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Homem aranha e Deadpool

O Paradoxo do Tapete Bordô e Outras Distrações

A suíte de Mozart Stark na Torre dos Vingadores era um monumento ao caos organizado. Havia guitarras penduradas em suportes de fibra de carbono, pilhas de HQs raras servindo de apoio para protótipos de drones e um cheiro onipresente de solda, café expresso e o perfume caro que Mozart herdara do bom gosto de Pepper Potts. Mas, no centro de tudo, o elemento mais importante era o enorme tapete bordô, tão macio que Ned Leeds uma vez jurou que ele tinha sua própria gravidade.

No momento, Peter Parker era a prova viva dessa teoria.

Peter estava sentado no chão, aninhado entre as pernas de Mozart, com as costas apoiadas no peito do Stark. Mozart, por sua vez, estava completamente absorto em seu Nintendo Switch, os dedos longos movendo-se com uma precisão cirúrgica enquanto ele tentava, pela décima vez, derrotar um chefe secreto em um RPG japonês obscuro.

— Moz, você vai perder de novo se não usar a poção de mana — comentou Peter, inclinando a cabeça para trás para olhar para o namorado.

— Shh, Pete! Não quebre meu foco zen-mercenário — Mozart murmurou, a língua levemente entre os dentes. — Eu sou o Deadpool. Eu não uso poções. Eu uso a força bruta e o sarcasmo.

— O Deadpool usa metralhadoras e regeneração espontânea. O seu personagem é um mago de nível 40 com uma túnica rosa — Peter riu, sentindo a vibração do peito de Mozart contra suas costas.

— A túnica é salmão, Parker. Salmão! E ela dá +15 de carisma.

Mozart soltou um grunhido de frustração quando a tela brilhou em vermelho com a palavra "GAME OVER". Ele jogou o console de lado no tapete e envolveu os braços em volta da cintura de Peter, enterrando o rosto no pescoço do garoto. Já fazia alguns meses desde que as máscaras haviam caído — literalmente. A revelação de que o Homem-Aranha era o seu melhor amigo nerd e que o Deadpool era o filho caótico do Homem de Ferro tinha sido, para dizer o mínimo, uma explosão nuclear em suas vidas sociais.

Mas agora, o silêncio era confortável. Não havia mais segredos, apenas a estranha e deliciosa realidade de que o herói mais responsável de Nova York estava namorando o mercenário mais irresponsável do mundo.

— Como foi a patrulha? — Mozart perguntou, a voz abafada contra a pele de Peter.

— O de sempre. Dois assaltos a mão armada, um gato preso em uma árvore — que, a propósito, me arranhou — e o Flash Thompson tentando impressionar a MJ com um carro que ele claramente não sabe dirigir.

— Eu podia explodir o carro dele — Mozart sugeriu casualmente. — Como Deadpool, claro. Como Mozart, eu apenas compraria a empresa que fabrica os pneus e suspenderia a produção do modelo dele.

— Você não vai explodir o carro do Flash, Mozie.

— Você é tão sem graça, Parker. É por isso que eu te amo.

Peter virou-se nos braços dele, ficando de frente para Mozart no tapete. Ele levou a mão ao cabelo agora preto e comprido de Mozart, afastando uma mecha dos olhos intensos do outro.

— Sabe o que é mais estranho? — Peter perguntou. — É que eu ainda não consigo decidir se gosto mais do Mozart que toca música clássica no piano da Pepper ou do Deadpool que quebra a quarta parede enquanto chuta a cara do Treinador.

— Por que escolher? — Mozart sorriu, aquele sorriso de lado que sempre fazia o sentido aranha de Peter disparar por motivos não relacionados ao perigo. — Você leva o pacote completo. O gênio, o bilionário, o playboy, o mercenário e o cara que tem uma coleção de edições limitadas da Hello Kitty.

— Você tem o quê?

— Não mude de assunto.

Mozart puxou Peter para um beijo lento. O tapete bordô parecia a única coisa sólida em um universo de constantes. Mas, como sempre acontecia na vida de um Stark, a paz durava o tempo de um fusível queimado.

O comunicador no pulso de Mozart apitou. A voz de JARVIS — ou melhor, da interface que Mozart havia personalizado para soar como uma mistura de sarcasmo e eficiência — ecoou pelo quarto.

— Alexander, seu pai solicita sua presença imediata no escritório principal. Ele mencionou algo sobre "ajustes orçamentários" e "por que há uma nota fiscal de três milhões de dólares em tacos".

Mozart revirou os olhos, mas não soltou Peter.

— Diga a ele que estou em uma reunião de cúpula com o Protetor Letal do Queens.

— Receio que o Sr. Stark tenha visto o Sr. Parker entrar no seu quarto há duas horas, senhor. Ele não acredita na natureza diplomática da reunião.

Peter suspirou, levantando-se e oferecendo a mão para Mozart.

— É melhor irmos. Se o Tony ficar desconfiado, ele vai mandar o braço robótico do laboratório vir nos buscar.

***

O escritório de Tony Stark era o ápice da sofisticação tecnológica. Paredes de vidro com vista para toda Manhattan, hologramas flutuantes exibindo dados da bolsa de valores e uma mesa de carvalho que provavelmente custava mais do que a casa da Tia May.

Quando Peter e Mozart entraram, o escritório estava vazio. Tony devia ter saído para buscar algum café ou para gritar com algum senador no corredor.

— Ele não está aqui — observou Peter, olhando em volta. — Talvez devêssemos esperar lá fora.

Mozart, no entanto, não parecia interessado em esperar. Ele caminhou até a mesa do pai e sentou-se na cadeira de couro giratória, colocando os pés sobre o carvalho impecável.

— Imagine as possibilidades, Pete. O Homem de Ferro e o Homem-Aranha salvando o mundo, enquanto o Deadpool limpa a bagunça que a burocracia não deixa vocês tocarem.

— Você fala como se ser o Deadpool fosse um trabalho de zeladoria — Peter riu, aproximando-se da mesa.

— E não é? Eu tiro o lixo. Só que o meu lixo usa armas de grosso calibre.

Mozart estendeu a mão, puxando Peter pela gola da camiseta. A tensão que vinha crescendo no tapete do quarto não tinha desaparecido; ela apenas tinha sido transportada para um ambiente muito mais proibido. Peter sentiu a adrenalina subir. Havia algo terrivelmente excitante em estar no santuário de Tony Stark, agindo de forma completamente inadequada.

— Moz, seu pai pode voltar a qualquer segundo — Peter sussurrou, embora suas mãos já estivessem encontrando o caminho para a nuca de Mozart.

— O velho Tony adora um drama. E ele sempre diz que eu preciso ser mais assertivo nos meus negócios. — Mozart puxou Peter para cima da mesa, derrubando alguns tablets holográficos no processo. — Eu estou sendo assertivo agora.

Peter não lutou contra. Ele se sentou na borda da mesa, as pernas envolvendo os quadris de Mozart enquanto o Stark se levantava da cadeira para ficar entre elas. O beijo foi imediato e urgente. Mozart tinha um jeito de beijar que misturava a precisão de um cientista com a fome de alguém que já morreu e voltou à vida vezes demais.

As mãos de Mozart deslizaram por baixo da camiseta de Peter, sentindo os músculos definidos do Homem-Aranha. Peter soltou um gemido baixo, suas unhas cravando-se nos ombros do paletó de Mozart. O contraste entre o ambiente estéril do escritório e o calor frenético entre eles era inebriante.

— Você é... tão... teimoso — Peter arfou entre os beijos.

— E você é tão... apertado nesse traje, Parker. Eu deveria te fazer um novo. Com zíperes mais fáceis.

Mozart começou a trilhar um caminho de beijos pelo pescoço de Peter, encontrando aquele ponto exato perto da clavícula que fazia o garoto perder o fôlego. A mesa de carvalho rangeu sob o peso dos dois. Mozart estava prestes a levar as coisas para um nível que certamente exigiria uma limpeza profunda no escritório, quando a porta automática deslizou com um chiado eletrônico suave.

— Eu juro por Deus, Happy, se os acionistas reclamarem de novo do...

Tony Stark parou no meio da frase. Ele segurava um copo térmico em uma mão e um tablet na outra. Seus olhos se arregalaram, passando de Mozart, que estava com a camisa entreaberta e o cabelo desgrenhado, para Peter, que estava sentado em sua mesa de um milhão de dólares com o rosto mais vermelho que o traje do Homem-Aranha.

O silêncio que se seguiu foi absoluto. JARVIS, com um senso de humor impecável, escolheu aquele momento para projetar um gráfico de lucros trimestrais bem atrás da cabeça de Peter.

— Pai — disse Mozart, sem se afastar de Peter, embora tenha parado de beijá-lo. Ele exibiu um sorriso desafiador. — Você disse que queria discutir os ajustes. Estamos no meio de uma sessão de brainstorming.

Tony piscou lentamente. Ele olhou para Peter, que parecia querer sofrer uma combustão espontânea.

— Garoto — Tony disse, dirigindo-se a Peter —, eu te dei um estágio, um traje de bilhões de dólares e a chave da minha casa. Eu não esperava que você usasse a minha mesa de carvalho como um motel da Oitava Avenida.

— Sr. Stark! Eu... nós... a física... — Peter tentou formular uma frase, mas seu cérebro tinha entrado em curto-circuito.

— A física da fricção, eu presumo? — Tony suspirou, caminhando até o frigobar e pegando uma água mineral, agindo como se não houvesse dois super-heróis seminus em seu escritório. — Mozart, se você quebrar essa mesa, eu vou descontar do seu orçamento de munição. E Peter, por favor, saia de cima dos relatórios da Stark Industries. Você está amassando os dados de fusão nuclear.

Peter saltou da mesa tão rápido que quase usou sua superforça para atravessar o teto. Ele começou a ajeitar a roupa freneticamente.

— Desculpe, Sr. Stark. Isso não vai acontecer de novo.

— Vai sim — Mozart interrompeu, piscando para Peter. — Só que da próxima vez vamos usar o laboratório do Bruce. Ele é mais compreensivo com a "ciência aplicada".

Tony massageou as têmporas.

— Saiam. Os dois. Agora. Antes que eu peça para o Visão vir dar uma palestra sobre moral e bons costumes.

Peter não precisou ouvir duas vezes. Ele praticamente correu em direção à porta. Mozart, no entanto, caminhou calmamente, parando ao lado do pai.

— A propósito, pai — disse Mozart, pegando um biscoito da bandeja de Tony —, a nota fiscal dos tacos foi necessária. O Homem-Aranha estava com fome após salvar o Queens. E o Deadpool... bem, o Deadpool nunca recusa um agrado.

— Fora! — Tony gritou, embora houvesse um traço de sorriso escondido em sua irritação.

***

Já era tarde da noite quando eles voltaram para o quarto de Mozart. O tapete bordô ainda estava lá, convidativo e silencioso. Peter estava deitado de costas, olhando para o teto, enquanto Mozart afinava sua Les Paul preta.

— Meu Deus, Moz. Eu nunca mais vou conseguir olhar para o seu pai sem querer morrer — Peter murmurou, cobrindo os olhos com o braço.

— Relaxa, Pete. O Tony já fez coisas muito piores naquela mesa. Por que você acha que a Pepper insistiu em comprar uma nova no ano passado?

Peter riu, a tensão finalmente deixando seu corpo.

— Somos um desastre, não somos?

— O melhor tipo de desastre — Mozart dedilhou um acorde sombrio e potente na guitarra. — O tipo que tem identidades secretas, dramas familiares e um tapete bordô que guarda segredos melhor que a SHIELD.

Mozart largou a guitarra e deitou-se ao lado de Peter, puxando-o para perto.

— Sabe — Mozart disse, a voz séria por um momento —, ser o Deadpool é fácil. Ser o Mozart Stark é cansativo. Mas ser o cara que volta para casa e encontra o Peter Parker... isso é a única coisa que faz sentido.

Peter virou-se de lado, olhando para o rosto de Mozart. As cicatrizes que o fator de cura não conseguia apagar totalmente, o brilho de inteligência nos olhos, a mistura de perigo e doçura.

— Eu não trocaria isso por nada — Peter disse sinceramente. — Nem mesmo por uma vida normal onde eu não fosse pego pelo Homem de Ferro em cima de uma mesa.

— Bom — Mozart sorriu, puxando o cobertor sobre eles. — Porque amanhã temos aula de química orgânica às oito da manhã. E eu ouvi dizer que o Deadpool tem uma missão em Madripooor às onze.

— E o Homem-Aranha?

— O Homem-Aranha vai estar comigo. Como sempre.

Peter sorriu, fechando os olhos enquanto sentia o batimento cardíaco constante de Mozart contra o seu. A vida era uma teia complexa, cheia de fios rompidos e nós apertados, mas ali, naquele quarto, tudo estava exatamente onde deveria estar. Mozart e Peter. Deadpool e Aranha. E, claro, o tapete bordô, que continuaria sendo o centro silencioso de seu universo caótico.

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