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Happy?

O Altar da Carne e do Neon

O silêncio do quarto era uma mentira alimentada pelo barulho abafado do rock que Hyuna insistia em manter no máximo lá fora. Dentro daquelas quatro paredes, o som era outro: o atrito da pele, a respiração entrecortada e o estalar metálico do cinto de Mizi sendo jogado no chão. Mizi não era mais a garota que apenas dormia nas aulas; ela estava desperta, cada fibra do seu corpo focada na figura pálida e trêmula sob ela.

— Você pediu por isso, Sua — sussurrou Mizi, a voz carregada de uma autoridade que fez o ventre de Sua contrair-se em antecipação. — Agora aguenta.

Mizi não perdeu tempo com preliminares gentis. Ela deslizou a mão por baixo da saia de Sua, encontrando a umidade que já denunciava o estado da amiga. Com um movimento fluido, afastou o tecido e posicionou dois dedos na entrada de Sua. O primeiro contato foi um choque elétrico. Sua arqueou as costas, o pescoço esticando enquanto um gemido alto escapava por seus lábios.

— Mizi... meu Deus... — Sua mal conseguia articular as palavras.

Mizi não respondeu com voz, mas com ação. Ela afundou os dois dedos de uma vez, começando um bombeamento rítmico e implacável. Ela não tinha pressa, mas tinha força. A cada estocada, Sua se contorcia, as mãos agarrando os lençóis com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. O som do prazer de Sua era música para os ouvidos de Mizi, que observava cada reação com um olhar predatório e fascinado.

— Mais... por favor, Mizi... mais rápido! — implorou Sua, a voz falhando.

Mizi obedeceu, acelerando o ritmo até que o som da fricção preenchesse o pequeno espaço entre elas. Sua começou a soluçar, o prazer atingindo um ápice insuportável até que seu corpo travou. Ela gozou com um grito abafado contra o ombro de Mizi, as pernas tremendo violentamente enquanto a primeira onda de êxtase a levava embora.

Houve um breve momento de trégua. Mizi retirou os dedos, observando Sua tentar recuperar o fôlego, o peito subindo e descendo freneticamente. Mas a trégua durou pouco. Mizi não estava satisfeita; ela queria ver até onde Sua poderia ir.

— Ainda não acabamos — declarou Mizi, voltando ao ataque.

Desta vez, ela usou três dedos. A pressão extra fez Sua soltar um ganido de surpresa e dor prazerosa. Mizi inclinou-se, cravando os dentes na curvatura do pescoço de Sua, marcando a pele pálida com uma mordida possessiva. Sua se contorceu, as unhas agora cravando-se nas costas de Mizi, arranhando o tecido da blusa que ainda restava.

— Você é tão barulhenta, Sua — provocou Mizi, a voz vibrando contra a pele dela. — Eu adoro isso.

Mizi desceu a boca, afundando-a nos seios de Sua. Enquanto seus dedos trabalhavam lá embaixo com uma força que fazia Sua revirar os olhos, Mizi sugava e mordiscava os mamilos da outra, criando uma sobrecarga sensorial. Sua não sabia para onde olhar, o que sentir. Ela era apenas um amontoado de nervos expostos. O segundo orgasmo veio como uma explosão, mais intenso que o primeiro, deixando Sua completamente sem forças, arquejando no colchão.

— De novo — ordenou Mizi, sem dar tempo para Sua se recompor.

Mizi agora usava a mão livre para envolver o pescoço de Sua. Não era para machucar, mas para dominar. Ela aplicou uma pressão firme, forçando Sua a olhar diretamente nos seus olhos dourados enquanto os três dedos voltavam a bombear com uma velocidade estonteante. O ar começou a faltar, não apenas pelo aperto, mas pela intensidade do que Mizi estava fazendo.

Sua começou a babar levemente, os olhos revirando, a mente se perdendo no mar de sensações. Mizi a achava a coisa mais linda do mundo naquele estado: vulnerável, entregue, totalmente dela.

— Olha para mim, Sua. Diz de quem você é — exigiu Mizi.

— S-sua... eu sou sua... — Sua choramingou, a voz quase sumindo.

A terceira vez foi devastadora. Sua sentiu como se sua alma estivesse sendo arrancada do corpo. Ela choramingou, o prazer beirando a agonia, até que desabou novamente, o corpo mole sob o peso de Mizi.

Mas a noite estava longe de acabar. O que se seguiu foi uma maratona de desejo e possessividade. Foram mais quatro vezes. A cada rodada, Mizi explorava um novo ângulo, uma nova forma de fazer Sua implorar. Ao final da sétima vez, Sua estava acabada. Ela não conseguia mais mover um músculo, a mente envolta em uma névoa de exaustão e satisfação absoluta. Mizi finalmente se deitou ao lado dela, puxando o corpo exausto de Sua para perto antes de o sono as levar.

***

A luz da manhã de segunda-feira era cruel. Sua acordou com a cabeça latejando e o corpo pesando como chumbo. Ao tentar se mover, percebeu que estava nua sob os lençóis. O pânico começou a subir por sua garganta quando as memórias da noite anterior voltaram em flashes vívidos: os gemidos, as palavras sujas, a forma como ela implorou.

Ela sentiu um braço firme abraçando sua cintura e uma mão quente apoiada sob sua cabeça, com a palma descansando em seu próprio peito. Olhou para o lado e viu Mizi. A garota de cabelos rosa dormia com uma expressão serena, o rosto enterrado na curva do ombro de Sua.

Sua sentiu uma onda de vergonha tão avassaladora que quis desaparecer. Ela olhou para baixo, para o próprio corpo. Seus seios eram pequenos, quase sem volume, uma "tábua", como ela mesma se chamava nos momentos de maior insegurança. A pele estava marcada por mordidas e chupões.

"Ela deve ter achado horrível", pensou Sua, as lágrimas começando a arder em seus olhos. "Eu agi como uma louca e nem tenho um corpo bonito para compensar."

Mizi começou a se mexer, despertada pelo tremor de Sua. Ela abriu os olhos dourados, piscando lentamente antes de focar no rosto de Sua.

— Bom dia, estrela da noite — disse Mizi, a voz rouca de sono, um sorriso preguiçoso surgindo.

— Mizi... eu... me desculpa — Sua soluçou, escondendo o rosto nas mãos.

Mizi franziu a testa, sentando-se na cama.

— Desculpa pelo quê, Sua? Você foi incrível.

— Por isso! — Sua apontou para o próprio peito, a voz embargada. — Eu não tenho nada... eu sou reta. Você deve ter ficado decepcionada. Eu agi daquela forma e no fim... eu sou assim.

Mizi olhou para Sua com uma seriedade que raramente mostrava. Ela se aproximou, segurando as mãos de Sua e afastando-as do rosto dela.

— Sua, olha para mim — Mizi esperou até obter o contato visual. — Você está brincando? Eu achei seus seios perfeitos. Eles cabem exatamente na minha mão e na minha boca. E, sinceramente? O tamanho não importa quando você faz os sons que fez ontem à noite.

Mizi deu um sorriso pervertido, aproximando-se do ouvido de Sua.

— E se você está tão preocupada com volume, saiba que eu estava ocupada demais sentindo o quão apertada e quente você é lá embaixo para me importar com qualquer outra coisa. Você me deixou louca, Sua. Eu nunca me diverti tanto na vida.

Sua sentiu o rosto queimar, mas a insegurança diminuiu um pouco. Mizi a beijou com ternura antes de se levantar para se vestir.

— Vamos. O pessoal deve estar morrendo de fome e a Hyuna vai derrubar a porta se a gente não aparecer.

Sua vestiu o uniforme escolar com movimentos lentos, sentindo cada músculo doer. Mizi a ajudou a abotoar a blusa social, deixando um último beijo em sua testa.

Quando as duas entraram na cozinha, o silêncio foi imediato. O grupo estava reunido em volta da mesa. Ivan parou com a colher de cereal no ar, Till desviou o olhar imediatamente, o rosto ficando vermelho, e Luka quase derrubou a garrafa de leite. Hyuna, por outro lado, tinha um sorriso que ia de orelha a orelha.

Sua caminhou com dificuldade, sentindo as pernas bambas, e sentou-se cautelosamente na cadeira.

— Bom dia... — murmurou Sua, sem conseguir olhar para ninguém.

— Bom dia é o caramba — disparou Ivan, recuperando a voz e o deboche habitual. — Sua, eu não sabia que você tinha pulmões tão potentes. A gente aumentou o som no máximo, mas acho que até os vizinhos da outra rua sabem o nome da Mizi agora.

— Ivan! — gritou Sua, escondendo o rosto nas mãos, querendo que o chão se abrisse.

— O quê? É verdade! — Ivan riu, olhando para Mizi. — E você, herdeira... quem diria que você tinha tanta energia? Você parece que correu uma maratona e ganhou o ouro.

Mizi sentou-se ao lado de Sua, pegando uma torrada com a maior naturalidade do mundo.

— Inveja é feio, Ivan. Talvez se você parasse de irritar o Till e fizesse algo útil, saberia como é — rebateu Mizi, dando uma piscadela para o amigo de cabelos cinzas, que quase engasgou com o café.

— Eu não quero saber de nada! — exclamou Luka, levantando-se da mesa com o rosto em chamas. — Eu vou para o carro. Vejo vocês na escola.

Hyuna riu alto, dando um tapinha nas costas de Sua.

— Relaxa, amiga. A gente está feliz por você. Só... da próxima vez, avisa para a gente comprar protetores de ouvido.

Sua sentiu a mão de Mizi apertar a sua por baixo da mesa. Ela olhou para a namorada e viu o mesmo brilho dourado e possessivo da noite anterior. A vergonha ainda estava lá, mas havia algo novo: a certeza de que, entre gemidos e sombras, elas haviam construído algo que nenhum deboche de Ivan ou timidez de Luka poderia destruir.

— Come, Sua — disse Mizi, colocando um pedaço de fruta no prato dela. — Você vai precisar de energia. O dia na escola vai ser longo.

E, com um sorriso cúmplice, Mizi deixou claro que a noite anterior era apenas o começo de uma nova e muito mais barulhenta fase de suas vidas.