Gay love
Reflexos de Vidro e a Cozinha do Pecado
O vapor do banheiro já havia se dissipado, mas o calor entre os dois parecia apenas ter mudado de estado, tornando-se algo mais denso e palpável. Lizanes sentia a pele ainda úmida e sensível sob a toalha que Luiz gentilmente usava para secar seus ombros. A casa estava mergulhada em um silêncio absoluto, um privilégio raro que a viagem dos pais de Luiz lhes proporcionara. Não havia pressa, não havia medo de passos no corredor, apenas a liberdade perigosa de possuírem cada centímetro daquela residência.
Luiz largou a toalha no chão e envolveu a cintura de Lizanes por trás, enterrando o rosto na curva de seu pescoço. O contraste entre o cabelo preto molhado de Luiz e a pele clara de Lizanes era uma imagem que o moreno nunca se cansava de admirar no espelho embaçado.
— Você está muito quieto, loirinho — murmurou Luiz, a voz vibrando contra a pele dele. — No que está pensando?
Lizanes inclinou a cabeça, permitindo que os lábios de Luiz encontrassem mais espaço.
— No fato de que temos a casa toda só para nós — respondeu Lizanes, um sorriso travesso surgindo nos lábios. — E que eu ainda não conheci todos os cômodos... da forma que eu queria.
Luiz soltou uma risada rouca, seus olhos castanhos escuros brilhando com um desafio imediato. Ele virou Lizanes de frente para si, mantendo-o preso entre seus braços e a bancada fria de mármore do banheiro.
— Ah, é? E qual cômodo está no topo da sua lista agora?
Lizanes passou as mãos pelos ombros largos de Luiz, sentindo a musculatura firme e o calor que emanava dele. O loiro deslizou os dedos pelo peito do moreno, descendo até a borda da toalha que Luiz usava precariamente na cintura.
— Eu estou com fome, Luiz — disse Lizanes, a voz baixando para um sussurro carregado de segundas intenções. — Mas não é de comida.
Luiz entendeu o recado instantaneamente. Ele selou os lábios nos de Lizanes em um beijo urgente, uma colisão de línguas que carregava toda a sede acumulada daquela semana intensa. Sem quebrar o contato, Luiz começou a guiar Lizanes para fora do banheiro, caminhando pelo corredor escuro até a escada que levava ao andar de baixo.
A cozinha era moderna, com superfícies de granito preto e luzes de LED embutidas que Luiz acionou em uma intensidade mínima, apenas o suficiente para que as sombras dançassem nas paredes. O ambiente era frio, mas o clima esquentou no momento em que Luiz ergueu Lizanes e o sentou sobre a ilha central de granito.
O choque do frio da pedra contra as coxas nuas de Lizanes o fez soltar um suspiro agudo. Luiz se posicionou entre as pernas dele, as mãos subindo pelas coxas do loiro com uma possessividade que fazia Lizanes arfar.
— A cozinha — disse Luiz, a voz rouca ecoando no espaço amplo. — Um clássico.
— Menos conversa, Luiz — pediu Lizanes, puxando o moreno pelo pescoço para outro beijo devastador.
As mãos de Luiz eram ágeis. Ele desamarrou a toalha de Lizanes, deixando-a cair no chão da cozinha, e logo em seguida livrou-se da sua. A nudez deles sob a luz fraca era uma celebração de tudo o que haviam descoberto um no outro nos últimos sete dias. Luiz começou a distribuir beijos pelo peito de Lizanes, descendo para o abdômen, enquanto suas mãos apertavam as nádegas do loiro contra o granito.
— Você é tão lindo aqui — murmurou Luiz entre os beijos. — A luz combina com você.
Lizanes arqueou as costas, as mãos agarrando a borda da bancada com tanta força que os nós dos seus dedos ficaram brancos. O prazer era diferente ali; o risco, mesmo com a casa vazia, trazia uma adrenalina que tornava cada toque mais elétrico.
— Luiz... por favor — gemeu Lizanes, sentindo a língua de Luiz traçar um caminho torturante até o seu umbigo.
Luiz levantou o olhar, um sorriso predatório no rosto. Ele se levantou, mas em vez de continuar o que estava fazendo, deu um passo atrás, admirando Lizanes sentado ali, vulnerável e desejoso.
— Você quer isso tanto quanto eu? — perguntou Luiz, a voz carregada de uma autoridade que sempre fazia Lizanes tremer.
— Você sabe que sim — respondeu o loiro, os olhos castanhos brilhando com uma necessidade quase dolorosa. — Eu quero você agora, Luiz. Chega de jogos.
Luiz não se fez de rogado. Ele alcançou um dos armários superiores, pegando um frasco que já haviam usado no quarto, e voltou para entre as pernas de Lizanes. O processo de preparação foi lento e deliberado, Luiz parecia querer saborear cada reação do loiro, cada espasmo involuntário, cada som que escapava de sua garganta.
Quando Luiz finalmente se posicionou e entrou, Lizanes jogou a cabeça para trás, soltando um grito abafado que ecoou pelos armários e utensílios de metal. O encaixe era perfeito, uma sincronia que só uma semana de intimidade ininterrupta poderia criar. Luiz segurou firme na cintura de Lizanes, usando a ilha de granito como apoio para estocadas profundas e ritmadas.
O som da pele batendo contra a pele e o ruído da respiração ofegante preenchiam a cozinha. Lizanes envolveu a cintura de Luiz com as pernas, puxando-o para mais perto, querendo sentir cada milímetro do moreno. A frieza do granito contrastava violentamente com o calor do corpo de Luiz, criando uma confusão sensorial que levava Lizanes à beira da loucura.
— Luiz! — gritou Lizanes, as mãos agora enterradas nos cabelos pretos do outro, puxando-o para um beijo que tinha gosto de entrega total.
— Eu te peguei, loirinho — rosnou Luiz contra os lábios dele. — Você é todinho meu.
O ritmo acelerou. A ilha de granito parecia tremer sob o peso do desejo deles. Luiz não dava trégua, cada movimento era calculado para extrair o máximo de prazer de Lizanes, mas também de si mesmo. Ele observava o rosto do loiro, as bochechas coradas, os lábios entreabertos, a expressão de puro êxtase que só ele conseguia provocar.
Quando o ápice finalmente os atingiu, foi como se o tempo parasse na cozinha. Lizanes se contraiu em torno de Luiz, sentindo a explosão de prazer percorrer cada nervo de seu corpo. Luiz soltou um rosnado profundo, enterrando o rosto no ombro de Lizanes enquanto descarregava toda a sua tensão.
Eles ficaram ali por um longo tempo, o silêncio da casa retornando aos poucos, quebrado apenas pelas respirações pesadas que tentavam encontrar um ritmo normal. Luiz não se afastou; ele manteve Lizanes abraçado, o loiro ainda sentado na bancada, as pernas entrelaçadas na cintura do moreno.
— Acho que a cozinha é o meu novo cômodo favorito — sussurrou Lizanes, a voz ainda trêmula.
Luiz riu baixinho, beijando a testa do loiro com uma ternura que sempre surpreendia Lizanes depois de momentos tão intensos.
— Eu avisei que a anatomia era uma matéria vasta — brincou Luiz. — E ainda temos a sala, o escritório, a varanda...
Lizanes sorriu, escondendo o rosto no peito de Luiz, ouvindo as batidas do coração dele que ainda corriam aceleradas.
— A gente tem a noite toda? — perguntou o loiro.
— A noite toda — confirmou Luiz, afastando-se apenas o suficiente para olhar nos olhos de Lizanes. — E a manhã toda também. Meus pais só voltam no domingo.
Lizanes sentiu um frio na barriga que não tinha nada a ver com o granito. Era a percepção de que aquela semana não era apenas um escape, mas o início de algo que ele não tinha certeza se conseguiria — ou queria — controlar.
— Então — disse Lizanes, saltando da bancada com uma agilidade renovada, a nudez não o incomodando mais —, acho que deveríamos aproveitar cada segundo.
Luiz o observou caminhar em direção à sala, a luz suave destacando a curva de suas costas e o brilho de seu cabelo loiro. Ele deu um sorriso de lado, o tipo de sorriso que prometia que a oitava noite seria apenas o começo de muitas outras.
— Espera aí, loirinho — chamou Luiz, seguindo-o. — Eu ainda não te mostrei o que podemos fazer no sofá.
Lizanes riu, uma risada clara e livre que preencheu a casa vazia. Ele sabia que estava em terreno perigoso, que Luiz era um vício do qual ele não queria se curar, mas enquanto estivessem ali, envoltos pelo calor um do outro, o resto do mundo não passava de um detalhe insignificante. A chuva voltou a cair lá fora, mas dentro daquela casa, o incêndio entre o loiro e o moreno estava longe de ser apagado.