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Homem aranha e Deadpool

O Protocolo da Porta Trancada e o Som do Escudo no Chão

A suíte de Mozart Stark na Torre dos Vingadores era, tecnicamente, um bunker de luxo. As paredes tinham isolamento acústico de nível militar, as janelas eram à prova de balas de grosso calibre e o sistema de segurança, projetado pelo próprio Mozart, deveria ser impenetrável. Mas havia uma falha fundamental no design: Mozart tinha o hábito de subestimar a curiosidade paternal de Tony Stark e a autoridade moral de Steve Rogers.

Naquela tarde de terça-feira, o silêncio do laboratório privado de Mozart foi substituído por uma sinfonia de respirações curtas e o som metálico de fivelas sendo abertas. Mozart estava sentado na borda de sua mesa de trabalho de fibra de carbono, com as pernas envolvendo a cintura de Peter Parker. Peter, ainda vestindo a metade inferior de seu traje de Homem-Aranha, estava com o tronco nu, a pele arrepiada pelo contraste entre o ar-condicionado frio e o calor das mãos de Mozart em suas costas.

— Você sabe... — Peter arfou, com o rosto enterrado na curva do pescoço de Mozart — ...que o seu pai instalou novos sensores térmicos no corredor, não sabe?

Mozart soltou uma risada rouca, puxando Peter para mais perto, suas mãos deslizando para baixo para apertar as coxas musculosas do herói.

— Eu desativei os sensores, Pete. E o JARVIS sabe que, se ele me dedurar, eu vou substituir o núcleo de processamento dele por uma calculadora de bolso dos anos 80.

— Você é um péssimo filho — murmurou Peter, antes de selar os lábios nos de Mozart com uma fome que vinha crescendo desde a aula de física da manhã.

— E você é um herói muito indisciplinado. — Mozart sorriu contra a boca de Peter, girando-os para que Peter ficasse de costas para a mesa, cercado pelos braços de Mozart. — Onde está o senso de responsabilidade, Parker?

— Acho que deixei na mochila, junto com o meu dever de casa.

O beijo que se seguiu foi profundo e urgente. Mozart adorava a dualidade de Peter: a força sobre-humana que poderia esmagar aço, mas que, naquele momento, tremia sob o seu toque. Como Deadpool, Mozart vivia no caos, mas ali, com Peter, o caos tinha um propósito. Ele puxou Peter para o centro da mesa, derrubando um tablet holográfico e um maçarico de precisão no processo.

— Moz, a mesa... — Peter tentou protestar, mas sua voz morreu em um gemido quando Mozart mordeu seu lábio inferior.

— A mesa aguenta, Pete. Ela foi projetada para suportar o peso de um motor de jato. Acho que aguenta um Aranha e um Mercenário.

As roupas foram descartadas com uma pressa impaciente. O traje de elastano vermelho e azul ficou jogado sobre uma cadeira de design italiano, enquanto a camisa de seda de Mozart terminou em cima de um protótipo de drone. O laboratório estava mergulhado em uma luz âmbar suave, e a única coisa que importava era a fricção da pele e a eletricidade que parecia emanar de cada toque.

Peter estava em um estado de vulnerabilidade total, as costas arqueadas contra o metal frio da mesa enquanto Mozart o dominava com uma confiança que era puramente Stark. O sentido aranha de Peter estava desligado — ou talvez estivesse apenas gritando por um tipo diferente de "perigo".

— Você é meu agora, não é? — Mozart sussurrou, a voz carregada de uma possessividade que fazia o coração de Peter disparar.

— Sim — Peter respondeu, os olhos nublados de desejo, as mãos cravadas nos ombros de Mozart. — Sempre.

Eles estavam no auge do momento, um emaranhado de membros, suor e suspiros pesados, quando o impensável aconteceu. O sistema de segurança, que Mozart jurava ter hackeado, emitiu um bipe eletrônico suave.

— Mozart, precisamos conversar sobre o orçamento do seu novo...

A voz de Tony Stark morreu no ar no exato momento em que a porta automática deslizou para o lado.

Tony não estava sozinho. Steve Rogers estava logo atrás dele, segurando o escudo e discutindo algo sobre o cronograma de treinamento dos Novos Vingadores. Ambos pararam como se tivessem colidido com uma parede invisível.

O silêncio que se seguiu foi tão denso que poderia ser cortado com uma das katanas de Mozart.

Peter, com os reflexos de um herói, tentou se cobrir com a primeira coisa que encontrou: um diagrama holográfico de um reator arc que, infelizmente, não oferecia nenhuma cobertura física. Mozart, sendo um Stark e um mercenário cínico, apenas congelou na posição, olhando por cima do ombro com uma expressão que misturava choque e uma irritação profunda.

— Pelo amor de... — Tony começou, cobrindo os olhos com a mão livre, enquanto a outra ainda segurava um copo de café que agora tremia perigosamente. — JARVIS, eu não mandei você me avisar se o quarto estivesse ocupado?

— O Sr. Mozart desativou meus protocolos de privacidade, Sr. Stark — a voz calma da I.A. ecoou pelo teto. — Eu tentei sugerir que o senhor não entrasse.

Steve Rogers, por outro lado, parecia ter sido transformado em uma estátua de gelo. Seu rosto passou de um tom normal para um vermelho vibrante que rivalizava com a cor do seu escudo. Ele desviou o olhar imediatamente, olhando para o teto com um interesse súbito na fiação do ar-condicionado.

— Nós... nós deveríamos ter batido — Steve gaguejou, a voz falhando como a de um adolescente. — Tony, eu disse que deveríamos ter batido.

— Eu bati! — mentiu Tony, embora soubesse que apenas tinha usado o código de administrador para forçar a entrada. — Mas eu esperava encontrar o meu filho construindo uma bomba ou hackeando o Pentágono, não... não transformando o laboratório em um set de filmagem proibido para menores!

Peter finalmente conseguiu escorregar da mesa, caindo no chão e tateando freneticamente em busca de suas calças.

— Sr. Stark! Capitão! Eu... nós estávamos apenas... — Peter começou, a voz subindo três oitavas.

— Se você disser "estudando anatomia", Parker, eu juro que te expulso da equipe — Tony interrompeu, ainda com a mão sobre os olhos. — E Mozart, vista a droga de uma calça antes que eu peça para o Visão vir aqui e atravessar a parede para te dar uma palestra sobre moralidade cristã.

Mozart, recuperando sua compostura sarcástica, pegou sua camisa de seda e a vestiu sem pressa, deixando-a aberta.

— Sabe, pai, a invasão de privacidade é um crime federal. E Steve, você está segurando o escudo de cabeça para baixo.

Steve olhou para o escudo, bufou e deu um passo para fora do laboratório, ainda sem olhar para o centro da sala.

— Vou esperar no corredor — disse Steve, a voz agora rígida e militar. — Peter, vista-se. Mozart... precisamos ter uma conversa séria sobre limites.

Quando a porta se fechou parcialmente, deixando apenas Tony no recinto, o bilionário finalmente baixou a mão. Ele olhou para o filho e depois para Peter, que agora estava devidamente (embora desajeitadamente) vestido com o traje de Homem-Aranha, mas sem a máscara.

— Peter — Tony disse, o tom de voz mudando de raiva para algo que beirava a decepção paternal cômica. — De todas as pessoas no mundo para você se envolver, você escolheu o meu filho? O cara que tem uma parede falsa cheia de armas ilegais e que provavelmente tem o Deadpool como ídolo?

Mozart soltou uma risadinha, cruzando os braços.

— Ele tem bom gosto, pai. Diferente de você, que namora a mulher que gerencia a sua vida inteira porque você não sabe onde guarda as meias.

— Não meta a Pepper nisso! — Tony apontou o dedo para Mozart. — E você, Parker... eu confiei em você. Eu te dei o traje! Eu te dei o estágio! Eu não te dei permissão para usar o meu laboratório de tecnologia de ponta para... para isso!

— Sr. Stark, eu sinto muito — Peter disse, a cabeça baixa, o rosto ainda em chamas. — Aconteceu. Nós... nós nos gostamos muito.

Tony olhou para os dois. O silêncio voltou, mas desta vez era menos tenso. Ele viu o jeito que Mozart, apesar da atitude sarcástica, deu um passo para o lado para ficar mais perto de Peter, um gesto protetor sutil que Tony reconheceria em qualquer lugar. Ele viu o jeito que Peter olhava para Mozart, com uma devoção que ia além da amizade universitária.

— Certo — Tony suspirou, esfregando a ponte do nariz. — Eu não vou lidar com isso agora. Minha mente não está processando a imagem do Homem-Aranha na minha mesa de trabalho. Eu vou sair, vou tomar um drink muito forte, e quando eu voltar, eu quero que este laboratório esteja esterilizado. Literalmente.

— Entendido, Sr. Stark — Peter disse rapidamente.

— E Mozart? — Tony parou na porta, olhando para o filho.

— Sim, velho?

— Tranque a porta da próxima vez. E mude a senha do administrador. Se você é tão bom em tecnologia quanto diz, não deveria ser tão fácil para o seu pai te pegar no flagra.

Tony saiu, e a porta deslizou, fechando-se com um clique final.

Peter desabou em uma cadeira, cobrindo o rosto com as mãos.

— Eu vou morrer. Eu vou ser expulso dos Vingadores. O Capitão América nunca mais vai conseguir me olhar nos olhos sem pensar na minha... na minha retaguarda.

Mozart caminhou até ele, ajoelhando-se entre as pernas de Peter e puxando suas mãos para longe do rosto. Ele estava sorrindo.

— Ei, olha pelo lado positivo, Pete.

— Existe um lado positivo? — Peter perguntou, a voz abafada.

— O Steve ficou tão chocado que esqueceu de confiscar o meu estoque de granadas experimentais. E o meu pai... bem, ele não nos proibiu de namorar. Ele só pediu para esterilizar a mesa.

Peter olhou para Mozart, a seriedade da situação começando a ser substituída pelo absurdo de tudo aquilo.

— Você é um desastre, Mozart Stark.

— E você é o meu desastre favorito, Peter Parker. — Mozart inclinou-se e deu um beijo suave na ponta do nariz de Peter. — Mas ele tem razão em uma coisa.

— No quê?

— A mesa de carvalho do escritório dele é muito melhor que esta de fibra de carbono. Da próxima vez, tentamos lá.

— Nem pensar! — Peter exclamou, mas não conseguiu evitar a risada que borbulhou em seu peito.

Eles ficaram ali por um momento, no silêncio do laboratório agora "maculado", cientes de que a vida dupla deles acabara de ficar muito mais complicada. As máscaras podiam esconder seus rostos do mundo, mas na Torre Stark, todos os segredos tinham o hábito de vir à tona — geralmente da maneira mais embaraçosa possível.

— Moz? — Peter chamou, enquanto Mozart começava a recolher as roupas espalhadas.

— Sim, baby?

— Se o Deadpool descobrir que o Homem-Aranha foi pego pelo Homem de Ferro e pelo Capitão América... ele vai rir da minha cara para sempre, não vai?

Mozart parou, olhando para a máscara de Deadpool jogada no canto, e depois de volta para Peter.

— Oh, Pete... o Deadpool vai fazer piadas sobre isso pelos próximos três volumes da história dele. Mas não se preocupe. Eu conheço o cara. Ele acha que você é a melhor coisa que já aconteceu a este universo. Com ou sem calças.

Peter sorriu, sentindo que, apesar do trauma, ele estava exatamente onde queria estar. No centro do caos, nos braços de um Stark, e com uma história que, com certeza, quebraria a quarta parede de qualquer narrativa convencional.

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