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Harry potter

O Eco do Silêncio nas Masmorras

A biblioteca de Hogwarts estava mergulhada em uma penumbra acolhedora, mas para Hermione, o silêncio das estantes parecia gritar. O projeto de Poções Avançadas, imposto por Snape, era a desculpa perfeita — e a prisão ideal. Sobre a mesa de carvalho, pergaminhos sobre a composição da Poção da Morte Viva estavam espalhados, mas a mente de Hermione estava a quilômetros de distância, presa na imagem de Ron e Harry sentados no Salão Comunal, esperando por ela com perguntas que ela não podia responder.

Diego Silva sentou-se à sua frente, relaxado, com a túnica da Sonserina impecavelmente alinhada. Ele não parecia nenhum pouco interessado na raiz de valeriana que deveria estar picando. Em vez disso, ele observava Hermione com uma intensidade que a fazia querer desaparecer.

— Você está cometendo um erro na dosagem — comentou ele, sua voz quebrando o silêncio como um vidro estilhaçado. — Se colocar a vagem de sopofó agora, a mistura vai explodir antes de completar a primeira rotação.

Hermione largou a faca de prata com um baque surdo.

— Eu sei o que estou fazendo, Diego. Eu li o livro três vezes.

— O livro diz uma coisa, mas a prática... — Ele se inclinou para a frente, diminuindo a distância entre eles. — A prática exige foco. E você, Granger, está em qualquer lugar, menos aqui.

Ela respirou fundo, tentando manter a voz estável.

— É difícil focar quando se tem uma espada de Dâmocles pendurada sobre a cabeça. Você e o Malfoy se certificaram disso.

Diego soltou um suspiro curto, algo que soou quase como genuína frustração. Ele se levantou, caminhou até o lado dela e, antes que ela pudesse protestar, colocou a mão sobre a dela, que ainda segurava o pergaminho.

— Hermione, olhe para mim — pediu ele.

Ela hesitou, mas acabou cedendo. Os olhos dele não tinham o brilho cruel que ela vira no Salão Principal. Havia algo mais suave, algo que a confundia profundamente.

— Você está triste com as nossas saídas? — perguntou ele, a voz baixa, quase um sussurro para que a Madame Pince não ouvisse. — Eu gosto de te ver, a sério. Não é só pelo jogo, ou pelo Malfoy.

Hermione sentiu o coração falhar uma batida. Ela puxou a mão, sentindo o calor da pele dele como se fosse uma queimadura.

— Como você pode dizer isso? — sibilou ela. — Você me chantageou. Você se gabou para o Draco. Você humilhou o Ron na frente de toda a escola!

— O Malfoy é o meu melhor amigo, e ele tem as razões dele para odiar o Weasley — Diego deu de ombros, encostando-se na mesa. — Mas o que acontece entre nós... isso é diferente. Eu admito, comecei isso como um desafio. Mas depois daquela noite... Hermione, você não é o que eu esperava. Você é intensa, é brilhante. Eu gosto de te ver brava, gosto de te ver estudando, e gosto de como você me olha quando acha que ninguém está vendo.

— Eu te olho com desprezo — retrucou ela, embora a convicção em sua voz estivesse minguando.

— É? — Ele deu um passo para mais perto, invadindo seu espaço pessoal. — Então por que você não me entregou para o Harry ainda? Você é a bruxa mais inteligente da nossa idade. Poderia ter inventado mil desculpas, poderia ter usado um feitiço de memória em mim, ou simplesmente contado a verdade e enfrentado as consequências. Mas você continua vindo. Continua aceitando os encontros.

— Eu faço isso para proteger o Ron! — exclamou ela, as lágrimas começando a embaçar sua visão. — Ele não merece ser destruído por causa de um momento de fraqueza meu.

— O Weasley é um garoto — disse Diego, com um desprezo mal disfarçado. — Ele te vê como um troféu, como a "garota inteligente" que ele conseguiu conquistar. Ele não entende a complexidade que você tem. Ele não saberia o que fazer com metade do fogo que você mostrou naquela noite.

— Não fale dele — pediu ela, fechando os olhos. — Por favor, não fale dele.

Diego estendeu a mão e, com uma delicadeza que contrastava com sua reputação, limpou uma lágrima que escorria pelo rosto de Hermione.

— Eu não quero que você fique triste, Hermione. Eu quero que você aproveite isso. Esqueça o Potter, esqueça o Weasley por uma hora. Estamos aqui, sob as vistas de todos, e ninguém sabe o que realmente estamos compartilhando. Não é emocionante?

— É doentio — sussurrou ela, embora não se afastasse do toque dele.

— Talvez seja. Mas é real.

Enquanto isso, nas sombras de uma das estantes de História da Magia, Harry Potter observava a cena. Ele estava sob a Capa da Invisibilidade, o Mapa do Maroto apertado em sua mão esquerda. Ele vira os dois nomes juntos e, movido por uma desconfiança que não o deixava dormir, decidira investigar.

O que ele via agora o deixava enjoado. Ele esperava ver Hermione sofrendo, sendo coagida, talvez até sendo ameaçada com uma varinha. Mas o que ele via era algo muito mais ambíguo. Ele via a mão de Diego no rosto dela. Via Hermione não recuar. O sussurro entre eles parecia íntimo demais, carregado de uma tensão que Harry não conseguia compreender totalmente, mas que o fazia querer intervir imediatamente.

No entanto, ele se conteve. Se ele aparecesse agora, Hermione saberia que ele a estava espionando. E se ela estivesse realmente envolvida com Diego por vontade própria? A ideia era um golpe devastador. Hermione, a bússola moral do trio, envolvida com um sonserino que era o braço direito de Malfoy?

— Eu preciso ir — disse Hermione na mesa, pegando suas coisas apressadamente. — O treino de quadribol do Ron termina logo, e eu prometi encontrá-lo no pátio.

— Ele pode esperar — disse Diego, segurando-a suavemente pelo pulso. — Lembre-se, Hermione: amanhã à noite, na Sala Precisa. Snape quer os resultados preliminares da poção, e "precisamos" de privacidade para trabalhar.

— Eu estarei lá — respondeu ela, sem olhar para ele. — Mas só pelo projeto.

— Claro — Diego sorriu, soltando-a. — Pelo projeto.

Hermione saiu da biblioteca quase correndo, passando a centímetros de onde Harry estava escondido. Assim que ela saiu, Diego sentou-se novamente, com um olhar pensativo.

— Você pode sair de trás dessa estante agora, Malfoy — disse Diego em voz alta, sem se virar.

Draco saiu das sombras, rindo silenciosamente. Ele não estava sob uma capa, mas sabia se mover como uma serpente.

— Você é um ator melhor do que eu pensava, Diego — comentou Draco, sentando-se no lugar onde Hermione estivera. — "Eu gosto de te ver, a sério"? Quase me fez chorar.

— Quem disse que eu estava atuando totalmente? — Diego pegou a faca de prata e começou a brincar com ela. — Ela é fascinante, Draco. É como quebrar um feitiço de proteção muito complexo. Cada camada que eu retiro revela algo novo.

— Só não se esqueça do objetivo — alertou Malfoy, sua expressão tornando-se séria. — O Lorde das Trevas quer o Potter isolado. Se tirarmos a Granger dele, o Weasley vai desmoronar logo em seguida. Sem os dois, o Potter é apenas um alvo fácil.

— Eu sei o que estou fazendo — garantiu Diego, seus olhos brilhando com uma ambição perigosa. — A Granger é a chave. E ela já começou a girar na fechadura.

Harry, ainda invisível, sentiu o sangue congelar. Não era apenas um caso. Não era apenas uma traição amorosa. Era um plano. Um plano dos Comensais da Morte para destruir o trio de dentro para fora. Ele precisava contar ao Ron. Mas como? Como dizer ao melhor amigo que a namorada dele estava sendo seduzida por um inimigo, e que ela parecia estar cedendo?

Ele saiu da biblioteca em silêncio, o peso da descoberta esmagando seus ombros. Ao chegar ao pátio, viu Ron acenando para Hermione, que se aproximava com um sorriso forçado. Harry viu Ron abraçá-la e beijar sua testa, e viu o estremecimento quase imperceptível de Hermione.

— Ei, Harry! — gritou Ron, animado. — Você perdeu o treino! Eu peguei o pomo duas vezes de brincadeira com a Ginny. Onde você estava?

Harry olhou para Hermione. Ela sustentou o olhar dele por um segundo, e Harry viu o pânico em seus olhos castanhos. Ela sabia que ele sabia? Ou era apenas a culpa?

— Estava na biblioteca — disse Harry, a voz rouca. — Procurando algumas coisas.

— Você e a Mione estão estudando demais — riu Ron, passando o braço pelos ombros de Hermione. — Vamos jantar. Estou morrendo de fome.

Enquanto caminhavam para o Salão Principal, o silêncio de Harry era ensurdecedor. Ele observava cada gesto de Hermione, cada palavra. Ela estava agindo de forma perfeita, comentando sobre as aulas e sobre o clima, mas para Harry, tudo parecia uma peça de teatro mal ensaiada.

Na mesa da Grifinória, Ginny sentou-se ao lado de Harry e sussurrou:

— Você a encontrou?

— Sim — respondeu Harry no mesmo tom. — Mas as coisas são piores do que pensávamos, Ginny. Muito piores.

— O que você quer dizer?

— Malfoy e Diego... eles estão usando ela. E eu acho que a Hermione está começando a acreditar nas mentiras deles.

Ginny olhou para a amiga com uma mistura de pena e raiva.

— Temos que fazer algo, Harry. Antes que seja tarde demais.

— Eu sei. Mas se agirmos errado, perdemos ela para sempre.

Naquela noite, Hermione não conseguiu dormir. As palavras de Diego ecoavam em sua mente: *“Eu gosto de te ver, a sério”*. Ela sabia que era um manipulador, sabia que ele era perigoso. Mas havia uma parte dela, uma parte sombria e cansada de ser sempre a "certinha", que se sentia atraída pelo perigo que ele representava. Era um vício terrível, uma adrenalina que ela nunca sentira com Ron.

Ela se levantou e foi até a janela do dormitório, olhando para as masmorras distantes. Ela se sentia como uma traidora, uma espiã em seu próprio campo. Mas, ao mesmo tempo, a promessa da Sala Precisa na noite seguinte fazia seu coração acelerar de uma forma que a assustava.

Ela não sabia que, no dormitório masculino, Harry Potter estava sentado em sua cama, com a varinha na mão e o Mapa do Maroto aberto, vigiando cada movimento do castelo. A guerra estava chegando a Hogwarts, e a primeira batalha estava sendo travada no coração de Hermione Granger. E, por enquanto, as serpentes estavam vencendo.

O dia seguinte passou como um borrão. As aulas pareciam irrelevantes. Nas refeições, Hermione evitava o contato visual com qualquer pessoa. Diego, por outro lado, estava radiante. Ele trocava risadas com Malfoy e Pansy Parkinson, mas seus olhos sempre encontravam os de Hermione através do salão, enviando mensagens silenciosas que a faziam estremecer.

Quando o relógio marcou onze horas da noite, Hermione saiu furtivamente do dormitório. Ela usou um feitiço de desilusão simples, esperando que fosse o suficiente. Ela caminhou até o sétimo andar, em frente à tapeçaria de Barnabás, o Pirado.

Ela pensou: *“Preciso de um lugar para estudar e ficar segura”*.

A porta apareceu. Ela entrou, esperando encontrar uma sala de aula comum. Em vez disso, a Sala Precisa se transformara em um ambiente confortável, com poltronas de veludo verde, uma lareira acesa e uma mesa farta com vinhos e petiscos.

Diego estava lá, esperando por ela. Ele não usava as vestes da escola, mas uma camisa de seda preta que o deixava com um aspecto ainda mais predatório.

— Você veio — disse ele, levantando-se com uma taça na mão.

— Eu disse que viria pelo projeto — respondeu ela, tentando manter a guarda alta.

— Esqueça o projeto, Hermione — ele caminhou até ela, a voz carregada de uma suavidade perigosa. — Estamos sozinhos. Sem Snape, sem Potter, sem o Weasley. Apenas você e eu.

Ele colocou a taça sobre a mesa e parou a poucos centímetros dela.

— Você ainda está triste? — perguntou ele, tocando levemente o queixo dela para que ela o olhasse. — Porque eu estou muito feliz em te ver.

Hermione abriu a boca para protestar, para dizer que aquilo era um erro, que ela amava o Ron, que ela era uma Grifinória. Mas as palavras morreram em sua garganta quando Diego a beijou. Não foi um beijo de chantagem ou de poder. Foi um beijo que parecia querer extrair dela toda a sua resistência.

E, naquele momento, no silêncio da Sala Precisa, Hermione Granger se entregou novamente à escuridão, sem saber que, do lado de fora, o mundo que ela conhecia estava prestes a desmoronar. Harry Potter estava a caminho, e desta vez, ele não estava apenas observando. Ele estava pronto para quebrar o ciclo de mentiras, mesmo que isso significasse quebrar o coração de sua melhor amiga.

A tragédia estava armada. As serpentes haviam seduzido o leão, e o preço daquela traição seria escrito com lágrimas e sangue nos corredores de pedra de Hogwarts. Diego sorriu contra os lábios de Hermione, sabendo que a vitória final estava mais perto do que nunca. Ele gostava de vê-la assim: vulnerável, perdida e totalmente sua. Pelo menos, por enquanto.