Voltar ao resumo

Fuck

O Gosto Metálico do Desejo

O sol da manhã entrava pelas janelas da sala de história com uma persistência irritante, iluminando os grãos de poeira que flutuavam sobre as classes. O professor falava monotonamente sobre as tensões da Guerra Fria, mas para Ivan e Mizi, a verdadeira estratégia estava acontecendo em pequenos pedaços de papel rasgados de um caderno espiral.

Ivan rabiscava furiosamente, o cenho franzido em uma concentração que ele nunca dedicava aos estudos. Ele dobrou o papel em um quadrado minúsculo e, com a habilidade de quem já fizera aquilo mil vezes, jogou-o sobre a mesa de Mizi quando o professor se virou para a lousa.

Mizi abriu o bilhete por baixo da carteira.

*"Ele é um idiota, Mizi. Um idiota completo. Eu tentei dar a dica ontem no ginásio e ele perguntou se era o fantasma da escola. O FANTASMA. Como eu vou confessar pra alguém que tem o QI de uma batata cozida quando o assunto é sentimento?"*

Mizi abafou uma risada, cobrindo a boca com a mão. Ela pegou a caneta e escreveu a resposta rapidamente.

*"Till sempre foi lento, Ivan. Você tem que ser mais direto. Homens como ele precisam de um mapa, uma bússola e talvez um sinalizador de fumaça. Por que você não chama ele pra ouvir música no seu quarto? É o habitat natural dele. Se você colocar aquele álbum do My Chemical Romance, ele provavelmente vai se declarar pra você sem querer."*

Ela devolveu o bilhete. Ivan leu, fez uma careta e guardou o papel no bolso. Ele olhou para o lado, onde Till estava rabiscando guitarras na borda do livro, completamente alheio ao fato de que era o tópico principal daquela troca de mensagens clandestinas.

Perto deles, Sua sentiu uma pontada aguda no ventre. Ela fechou os olhos por um segundo, apertando os dentes. A cólica era uma presença constante e pesada, fazendo com que cada minuto daquela aula parecesse uma hora. Ela não aguentava mais ficar sentada. Precisava se trocar, precisava de um momento de silêncio longe do falatório do professor.

Sua levantou a mão, a voz saindo um pouco mais fraca que o normal.

— Professor, posso ir ao banheiro?

O homem assentiu sem desviar o olhar do mapa da Europa. Sua se levantou devagar, pegando sua mochila. Mizi, que observava cada movimento da namorada com uma atenção quase predatória, notou o volume retangular que Sua tentou esconder discretamente na mão antes de sair: um absorvente.

Um brilho travesso e perigoso surgiu nos olhos dourados de Mizi. Ela esperou exatamente dois minutos, tempo suficiente para Sua chegar ao corredor, e levantou a mão também.

— Professor, eu também preciso ir. Emergência feminina.

O professor apenas acenou, exausto demais para questionar a coincidência.

Mizi saiu da sala com passos leves, quase saltitantes. O corredor estava deserto. Ela entrou no banheiro feminino e ouviu o som da tranca de uma das cabines se fechando. Com um sorriso de canto, Mizi caminhou até a cabine do fundo e bateu levemente na porta.

— Ocupado — a voz de Sua veio seca, carregada de irritação.

— Sou eu, babaca — sussurrou Mizi. — Abre.

— Mizi? O que você está fazendo aqui? Vai embora, eu estou ocupada.

— Abre logo antes que alguém entre.

Sua soltou um suspiro pesado e destrancou a porta. Antes que pudesse protestar, Mizi entrou no espaço apertado e trancou a porta novamente. O cubículo parecia minúsculo com as duas ali.

— Mizi, eu estou com cólica, estou sangrando e estou sem paciência. Sai daqui — disse Sua, tentando empurrá-la, mas Mizi era mais forte e muito mais decidida.

Sem dizer uma palavra, Mizi segurou os ombros de Sua e a forçou a se sentar na tampa fechada do vaso sanitário. Sua ficou imóvel, a confusão estampada em seus olhos roxos.

— O que você...

Mizi não respondeu com palavras. Ela se agachou no chão frio do banheiro, ficando entre as pernas de Sua. Com uma naturalidade que beirava o absurdo, Mizi afastou as pernas da garota, puxando a saia e a lingerie já manchada para baixo.

— Mizi, não! — Sua sussurrou, o pânico começando a surgir. — Eu estou menstruada, é nojento, tem... tem sangue.

— Eu não me importo — Mizi disse, a voz abafada e grave.

Mizi mergulhou.

O choque inicial fez Sua perder o fôlego. Ela sentiu a língua quente de Mizi encontrar sua intimidade, ignorando completamente o fluxo metálico e os pedaços de revestimento uterino que a natureza estava expelindo. Mizi não recuou; pelo contrário, ela parecia fascinada pelo sabor intenso e pela textura.

Sua levou a mão à boca instantaneamente, abafando um grito de surpresa. A outra mão enterrou-se desesperadamente nos cabelos rosa de Mizi, puxando-os, ora tentando afastá-la, ora pressionando-a mais contra si. Seus pés se contorceram no chão, os dedos das mãos se fechando com força.

Mizi era implacável. Ela sugava o clitóris com uma pressão constante, a língua explorando cada dobra, lambendo o sangue como se fosse um néctar proibido. Ela mordiscava levemente a carne sensível, provocando espasmos que faziam Sua revirar os olhos, a mente tornando-se um borrão branco.

— Mizi... para... por favor — Sua balbuciou entre os dedos, os olhos fechados com tanta força que via estrelas.

Mas Mizi não parou. Ela apertou as coxas de Sua com as mãos, abrindo-as ainda mais, criando espaço para enfiar a língua mais fundo, buscando o calor interno. Mizi estava se afogando naquela intimidade sangrenta, o gosto de ferro impregnando sua boca, mas a excitação de ver Sua perder o controle daquela forma era inebriante.

Sua apertou as coxas contra a cabeça de Mizi, um gesto instintivo de quem estava sentindo prazer demais para suportar. Ela sentiu a língua de Mizi vibrar contra seu ponto mais sensível, e uma mordida mais firme a fez soltar um gemido longo e agudo, abafado pela palma da mão.

— Eu mandei... ficar... quieta — Mizi murmurou lá embaixo, a voz vibrando contra a pele úmida de Sua.

A onda veio avassaladora. Sua sentiu o corpo inteiro tensionar, os músculos das pernas tremendo violentamente enquanto o orgasmo a atingia com a força de um furacão. Ela soltou um choro abafado, a cabeça caindo para trás contra a parede da cabine, enquanto Mizi continuava ali, bebendo cada gota de sua entrega.

Quando os espasmos finalmente cessaram, o silêncio do banheiro pareceu pesado. Mizi se afastou devagar, levantando-se. Ela pegou um punhado de papel higiênico e, com uma delicadeza surpreendente, limpou a intimidade de Sua, removendo o excesso de sangue e fluidos.

Sua estava em transe, a respiração ainda descompassada, observando Mizi com uma mistura de choque e adoração. Mizi ajudou-a a colocar o novo absorvente e a subir a saia, ajeitando o uniforme da namorada como se nada tivesse acontecido.

Foi quando Sua olhou para o rosto de Mizi.

O nariz e a boca de Mizi estavam manchados de um vermelho vivo e brilhante. Ela parecia uma criatura de um filme de terror, ou talvez um anjo caído que acabara de cometer um pecado delicioso.

— Mizi... seu rosto — Sua sussurrou, a voz ainda trêmula.

Mizi sorriu, exibindo os dentes também manchados.

— Valeu a pena.

Mizi abriu a porta da cabine apenas uma fresta, verificando se o banheiro continuava vazio. Ao confirmar que não havia ninguém, ela fez um sinal para Sua segui-la. Mizi foi direto para a pia, abrindo a torneira e lavando o rosto com água fria, esfregando a pele até que não sobrasse nenhum vestígio do sangue. Ela enxaguou a boca várias vezes, cuspindo a água avermelhada no ralo.

— Toma — disse Mizi, tirando uma caixinha de Trident de menta do bolso e jogando um chiclete na boca, oferecendo outro para Sua. — Pra tirar o gosto de ferro.

— Você é louca — disse Sua, aceitando o chiclete, as pernas finalmente recuperando a firmeza.

— E você adora — rebateu Mizi, piscando para ela no reflexo do espelho.

Elas voltaram para a sala de aula com cinco minutos de diferença. Ivan olhou para Mizi, notando o brilho renovado em seus olhos, e depois para Sua, que parecia mais pálida e silenciosa do que o normal. Ele sorriu para si mesmo, voltando a rabiscar no papel.

***

Horas depois, a escola havia terminado e o refúgio do quarto de Sua era a única coisa que importava. A cólica tinha voltado com força total após a adrenalina do banheiro, e Sua estava em um estado de irritabilidade absoluta.

Ela estava deitada de bruços, cercada por embalagens vazias de chocolate que Mizi tinha deixado na porta de sua casa mais cedo. O celular estava ao lado do travesseiro, vibrando constantemente.

**[Chat: Mizi]**

**Sua:** *Eu te odeio. Eu odeio esse chocolate, odeio essa cólica e odeio você por ter feito aquilo no banheiro.* **Sua:** *Meu lençol tá sujo, eu tô com dor e você é uma pervertida barulhenta.*

**Mizi:** *Nossa, que agressividade! Pensei que você tivesse gostado da "limpeza" que eu fiz.* **Mizi:** *E para de reclamar do chocolate, eu sei que você já comeu a barra inteira de avelã.*

**Sua:** *Comi porque não tenho nada melhor pra fazer enquanto meu útero tenta se suicidar.* **Sua:** *E o que aconteceu no banheiro foi... insalubre. Você podia ter pegado uma infecção.*

**Mizi:** *Insalubre? Foi artístico, Sua. Você parecia uma pintura barroca gozando na minha cara.* **Mizi:** *E eu estou perfeitamente bem. O gosto era metálico, mas o prazer de te ouvir gemer daquele jeito compensa qualquer risco biológico.*

**Sua:** *Cala a boca. Cala a boca pra sempre.* **Sua:** *Manda mais chocolate amanhã? O de caramelo acabou.*

**Mizi:** *Só se você prometer que não vai me expulsar do quarto quando eu for entregar.*

**Sua:** *Não prometo nada. Mas se você trouxer, talvez eu deixe você sentar na beira da cama por cinco minutos.*

**Mizi:** *Cinco minutos? Você é uma negociadora terrível.* **Mizi:** *Mas eu aceito. Descansa, babaca. Te vejo amanhã.*

Sua largou o celular e fechou os olhos, um pequeno sorriso surgindo apesar da dor. O gosto da menta ainda parecia estar em sua boca, misturado à lembrança do calor de Mizi. Ela realmente odiava aquela garota barulhenta, pensou enquanto puxava o edredom. Mas, no fundo, entre uma cólica e outra, ela sabia que não queria estar em nenhum outro lugar, e que o gosto metálico daquele desejo era a única coisa que a fazia se sentir viva em meio ao silêncio.

Entrar com Telegram

Confirme o login no bot.