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I love you more than i love me

O Eco dos Gemidos e o Silêncio da Alvorada

O silêncio do apartamento de Mizi era denso, preenchido apenas pelo som rítmico da respiração pesada de quem acabara de cair em um sono profundo. Mizi estava apagada no sofá, o corpo relaxado após a montanha-russa de emoções da tarde. Mas, em algum momento entre o crepúsculo e a escuridão total, seus olhos dourados se abriram. A sala estava mergulhada em sombras, e o peso reconfortante de Sua em seu colo havia desaparecido.

— Sua? — Mizi murmurou, a voz rouca de sono.

Não houve resposta. Apenas o zumbido da geladeira na cozinha e o vento batendo levemente contra a vidraça. Mizi se levantou, sentindo um calafrio percorrer seus braços. Ela caminhou pelo corredor, os pés descalços não emitindo som algum sobre o piso de madeira. A porta do banheiro estava entreaberta, deixando escapar um filete de luz amarelada que cortava a escuridão do corredor.

Mizi ia chamar o nome dela novamente, mas parou. Seus sentidos se aguçaram. Havia um som vindo dali. Não era choro, nem o som de água correndo. Era uma respiração curta, entrecortada, seguida por um arquejo abafado.

Curiosa e agindo por puro instinto, Mizi se aproximou sem fazer barulho, espiando pela fresta da porta. O que viu fez o sangue em suas veias ferver instantaneamente.

Sua estava sentada na borda da banheira, com a saia do uniforme erguida e as pernas pálidas abertas. Uma das mãos apertava a própria coxa com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos, enquanto a outra... a outra estava mergulhada entre suas pernas. Os olhos roxos de Sua estavam fechados, a cabeça jogada para trás, e seus lábios tremiam enquanto ela sussurrava algo que Mizi não conseguia entender de imediato.

— Mizi... — o nome escapou dos lábios de Sua como uma prece desesperada, seguido por um gemido agudo que ela tentou abafar com a palma da mão.

Mizi sentiu um choque elétrico percorrer sua espinha. Sua estava ali, a menina melancólica e pura dos poemas, tocando-se enquanto chamava o seu nome. Ela parecia não saber exatamente o que fazer; seus movimentos eram desajeitados, incertos, movidos apenas pela urgência do desejo que Mizi havia despertado nela horas antes.

Mizi deveria ter voltado para o sofá. Deveria ter fingido que nada aconteceu para poupar Sua daquele constrangimento abissal. Mas Mizi nunca fora de seguir regras ou de ter autocontrole quando o assunto era o que ela queria. E, naquele momento, ela queria Sua mais do que qualquer outra coisa no mundo.

Ela empurrou a porta. O rangido das dobradiças soou como um trovão no silêncio do banheiro.

Sua deu um pulo, os olhos roxos arregalados em puro choque e terror. Ela tentou baixar a saia rapidamente, o rosto tornando-se instantaneamente carmesim.

— M-Mizi! Eu... eu só estava... — A voz de Sua falhou, as lágrimas de vergonha ameaçando cair.

Mizi não disse uma palavra. O olhar dourado estava predatório, fixo na vulnerabilidade exposta diante dela. Ela caminhou lentamente até Sua, fechando a porta atrás de si com um chute seco. O clima ficou pesadíssimo, o ar parecia ter sido sugado do cômodo.

— Você não parece estar fazendo isso direito, gatinha — Mizi disse, a voz sedutora e carregada de uma autoridade que fez Sua estremecer da cabeça aos pés.

— Mizi, por favor, sai... isso é vergonhoso — Sua sussurrou, tentando se encolher.

— Vergonhoso? — Mizi ajoelhou-se entre as pernas de Sua, afastando as mãos da garota com firmeza. — Eu acho que é a coisa mais bonita que eu já vi.

Sem aviso, Mizi deslizou dois dedos para dentro da intimidade de Sua, que já estava úmida e quente.

— Ah! — O gemido de Sua foi alto, um som de puro choque e prazer súbito. O corpo dela arqueou, as costas batendo contra a parede fria do banheiro.

— Shh... — Mizi murmurou, começando a bombear os dedos com força e precisão. — Não para agora. Eu quero ouvir você.

Sua estava em transe. O toque de Mizi era experiente, firme, exatamente o oposto de seus próprios toques hesitantes. Ela sentia a pressão aumentar, o prazer irradiando de seu centro para cada nervo de seu corpo.

— M-Mizi... ah, meu Deus... — Sua gemia, a cabeça balançando de um lado para o outro.

— Você gosta de poesia, não gosta? — Mizi perguntou, os olhos brilhando com uma malícia selvagem. Ela adicionou um terceiro dedo, forçando a entrada, e Sua soltou um grito abafado, os olhos revirando. — Recita um para mim agora.

— O quê? Eu... ahn! — Sua tentou falar, mas Mizi aumentou a velocidade, os dedos entrando fundo, alcançando lugares que faziam Sua perder o chão.

— Recita, Sua. Agora.

— "O... o amor... é um fogo... que arde... sem se ver..." — Sua começou, a voz entrecortada por gemidos profundos e rítmicos. — "É ferida... ah! Mizi! Mais... por favor!"

— Continua — ordenou Mizi, o ritmo tornando-se mais rápido e implacável.

— "É... ferida que... dói e... não se sente..." — Sua errou a métrica, a voz falhando quando Mizi pressionou o polegar contra o seu clitóris com força. — "Ahn! Ahn! Ahn!"

— Você errou o verso, gatinha — Mizi disse, a voz rouca. — Eu disse para recitar direito.

Mizi foi com tudo, a mão movendo-se como uma máquina programada para a destruição do autocontrole de Sua. O som dos gemidos de Sua agora era constante, uma sinfonia de prazer que preenchia o banheiro. Ela gemia a cada segundo, um som melodioso e desesperado, enquanto tentava manter a sanidade.

— Calada — Mizi comandou, embora soubesse que era impossível.

Sua não conseguia parar. Ela era uma máquina de gemer, o corpo tremendo sob o comando de Mizi. O prazer era tanto que ela sentia que ia desmaiar. Em um impulso de puro delírio, Sua levou a mão para baixo, segurando o pulso de Mizi. Em vez de afastá-la, ela empurrou a mão de Mizi com toda a força para dentro de si, enterrando os dedos da rosada até o limite.

— HNNNNG! — O gemido que escapou de Sua foi o mais profundo e visceral de todos. Foi um som que fez a própria Mizi paralisar por um milésimo de segundo, em choque com a intensidade daquela entrega.

Mizi não recuou. Ela continuou o movimento, agora mais bruto, sentindo as paredes internas de Sua se contraírem violentamente ao redor de seus dedos.

— Isso... assim... — Mizi incentivava, a respiração tão curta quanto a de Sua.

O ápice veio como uma explosão. Sua travou o corpo, os dedos dos pés encolhidos, e soltou um grito longo que terminou em um suspiro trêmulo enquanto seu corpo era inundado pelo orgasmo mais intenso de sua vida. Ela desabou contra o ombro de Mizi, soluçando de prazer e exaustão, enquanto o fluido de sua liberação escorria pelos dedos da outra.

Mizi a segurou, sentindo o coração de Sua martelando contra seu peito. Ela retirou os dedos lentamente, beijando o topo da cabeça da garota de cabelos pretos.

— Viu? — Mizi sussurrou, o tom agora doce, embora ainda carregado de adrenalina. — Bem melhor do que fazer sozinha.

Sua não conseguia responder. Ela apenas se apertava contra Mizi, o rosto escondido na curva do pescoço da rosada, sentindo-se finalmente completa, finalmente vista em todas as suas facetas, inclusive nas mais sombrias e desejosas.

Mizi a ajudou a se limpar com uma ternura que contrastava com a violência do momento anterior. Elas voltaram para o quarto de Mizi em silêncio, mas não era o silêncio desconfortável de antes. Era o silêncio de quem havia compartilhado um segredo que mudaria tudo.

Elas se deitaram na cama de casal de Mizi. O lençol de seda era frio, mas o calor entre seus corpos era o suficiente para aquecer o quarto inteiro. Sua se aninhou no peito de Mizi, e a rosada a envolveu com seus braços, protegendo-a do resto do mundo.

— Mizi? — Sua chamou, a voz quase um fio de cabelo na escuridão.

— Oi.

— Obrigada.

Mizi não respondeu com palavras. Ela apenas apertou o abraço e beijou a testa de Sua.

O sono veio rápido para ambas, um sono sem sonhos, profundo e reparador.

Quando a primeira luz da manhã atravessou a cortina, Sua foi a primeira a acordar. Ela sentiu o peso do braço de Mizi sobre sua cintura e o cheiro de morango que emanava dos cabelos da outra. Ela se lembrou de cada detalhe da noite anterior — as palavras ditas no sofá, a intensidade no banheiro, a entrega total.

Mizi resmungou algo enquanto dormia, apertando Sua um pouco mais. Sua sorriu, um sorriso que não tinha nada de melancólico. Pela primeira vez, ela não sentia que precisava de um poema para explicar o que sentia.

Minutos depois, Mizi abriu os olhos. Ela viu Sua a observando e, em vez do sarcasmo matinal, ela apenas sorriu de volta, um sorriso preguiçoso e genuíno.

— Bom dia, poetisa — Mizi disse, a voz ainda rouca.

— Bom dia, Mizi.

— A gente tem aula daqui a uma hora — Mizi lembrou, embora não fizesse menção de se levantar. — O Ivan vai me encher o saco se eu chegar atrasada com essa cara de quem não dormiu.

— E o Till vai me interrogar até a morte — Sua riu baixo.

— Deixa eles — Mizi se espreguiçou, puxando Sua para um beijo rápido e casto. — Hoje, a gente senta juntas. No meio da sala. E se alguém reclamar, eu mando se foder.

Sua riu, sentindo uma leveza que nunca experimentara antes. Elas se levantaram e se arrumaram juntas, dividindo o espaço do banheiro que, horas antes, fora palco de tanta intensidade.

Ao saírem do apartamento, o sol estava brilhando, refletindo nas pontas azuis do cabelo de Mizi e nos olhos agora brilhantes de Sua. Elas caminharam em direção à escola, de mãos dadas, sem se importar com quem veria.

Quando cruzaram o portão lateral, viram o grupo habitual. Hyuna e Luka estavam conversando perto da entrada, e Ivan e Till estavam em uma disputa silenciosa de olhares perto dos armários.

Ao verem Mizi e Sua entrando juntas, de mãos dadas e com uma aura de cumplicidade inegável, o silêncio caiu sobre o pátio. Ivan deixou o pirulito cair da boca, e Till quase derrubou sua mochila.

Mizi não parou. Ela apenas piscou para Ivan e continuou caminhando, puxando Sua consigo.

— O que foi? — Mizi perguntou alto, o sarcasmo voltando com força total. — Nunca viram uma deusa e sua musa antes? Circulando, porra!

Sua sentiu o rosto esquentar, mas não baixou a cabeça. Ela olhou para Mizi, que agora a guiava para dentro da sala, e soube que, não importava o quanto a escola falasse ou o quanto o futuro fosse incerto, ela não era mais a menina que esperava a paixão sumir. Ela era a menina que havia encontrado seu lugar no caos da garota mais bonita da escola. E aquele era apenas o começo de um poema que elas escreveriam juntas, verso por verso, gemido por gemido, sob a luz do sol ou o brilho da lua.

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