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Harry potter

O Veneno sob a Pele

A Sala Precisa havia se transformado em um santuário de sombras e seda. O crepitar da lareira era o único som que ousava desafiar o silêncio denso que se instalara entre Hermione e Diego. O ar estava saturado com o cheiro de sândalo e o aroma metálico da chuva que começava a cair lá fora, batendo contra as janelas invisíveis da sala mágica. Hermione sentia o coração martelar contra as costelas, uma cadência frenética de medo e uma antecipação sombria que ela se recusava a nomear.

— Você não deveria ter vindo se estivesse tão arrependida quanto diz — sussurrou Diego, sua voz deslizando pela pele dela como uma carícia gelada.

Ele deu um passo à frente, e Hermione, por puro instinto, recuou até que suas costas encontrassem o encosto macio de uma poltrona de veludo esmeralda. Ela queria gritar que o odiava, que ele era um monstro, que o que eles tinham era fruto de uma chantagem barata. Mas, ao olhar nos olhos dele, viu um reflexo de si mesma que nunca encontrara nos olhos azuis e gentis de Ron: uma Hermione faminta, despida de regras e de expectativas.

— Eu vim pelo projeto, Diego — disse ela, embora sua voz soasse fraca, desprovida de qualquer convicção. — Snape espera resultados.

Diego soltou uma risada curta e anasalada, um som carregado de escárnio.

— Snape sabe exatamente o que estamos fazendo aqui, Hermione. Ele não é tolo. Ele nos deu o álibi, e você o aceitou de bom grado. Pare de mentir para si mesma. É exaustivo observar você tentando ser a mártir enquanto seu corpo implora por outra coisa.

Ele aproximou-se o suficiente para que ela sentisse o calor emanando de seu corpo. Diego estendeu a mão e, com uma lentidão torturante, começou a desfazer o nó da gravata vermelha e dourada de Hermione. Ela não se moveu. Seus dedos formigavam, e uma parte dela — a parte que Harry e Ron jamais conheceriam — desejava que ele fosse rápido, que ele arrancasse dela aquela fachada de virtude.

— O que você quer de mim? — perguntou ela, a respiração curta.

— Eu quero o que você não dá ao Weasley — respondeu ele, os dedos agora tocando a pele sensível do pescoço dela. — Eu quero a sua verdade. Quero a Hermione que não precisa citar livros para se sentir segura.

Ele a beijou então, um beijo que começou com uma agressividade possessiva e logo se tornou algo mais profundo, mais desesperado. Hermione soltou um gemido abafado contra os lábios dele, suas mãos subindo para os ombros de Diego, agarrando o tecido fino de sua camisa. A culpa, que antes era uma montanha intransponível, parecia agora uma névoa distante. Naquele momento, Ron Weasley era apenas uma lembrança desbotada, uma fotografia deixada na chuva.

Diego a puxou para mais perto, suas mãos descendo pela cintura dela com uma urgência que fazia os joelhos de Hermione fraquejarem. Ele a guiou até o tapete felpudo diante da lareira, onde as chamas projetavam sombras dançantes nas paredes. Cada peça de roupa removida parecia um peso a menos, uma camada de mentira que era descartada.

— Você é linda quando para de pensar — sussurrou ele contra o ouvido dela, sua voz vibrando através de seus ossos.

O toque de Diego era diferente de tudo o que ela conhecia. Era técnico, preciso, mas carregado de uma paixão egoísta que a consumia. Ele a conhecia de uma forma que ninguém mais ousara tentar. Enquanto Ron era cauteloso e quase reverente, Diego a tratava como um desafio a ser conquistado, um enigma a ser resolvido com as mãos e a boca.

Hermione arqueou as costas quando as mãos dele encontraram sua pele nua, um calafrio percorrendo sua espinha. Ela se sentia traidora, sim, mas também se sentia viva de uma maneira que a assustava. Era o veneno da Sonserina correndo em suas veias, transformando seu sangue em algo denso e escuro.

— Diga meu nome — ordenou ele, os olhos fixos nos dela, brilhando com o reflexo do fogo.

— Diego... — o nome escapou de seus lábios como uma prece profana.

Quando ele finalmente a possuiu, o mundo ao redor de Hermione desapareceu. Não havia mais Hogwarts, não havia guerra, não havia Harry Potter vigiando os corredores. Havia apenas a sensação avassaladora de perda de controle. Ela se agarrou a ele como se ele fosse a única coisa sólida em um universo em colapso. O prazer era agudo, quase doloroso, misturado com o amargor da consciência de que, a cada movimento, ela estava cavando mais fundo o buraco de sua própria ruína.

Diego não era gentil. Ele era intenso, exigindo dela cada centímetro de entrega. Ele a virou, suas mãos prendendo os pulsos de Hermione acima da cabeça dela, dominando-a completamente. Ela fechou os olhos, permitindo que as ondas de sensação a levassem, deixando que o calor do fogo e o calor do corpo dele fundissem sua vontade à dele.

— Você é minha — sussurrou ele, o hálito quente contra a nuca dela. — O Weasley pode ter o seu dia, mas eu sou o dono das suas noites.

Hermione não respondeu. Ela não conseguia. Estava perdida em um labirinto de sensações, onde a razão não tinha poder. Quando o clímax finalmente a atingiu, foi como uma explosão de luz branca que a deixou trêmula e exausta, soluçando baixinho contra o ombro de Diego.

Eles ficaram ali por um longo tempo, envoltos pelo silêncio que retornara à sala. O fogo estava diminuindo, as brasas agora um vermelho profundo e melancólico. Diego se afastou levemente, observando o rosto de Hermione com uma expressão ilegível. Não havia triunfo óbvio em seus olhos, apenas uma satisfação fria e calculista.

— Você deveria ir — disse ele, sua voz voltando ao tom casual e cortante de sempre. — O Potter é esperto, e ele não vai acreditar na desculpa da biblioteca para sempre se você chegar ao dormitório parecendo que acabou de sobreviver a um duelo.

Hermione sentou-se, puxando as vestes descartadas para cobrir sua nudez. O frio da sala parecia agora muito mais intenso. Ela olhou para Diego, que já estava vestindo a camisa, agindo como se nada de extraordinário tivesse acontecido.

— Isso tem que parar, Diego — disse ela, embora suas mãos ainda tremessem enquanto abotoava a camisa.

— Tem? — Ele arqueou uma sobrancelha, um sorriso cínico voltando a seus lábios. — Você diz isso todas as vezes, Hermione. E todas as vezes, você volta. Você gosta da escuridão tanto quanto eu. Só é educada demais para admitir.

— Eu amo o Ron — afirmou ela, mais para si mesma do que para ele.

— Talvez — Diego aproximou-se e tocou os lábios dela com o polegar. — Mas você me deseja. E em Hogwarts, o desejo costuma ser muito mais perigoso do que o amor.

Ele se afastou e caminhou até a porta da Sala Precisa, parando antes de sair.

— Não se atrase para a aula de Poções amanhã. Temos uma mistura para terminar, e Snape não gosta de esperar.

Quando a porta se fechou, Hermione desabou no chão. Ela abraçou os próprios joelhos, sentindo o cheiro de Diego ainda impregnado em sua pele. Ela se sentia suja, quebrada, mas, paradoxalmente, completa de uma forma doentia. Ela sabia que Harry estava desconfiado. Sabia que Ron a amava com uma pureza que ela não merecia mais.

Lentamente, ela se vestiu, ajeitando a gravata da Grifinória com as mãos trêmulas. Ela limpou o rosto, tentando apagar qualquer vestígio de choro ou de paixão. Ao sair da sala, o corredor estava deserto, mas as sombras pareciam sussurrar segredos que ela não queria ouvir.

Enquanto caminhava em direção à Torre da Grifinória, cada passo parecia uma sentença. Ao dobrar o corredor do quarto andar, ela viu uma figura parada perto de uma armadura. O coração de Hermione quase parou.

— Hermione? — a voz de Harry era baixa, carregada de uma decepção que a atingiu como um feitiço de impacto.

Ela parou, tentando manter a expressão neutra sob a luz pálida das tochas.

— Harry? O que está fazendo aqui fora a esta hora?

Harry deu um passo à frente, saindo das sombras. Ele não usava a capa, e o Mapa do Maroto estava visível em sua mão. Seus olhos verdes, geralmente cheios de calor, estavam frios e inquisidores.

— Eu poderia te perguntar o mesmo — disse ele. — Eu vi você no mapa. Vi onde você estava. Com quem você estava.

Hermione sentiu o sangue fugir de seu rosto.

— Harry, eu... estávamos trabalhando no projeto do Snape. Ele é muito exigente e...

— Pare de mentir, Hermione! — Harry não gritou, mas a intensidade de sua voz foi pior do que um grito. — Eu vi o nome dele. Diego Silva. Eu vi vocês dois na Sala Precisa por horas. No mapa, os nomes estavam... sobrepostos.

O silêncio que se seguiu foi sufocante. Hermione queria inventar uma desculpa, queria dizer que Diego a estava ameaçando, que ela estava tentando extrair informações sobre Malfoy. Mas a verdade estava escrita em seu rosto, na desordem de seu cabelo, na forma como ela não conseguia sustentar o olhar do melhor amigo.

— O Ron ama você — disse Harry, a voz agora tremendo de raiva contida. — Ele confia em você mais do que em qualquer pessoa no mundo. Como você pôde fazer isso com ele? Com um sonserino? Com um amigo do Malfoy?

— Você não entende, Harry — sussurrou ela, as lágrimas finalmente transbordando. — Não é o que você pensa.

— Então o que é? — Harry aproximou-se, o mapa agora guardado no bolso. — É um plano? Ele está te chantageando? Se estiver, me diga! Nós podemos resolver isso. Podemos ir ao Dumbledore.

— Não podemos! — Hermione soltou um soluço. — Ninguém pode saber, Harry. Por favor. Se o Ron descobrir, isso vai destruí-lo.

Harry observou-a com uma expressão de profunda tristeza. Ele via sua irmã de alma se transformando em algo que ele não reconhecia.

— O que ele tem, Hermione? O que aquele bastardo tem que te faz trair tudo o que somos?

— Ele tem a verdade — respondeu ela, a voz subitamente fria. — Uma verdade que eu não queria ver.

Harry recuou, como se tivesse sido atingido fisicamente.

— Eu não vou contar ao Ron — disse ele, após um longo silêncio. — Não porque eu queira proteger você, mas porque ele não merece a dor que essa verdade traria. Não agora. Mas saiba de uma coisa, Hermione: se você continuar com isso, se você se perder nesse jogo do Diego, eu não poderei te salvar. E o Ron... o Ron nunca mais vai olhar para você da mesma forma.

Harry virou as costas e caminhou em direção ao dormitório, deixando Hermione sozinha no corredor escuro. Ela sentiu o peso do mundo desabar sobre seus ombros. Ela havia salvado seu segredo por enquanto, mas o preço fora a confiança de Harry.

Longe dali, nas masmorras, Diego Silva estava deitado em sua cama, as mãos atrás da cabeça, um sorriso de satisfação nos lábios. Ele sabia que Harry os vira. Ele vira o ponto de Harry parado no corredor do lado de fora da Sala Precisa no Mapa do Maroto — um objeto que ele aprendera a identificar através das histórias de Draco.

Tudo estava saindo conforme o planejado. A discórdia fora plantada. O trio de ouro estava rachado. E Hermione Granger, a mente mais brilhante da Grifinória, estava agora irremediavelmente ligada a ele pelo pecado e pelo segredo.

— Durma bem, Granger — sussurrou ele para a escuridão. — Amanhã, o jogo fica ainda mais interessante.

Nas sombras da sala comunal da Sonserina, Draco Malfoy brindava sozinho diante da lareira. O veneno estava agindo. A queda dos leões seria lenta, silenciosa e, acima de tudo, deliciosa de se observar. A traição de Hermione era apenas o começo do fim de uma era, e o cheiro da vitória das serpentes já pairava no ar úmido de Hogwarts.