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Gelo ardente

Chamas Sob o Gelo

O ar no quarto de hotel em Helsinque era tão denso que parecia combustível esperando por uma faísca. Julia estava sentada na beirada da cama, o vestido de seda esmeralda amontoado no chão como uma poça de água verde. Ela estava apenas de calcinha e sutiã de renda, sentindo o frio do ar-condicionado arrepiar sua pele, mas o calor que emanava de Ilia, parado a poucos centímetros dela, era muito mais potente.

Ilia a observava como um predador que finalmente encurralou sua presa mais valiosa. Ele se livrou da camisa com um movimento brusco, revelando o peito definido e as marcas leves de arranhões que Julia havia deixado nele horas antes, na sala de fisioterapia.

— Você disse que queria que eu te fizesse esquecer o nome do russo — disse Ilia, a voz vibrando em um tom que fazia o ventre de Julia contrair. — Eu não pretendo parar até que você esqueça o seu próprio nome.

— Menos conversa, Malinin — desafiou Julia, embora sua respiração estivesse curta. — Você sempre fala demais. Mostre que o "Deus do Quadruplo" tem fôlego para algo além de quatro minutos de programa.

Ilia soltou uma risada sombria e avançou. Ele a empurrou de volta no colchão, prendendo os pulsos dela acima da cabeça com apenas uma das mãos. Com a outra, ele traçou o contorno do sutiã de renda, sentindo o coração dela batendo frenético contra as pontas de seus dedos.

— Você é tão arrogante, Cenci — sussurrou ele, aproximando o rosto do pescoço dela, inalando o perfume de baunilha e suor. — Mas adora quando eu te domino assim, não é? Adora saber que, por trás dessa fachada de técnica perfeita, você é tão selvagem quanto eu.

Ele não esperou por uma resposta. Sua boca encontrou a dela em um beijo que não tinha nada de romântico. Era uma batalha de línguas, um choque de dentes e desejo reprimido. Julia gemeu contra os lábios dele, arqueando as costas para sentir o peso do corpo de Ilia contra o seu. A mão livre dele desceu rapidamente, desabotoando o fecho do sutiã e expondo os seios firmes de Julia ao ar frio e ao olhar ardente dele.

Ilia desceu os beijos pelo pescoço dela, deixando marcas arroroxeadas que seriam impossíveis de esconder com o uniforme da federação russa. Quando sua boca envolveu um dos mamilos de Julia, ela soltou um grito abafado, cravando as unhas que estavam livres no braço dele.

— Ilia... por favor — ela pediu, a voz falhando.

— Por favor o quê, Julia? — provocou ele, parando por um segundo para olhar nos olhos dela, que estavam escuros de luxúria. — Diga o que você quer. Use as palavras.

— Eu quero você dentro de mim. Agora.

Ilia sorriu, um sorriso vitorioso e carregado de malícia. Ele se livrou do restante de suas roupas com uma pressa impaciente. Quando ele voltou para cima dela, Julia sentiu a rigidez dele contra sua coxa, e um calafrio de antecipação percorreu sua espinha. Ele era maior do que ela, mais forte, e a forma como ele a olhava a fazia se sentir consumida.

Ele afastou a renda da calcinha dela com um movimento único, expondo a intimidade de Julia, que já estava úmida e pronta para ele. Ilia desceu o corpo, separando as pernas dela com os joelhos. Ele não foi direto. Em vez disso, usou a língua para torturá-la, encontrando o pequeno botão de prazer de Julia com uma precisão que a fez perder o fôlego.

— Ilia! — ela exclamou, as mãos puxando o cabelo loiro dele, tentando trazê-lo para cima ou empurrá-lo para longe, ela já não sabia mais. — Eu vou... eu não consigo...

— Consegue sim — murmurou ele contra a pele dela. — Eu quero ver você derreter, Dama de Gelo. Quero ver você quebrar por inteiro.

Quando Julia estava prestes a atingir o limite, ele subiu novamente, posicionando-se entre suas pernas. Ele segurou as coxas dela, elevando o quadril de Julia, e entrou nela com um impulso firme e profundo.

O impacto fez Julia soltar um arquejo longo. A sensação de preenchimento era avassaladora. Ilia parou por um segundo, enterrado profundamente nela, observando a expressão de puro prazer no rosto de sua rival.

— Você é tão apertada — ele rosnou, a voz rouca de desejo. — Parece que foi feita sob medida para mim.

Ele começou a se mover. No início, eram estocadas lentas e deliberadas, cada uma projetada para levar Julia ao limite da sanidade. Ele conhecia o corpo dela melhor do que qualquer coreografia. Ele sabia exatamente o ângulo que a fazia gemer seu nome, a pressão que a fazia cravar as unhas em suas costas.

— Mais rápido — ela implorou, as pernas envolvendo a cintura dele, puxando-o para mais perto, querendo eliminar qualquer espaço que restasse entre eles. — Mais rápido, Ilia!

Ele obedeceu. O ritmo tornou-se frenético, o som da pele se chocando e da respiração pesada preenchendo o quarto de luxo. Ilia a possuía com uma agressividade que refletia a rivalidade deles no gelo. Cada movimento era uma reivindicação, um lembrete de que, apesar de todas as medalhas e títulos, eles pertenciam um ao outro naquele momento.

Julia sentia o prazer subindo em ondas, uma tensão elétrica que se acumulava em seu ventre. Ela olhou para cima e viu Ilia focado nela, o suor brilhando em seu peito, os olhos fixos nos dela com uma intensidade que a assustava e a excitava ao mesmo tempo.

— Olhe para mim — comandou ele, a voz falhando enquanto ele aumentava a velocidade. — Quero que você veja quem está te fazendo sentir isso. Não é o russo. Sou eu. Sempre sou eu.

— É você — ela admitiu, as palavras saindo em meio a suspiros. — Só você, seu idiota convencido...

O ápice veio como uma avalanche. Julia sentiu os músculos internos se contraírem ao redor de Ilia, e um grito escapou de sua garganta enquanto o prazer explodia em cores atrás de suas pálpebras. Segundos depois, Ilia deu uma última estocada profunda, rosnando o nome dela enquanto se derramava dentro dela, o corpo tremendo com o esforço e a liberação.

Eles desabaram um sobre o outro, os corações batendo em um ritmo caótico, o suor colando seus corpos. O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som de suas respirações recuperando o fôlego.

Ilia rolou para o lado, mas não se afastou. Ele puxou Julia para o seu peito, os dedos traçando padrões aleatórios na pele nua de suas costas.

— Você patina melhor depois do sexo — comentou ele, o tom provocativo voltando gradualmente. — Talvez eu deva te visitar antes de cada programa curto.

Julia soltou uma risada anasalada, o rosto escondido no pescoço dele.

— Sergei te mataria antes mesmo de você chegar ao vestiário. E eu não preciso de você para patinar bem, Malinin.

— Não precisa, mas gosta — ele rebateu, virando o rosto dela para beijá-la, um beijo mais calmo agora, mas ainda carregado de uma possessividade latente. — Admita, Cenci. O gelo é bom, mas isso aqui... isso aqui é o que te mantém viva.

Julia não respondeu imediatamente. Ela olhou para as próprias mãos, que ainda tremiam levemente. Ela sabia que ele tinha razão. A rivalidade entre eles, o ódio que beirava a obsessão, e aquela conexão física explosiva eram o que a moviam.

— O que nós vamos fazer, Ilia? — perguntou ela em voz baixa. — O Grand Prix Final é daqui a um mês. Todo o mundo vai estar olhando. Se alguém desconfiar...

Ilia sentou-se na cama, puxando-a para o seu colo. Ele segurou o queixo dela, forçando-a a encará-lo.

— Deixe que olhem. Deixe que tentem entender. No gelo, nós somos rivais. Aqui dentro, nós somos o que quisermos ser. Mas eu te garanto uma coisa, Julia... eu não vou deixar o Volkov ou qualquer outro chegar perto de você.

— Você é tão territorial — ela sorriu, passando a mão pelo cabelo bagunçado dele. — É quase fofo.

— Fofo não é a palavra que eu usaria para o que eu acabei de fazer com você — ele piscou, o sorriso safado de volta. — Mas se você quer brincar assim, tudo bem.

Ele a deitou novamente, mas desta vez seus movimentos foram mais lentos, mais exploratórios. Ele começou a beijar cada centímetro do corpo dela, desde as pontas dos dedos até a curva de seus quadris, como se estivesse memorizando cada detalhe daquela brasileira que treinava na Rússia.

Julia sentiu o desejo reacender com uma força renovada. Ela o puxou para cima, suas bocas se encontrando novamente com uma fome que parecia insaciável.

— De novo — sussurrou ela contra os lábios dele.

— Com prazer, Dama de Gelo — respondeu ele.

Desta vez, não houve pressa. Ilia a explorou com uma paciência torturante, levando-a ao ápice várias vezes antes de finalmente se permitir chegar lá também. Eles se perderam um no outro, esquecendo as pontuações, os juízes e a pressão de serem os melhores do mundo. Naquela noite, em Helsinque, eles eram apenas dois jovens de dezesseis anos que haviam encontrado no outro o único lugar onde podiam ser verdadeiramente eles mesmos.

Quando a luz do amanhecer começou a filtrar pelas cortinas do hotel, Julia estava adormecida com a cabeça no peito de Ilia. Ele estava acordado, observando-a. Ele sabia que o mundo lá fora exigiria que eles voltassem a ser os competidores frios e distantes de sempre. Sabia que as provocações voltariam, que ele a irritaria até que ela quisesse gritar, e que ela responderia com aquela indiferença russa que o deixava louco.

Mas ele também sabia que, sob o gelo fino de suas personalidades públicas, havia um fogo que nada poderia apagar.

Ele beijou o topo da cabeça de Julia e fechou os olhos por alguns minutos, aproveitando o único momento de paz que eles teriam antes que a guerra recomeçasse. Porque na próxima vez que se encontrassem no rinque, as lâminas estariam afiadas e a disputa seria feroz. Mas o sabor dela permaneceria em sua boca, e o cheiro dele estaria na pele dela, um segredo compartilhado que tornava cada salto e cada queda muito mais interessantes.

Afinal, na patinação artística, a queda é inevitável. O que importa é quem está lá para te segurar quando o gelo finalmente quebra. E para Julia e Ilia, o gelo já havia quebrado há muito tempo, revelando algo muito mais profundo e perigoso do que qualquer medalha de ouro.