Homem aranha e Deadpool
O Protocolo de Recompensa e a Suíte 42
A festa anual da Fundação Stark não era apenas um evento social; era um campo minado de alta tecnologia, champagne caro e egos que brilhavam mais que os reatores Arc. Alexander Mozart Stark odiava gravatas borboleta. Elas apertavam seu pescoço, dificultando a respiração e, mais importante, atrapalhando a transição rápida para o seu "outro" uniforme, caso as coisas ficassem interessantes.
E, como era de se esperar em qualquer evento que envolvesse a família Stark, as coisas ficaram interessantes da pior maneira possível.
O ataque foi coordenado. Robôs sentinelas reprogramados atravessaram as claraboias de vidro, transformando o salão de festas em uma zona de guerra em questão de segundos. Tony Stark já estava em sua armadura, Pepper guiava os civis para os abrigos, e Mozart... bem, Mozart estava sendo empurrado contra uma coluna de mármore por uma dessas latas velhas voadoras.
— Sabe — Mozart resmungou, tentando desviar de um pulso de energia que quase levou sua orelha —, eu realmente esperava terminar esse canapé antes de começar o apocalipse robótico.
Ele estava prestes a ativar as lâminas ocultas em seu relógio de pulso — um presente "defensivo" que ele mesmo projetou — quando um vulto vermelho e azul cruzou o salão. Uma teia atingiu o sensor ótico do robô, e um chute potente o arremessou contra a parede.
O Homem-Aranha pousou graciosamente na frente de Mozart, os olhos da máscara se ajustando enquanto ele analisava o filho de Tony Stark.
— Você está bem, Mozie? — A voz do herói estava carregada de uma urgência que Mozart conhecia bem demais.
— Inteiro e fabuloso, Aranha — Mozart respondeu, ajustando o paletó amassado e exibindo aquele sorriso sarcástico que sempre desarmava Peter. — Mas você demorou. Achei que tínhamos um acordo sobre você ser meu guarda-costas pessoal não oficial.
— Eu estava... ocupado com o outro lado do prédio! — O Aranha disparou mais duas teias, prendendo um drone que mergulhava em direção a eles. — Temos que tirar você daqui. Agora.
— Meu quarto. Andar 42. O sistema de segurança lá é independente — sugeriu Mozart, seus olhos brilhando com uma ideia que nada tinha a ver com segurança robótica.
O Homem-Aranha não discutiu. Ele envolveu a cintura de Mozart com um braço e disparou um fio de teia para o teto, içando-os para longe do caos. Mozart aproveitou o trajeto para se segurar no pescoço do herói, sentindo os músculos firmes sob o traje de elastano. Ele sabia que era Peter ali embaixo. E ele sabia que Peter não sabia que ele sabia. Era um jogo delicioso.
Quando a porta blindada da suíte de Mozart se fechou atrás deles, o silêncio substituiu o som de explosões. O quarto era um santuário de tecnologia, guitarras Gibson e discos de vinil.
— Você está seguro aqui — disse o Homem-Aranha, ofegante, soltando Mozart. Ele se virou para a janela, observando o combate lá embaixo. — Preciso voltar e ajudar seu pai.
— Ei, herói — Mozart chamou, sua voz agora mais baixa, mais rouca. Ele começou a desamarrar a gravata borboleta, jogando-a casualmente sobre uma poltrona de couro. — Meu pai tem os Vingadores. Ele tem o Rhodey. Ele tem um exército de drones. O que eu tenho aqui em cima é um salvador que parece exausto.
Peter hesitou. O sentido aranha não detectava perigo, mas seu coração batia a mil por hora. Ele se virou para Mozart, que agora estava desabotoando os primeiros botões da camisa social branca.
— Moz, eu realmente deveria...
— O Homem-Aranha salvou o príncipe da torre — Mozart interrompeu, caminhando lentamente em direção a ele. — E, na minha família, nós sempre pagamos nossas dívidas. Considero isso um protocolo de recompensa.
Ele parou a poucos centímetros de Peter. O contraste era fascinante: o herói mascarado, o símbolo da responsabilidade, diante do herdeiro rebelde, o gênio que escondia um mercenário caótico sob a pele.
— O que você quer, Mozart? — perguntou o Aranha, a voz quase um sussurro.
— O que *você* quiser — respondeu Mozart, colocando as mãos nos ombros do herói. — Eu sou seu para usar, Aranha. Como recompensa. Como agradecimento. Como... o que você desejar.
Peter sentiu o mundo girar. Como Peter Parker, ele era tímido e contido. Como Homem-Aranha, ele era confiante, mas Mozart Stark tinha o poder de inverter essas polaridades. Havia algo na submissão oferecida por Mozart — uma submissão que Peter sabia ser puramente eletiva e perigosamente sedutora — que despertava um lado dele que raramente via a luz do dia.
— Você não sabe o que está pedindo — disse Peter, sua voz ganhando um tom mais autoritário, mais profundo.
— Ah, eu sei exatamente — Mozart sorriu, inclinando a cabeça, expondo o pescoço. — Você é o herói, Pete... digo, Aranha. Você dita as regras hoje.
A menção quase acidental do nome fez Peter estremecer. Ele segurou o queixo de Mozart com uma mão enluvada, forçando-o a olhar nos olhos brancos da máscara.
— Sente-se na cama — ordenou Peter.
Mozart obedeceu imediatamente. Havia uma eletricidade no ar. Ele se sentou na beira da cama king-size, observando o Homem-Aranha caminhar até a porta e trancá-la eletronicamente. Peter voltou, parando entre as pernas de Mozart.
— Tire a camisa — comandou o Aranha.
Mozart soltou uma risada curta, mas seus dedos tremiam levemente enquanto terminava de desabotoar a peça. Ele a deixou escorregar pelos ombros, revelando o físico atlético e algumas cicatrizes que Peter, em sua inocência de herói, atribuía a "acidentes de laboratório". Mozart Stark, o filho de Tony, era um espetáculo de vulnerabilidade e desafio.
Peter ajoelhou-se entre as pernas dele, mas não para ser gentil. Ele segurou as coxas de Mozart com firmeza, sentindo a reação imediata do outro.
— Você gosta disso, não gosta? — Peter perguntou, sua mão subindo para o peito de Mozart, sentindo o coração dele disparado. — Gosta de ser mandado.
— Gosto quando é você quem manda — Mozart confessou, a respiração curta. — Você tem tanta responsabilidade lá fora... achei que gostaria de ter um pouco de controle aqui dentro.
Peter puxou a máscara apenas até o nariz, revelando os lábios e o queixo. Ele não beijou Mozart imediatamente. Ele roçou os lábios contra a mandíbula dele, provocando-o.
— Você é muito falante para alguém que prometeu ser uma recompensa silenciosa — murmurou Peter, antes de morder levemente o lóbulo da orelha de Mozart.
Mozart soltou um gemido baixo, jogando a cabeça para trás. Ele adorava a dualidade da situação. Quando ele era Deadpool, ele era o caos, o agressor, o palhaço sanguinário que dominava o campo de batalha. Mas ali, com Peter — o seu Peter, mesmo que oculto pela máscara —, ele queria ser o porto seguro, o objeto de desejo, aquele que se entregava.
Peter empurrou Mozart para trás no colchão, ficando por cima dele. O peso do herói era reconfortante. As mãos de Peter, normalmente tão cuidadosas para não quebrar nada com sua superforça, agora apertavam os pulsos de Mozart contra os travesseiros com uma possessividade que fez o Stark vibrar.
— Você é meu agora, Mozart — Peter disse, a voz rouca contra a pele do pescoço dele.
— Sim — Mozart arqueou as costas, procurando o contato. — Todo seu.
O beijo que se seguiu foi faminto. Peter dominava o espaço, a língua explorando a boca de Mozart com uma autoridade que Peter Parker nunca teria coragem de exercer. Mozart se perdia na sensação, as mãos tateando o traje do Aranha, sentindo a textura do tecido e o calor do corpo por baixo.
Enquanto a batalha lá embaixo terminava e os Vingadores limpavam os destroços, no andar 42, uma dinâmica diferente se desenrolava. Peter, movido pelo desejo acumulado e pela adrenalina da luta, explorava cada centímetro de Mozart, tratando-o como o tesouro que ele secretamente sempre quis possuir. E Mozart, o gênio sarcástico que costumava ter resposta para tudo, descobriu que o silêncio da entrega era a música mais bonita que já tinha ouvido.
Mais tarde, quando a respiração de ambos começou a voltar ao normal e o luar banhava o quarto, Peter estava sentado na beira da cama, recolocando a máscara. Mozart estava deitado, coberto apenas por um lençol de seda, observando o herói com um olhar de pura adoração.
— Você vai voltar para a festa? — perguntou Mozart, a voz sonolenta.
— Preciso garantir que seu pai não destruiu a cidade inteira tentando te encontrar — respondeu Peter, levantando-se. Ele parou por um segundo e olhou para trás. — Obrigado pela... recompensa, Mozie.
— Quando quiser, Aranha. As portas da torre estão sempre abertas para você.
Peter saltou pela janela, desaparecendo na noite. Mozart sorriu, virando-se para o lado e fechando os olhos.
— Ah, Peter — ele murmurou para o quarto vazio —, se você soubesse o quanto eu me diverti sendo o seu "garoto em perigo".
Ele se levantou, caminhando até o closet e abrindo o fundo falso onde o traje vermelho e preto de Deadpool estava pendurado. Ele passou a mão pelo elastano áspero.
— Amanhã — Mozart disse para a máscara de Deadpool —, amanhã eu sou o ativo da relação e vou irritar aquele aracnídeo até ele querer me prender com teias no topo do Empire State.
Ele riu, uma risada caótica e feliz. A vida dupla era complicada, o romance era um labirinto, e ele era um Stark. E no final das contas, Alexander Mozart Stark sempre conseguia exatamente o que queria.