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I am here

Febre, Delírios e o Gosto do Pecado

O sol da manhã entrou sem pedir licença pelas frestas da persiana do quarto de Mizi, mas, ao contrário do dia anterior, não trouxe consigo a energia caótica da garota de cabelos coloridos. Mizi tentou abrir os olhos, mas as pálpebras pareciam pesadas demais, coladas por um cansaço que não vinha apenas da noite intensa que haviam compartilhado. Sua garganta ardia como se tivesse engolido brasas e cada músculo do seu corpo protestava contra o menor movimento.

Ao seu lado, Sua despertou com o som de um gemido abafado. Ela se sentou na cama, o cabelo preto bagunçado, e colocou a mão na testa de Mizi. O susto foi imediato.

— Meu Deus, Mizi! Você está fervendo! — exclamou Sua, a voz carregada de preocupação.

Mizi tentou responder, mas o que saiu foi apenas um som arrastado, uma voz tão rouca e quebrada que mal parecia dela.

— Acho que... o teto... voltou a respirar — murmurou Mizi, com um sorriso fraco e delirante.

Sua suspirou, metade aliviada por ela ainda ter humor, metade desesperada. Ela pegou o celular de Mizi sobre a mesa de cabeceira e enviou uma mensagem rápida para o grupo: *"Mizi está passando muito mal, não vamos hoje. Avisem os professores. Ivan, nem pense em vir aqui fazer piada."*

A resposta de Hyuna veio segundos depois com vários emojis de coração e preocupação, enquanto Luka prometia pegar as anotações das aulas para elas.

— Pronto — disse Sua, deixando o celular de lado e focando na garota deitada. — Eu vou cuidar de você. Não ouse sair dessa cama.

A manhã passou num borrão de cuidados domésticos. Sua, que sempre fora vista como a garota melancólica e retraída, revelou um lado doméstico e protetor que nem ela sabia que possuía. Ela preparou uma sopa de legumes, trocou as compressas frias na testa de Mizi e forçou a novata a beber água de hora em hora.

Mizi, em seu estado febril, estava irreconhecível. A garota sarcástica e provocadora tinha dado lugar a uma criatura manhenta e extremamente carente. Ela não deixava Sua se afastar por mais de dois minutos.

— Fica aqui... — pedia Mizi, a voz rouca soando tão fofinha e vulnerável que Sua sentia o coração derreter. — Não vai pra cozinha, a cozinha é longe.

— Mizi, eu só vou lavar a tigela da sopa — ria Sua, beijando a testa quente da namorada.

— Não importa. Fica.

Sua acabou cedendo, deixando as tarefas para depois e deitando-se ao lado de Mizi. A novata imediatamente se enroscou nela, escondendo o rosto no pescoço de Sua, respirando o cheiro de sabonete de morango que agora parecia ser a marca registrada das duas. Sua acariciava os fios rosa e azul, sentindo o calor da febre diminuir aos poucos, mas a intensidade da presença de Mizi só aumentava.

Mesmo passando mal, mesmo com a respiração pesada, a essência de Mizi — aquela faísca de caos e desejo — não estava totalmente apagada.

— Sua... — sussurrou Mizi, a voz vibrando contra a pele do pescoço de Sua.

— Oi, meu amor? Está sentindo alguma coisa? Quer remédio?

Mizi não respondeu com palavras. Em um movimento que pegou Sua completamente desprevenida, Mizi deslizou a mão por baixo do cobertor, encontrando a barra do short de pijama de Sua.

— Mizi, o que você está fazendo? Você está doente! — Sua tentou protestar, mas sua voz falhou quando sentiu os dedos de Mizi tocarem sua intimidade, já úmida pelo contato anterior.

— Eu estou doente... não morta — murmurou Mizi, a voz rouca subindo um tom, tornando-se perigosamente sedutora apesar da febre.

Sem dar chance para mais protestos, Mizi enfiou dois dedos em Sua, começando um bombeio lento e rítmico. Sua soltou um arquejo alto, agarrando-se aos lençóis. O contraste entre o calor da febre de Mizi e a umidade do momento era entorpecente. Mizi inclinou-se, mordendo a orelha de Sua com uma pressão leve, mas constante, enquanto aumentava a velocidade lá embaixo.

— Mizi... para... você vai passar pior — tentou dizer Sua, mas a frase terminou em um gemido longo quando Mizi adicionou o terceiro dedo.

A velocidade de Mizi era impressionante para alguém que mal conseguia ficar de pé minutos atrás. Ela movia a mão com uma precisão cirúrgica, encontrando o ponto exato que fazia Sua se contorcer e arfar. A respiração de Sua ficou curta, a visão começando a nublar conforme o prazer subia em ondas avassaladoras.

— Mais... — implorou Sua, perdendo a luta contra o próprio desejo.

Mizi, com um olhar febril que misturava delírio e luxúria, adicionou o quarto dedo. Foi o limite. Sua perdeu o chão. Ela começou a gemer sem parar, o corpo tremendo sob o toque de Mizi, até que o ápice a atingiu com a força de um furacão. Ela gozou intensamente, a mente ficando completamente em branco, as cores do quarto se misturando em um borrão violeta e dourado.

Mizi retirou os dedos lentamente, levando-os à boca e lambendo-os com uma naturalidade que deixou Sua em choque térmico. Em seguida, como se nada tivesse acontecido, a novata simplesmente se enroscou de volta em Sua, abraçando-a com força e fechando os olhos, voltando ao seu estado de "doente carente".

Sua permaneceu imóvel por longos minutos, sentindo o corpo quente e o coração martelando. O processamento daquela cena era lento. Como Mizi tinha forças para aquilo?

— Mizi! — Sua finalmente recuperou a voz, sentando-se e olhando para a garota que parecia estar dormindo. — Você enlouqueceu? Você está com quase quarenta graus de febre! Você não pode fazer essas coisas nesse estado!

Mizi abriu um olho, parecendo um gatinho arrependido, mas com um brilho vitorioso no fundo das pupilas.

— Desculpa... — sussurrou ela, a voz ainda mais rouca. — É que você estava tão linda cuidando de mim... eu não aguentei.

Ela esticou os braços, fazendo um biquinho adorável.

— Não briga comigo. Dá carinho? Minha cabeça dói.

Sua olhou para ela, pronta para dar um sermão épico sobre saúde e responsabilidade, mas ao ver a vulnerabilidade no rosto de Mizi, ela desmoronou. Ela suspirou, deitando-se novamente e puxando Mizi para seus braços.

— Você é impossível, Mizi. Completamente sem noção.

— Mas você gosta — murmurou Mizi, já fechando os olhos novamente, o calor do corpo de Sua servindo como o melhor remédio do mundo.

— Gosto — admitiu Sua em voz baixa, beijando a ponta do nariz da namorada. — Eu gosto até demais.

O silêncio voltou ao apartamento, mas agora era um silêncio preenchido por uma cumplicidade nova. Mizi dormiu profundamente, desta vez sem delírios, enquanto Sua velava seu sono, sentindo-se a pessoa mais sortuda e, ao mesmo tempo, a mais exausta daquela cidade. A febre passaria, mas a marca que Mizi deixava em sua alma — e em seu corpo — era permanente.