Fuck
O Eco do Silêncio e o Gosto do Pecado
O som das risadas de Ivan atravessava as paredes finas do corredor, chegando ao quarto de Sua como uma série de marteladas rítmicas. Ele estava em call, provavelmente com Till e Hyuna, a julgar pelo tom de provocação ácida e as gargalhadas histéricas que soltava a cada cinco minutos. Ivan adorava o caos, e nada o deixava mais feliz do que irritar Till até o garoto de cabelos cinzas começar a gritar palavrões que podiam ser ouvidos do outro lado da cidade.
Sua, por outro lado, estava mergulhada em um tipo de silêncio muito mais perigoso. Ela estava deitada em sua cama, o brilho do celular refletido em seus olhos roxos, trocando mensagens com Mizi. A conversa tinha começado de forma ríspida, como sempre, mas havia uma corrente elétrica subjacente que as puxava para águas mais profundas.
— Você é muito chata, sério — Mizi tinha escrito há alguns minutos. — Fica aí posando de intelectual, mas eu sei que você pensa em mim.
Sua sentiu um calor súbito subir pelo pescoço. A provocação de Mizi era como um desafio que ela não conseguia ignorar. Em um impulso de coragem movido pela melancolia e pelo desejo contido, Sua fez algo impensável. Ela se levantou, trancou a porta do quarto, e tirou uma foto. Uma foto explícita, revelando sua intimidade de uma forma que nunca mostrara a ninguém.
Ela enviou.
O "check" duplo ficou cinza. Depois azul. E então... o silêncio.
Cinco minutos. Dez minutos. Meia hora.
Mizi não respondeu. Não mandou um emoji, não digitou uma provocação, nada. Sua sentiu o estômago despencar. "Será que eu fiz errado? Será que ela se assustou?", pensou, o pânico começando a substituir a adrenalina. Ela encarou o teto, sentindo-se a pessoa mais idiota do mundo. O silêncio de Mizi era ensurdecedor.
***
No dia seguinte, o ar na escola parecia carregado de eletricidade estática. Sua chegou cedo, evitando o grupo, querendo apenas se fundir às sombras dos corredores. No entanto, antes que pudesse chegar à sua sala, uma mão firme agarrou seu pulso e a puxou com força para dentro de uma porta lateral.
Era a sala de faxina. O lugar cheirava a desinfetante barato e poeira. A luz estava apagada, e a única iluminação vinha da fresta sob a porta.
— O que é isso... — Sua começou a dizer, mas as palavras foram caladas imediatamente.
Mizi a prensou contra a parede fria. A garota de cabelos rosa parecia em transe, os olhos dourados brilhando com uma intensidade predatória que Sua nunca vira antes. Não houve conversa, não houve provocação. Mizi atacou os lábios de Sua com uma fome desesperada, um beijo profundo que exigia tudo e não oferecia nada além de entrega.
Mizi, geralmente tão solar e carismática, era agora uma força dominante e absoluta. Sua, apesar de sua fachada fria e distante, sentiu-se derreter sob o toque da outra. Ela era passiva, melancólica, deixando-se levar pela maré de agressividade de Mizi.
— Você me deixou louca com aquela foto, sua babaca — Mizi sussurrou contra a pele do pescoço de Sua, a voz rouca.
Sem perder tempo, as mãos de Mizi desceram para os botões da camisa social de Sua. Ela os abriu com uma agilidade impaciente, expondo a pele pálida e os seios da garota. Mizi enterrou o rosto ali, a boca quente e úmida reivindicando cada centímetro de pele. Sua jogou a cabeça para trás, a respiração falhando, e levou a mão à boca para abafar um gemido que ameaçava escapar.
— Mizi... aqui não... — Sua tentou protestar, mas sua voz era um sussurro fraco.
— Cala a boca — Mizi ordenou, a voz carregada de autoridade.
Enquanto usava a boca para marcar o peito de Sua, Mizi usou uma das mãos para descer a saia e a calcinha da garota. O contraste do ar frio da sala com o calor das mãos de Mizi fez Sua estremecer violentamente. Mizi não hesitou; ela inseriu dois dedos na intimidade de Sua, começando um movimento de bombeamento rítmico e firme.
Sua apertou o ombro de Mizi com uma das mãos, enquanto a outra continuava pressionada contra os próprios lábios. O prazer era agudo, quase doloroso em sua intensidade. Mizi levantou o rosto, olhando para Sua com um sorriso cruel e belo.
— Você gosta disso, não gosta? — Mizi provocou, sua voz destilando veneno e mel. — Tão quietinha, tão séria nas aulas... e agora está aqui, tremendo na minha mão. Você é patética, Sua.
A provocação só piorou a situação. O corpo de Sua reagiu violentamente ao insulto, a excitação atingindo níveis insuportáveis. Mizi adicionou o terceiro dedo, aumentando a velocidade e a pressão. Sua não aguentou mais; ela tirou a mão da boca, soltando um gemido longo e arrastado.
— Por favor... — Sua implorou, as pernas começando a ceder.
Mizi, vendo que Sua estava perdendo o controle, rapidamente usou a mão livre para tampar a boca da garota novamente, abafando seus sons. Ao mesmo tempo, Mizi enterrou o rosto no pescoço de Sua, distribuindo mordidas leves e beijos quentes.
— Eu disse para ficar quieta — Mizi murmurou contra a pele dela.
Sua estava em agonia. O prazer estava se acumulando como uma onda gigante prestes a quebrar. Ela mordeu a palma da mão de Mizi com força, tentando liberar a própria voz, tentando dizer que ia chegar ao limite.
— Para... eu vou... vai fazer sujeira — Sua conseguiu dizer em meio à respiração entrecortada.
— Eu mandei você calar a boca — Mizi repetiu, os olhos dourados fixos nos dela.
Em um movimento decisivo, Mizi adicionou o quarto dedo. Foi o fim para Sua. Ela gritou contra a mão de Mizi, um som abafado e desesperado. Suas pernas ficaram bambas, os olhos reviraram e ela começou a apertar as coxas contra a mão de Mizi, o corpo inteiro entrando em espasmos de êxtase.
Sua agarrou o cabelo rosa de Mizi com uma mão, usando a outra para se apoiar no ombro da garota. A cabeça dela pendeu para frente, caindo no ombro de Mizi enquanto o orgasmo a atravessava em ondas avassaladoras. Ela estava trêmula, o peso do próprio corpo sustentado apenas pelos braços de Mizi.
O silêncio voltou à sala de faxina, interrompido apenas pela respiração pesada das duas. Mizi, com uma calma perturbadora, retirou a mão e observou o estado de Sua. Ela passou a mão pela intimidade da garota, recolhendo o excesso de umidade, e levou os dedos à boca, lambendo-os devagar enquanto mantinha o contato visual.
Sua observava tudo em transe, a mente nublada pelo prazer residual. Mizi então se abaixou, limpando os vestígios nas coxas de Sua com a própria língua, antes de pegar um pano de chão qualquer que estava pendurado ali perto para limpar o que havia caído no piso.
— Prontinho — Mizi disse, a voz voltando ao tom casual, embora com um brilho de triunfo. — Agora se veste. Temos aula.
Com as mãos ainda trêmulas, Sua ajudou Mizi a fechar sua camisa e ajeitar a saia. Mizi a ajudou com os botões que ela não conseguia alcançar, dando um tapinha leve em sua bochecha quando terminaram.
— Tente não parecer tão... satisfeita — Mizi piscou. — O Ivan é xereta demais.
Elas saíram da sala com alguns minutos de diferença. Quando se encontraram com o grupo no corredor, agiram como se nada tivesse acontecido. Ivan estava fazendo uma piada sobre como Till parecia um pinscher raivoso, e Hyuna ria enquanto Luka explicava a etimologia de um insulto que Ivan tinha usado.
— Onde vocês estavam? — perguntou Hyuna, arqueando uma sobrancelha.
— Eu estava na biblioteca — Sua disse, a voz perfeitamente seca e monótona, embora suas pernas ainda estivessem levemente instáveis.
— E eu estava tentando achar um sinal de Wi-Fi decente — Mizi completou, abrindo um sorriso radiante e descontraído. — Essa escola é um lixo pra internet.
Ivan olhou para as duas, o olhar demorando-se um segundo a mais em Mizi, mas ele não disse nada. Apenas continuou comendo seu pirulito, com aquele sorriso de quem sabia que o mundo estava prestes a pegar fogo.
***
Naquela noite, o silêncio do quarto de Sua foi novamente quebrado pelo brilho do celular.
**Mizi:** *as anotações de hoje estavam ótimas.* **Mizi:** *mas acho que prefiro a sua "leitura" presencial.*
Sua olhou para a mensagem e, pela primeira vez, não sentiu medo ou confusão. Sentiu apenas o eco do toque de Mizi em sua pele e o gosto do gloss de cereja que ainda parecia assombrar seus lábios.
**Sua:** *Você fala demais, Mizi.* **Sua:** *Mas eu deixo você falar, se prometer ficar quieta na próxima vez.*
Do outro lado da cidade, Mizi riu, jogando o celular para o alto e pegando-o de volta. O jogo tinha mudado, e ela mal podia esperar pela próxima aula de "faxina".