.

Richard soltou uma risada baixa, um som que fez os outros membros da família olharem para ele com estranhamento, já que o riso era algo raro em seus lábios.

— Criatividade é uma virtude, Jhemini — disse ele, sua mão cobrindo a dela sobre o joelho, apertando-a em uma promessa silenciosa de que a noite estava longe de acabar. — E eu pretendo explorar cada gota da sua.

Naquela noite, Jhe aprendeu que o poder não estava apenas em quem comandava a mesa, mas em quem conhecia os segredos que aconteciam por baixo dela. E ela, sob a asa sombria de Richard Black, estava aprendendo a ser a mestre de ambos.