← Voltar ao resumo

Homem aranha e Deadpool

O Som da Rendição e Outros Ruídos

A suíte de Mozart Stark na Torre dos Vingadores era um monumento ao isolamento acústico de elite. Era o tipo de engenharia que permitia que o filho de Tony Stark tocasse bateria às três da manhã ou testasse explosivos em miniatura sem que Pepper Potts ouvisse um sussurro no andar de cima. Naquela noite, porém, o silêncio era o maior inimigo de Peter Parker.

Peter estava sentado no centro do tapete bordô, os pulsos presos por uma fita adesiva tecnológica que Mozart havia desenvolvido "para fins de contenção". Ele não estava em perigo — o sentido aranha estava em absoluto silêncio, o que era quase pior. O perigo era interno. Era a maneira como Mozart o olhava, não como o Deadpool caótico ou o gênio sarcástico, mas como alguém que havia acabado de encontrar um brinquedo novo e fascinante.

Mozart estava ajoelhado à sua frente, ainda usando as calças do traje de Deadpool, mas com o torso nu, exibindo a pele pálida e as cicatrizes que pareciam brilhar sob a luz neon azulada do laboratório anexo. Ele segurava o queixo de Peter com uma mão, forçando o olhar do garoto a encontrar o seu.

— Você está muito quieto, Parker — Mozart comentou, a voz como veludo sobre navalhas. — Onde está aquele humor rápido do Homem-Aranha? Onde estão as piadinhas sobre como eu sou insuportável?

Peter engoliu em seco. Sua garganta estava seca e seu rosto ardia. Ele se sentia exposto, não apenas porque estava sem a máscara, mas porque Mozart parecia ler cada uma de suas inseguranças.

— É difícil ser engraçado quando você está... assim — Peter murmurou, desviando os olhos.

Mozart riu, um som baixo e vibrante.

— "Assim"? Você quer dizer vulnerável? — Mozart aproximou o rosto, roçando o nariz no de Peter. — Eu adoro como você fica quando perde o controle, Pete. Você é tão... patético. De um jeito que me dá vontade de te quebrar e depois consertar peça por peça.

Peter fechou os olhos, um gemido involuntário escapando quando Mozart deslizou a mão livre pela sua coxa. Peter era sensível, sempre fora. Seus sentidos aprimorados faziam com que cada toque fosse amplificado por dez. O calor da mão de Mozart parecia queimar através do tecido fino de sua calça de moletom.

— Por favor, Moz... — Peter começou, mas a voz falhou.

— "Por favor" o quê? — Mozart sussurrou, descendo os beijos pelo pescoço de Peter, encontrando o ponto pulsante em sua jugular. — Por favor, pare? Ou por favor, me mostre o que você consegue aguentar?

Mozart não esperou resposta. Com uma agilidade que misturava a precisão de um cirurgião e a fome de um mercenário, ele desfez o nó do moletom de Peter. O ar frio do quarto atingiu a pele do garoto, fazendo-o estremecer.

— Você é tão sensível, não é? — Mozart observou, notando como os pelos do braço de Peter se arrepiaram. — Cada toque deve ser como um choque elétrico para você.

Ele envolveu Peter com a mão, um movimento firme e possessivo. Peter soltou um soluço sufocado, a cabeça caindo para trás contra o sofá que ficava atrás dele. Suas mãos presas tentaram encontrar apoio, os dedos arranhando o tecido do tapete.

— Moz... eu... — Peter tentava formular uma frase, mas seu cérebro era apenas um borrão de estática e prazer.

— Shh. Eu quero ouvir você, Peter. Eu quero ouvir cada ruído que você tenta esconder sob aquela máscara de herói perfeito.

Mozart começou a se mover, sua mão ditando um ritmo que Peter não conseguia acompanhar. O garoto era um desastre de reações; ele arqueava as costas, os quadris subindo involuntariamente em busca de mais, enquanto lágrimas de frustração e desejo começavam a brotar nos cantos de seus olhos. Ele parecia pequeno, quase frágil, apesar da força sobre-humana que possuía.

— Você é tão bom nisso, não é? — Mozart provocou, inclinando-se para lamber uma lágrima que escorria pelo rosto de Peter. — Tão bom em se render. Diga para mim, Peter. Diga o que você quer.

— Eu serei... um bom garoto... — Peter soltou, as palavras saindo em um tropeço humilhante. Ele estava perdendo a batalha contra a própria timidez. — Por favor, me ajude... eu serei bom para você.

Mozart parou o movimento por um segundo, os olhos escuros dilatando-se de prazer ao ouvir a submissão na voz de Peter. Ele adorava o contraste: o herói que carregava o peso de Nova York nos ombros, agora implorando por alívio nos pés do filho de Tony Stark.

— Um bom garoto? — Mozart repetiu, a voz carregada de uma ternura cruel. — Então mostre para mim.

Mozart se afastou um pouco, sentando-se nos calcanhares e guiando Peter para frente. O garoto obedeceu, os movimentos trêmulos e desajeitados. Ele olhou para Mozart com olhos suplicantes, a franja caindo sobre a testa, a imagem perfeita da vulnerabilidade que Mozart tanto cobiçava.

Quando Peter se inclinou, a hesitação era clara em cada fibra de seu ser. Ele era inexperiente, desajeitado, o oposto da confiança que Mozart exalava. Mas era exatamente isso que tornava tudo tão viciante. Mozart sentiu os dedos de Peter — ainda presos pela fita — tentarem se apoiar em seus joelhos.

— Olhe para mim, Peter — Mozart comandou.

Peter obedeceu, os olhos úmidos e focados no rosto de Mozart enquanto ele se entregava à tarefa. O som que Peter fazia — pequenos arquejos, o barulho da respiração errática — era a única coisa que preenchia o quarto. Mozart levou a mão ao cabelo de Peter, os dedos se enroscando nos fios castanhos, não com delicadeza, mas com uma firmeza que dizia "você é meu".

— Isso, Pete... — Mozart grunhiu, a cabeça caindo para trás por um momento. — Exatamente assim. Quem diria que o Homem-Aranha era tão talentoso em ser patético?

Peter continuou, o rosto corado, o coração batendo tão forte que ele tinha certeza de que Mozart conseguia senti-lo através do chão. Ele queria agradar, queria acabar com a tensão que o consumia, mas acima de tudo, ele queria que Mozart continuasse olhando para ele daquela forma — como se ele fosse a única coisa que importava em um mundo cheio de deuses e monstros.

O ritmo aumentou, e com ele, a perda de controle de Peter. Ele estava no limite, o corpo tremendo tanto que Mozart teve que segurá-lo pelos ombros para mantê-lo estável.

— Moz, eu... eu não consigo... — Peter gaguejou, a voz subindo uma oitava, beirando o desespero.

— Consegue sim. Você é forte, não é? O grande herói. Agente da justiça. — Mozart inclinou-se, sussurrando no ouvido de Peter, a voz vibrando contra o tímpano sensível do garoto. — Aguente mais um pouco para mim. Seja o meu garoto patético só mais um segundo.

O clímax atingiu Peter como um trem de carga. Ele soltou um grito abafado contra Mozart, o corpo inteiro entrando em espasmos. Suas mãos presas apertaram os braços de Mozart com tanta força que, se Mozart não tivesse o fator de cura do Deadpool, seus ossos teriam estalado. O garoto desabou contra o peito de Mozart, soluçando baixinho, o rosto escondido na curva do pescoço do Stark.

Mozart o envolveu em um abraço apertado, uma mão acariciando as costas nuas de Peter, a outra ainda presa nos cabelos dele. O silêncio voltou à suíte, mas era um silêncio diferente agora — pesado, carregado de uma intimidade que as máscaras nunca permitiriam.

— Olhe para você — Mozart sussurrou, a voz agora estranhamente suave. — Completamente acabado. O que o Capitão América diria se visse o prodígio dele nesse estado?

Peter não respondeu, apenas se encolheu mais contra Mozart, sentindo-se pequeno e incrivelmente seguro.

— Você é um idiota — Peter finalmente murmurou, a voz rouca.

— Sou. Mas sou o idiota que você implorou para ajudar você — Mozart rebateu, beijando o topo da cabeça de Peter. — E você foi um bom garoto, Pete. Muito bom.

Mozart usou uma pequena lâmina laser que saiu de seu pulso para cortar a fita nos pulsos de Peter. O garoto esfregou a pele avermelhada, sentindo a circulação voltar, mas não se afastou. Ele se sentia estranhamente leve, como se o peso da responsabilidade tivesse sido temporariamente transferido para os ombros de Mozart.

— Por que você gosta tanto de me ver assim? — Peter perguntou, finalmente encontrando coragem para olhar para Mozart. — Tão... sem defesas?

Mozart ficou em silêncio por um momento, observando as marcas que ele mesmo havia deixado.

— Porque todo mundo quer o Homem-Aranha, Peter. Todo mundo quer o herói infalível. Até o meu pai olha para você e vê o sucessor perfeito. — Mozart tocou o rosto de Peter com uma delicadeza que ele raramente mostrava. — Mas eu? Eu quero o Peter que chora quando está sobrecarregado. O Peter que é sensível demais para o próprio bem. Eu quero a parte de você que ninguém mais tem permissão de ver.

Peter sentiu o coração apertar. Era uma confissão distorcida, tipicamente Stark, mas era a coisa mais real que ele já ouvira.

— Você é louco — Peter disse, um pequeno sorriso surgindo em seus lábios.

— Eu sou o Deadpool, Pete. A loucura vem no contrato. — Mozart levantou-se, puxando Peter junto com ele. — Agora, vamos tomar um banho. Você está um desastre e eu tenho quase certeza de que o Steve Rogers vai bater na porta em dez minutos para te levar para o treino matinal.

— Dez minutos?! — Peter entrou em pânico, procurando suas roupas pelo chão. — Moz, por que você não me avisou?

— Porque ver você correndo pelado pelo meu laboratório é o ponto alto da minha semana — Mozart riu, caminhando em direção ao banheiro com uma confiança inabalável.

Peter o seguiu, resmungando sobre como Mozart era a pior influência de sua vida, mas sabendo, no fundo, que não trocaria aquele caos por nada no mundo. A vida universitária era difícil, ser um herói era exaustivo, mas ser o "bom garoto" de Mozart Stark era o único lugar onde ele podia, finalmente, deixar de ser forte.

Enquanto a água quente começava a cair, Mozart olhou para Peter através do espelho embaçado.

— Ei, Parker?

— Sim?

— Da próxima vez, vamos usar as algemas de vibrânio. A fita adesiva é muito fácil de tirar.

Peter jogou uma toalha nele, mas não conseguiu esconder o sorriso. O segredo deles estava seguro, trancado atrás das paredes acústicas da Torre Stark, em um mundo onde o herói era patético, o mercenário era protetor e a única coisa que importava era o som da rendição entre os dois.

Entrar com Telegram

Confirme o login no bot.