Harry Slayer
O Crepúsculo dos Ídolos e a Sinfonia de Vidro
A Varinha das Varinhas pulsava com uma luz branca ofuscante, uma resistência desesperada contra a pressão das garras de obsidiana de Harry. O ar no Salão Principal tornara-se denso, carregado com o ozônio da magia antiga e o cheiro acre do sangue demoníaco. Alvo Dumbledore, com o rosto vincado por séculos de sabedoria e agora por uma dor paternal lancinante, mantinha-se firme, embora seus pés deixassem sulcos profundos no chão de pedra.
— Você fala de liberdade, Harry — disse Dumbledore, a voz projetada por um feitiço de ressonância —, mas vejo apenas novas correntes. O sangue de Kibutsuji não é um dom; é uma fome que nunca será saciada.
Harry inclinou a cabeça, um movimento fluido que fez seus cabelos negros dançarem como sombras vivas. Seus olhos fúcsia brilharam com um escárnio genuíno.
— A fome é o que nos mantém vivos, Alvo — Harry sibilou, sua voz cortando o som da magia como uma navalha. — Vocês, bruxos, definham em sua satisfação medíocre. Eu? Eu sou o apetite infinito.
Com um rugido que não era humano, Harry impulsionou-se para trás, apenas para saltar novamente com uma velocidade que desafiava a percepção visual. Dumbledore girou a varinha, conjurando chicotes de fogo sagrado que estalaram no ar, tentando conter o borrão negro e fúcsia que era o Rei dos Onis.
— Arte de Sangue Demoníaco: Espinhos do Lótus Negro! — gritou Harry no ar.
Gotas de seu próprio sangue, expelidas por cortes invisíveis em seus pulsos, solidificaram-se instantaneamente em milhares de agulhas negras e translúcidas. Elas choveram sobre Dumbledore como uma tempestade de granizo letal. O diretor ergueu um escudo de prata líquida, mas a força do impacto era tamanha que cada agulha que atingia a barreira emitia um som de sino quebrado, vibrando nos ossos de todos os presentes.
— Hermione! Draco! — ordenou Harry, aterrissando com a graça de um gato no topo da mesa da Grifinória, agora deserta de comida e coberta de poeira. — Divirtam-se com a ave. O velho é meu.
Hermione, cujos olhos violetas agora processavam o fluxo da magia em equações matemáticas e rúnicas, levantou as mãos. Fios de energia escura entrelaçaram-se entre seus dedos de garra.
— Com prazer, meu Rei — respondeu ela, sua voz uma melodia distorcida. — Fawkes é uma anomalia biológica fascinante. Quero ver como suas cinzas reagem ao meu novo veneno.
Draco soltou um uivo de excitação e saltou em direção à fênix, que mergulhava do teto em uma tentativa desesperada de ajudar seu mestre. O loiro, envolto em uma aura de prata elétrica, colidiu com a ave de fogo no meio do ar, uma explosão de faíscas e penas escarlates iluminando o salão.
Dumbledore, vendo seus aliados e o próprio castelo sucumbirem, fechou os olhos por um breve segundo. Quando os abriu, a tristeza havia sido substituída por uma severidade absoluta.
— *Partis Temporus!* — bramiu o diretor.
O tempo pareceu desacelerar. O ar congelou em torno de Harry, transformando-se em uma prisão de âmbar mágico. Dumbledore avançou, a varinha traçando arcos complexos para selar o demônio que ocupava o corpo do menino que ele um dia amara.
Harry, contudo, soltou um riso que rompeu o feitiço temporal. Sua pele começou a rachar, revelando um brilho carmesim por baixo.
— Você ainda não entendeu, não é? — Harry murmurou, movendo-se dentro da lentidão do tempo com um esforço brutal. — A magia bruxa depende da vontade. A minha vontade é o próprio sangue. E o sangue nunca para.
Harry cravou as unhas no próprio peito, rasgando a pele e puxando uma lâmina feita de puro sangue coagulado e energia demoníaca. A espada pulsava como um coração exposto. Com um golpe horizontal, ele cortou o feitiço de Dumbledore, enviando uma onda de choque que partiu o trono de obsidiana ao meio.
— Harry, pare! — Dumbledore gritou, conjurando correntes de ferro frio que brotaram do chão. — Você está destruindo o mundo que seus pais morreram para proteger!
— Meus pais morreram por uma mentira! — Harry rugiu, sua aparência andrógina tornando-se subitamente aterrorizante, os traços endurecendo em uma máscara de fúria. — Eles morreram por uma profecia que você manipulou! Eles morreram para que eu pudesse ser sua arma! Pois bem, Alvo... aqui está a sua arma. Como é a sensação de ser cortado por ela?
Harry apareceu subitamente atrás de Dumbledore. A lâmina de sangue desceu, mas o diretor, com um reflexo milenar, bloqueou o golpe com a própria Varinha das Varinhas. O metal da lâmina e a madeira da varinha lendária gritaram em protesto.
— Você é apenas uma criança ferida, Harry — disse Dumbledore, o suor escorrendo por sua testa.
— E você é apenas um cadáver que se esqueceu de cair — retorquiu Harry.
Com um movimento rápido, Harry chutou o peito de Dumbledore, enviando o bruxo mais velho através da grande janela atrás da mesa dos professores. O vidro explodiu em um milhão de diamantes sangrentos. Dumbledore caiu no pátio externo, mas usou um feitiço de levitação para suavizar o impacto.
Harry saltou atrás dele, sua capa de seda negra abrindo-se como as asas de um morcego gigante contra a lua escarlate. Ele aterrissou no centro do pátio, cercado pelas estátuas de Hogwarts que Dumbledore agora tentava despertar.
— *Piertotum Locomotor!* — a voz de Dumbledore ecoou pelas torres.
As estátuas de pedra e armaduras ganharam vida, marchando em direção a Harry. O Rei dos Onis olhou para o exército de pedra com um tédio profundo.
— Arte de Sangue Demoníaco: O Jardim das Almas Esquecidas.
Harry bateu as palmas no chão. De cada gota de sangue que caíra nas pedras do pátio durante a luta, brotaram roseiras negras com espinhos de ferro. As plantas cresceram em segundos, envolvendo as estátuas, triturando o granito e o aço como se fossem papel. O pátio transformou-se em uma selva de trevas e espinhos.
Dumbledore estava exausto. A magia necessária para conter Harry era vasta demais, e a idade finalmente começava a cobrar seu preço. Ele se apoiou em uma pilastra, observando Harry caminhar em sua direção, a lâmina de sangue arrastando-se no chão, deixando um rastro de fogo fúcsia.
— Acabou, Alvo — disse Harry, parando a poucos metros. — Onde está a sua esperança agora?
— Ela está naqueles que virão depois de mim — disse Dumbledore, embora sua voz estivesse fraca.
— Não haverá ninguém depois de você — Harry levantou a lâmina. — Eu vou consumir cada bruxo, cada criatura, cada memória. Hogwarts será o meu mausoléu, e o mundo será o meu banquete.
Antes que Harry pudesse desferir o golpe final, uma explosão de luz azul atingiu o pátio. Kingsley Shacklebolt, Olho-Tonto Moody e uma dúzia de Aurores aparataram nos limites das proteções quebradas do castelo.
— Potter! Solte a varinha! — gritou Moody, seu olho mágico girando freneticamente, tentando compreender a forma de Harry.
Harry virou a cabeça, um sorriso cruel e belo iluminando seu rosto sob a luz da lua.
— Ah... o jantar chegou cedo — comentou ele para Dumbledore.
— Harry, não faça isso — implorou o diretor.
Harry ignorou-o. Ele olhou para os Aurores, que mantinham suas varinhas erguidas com mãos trêmulas. Eles viam um garoto de beleza divina, mas a aura que emanava dele era a de um predador que existia antes da própria luz.
— Vocês vieram salvar o seu herói? — Harry perguntou, sua voz projetando-se sem esforço pelo pátio. — Ou vieram para se juntar à minha coleção?
— Ataquem! — ordenou Kingsley.
Uma barragem de feitiços de estuporação e maldições vinculantes voou em direção a Harry. Ele não se esquivou. Ele simplesmente abriu os braços.
— Arte de Sangue Demoníaco: Espelho de Sangue Infinito.
Uma parede de líquido escarlate ergueu-se diante de Harry, absorvendo os feitiços e refletindo-os de volta com o dobro da força e tingidos com a corrupção demoníaca. Os Aurores foram atingidos por sua própria magia, caindo em agonia enquanto o sangue de Harry, disperso no ar pela explosão, começava a infectar suas feridas.
— Rony! Luna! — chamou Harry. — O gado está pronto. Escolham os que têm potencial. Matem o resto.
Rony apareceu das sombras das torres, suas garras cobertas de sangue de alunos que tentaram fugir. Luna desceu do céu, rindo suavemente, com penas de fênix presas em seu cabelo.
— Este tem um cheiro de coragem, Harry — disse Luna, apontando para Kingsley, que tentava se levantar. — Os Narguilés dizem que ele seria um ótimo guarda para os portões.
— Então transforme-o, Luna — disse Harry, voltando sua atenção para Dumbledore.
O diretor estava caído agora, a Varinha das Varinhas a poucos centímetros de sua mão. Harry chutou a varinha para longe e ajoelhou-se ao lado do velho bruxo. Com uma delicadeza sádica, ele limpou o sangue da testa de Dumbledore com o polegar.
— Eu não vou transformar você, Alvo — sussurrou Harry no ouvido do diretor. — Eu quero que você permaneça humano. Quero que você envelheça e apodreça em uma cela, observando através das grades enquanto eu desmonto tudo o que você construiu. Você será a única testemunha da minha glória.
— Você já perdeu, Harry — tossiu Dumbledore, um brilho de desafio ainda em seus olhos. — O amor...
— O amor é a primeira coisa que eu matei dentro de mim — interrompeu Harry, seus olhos fúcsia brilhando com uma intensidade insuportável. — E foi a melhor coisa que já fiz.
Harry levantou-se e olhou para o horizonte. O céu começava a clarear, mas não com o dourado do sol. As nuvens estavam pesadas, carregadas com a magia de Harry, filtrando a luz em um tom de rosa doentio.
— Hogwarts caiu — declarou Harry, sua voz ecoando por todo o vale.
Ele caminhou até o centro do pátio e cravou sua lâmina de sangue profundamente no solo sagrado da escola.
— Pelo meu sangue, eu reivindico esta terra. Pela minha vontade, eu governo esta noite. Que os vivos tremam e os mortos me sirvam. Eu sou Harry Potter, o Rei dos Onis, e o meu reinado é eterno!
Um rugido de aprovação veio de dentro do castelo. Centenas de vozes, não mais humanas, celebrando a queda da ordem antiga. Hermione e Draco aproximaram-se de Harry, ajoelhando-se aos seus pés.
— O que fazemos agora, meu Rei? — perguntou Hermione, seus olhos violetas brilhando com a sede de novos conhecimentos proibidos.
Harry olhou para as montanhas, para além dos limites de Hogwarts, onde o mundo bruxo ainda dormia, ignorante do monstro que haviam criado.
— Agora? — Harry sorriu, e naquele sorriso não havia nada de Harry Potter, apenas a crueldade infinita de um deus faminto. — Agora, nós vamos para Londres. Quero ver se o Ministério tem um sangue tão doce quanto o de Hogwarts.
Ele virou-se uma última vez para o castelo. As torres estavam manchadas de vermelho, e a bandeira da Grifinória, caída no pátio, estava sendo consumida pelas roseiras negras.
— Limpem o salão — ordenou Harry. — Temos convidados para o café da manhã. E certifiquem-se de que o Professor Snape e o Diretor Dumbledore fiquem em celas adjacentes. Eles sempre tiveram tanto para conversar.
Com um gesto de mão, Harry dissipou a lâmina de sangue. Ele caminhou de volta para o castelo, sua silhueta andrógina emoldurada pelas chamas azuis que agora decoravam as muralhas. O Rei havia conquistado seu trono, e o banquete... o banquete estava apenas começando.