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Harry Slayer

O Banquete da Mente Quebrada e a Alvorada Escarlate

O silêncio na Biblioteca de Hogwarts era, outrora, um refúgio de conhecimento e paz. Agora, o ar estava saturado com o cheiro de pergaminho velho misturado ao odor metálico e doce que acompanhava a presença de Harry. As estantes altas projetavam sombras que pareciam se contorcer, como se os próprios livros temessem o que estava por vir. No centro da seção restrita, Hermione Granger estava cercada por uma barreira de círculos rúnicos que ela mesma desenhara com pressa, o rosto manchado de lágrimas e fuligem.

As portas duplas da biblioteca se abriram sem um som, deslizando como se a própria gravidade se submetesse ao recém-chegado. Harry entrou, caminhando com uma leveza predatória. Ao seu lado, Draco Malfoy exibia sua nova natureza com uma arrogância renovada; a palidez de sua pele agora tinha o brilho da lua sobre o gelo, e seus olhos prateados buscavam qualquer sinal de fraqueza na antiga colega.

— A persistência é uma virtude irritante, Hermione — disse Harry, sua voz ressoando como o toque de um sino de cristal em um funeral. — Você se esconde atrás de símbolos e lógica, esperando que a realidade se curve à sua inteligência. Mas olhe para mim. Eu sou a nova realidade.

Harry parou a poucos centímetros do limite da barreira rúnica. Ele inclinou a cabeça, os cabelos negros caindo sobre o rosto andrógino, e um sorriso sádico e lento curvou seus lábios.

— Afaste-se, Harry! — gritou Hermione, a varinha apontada para o peito dele, embora a ponta da madeira tremesse incontrolavelmente. — Eu li sobre o que você se tornou. As lendas do oriente falam de demônios, mas você... você é algo que nem as trevas deveriam permitir!

— "Permitir"? — Harry soltou uma risada curta e melodiosa, um som que fez as luzes das tochas piscarem e morrerem, deixando apenas o brilho fúcsia de seus olhos. — A magia sempre foi uma prisão, Hermione. Uma série de regras impostas por homens velhos e medrosos. Eu quebrei as correntes.

Draco deu um passo à frente, as garras negras raspando levemente no mármore do chão.

— Deixe-me cuidar dela, meu Rei — sibilou Draco, a voz vibrando com uma fome recém-descoberta. — O sangue dela cheira a arrogância e medo. Será um prazer ver essa expressão de superioridade desaparecer.

— Não, Draco — Harry estendeu uma mão pálida, detendo o loiro. — Hermione não é para ser devorada como um animal comum. Ela é um quebra-cabeça. E eu sempre adorei resolver problemas difíceis.

Harry estendeu a mão em direção à barreira rúnica. Quando seus dedos tocaram o ar protegido, faíscas de magia branca crepitaram, tentando repelir a impureza. Harry não recuou. Pelo contrário, seu sorriso se alargou, revelando as presas perfeitas. Ele começou a pressionar, e o som de vidro rachando ecoou pela biblioteca.

— Pare com isso! Você vai se destruir! — Hermione implorou, vendo o sangue de Harry começar a ferver onde tocava a proteção.

— Destruir? — Harry forçou a mão através da barreira, a pele queimando e se regenerando em uma velocidade que desafiava a sanidade. — Eu sou o arquiteto da destruição.

Com um estalo ensurdecedor, a proteção rúnica explodiu em fragmentos de luz inútil. O impacto jogou Hermione contra uma estante, derrubando dezenas de tomos pesados sobre ela. Antes que ela pudesse se recuperar, Harry estava lá, pairando sobre ela, a beleza de seu rosto agora distorcida por uma fome intelectual e física que não conhecia limites.

Ele a pegou pelo pescoço, levantando-a sem esforço. Hermione lutou, arranhando os braços dele, mas era como tentar ferir o mármore.

— Onde está o seu Deus agora, Hermione? Onde está Dumbledore? — Harry perguntou, sua língua bifurcada roçando a bochecha dela, provando o sal das lágrimas. — Eles te deixaram aqui para ser a última luz de uma escola morta.

— Harry... por favor... — ela engasgou, o oxigênio falhando.

— Eu não quero sua dor, Hermione. Eu quero sua mente — Harry sussurrou no ouvido dela, sua voz tornando-se uma sugestão hipnótica. — Imagine o que poderíamos descobrir juntos. A magia de sangue fundida com o seu conhecimento... poderíamos reescrever as leis do universo. Você não quer saber o que há além do véu?

Ele a soltou abruptamente. Hermione caiu de joelhos, tossindo, o peito subindo e descendo com violência. Harry ajoelhou-se à frente dela, sua expressão suavizando-se em uma máscara de falsa compaixão que era mil vezes mais cruel do que sua raiva.

— Olhe para o Draco — disse Harry, apontando para o loiro que observava a cena com um prazer sádico. — Ele nunca foi tão livre. Ele nunca foi tão... ele mesmo. A humanidade é uma máscara pesada, Hermione. Deixe-a cair.

— Eu nunca serei como ele — Hermione cuspiu, embora seus olhos mostrassem a dúvida que começava a corroer sua vontade.

— Você será melhor — prometeu Harry. Ele cravou a unha no próprio peito, bem acima do coração, e retirou uma pequena esfera de sangue concentrado, que pulsava como um rubi vivo. — Este é o cerne do meu poder. Se você o aceitar, sua mente se expandirá para além do tempo. Você verá as cores da magia, os fios do destino. Você nunca mais terá que ler um livro para entender o mundo; você será o mundo.

Harry segurou a esfera diante dos olhos dela. O brilho fúcsia do sangue parecia sussurrar promessas de segredos proibidos. Hermione olhou para a esfera, depois para Harry. A crueldade andrógina dele era hipnótica, uma beleza que prometia o fim de todo o sofrimento através da submissão total.

— E se eu recusar? — perguntou ela, a voz mal passando de um fio.

Harry sorriu, e o brilho em seus olhos tornou-se predatório.

— Então eu deixarei o Rony entrar. Ele não tem a minha... delicadeza. Ele está com muita fome, Hermione. E ele se lembra de como você sempre o corrigia. Ele adoraria corrigir você agora, osso por osso.

O silêncio que se seguiu foi pesado. Draco deu um passo à frente, a língua passando pelos lábios, antecipando o banquete. Hermione olhou para Harry, vendo o monstro e o amigo fundidos em uma entidade de perfeição aterrorizante.

— Apenas... faça parar a dor — sussurrou Hermione, fechando os olhos e abrindo a boca.

Harry soltou um riso triunfante. Ele colocou a esfera de sangue na língua dela.

O grito que escapou da garganta de Hermione Granger não foi de dor, mas de uma compreensão devastadora. Sua mente, antes organizada e lógica, foi inundada por visões de eras passadas e futuros sangrentos. Seus olhos reviraram, as íris castanhas sendo consumidas por um tom violeta profundo. Marcas negras, como runas antigas, começaram a subir por seu pescoço, gravando-se em sua pele como tatuagens de fogo.

Harry observou a transformação com um prazer quase erótico. Ele a segurou enquanto o corpo dela se contorcia, sentindo a magia dela se fundir com o seu sangue demoníaco.

— Sim... — murmurou Harry. — Minha Sábia das Sombras.

Quando Hermione finalmente abriu os olhos, a confusão havia desaparecido. Ela se levantou com uma elegância que espelhava a de Harry. Ela olhou para as próprias mãos, vendo as unhas se tornarem garras de obsidiana.

— Harry — disse ela, sua voz agora carregada com uma ressonância sobrenatural. — Eu vejo agora. As bibliotecas são inúteis. O conhecimento está no fluxo, na essência.

— Bem-vinda ao meu mundo, Hermione — disse Harry, estendendo a mão para ela.

— Mestre — disse Draco, aproximando-se e curvando-se levemente, embora seus olhos prateados ainda brilhassem com rivalidade em direção a Hermione. — Os outros estão prontos. O Salão Principal foi preparado. O gado foi reunido.

Harry virou-se para a saída da biblioteca, seus dois generais ao seu lado. A tríade de beleza e terror caminhou pelos corredores, onde agora as tochas queimavam com chamas azuis e púrpuras.

Ao chegarem ao Salão Principal, a visão era de um pesadelo coroado em ouro. Centenas de alunos estavam ajoelhados no chão, seus rostos pálidos e olhos vazios, marcados pela vontade de Harry. No centro, uma enorme árvore feita de veias e ossos brotava do chão, seus galhos sustentando cálices de prata que transbordavam com um líquido escarlate.

Luna Lovegood estava sentada no topo de um dos galhos, balançando as pernas e cantando uma melodia sem palavras que parecia manter os alunos em transe.

— Harry! — exclamou Luna, saltando do galho com a leveza de uma pluma. — Os Narguilés finalmente foram embora. O ar está tão limpo agora, não está?

— Está perfeito, Luna — respondeu Harry, subindo os degraus até o trono que agora era uma massa de obsidiana e espinhos.

Ele sentou-se, cruzando as pernas com uma graça indolente. Hermione e Draco postaram-se de cada lado dele, como estátuas vivas de um panteão esquecido.

— Meus súditos — a voz de Harry ecoou, fazendo com que cada aluno levantasse a cabeça em sincronia perfeita. — Hogwarts não é mais uma escola de magia. É o berço de uma nova espécie. Hoje, nós celebramos o fim da fraqueza humana.

Ele levantou um cálice de ouro.

— Amanhã, a Floresta Proibida será nossa zona de caça. E depois, Hogsmeade. O mundo bruxo enviará seus aurores, seus heróis. E nós os receberemos com a fome que eles mesmos criaram.

Nesse momento, um estrondo ecoou pelas janelas do Salão Principal. O céu noturno foi rasgado por faíscas de luz branca e dourada. Uma figura descia das nuvens, montada em uma fênix que brilhava como um segundo sol.

Alvo Dumbledore havia retornado.

O diretor pousou no pátio, sua presença emanando um poder que fazia as paredes do castelo tremerem. Ele entrou no Salão Principal, sua barba branca e vestes estreladas contrastando violentamente com a escuridão que agora habitava o lugar. Seus olhos, antes cheios de brilho e segredos, estavam nublados por uma tristeza infinita e uma determinação mortal.

— Harry — disse Dumbledore, sua voz carregada com o peso de séculos. — O que você permitiu que entrasse em seu coração?

Harry não se moveu. Ele apenas sorriu, e o brilho fúcsia de seus olhos desafiou a luz da fênix.

— Eu não permiti que nada entrasse, Alvo — disse Harry, levantando-se lentamente do trono. — Eu apenas deixei sair o que você e este mundo tentaram enterrar. Você me criou para ser um sacrifício. Eu decidi ser o carrasco.

— Isso pode ser revertido — disse o diretor, levantando a Varinha das Varinhas. — Existe magia antiga, Harry... o amor de sua mãe...

— O amor de minha mãe é o que me permite andar sob o sol, velho tolo! — Harry rugiu, e a pressão de sua aura fez com que as janelas de vidro colorido explodissem para fora. — O sangue dela me protege, sim, mas ele também me deu o direito de reinar.

Harry desceu os degraus, sua aparência andrógina brilhando com uma luz demoníaca.

— Você veio para o meu banquete, Alvo? — Harry perguntou, parando a poucos metros do bruxo mais poderoso do século. — É uma pena. Eu esperava que você demorasse mais. Queria ter tempo de transformar Fawkes em algo... mais sombrio.

— Eu não lutarei contra você para matá-lo, Harry — disse Dumbledore, a voz tremendo. — Mas eu não permitirei que você consuma este mundo.

— Você não tem escolha — Harry desapareceu em um borrão de velocidade que até os olhos de Dumbledore tiveram dificuldade em acompanhar.

O som do impacto entre a varinha de Dumbledore e as garras de Harry criou uma onda de choque que derrubou as mesas das casas. Harry estava rindo, uma risada de puro êxtase sádico, enquanto suas unhas negras raspavam contra o escudo de luz do diretor.

— Veja, Alvo! — gritou Harry, seus olhos fúcsia a centímetros dos de Dumbledore. — Veja o que seus "filhos" se tornaram!

Dumbledore olhou para trás de Harry e viu Hermione e Draco, seus rostos transformados, suas almas perdidas na eternidade do sangue. O horror no rosto do diretor foi o maior presente que Harry recebeu naquela noite.

— A era dos bruxos acabou, Alvo — sussurrou Harry, aumentando a pressão, suas garras começando a rachar a barreira mágica. — O Rei dos Onis reclama seu trono. E o seu sangue... ah, o seu sangue será a joia da minha coroa.

A batalha que se seguiu não foi apenas de feitiços, mas de vontades. Hogwarts, o castelo que uma vez foi um símbolo de esperança, agora era o palco da ascensão de um deus cruel. E enquanto a fênix chorava lágrimas que não podiam mais curar a alma de Harry, a lua sobre o castelo tornava-se de um vermelho profundo, sinalizando que a alvorada escarlate havia finalmente chegado.