Inexperiente
Cloro, Suor e Segredos no Escuro
O feriado de segunda-feira nasceu com um sol impiedoso, daqueles que transformam o asfalto do condomínio em uma chapa quente e convidam até o morador mais antissocial a buscar refúgio na água. A piscina, um retângulo azul cristalino cercado por espreguiçadeiras de design moderno, tornou-se o epicentro da gravidade para o grupo.
Hyuna já estava lá dentro, apostando corrida com Luka, enquanto Till tentava ignorar as provocações de Ivan, que insistia em salpicar água no rosto do garoto de cabelo cinza a cada cinco segundos.
Sua estava sentada na borda, com as pernas mergulhadas até os joelhos. Ela usava um biquíni roxo escuro, quase preto, que combinava com a aura de "não me toque" que ela exalava. O encontro no estacionamento no dia anterior ainda queimava em sua memória. O toque de Mizi, a urgência, o cheiro... tudo parecia ter deixado uma marca invisível em sua pele. Ela estava com ódio, sim. Ódio por ter sido tão facilmente desarmada, ódio por Mizi ter ido procurar outra pessoa e, principalmente, ódio por ainda desejar a garota de cabelos rosa com uma intensidade que a assustava.
— Vai ficar aí secando ou vai entrar logo, vizinha? — A voz de Mizi surgiu logo atrás dela, vibrante e carregada de uma confiança irritante.
Sua não se virou.
— Estou bem aqui, Mizi.
Mizi riu, um som curto e provocador. Ela mergulhou, emergindo segundos depois bem na frente de Sua. O cabelo rosa estava colado ao rosto, e as gotas de água escorriam pelos seus ombros bronzeados.
— A água está ótima. Para de ser chata.
Sem esperar resposta, Mizi segurou os tornozelos de Sua e a puxou para dentro. O grito de surpresa de Sua foi abafado pelo mergulho repentino. Ela emergiu tossindo, limpando os olhos e lançando um olhar mortal para Mizi.
— Você é uma idiota!
— E você é linda quando está brava — rebateu Mizi, aproximando-se nadando.
O grupo continuou a brincar por perto. Hyuna e Luka começaram um jogo de vôlei aquático improvisado com Ivan, enquanto Till observava da parte rasa, parecendo secretamente satisfeito por Ivan ter parado de perturbá-lo por um momento.
Mizi aproveitou a distração geral. Ela nadou para trás de Sua, circulando sua cintura com os braços. A água batia na altura do peito delas, escondendo o que acontecia abaixo da superfície.
— Me solta, Mizi — sussurrou Sua, embora seu corpo não estivesse lutando contra o abraço.
— Por que eu faria isso? — Mizi murmurou contra a orelha de Sua. — Ontem você não parecia querer que eu soltasse.
— Ontem foi um erro.
— Um erro que você quer repetir. Eu sinto seu coração batendo, Sua. Ele está acelerado.
Sua tentou se desvencilhar, mas Mizi a apertou mais contra si. Sob a água, a mão de Mizi deslizou da cintura para baixo. Sua sentiu os dedos ágeis encontrarem a borda da calcinha de seu biquíni. O choque elétrico percorreu sua espinha.
— Mizi, não... o pessoal está logo ali — Sua sibilou, os olhos arregalados enquanto olhava para Hyuna, que estava a menos de três metros de distância.
— Ninguém está vendo — disse Mizi, a voz perigosamente calma.
Mizi deslizou um dedo para dentro da intimidade de Sua. O contato súbito e direto fez Sua arquear as costas, um som sufocado morrendo em sua garganta.
— Mizi! — Sua exclamou o nome da outra em um tom que quase chamou a atenção, apertando o braço de Mizi por baixo da água com tanta força que suas unhas deixaram marcas. — Para com isso agora.
Mizi não parou. Pelo contrário, ela começou a mover o dedo ritmicamente, bombeando com uma precisão cruel enquanto mantinha o rosto colado ao pescoço de Sua, como se estivessem apenas conversando.
— Você está tão molhada, Sua... e não é da piscina — provocou Mizi em um sussurro baixo.
Sua estava em transe, uma mistura de pânico e prazer avassalador. Ela sentia cada movimento do dedo de Mizi, o atrito aumentando a cada segundo. Se Mizi colocasse mais um dedo, ela sabia que não conseguiria conter o gemido.
— Ei, meninas! — A voz de Hyuna cortou o ar.
Mizi retirou a mão instantaneamente, mas permaneceu abraçada a Sua por trás, agindo com a naturalidade de quem apenas descansava na água.
— O que foi, Hyuna? — Mizi perguntou, o tom de voz perfeitamente estável.
— A gente vai pedir açaí. Vocês querem? — Hyuna parou ao lado delas, limpando o rosto da água clorada.
— Quero! — Mizi respondeu. — A Sua também quer, ela só está... com frio. Não é, vizinha?
Sua apenas assentiu, incapaz de formular uma frase completa. Suas pernas pareciam feitas de gelatina e ela tinha certeza de que seu rosto estava mais roxo que seus olhos.
***
Horas mais tarde, o sol já tinha dado lugar a uma lua crescente e o condomínio mergulhara no silêncio noturno. Sua estava em seu quarto, tentando ler, mas as palavras dançavam sem sentido. O celular vibrou na mesa de cabeceira.
*Mizi: Me encontra nos balanços. Agora. Só nós duas.*
Sua olhou para a tela por cinco minutos antes de se levantar. Ela vestiu um short jeans curto e uma regata preta, calçando os chinelos e descendo sem fazer barulho para não acordar os pais ou Ivan.
Quando chegou à área do parquinho, Mizi já estava lá, sentada em um dos balanços de madeira, movendo-se levemente para frente e para trás. Ela usava uma blusa de alças fina e parecia estranhamente séria.
— Você veio — disse Mizi, parando o balanço assim que Sua se aproximou.
— Eu não devia ter vindo — Sua respondeu, sentando-se no balanço ao lado. — O que você fez na piscina foi... perigoso.
— Foi necessário — Mizi retrucou, levantando-se e parando na frente de Sua. — Eu cansei de jogos, Sua. Cansei de fingir que não quero você e cansei de ver você fingindo que não me quer.
Mizi estendeu a mão e puxou Sua pelo pulso. Ela não a levou de volta para o prédio principal, mas sim em direção à academia do condomínio, que ficava em um anexo de vidro e aço. O local estava fechado àquela hora, as luzes apagadas, mas Mizi tinha uma chave que provavelmente tinha "emprestado" de Luka.
— O que estamos fazendo aqui? — Sua perguntou enquanto entravam no ambiente escuro, iluminado apenas pela luz dos postes externos.
— Tendo privacidade — Mizi respondeu, trancando a porta por dentro.
O cheiro de borracha e produtos de limpeza da academia era o pano de fundo para a tensão que explodiu entre elas. Mizi não perdeu tempo. Ela empurrou Sua contra um dos aparelhos de musculação acolchoados e a beijou com uma ferocidade que fez os joelhos de Sua fraquejarem.
Desta vez, não havia água para esconder nada. Mizi desceu as mãos para o short de Sua, livrando-se da peça com uma agilidade impressionante. Ela empurrou a calcinha de lado e, sem aviso prévio, introduziu dois dedos.
Sua soltou um gemido alto, a cabeça pendendo para trás. O som ecoou no teto alto da academia vazia.
— Mizi... meu Deus... — Sua arfou, as mãos agarrando-se desesperadamente aos ombros da outra.
Mizi começou a bombear os dedos com força e rapidez. Ela estava decidida a levar Sua ao limite. Entre os movimentos, ela atacava o pescoço de Sua, deixando marcas vermelhas, alternando entre beijos vorazes e mordidas leves que faziam Sua estremecer.
— Você gosta disso, não gosta? — Mizi murmurou, a voz carregada de luxúria. — Diz meu nome, Sua. Diz o que você quer.
Sua estava em êxtase. A vergonha tinha sido substituída por uma sede pervertida que ela nunca soube que possuía. Ela se inclinou para frente, aproximando o rosto da orelha de Mizi. Ela lambeu o lóbulo da orelha da garota de cabelos rosa, mordendo-o levemente antes de gemer baixo, bem próximo ao ouvido dela.
— Mizi... mais... por favor, mais forte — Sua implorou, a voz embargada.
Mizi sentiu um arrepio percorrer seu próprio corpo com o som daquele pedido. Ela adicionou o terceiro dedo, expandindo Sua e aumentando o ritmo. O som da fricção da carne e os gemidos cada vez mais desesperados de Sua preenchiam o espaço.
— Isso... assim! Vai, Mizi! Forte! — Sua gritava agora, sem se importar se alguém do lado de fora pudesse ouvir. — Mais rápido, Mizi! Por favor! Ahhh!
Sua se agarrava a Mizi como se sua vida dependesse daquele contato. Ela estava à beira do abismo, as paredes de sua mente desmoronando diante do prazer puramente físico.
— Mizi, eu vou... eu vou... — Sua soluçou, o corpo ficando tenso, os músculos das pernas tremendo violentamente.
Com um último movimento vigoroso e profundo de Mizi, Sua atingiu o orgasmo. Ela gritou o nome de Mizi uma última vez antes de desabar contra o peito da outra, o corpo amolecido, a respiração saindo em espasmos curtos.
Mizi a segurou com força, sentindo as pulsações de Sua diminuírem gradualmente. O silêncio voltou à academia, interrompido apenas pelo som das respirações pesadas.
Passaram-se alguns minutos até que a sanidade de Sua começasse a retornar. Ela piscou, olhando para o teto escuro, e a ficha caiu com o peso de uma tonelada.
Ela tinha acabado de dar para Mizi. Ela, que sempre fora a garota reservada, melancólica, a "virgem" que ninguém imaginava ter um lado tão... pervertido. E ela tinha gritado. Tinha pedido por mais. Tinha agido como se fosse uma profissional do prazer.
— Você está bem? — Mizi perguntou, a voz suave, afastando uma mecha de cabelo do rosto de Sua.
Sua olhou para Mizi, o pânico começando a subir por sua garganta. Ela se desvencilhou dos braços de Mizi, puxando o short para cima com mãos trêmulas.
— Eu... eu preciso ir — disse Sua, a voz falha.
— Sua, espera...
Mas Sua já estava correndo. Ela saiu da academia, mancando levemente pela sensibilidade entre as pernas, e atravessou o pátio como um foguete. Ela entrou no elevador e subiu para o quinto andar, o coração martelando contra as costelas. Ela se trancou em seu quarto, jogando-se na cama e enterrando o rosto no travesseiro, sentindo uma mistura insuportável de euforia e vergonha mortal.
***
Na academia, Mizi permanecia parada, olhando para a porta por onde Sua tinha desaparecido. Ela estava confusa. O que tinha acontecido? Elas estavam em sintonia total e, de repente, Sua fugira como se tivesse visto um monstro.
Mizi pegou o celular e mandou uma mensagem para Marty, um amigo de longa data que morava em outro bloco. Marty era gay, experiente em dramas românticos e a única pessoa para quem Mizi confessava suas inseguranças.
*Mizi: Marty, socorro. Eu acho que estraguei tudo.*
*Marty: O que você fez agora, rosa? Atropelou alguém com o seu carisma?*
*Mizi: Não. Eu e a vizinha... aconteceu. Na academia. Foi incrível, sério. Ela estava super na vibe, gritando, pedindo mais, foi a coisa mais quente da minha vida. Mas assim que acabou, ela fugiu mancando e parecendo aterrorizada.*
*Marty: Espera. Ela mancou? E ela estava gritando "mais"? Mizi, você tem certeza de que ela já tinha feito isso antes?*
*Mizi: O quê? Ela tem 17 anos, Marty. Eu achei que...*
*Marty: Mizi, você é uma idiota. A garota provavelmente era virgem e você a tratou como se ela fosse uma veterana de filme adulto. Ela deve estar tendo um colapso nervoso agora.*
Mizi sentiu o sangue fugir do rosto. Virgem. Aquela palavra ecoou em sua mente. O jeito como Sua tinha reagido, a intensidade, o choque final... tudo fazia sentido agora.
*Mizi: O que eu faço?*
*Marty: Agora? Nada. Deixa ela processar. Amanhã você vai lá e age como um ser humano decente. Pede desculpas, explica que você não sabia e, pelo amor de Deus, leva um chocolate ou algo assim. E Mizi... se ela era virgem e escolheu você, não estraga isso.*
Mizi guardou o celular, saindo da academia e trancando a porta. Ela olhou para as janelas do quinto andar. Ela tinha acabado de descobrir um segredo precioso sobre Sua, e a responsabilidade de cuidar daquele coração — e daquela memória — pesava mais do que qualquer provocação que ela já tivesse feito.
No quinto andar, Sua olhava para o teto, sentindo o latejar entre suas pernas e o calor em seu peito. Ela odiava Mizi. Ela amava Mizi. E, acima de tudo, ela sabia que sua vida no condomínio nunca mais seria a mesma.