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Homem aranha e Deadpool

O Silêncio das Armaduras e o Caos das Cordas

A luz da lua sobre o Rio Hudson tinha uma tonalidade prateada que Mozart Stark sempre achou excessivamente dramática, quase como se o próprio universo estivesse tentando copiar a estética de um filme noir. Ele estava sentado no parapeito da varanda da suíte de seu pai, com os pés balançando sobre o abismo de aço e vidro da Stark Tower. Entre seus dedos, uma palheta de titânio girava com uma velocidade hipnótica.

— Você sabe que o sistema de ventilação do setor 4 está com um zumbido estranho, não sabe? — Mozart perguntou, sem olhar para trás.

Atrás dele, o som suave de botas aterrissando no metal confirmou a presença que ele já sentia. Peter Parker, ou melhor, o Homem-Aranha, estava agachado no topo de uma gárgula decorativa que Tony insistira em instalar apenas por capricho arquitetônico.

— Eu notei — respondeu Peter, a voz abafada pela máscara, mas carregada daquele cansaço familiar que Mozart aprendera a identificar como "acabei de lutar contra um rinoceronte mecânico e ainda tenho que entregar um ensaio sobre fissão nuclear". — Achei que fosse apenas o prédio suspirando de tédio por causa da sua última playlist de heavy metal.

Mozart soltou uma risada curta, virando o rosto para observar o herói.

— Minhas playlists são obras-primas de agressividade melódica, Parker. Não culpe a arte pela falha da engenharia do meu velho.

Peter saltou para o parapeito, sentando-se ao lado de Mozart. Ele puxou a máscara até o nariz, deixando a boca livre para respirar o ar gelado da noite. Mozart não perdeu tempo; ele se inclinou e roubou um beijo rápido, com gosto de adrenalina e do chiclete de menta que Peter sempre mastigava para disfarçar o hálito de quem passava horas em patrulha.

— O que foi isso? — Peter perguntou, sorrindo contra os lábios de Mozart.

— Um adiantamento — Mozart respondeu, os olhos escuros brilhando com uma malícia que Peter conhecia bem. — Porque o que eu planejei para depois que você tirar esse colante vai exigir muito mais do que um beijo.

— Moz, eu realmente tenho que estudar para a prova do Dr. Connors amanhã — Peter protestou, embora seu corpo estivesse se inclinando perigosamente na direção de Mozart.

— O Dr. Connors é um lagarto gigante nas horas vagas, Pete. Ele vai entender se você priorizar a biologia aplicada com o filho do Homem de Ferro.

Mozart levantou-se, estendendo a mão para Peter.

— Vem. O laboratório do subsolo está vazio. Meu pai e a Pepper foram para uma conferência em Tóquio, e o Happy está ocupado demais tentando entender como funciona o novo sistema de segurança que eu... "melhorei".

***

O laboratório pessoal de Mozart era um reflexo de sua mente: uma mistura de tecnologia Stark de ponta e o caos anárquico do Deadpool. Havia braços robóticos segurando guitarras, mesas holográficas exibindo esquemas de armas que fariam o Capitão América ter um ataque cardíaco e, no canto, o traje vermelho e preto de Deadpool jogado sobre uma cadeira como se fosse uma roupa comum.

Assim que a porta blindada se fechou, Peter retirou a máscara completamente, revelando o cabelo bagunçado e os olhos castanhos que Mozart tanto adorava provocar.

— Você disse que queria me mostrar algo — Peter lembrou, cruzando os braços e tentando não se distrair com o jeito que Mozart estava jogando o paletó caro no chão.

— Sim. — Mozart caminhou até um console central e digitou uma sequência rápida. — Eu andei analisando as gravações da nossa última missão contra os capangas do Rei do Crime. Aquela em que você me chamou de "insuportável" treze vezes em dez minutos.

— Foram quatorze — Peter corrigiu. — Eu contei.

— Detalhes. — Mozart ativou um holograma. — Veja a frequência cardíaca do seu traje e a minha assinatura energética. Quando estamos perto um do outro, nossas frequências entram em uma ressonância harmônica quase perfeita. É como se a física estivesse tentando nos dizer que somos uma anomalia estatística. Ou que somos feitos um para o outro. Eu prefiro a segunda opção, é mais poética.

Peter aproximou-se do holograma, observando os gráficos que se cruzavam.

— Isso é... fascinante, Moz. Mas por que você está me mostrando isso agora?

Mozart desligou o holograma com um gesto brusco e deu um passo para dentro do espaço pessoal de Peter. Ele segurou o rosto do garoto com as mãos, os polegares traçando as linhas de sua mandíbula.

— Porque eu percebi que passamos tempo demais sendo o Aranha e o Deadpool, ou o Peter e o Mozart estudante. — A voz de Mozart baixou para um tom perigosamente rouco. — E pouco tempo sendo apenas... nós. Sem máscaras, sem o peso do mundo, sem o meu pai vigiando cada transação financeira que eu faço para comprar munição.

Peter sentiu o calor emanar de Mozart. Ele envolveu a cintura do Stark, puxando-o para mais perto, sentindo a textura da camisa de seda contra a palma de suas mãos.

— E o que você sugere, Mozart? — sussurrou Peter, sua respiração batendo contra o pescoço do outro.

— Sugiro que a gente pare de falar de ciência — Mozart respondeu, antes de atacar os lábios de Peter com uma fome que não tinha nada de acadêmica.

O beijo foi intenso, uma colisão de dentes e línguas que refletia a natureza caótica de ambos. Mozart empurrou Peter contra a mesa de metal lisa, derrubando alguns componentes eletrônicos que tilintaram no chão. Peter soltou um gemido baixo, suas mãos subindo para o cabelo preto de Mozart, puxando-o com uma possessividade que raramente demonstrava.

Mozart afastou-se apenas o suficiente para olhar nos olhos de Peter, sua própria respiração arfante.

— Sabe, Parker... eu sempre quis saber se a sua flexibilidade de Aranha se aplica a todas as situações.

Peter sentiu o rosto esquentar, mas não desviou o olhar.

— Por que você não descobre por si mesmo?

Mozart sorriu, aquele sorriso de predador que precedia suas manobras mais arriscadas como Deadpool. Ele começou a desabotoar a própria camisa com uma lentidão torturante, mantendo o contato visual.

— Você é um garoto muito atrevido para alguém que ajuda velhinhas a atravessar a rua.

— E você é muito romântico para alguém que decapita ninjas por diversão — Peter rebateu, ajudando Mozart a se livrar da camisa.

A pele de Mozart era um mapa de contradições: a suavidade da juventude Stark misturada com as cicatrizes de batalhas que o fator de cura não conseguia apagar por completo. Peter traçou uma cicatriz longa em suas costelas com a ponta dos dedos, sentindo Mozart estremecer sob seu toque.

— Isso dói? — perguntou Peter suavemente.

— Só quando eu lembro que foi um palhaço de circo com uma serra elétrica que fez isso — Mozart brincou, mas seus olhos estavam sérios. Ele puxou Peter para outro beijo, este mais profundo e carregado de uma promessa silenciosa.

Eles se moveram para o sofá de couro preto no canto do laboratório, o único móvel que parecia ter sido colocado ali para o conforto e não para a pesquisa. Mozart ficou por cima de Peter, as mãos explorando o corpo do herói com uma curiosidade científica que rapidamente se transformou em desejo puro. O traje de Peter, agora parcialmente removido, revelava a musculatura tensa e a pele arrepiada.

— Você é perfeito, Pete — Mozart murmurou contra a pele do ombro de Peter, deixando uma marca ali que certamente exigiria uma gola alta no dia seguinte. — Um paradoxo ambulante. O maior gênio da nossa geração e o maior idiota por se apaixonar por alguém como eu.

— Eu não sou um idiota — Peter arfou, suas pernas se entrelaçando com as de Mozart. — Eu sou apenas alguém que sabe reconhecer uma boa oportunidade quando a vê. Mesmo que essa oportunidade fale demais e quebre a quarta parede.

Mozart riu, um som vibrante que ecoou no laboratório silencioso. Ele se inclinou, sussurrando no ouvido de Peter algo que fez o sentido aranha do garoto entrar em colapso total, não por perigo, mas por pura antecipação.

O que se seguiu foi uma dança de pele contra pele, um emaranhado de membros e suspiros que o sistema de segurança da Stark Tower, convenientemente "cego" por Mozart, não registrou. Ali, entre as máquinas e os segredos, o Homem-Aranha e o Deadpool não existiam. Havia apenas Mozart e Peter, dois jovens tentando encontrar um momento de verdade em um mundo feito de ficção e metal.

***

Horas depois, o laboratório estava mergulhado em uma penumbra azulada. Peter estava deitado com a cabeça no peito de Mozart, ouvindo o batimento cardíaco rítmico do outro. Mozart dedilhava uma melodia inexistente no braço de Peter, seus pensamentos parecendo estar a quilômetros de distância.

— Sabe, Pete — Mozart começou, a voz rouca pelo uso e pelo cansaço —, às vezes eu me pergunto o que aconteceria se a gente simplesmente... parasse.

Peter levantou a cabeça, olhando para ele.

— Parasse com o quê?

— Com as máscaras. Com as lutas. Se a gente pegasse um dos jatos do meu pai e sumisse para uma ilha onde ninguém soubesse o que é um Vingador ou um mutante.

Peter sorriu tristemente, acariciando o rosto de Mozart.

— Você ficaria entediado em três dias, Moz. E eu ficaria me sentindo culpado por cada crime que não impedi.

— É, você tem razão. A maldição do herói e a hiperatividade do mercenário. Somos um par trágico, não somos?

— Somos um par improvável — corrigiu Peter. — Mas eu não mudaria nada.

Mozart inclinou-se e beijou a testa de Peter.

— Nem eu. Mas se você tirar um C naquela prova de amanhã por minha causa, eu vou ter que hackear o sistema da faculdade e mudar sua nota.

— Você não faria isso.

— Tente me impedir, Parker. Tente me impedir.

O som de um alarme distante ecoou pelo prédio. Mozart suspirou, esticando-se como um gato.

— Parece que o dever chama. Ou o Happy finalmente descobriu que eu mudei a senha do Wi-Fi da cozinha para "TonyUsaCalcinha".

Peter riu, levantando-se e começando a procurar sua máscara no chão bagunçado.

— Você é impossível, Mozart Stark.

— E você me ama por isso.

Mozart levantou-se também, vestindo o traje de Deadpool com uma rapidez praticada. Ele colocou a máscara, os olhos brancos e expressivos voltando a ocupar o lugar do rosto humano.

— Vejo você no terraço em dez minutos? — perguntou o Deadpool, sacando uma de suas katanas apenas para verificar o fio.

— Estarei lá — respondeu o Homem-Aranha, já prendendo a máscara e se preparando para saltar para os dutos de ventilação.

— E Peter?

O Aranha parou, olhando para trás.

— Tente não ser atingido. Eu detestaria ter que remendar o seu traje de novo. O tecido é um pesadelo para costurar.

— Vou tentar, Mozie. Vou tentar.

O Homem-Aranha desapareceu nas sombras, e o Deadpool permaneceu no laboratório por mais um segundo, olhando para o sofá agora vazio. Ele soltou um suspiro que ninguém ouviu e então, com uma pirueta desnecessariamente dramática, quebrou a quarta parede com um olhar para o nada.

— O que foi? Vocês nunca viram um mercenário apaixonado? Vão ler um gibi ou algo assim. A patrulha está chamando.

Ele saltou pela janela aberta, mergulhando no céu de Nova York, pronto para ser o caos que o mundo precisava, enquanto guardava, bem perto do coração, o segredo de que o seu maior herói era apenas um garoto com um sorriso gentil e uma mente brilhante. A noite estava apenas começando, e a teia entre eles nunca esteve tão forte.

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