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I am here

Entre Lençóis e Cerejas

A penumbra do quarto de Mizi era cortada apenas pelo brilho suave das fitas de LED em tom violeta, criando um cenário que parecia descolado da realidade crua da escola. O ar condicionado murmurava no fundo, mas o calor que emanava entre as duas garotas no colchão era quase palpável. A sobriedade de Mizi tinha trazido consigo uma audácia renovada, uma confiança que não precisava de pirulitos ou sarcasmo para se sustentar.

Mizi moveu-se com uma lentidão calculada, deslizando sobre Sua até encurralá-la contra a cabeceira da cama. Seus olhos dourados, agora focados e intensos, brilhavam com uma promessa que fez o coração de Sua disparar contra as costelas. Ela prendeu os pulsos de Sua acima da cabeça, não com a força bruta e possessiva de Acorn, mas com uma firmeza que comunicava desejo e domínio consensual.

— Você disse que eu era lerda, não foi? — sussurrou Mizi, a voz roçando a orelha de Sua, enviando arrepios por toda a sua espinha. — Vamos ver se você aguenta o meu ritmo agora.

Sem dar tempo para resposta, Mizi tomou os lábios de Sua. O beijo foi uma explosão. Não era apenas contato; era uma reivindicação. Mizi beijava com uma fome controlada, explorando cada canto da boca de Sua com uma língua ágil que parecia saber exatamente onde pressionar para arrancar um gemido abafado. Era um beijo profundo, quente, carregado de uma eletricidade que Sua nunca, em todos os meses de relacionamento tóxico com Acorn, tinha chegado perto de sentir. Acorn era seco, exigente e frio; Mizi era fogo líquido, envolvente e devastadoramente generosa.

Quando Mizi se afastou por um breve segundo, apenas o suficiente para que ambas recuperassem o fôlego, Sua sentiu o mundo girar. O desejo subiu como uma maré incontrolável, concentrando-se em um calor latejante em seu baixo ventre. Ela se sentia vulnerável, mas de uma forma poderosa, como se finalmente pudesse se soltar.

— Mizi... — arquejou Sua, o corpo arqueando-se instintivamente em direção à outra.

Mizi, no entanto, deu um sorriso de canto, aquele mesmo sorriso debochado que usava para irritar o Ivan, e sentou-se nos calcanhares, afastando-se o suficiente para que o contato físico fosse interrompido. Ela começou a ajeitar o próprio pijama, fingindo um interesse súbito em uma linha solta na manga da camiseta.

— O que foi? — perguntou Mizi, fazendo-se de sonsa, enquanto seus olhos brilhavam com pura travessura. — Você parecia cansada. Acho que devíamos dormir, né?

Sua sentiu o sangue ferver de frustração e tesão. Ela não era de tomar a iniciativa, sempre fora a garota melancólica que deixava as coisas acontecerem, mas Mizi tinha despertado algo nela que não aceitaria um "não" como resposta. Sua se arrastou pelo colchão, agarrando a cintura de Mizi e puxando-a de volta. Ela se esfregou contra a perna de Mizi, as mãos subindo pelo abdômen da garota de cabelo rosa, buscando desesperadamente o calor que acabara de ser negado.

— Não ouse parar agora — rosnou Sua, a voz soando muito mais autoritária do que ela imaginava ser capaz.

Mizi soltou uma risadinha baixa, deliciando-se com a reação.

— Não sei do que você está falando, Sua. Eu só estou sendo... respeitosa, lembra?

— Pro inferno com o respeito! — rebateu Sua.

Em um movimento rápido e decidido, Sua selou seus lábios aos de Mizi novamente, mas desta vez ela estava no controle. Enquanto o beijo se tornava mais urgente e desajeitado pela pressa, Sua levou as mãos à barra da própria blusa de pijama — a que pertencia a Mizi. Com um movimento fluido, ela a puxou pela cabeça, jogando-a em algum lugar no chão do quarto. O sutiã seguiu o mesmo caminho segundos depois.

A pele pálida de Sua brilhava sob a luz violeta, o peito subindo e descendo com a respiração errática. Mizi parou de brincar no mesmo instante. A diversão em seus olhos foi substituída por uma admiração genuína e um desejo que a fez perder o fôlego.

Sua não esperou por um elogio. Ela segurou o rosto de Mizi com as duas mãos e a guiou para baixo, pressionando a cabeça da garota de cabelos coloridos contra seus próprios seios.

— Sente o que você faz comigo — sussurrou Sua, fechando os olhos e inclinando a cabeça para trás quando sentiu os lábios de Mizi finalmente tocarem sua pele nua.

Mizi não precisou de mais nenhum convite. Ela envolveu a cintura de Sua com os braços, puxando-a para o seu colo, e começou a explorar o corpo da garota com uma reverência que beirava a adoração. Cada beijo, cada mordida leve e cada toque das mãos habilidosas de Mizi faziam Sua se sentir viva de uma maneira que ela achava que estava morta para sempre.

— Você é linda, Sua — murmurou Mizi entre os toques, a voz carregada de uma sinceridade que desarmou qualquer resto de insegurança na garota de cabelos pretos. — Você não tem noção do quanto eu queria isso desde o primeiro dia que te vi naquela sala.

Sua enterrou os dedos no cabelo rosa e azul de Mizi, guiando-a, pedindo por mais, entregando-se completamente àquela sensação de liberdade. Ali, naquele apartamento silencioso, o mundo lá fora — Acorn, a escola, a solidão — não existia. Havia apenas o gosto de cereja, o brilho violeta e a descoberta de que o amor, quando é real, não prende; ele liberta.

As horas seguintes foram um borrão de carícias e descobertas. Mizi provou ser tão intensa quanto seu visual sugeria, mas sempre atenta a cada suspiro de Sua, garantindo que cada momento fosse sobre elas duas. Quando a exaustão finalmente as venceu, elas se aninharam sob os lençóis, os corpos ainda quentes e entrelaçados.

— Mizi? — chamou Sua, a voz sonolenta, com a cabeça apoiada no peito da outra.

— Hm?

— Amanhã... na escola...

— A gente vai chegar de mãos dadas — interrompeu Mizi, beijando o topo da cabeça de Sua. — E se alguém, especialmente aquele idiota, tiver algo a dizer, eu ainda tenho um estoque de pirulitos e o Dewey ainda tem os punhos dele. Mas, acima de tudo, você tem a mim.

Sua sorriu, fechando os olhos com uma paz que nunca conhecera.

— Eu gosto disso.

— Eu também — confessou Mizi, fechando os olhos. — Eu também, minha pequena melancólica.

O apartamento de Mizi não estava mais silencioso. Ele estava preenchido pelo som de duas respirações em sincronia, um eco de uma noite que mudou tudo. E no dia seguinte, quando o sol nascesse, a escola Alien Stage conheceria uma Mizi e uma Sua que não tinham mais medo de brilhar.