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Infantilismo

O Despertar da Rosa e o Silêncio do Gelo

A atmosfera na cobertura de Jeon Jungkook estava carregada, um tipo de eletricidade estática que fazia os pelos dos braços de Nari se arrepiarem. Após a tempestade de ciúmes e as proibições severas em relação a Taehyung e Jimin, Jungkook parecia estar imerso em uma autodisciplina quase masoquista. Ele estava em casa, fisicamente presente, mas sua mente parecia um labirinto de muros altos.

Nari, por outro lado, já não era mais a mesma menina que apenas pedia pirulitos. As palavras de Taehyung sobre "carinho de adulto" haviam plantado uma curiosidade que florescia de forma desordenada em seu coração. Ela observava Jungkook trabalhar na escrivaninha da sala, a luz do abajur acentuando a linha dura de seu maxilar e a forma como a camisa social branca se ajustava aos seus ombros largos.

— Kookie... — ela chamou, aproximando-se silenciosamente.

Ele não desviou os olhos do monitor, mas sua mão parou sobre o mouse.

— Sim, Nari?

— Você ainda está bravo com a Nari? — Ela se sentou no chão, ao lado da cadeira dele, apoiando o queixo em seu joelho.

Jungkook finalmente olhou para baixo. O olhar dele era uma mistura de exaustão e uma ternura que ele tentava suprimir. Ele passou a mão pelos cabelos dela, um gesto automático de proteção.

— Não estou bravo, pequena. Só estou tentando garantir que você entenda que certas coisas são perigosas.

— Mas a Nari não quer perigo — ela murmurou, os olhos grandes e brilhantes fixos nos dele. — A Nari quer o que o Kookie sente. O Tio Tae disse que o Kookie me esconde as coisas porque eu sou pequena... mas eu me sinto grande aqui dentro quando estou com você.

Ela levou a mão dele até o seu próprio peito, onde o coração batia acelerado sob o pijama de seda rosa. Jungkook sentiu a pulsação dela, errática e viva, e algo dentro de sua armadura de gelo trincou. Ele a puxou para cima, fazendo-a sentar em seu colo. O contraste era absoluto: ele, em seus tons de cinza e preto, envolto em seriedade; ela, uma explosão de suavidade e inocência.

— Nari... — a voz dele saiu mais rouca do que o habitual. — Existem coisas que, uma vez feitas, não podem ser desfeitas. Eu passei todo esse tempo tentando manter você em um jardim de flores, longe de qualquer dor ou complexidade.

— Mas as flores também precisam de chuva, não precisam? — Ela inclinou a cabeça, os lábios entreabertos. — Eu não quero mais ser só a boneca que o Kookie guarda na prateleira. Eu quero ser sua de verdade. Como o homem e a mulher do filme.

Jungkook fechou os olhos por um momento, lutando contra o instinto possessivo que rugia em seu peito. Ele a desejava com uma intensidade que o assustava, uma sede que ele enterrava sob camadas de frieza corporativa para não "estragar" a pureza dela. Mas ali, com o perfume de baunilha dela o embriagando e a sinceridade de seu pedido, ele percebeu que sua proteção estava se tornando uma prisão.

— Você tem certeza disso? — perguntou ele, segurando o rosto dela entre as mãos. — Se fizermos isso, eu não serei apenas o seu "Kookie" que te dá doces. Eu serei o seu homem. E eu sou um homem difícil, Nari. Eu sou ciumento, eu sou intenso e eu nunca vou deixar você ir.

— A Nari nunca quis ir embora — ela sussurrou, aproximando seu rosto do dele até que suas respirações se misturassem. — Eu só quero que o Kookie me mostre que eu sou dele.

Jungkook não resistiu mais. Ele selou seus lábios nos dela em um beijo que começou hesitante, quase casto, mas que rapidamente se transformou em algo mais profundo. Não era o beijo de boa noite que ele costumava dar; era um beijo faminto, carregado de anos de contenção. Nari soltou um pequeno suspiro de surpresa, suas mãos subindo para se enroscar nos cabelos negros dele, puxando-o para mais perto.

Ele a levantou com facilidade, os braços dela circulando seu pescoço, e a carregou em direção ao quarto principal — o santuário de Jungkook, onde as cores eram sóbrias e o cheiro de perfume amadeirado era mais forte. Ele a depositou sobre a cama de lençóis de cetim escuro, um cenário que a fazia parecer ainda mais radiante e delicada.

— Se você quiser parar, a qualquer momento, você me avisa — disse ele, a voz vibrando com uma seriedade absoluta enquanto ele retirava o paletó e o jogava em qualquer lugar. — Entendeu, Nari? Eu preciso que você entenda isso.

— A Nari entende, Kookie — ela respondeu, os olhos acompanhando cada movimento dele com uma fascinação nova. — Eu confio em você.

Jungkook retirou a gravata e começou a desabotoar a camisa, seus olhos nunca deixando os dela. Para Nari, ver o peito largo e os músculos definidos de Jungkook era como descobrir um segredo guardado a sete chaves. Ele se aproximou da cama, ajoelhando-se entre as pernas dela, e começou a retirar o pijama de seda dela com uma delicadeza que beirava a reverência.

Cada centímetro de pele revelado parecia queimar sob o olhar dele. Jungkook era um homem de detalhes, e ele queria saborear cada momento, garantindo que ela se sentisse segura, amada e, acima de tudo, desejada. Suas mãos, grandes e levemente calejadas, percorreram as curvas de Nari, provocando arrepios que a faziam arquear o corpo.

— Você é tão linda — ele murmurou, beijando a curva do pescoço dela. — Tão perfeita que eu sinto que não mereço tocar em você.

— O Kookie é o único que pode — ela disse, a voz trêmula pela nova carga de sensações.

O toque de Jungkook mudou. De protetor, tornou-se explorador. Seus beijos desceram pelo peito dela, pelo abdômen, cada toque arrancando pequenos sons de Nari que ele guardava como tesouros. Ele era paciente, guiando-a através do labirinto de sensações que o infantilismo dela muitas vezes mascarava. Naquele momento, a regressão de Nari parecia dar lugar a uma presença mais madura, uma consciência de mulher que florescia sob o calor dele.

Quando ele finalmente se uniu a ela, o tempo pareceu parar. Jungkook paralisou por um instante, observando a expressão de Nari. Havia uma leve dor, sim, mas havia também uma conexão profunda, um brilho nos olhos dela que dizia que ela finalmente se sentia completa.

— Tudo bem? — ele perguntou, o suor brilhando em sua testa, o esforço para ser gentil lutando contra o desejo primitivo de possuí-la totalmente.

— Sim... — ela ofegou, envolvendo-o com as pernas, puxando-o para baixo. — Mais perto, Kookie. Fica bem perto da Nari.

Ele começou a se mover, um ritmo lento e constante que logo se tornou mais urgente conforme a paixão os consumia. Para Jungkook, não era apenas um ato físico; era a reivindicação final. Ele estava marcando-a como sua, gravando sua essência na alma dela para que nenhum Taehyung ou Jimin pudesse jamais ocupar aquele espaço. E para Nari, era a descoberta de um mundo onde ela não era apenas cuidada, mas celebrada.

No auge do prazer, Jungkook pronunciou o nome dela como uma oração, a voz rouca cheia de uma vulnerabilidade que ele nunca mostrava ao mundo exterior. Eles desabaram juntos nos lençóis, os corações batendo em uníssono, as respirações pesadas preenchendo o silêncio do quarto.

Minutos depois, Jungkook a puxou para o seu peito, cobrindo ambos com o edredom pesado. Ele acariciava o braço dela, seus dedos traçando padrões invisíveis na pele macia.

— Você está bem? — ele perguntou novamente, o tom de voz agora carregado de uma doçura protetora.

— A Nari se sente... brilhante — ela disse, escondendo o rosto no pescoço dele. — Como se eu tivesse engolido uma estrela. O Kookie ainda vai ser frio amanhã?

Jungkook soltou um suspiro, um pequeno sorriso surgindo em seus lábios.

— Eu sempre serei um pouco frio com o mundo, Nari. Mas aqui, com você... o gelo derreteu. Eu só não quero que você pense que isso muda as minhas regras. Eu ainda vou cuidar de você. Eu ainda vou ficar louco de ciúmes se você olhar para aqueles dois.

Nari deu uma risadinha baixa, o som mais doce que Jungkook já ouvira.

— O Kookie ciumento é fofo. Mas agora eu sei que o Kookie me ama de todos os jeitos. De jeito de bebê e de jeito de namorada grande.

— Eu te amo de todos os jeitos possíveis — ele admitiu, beijando o topo da cabeça dela. — Durma agora, pequena. O dragão vai cuidar de você.

Na manhã seguinte, a luz do sol inundou o quarto, mas Jungkook não saiu cedo para a empresa. Ele permaneceu na cama, observando Nari dormir com uma expressão de paz absoluta. O celular dele, silenciado sobre o criado-mudo, brilhava com notificações de Minji e de seus diretores, mas ele as ignorou. Pela primeira vez em sua vida, o império Jeon podia esperar.

Nari despertou devagar, espreguiçando-se como um gato. Quando seus olhos encontraram os de Jungkook, um sorriso radiante iluminou seu rosto.

— Bom dia, Kookie.

— Bom dia, meu amor — ele respondeu, puxando-a para um beijo matinal preguiçoso. — Eu pedi para a governanta não vir hoje. Eu mesmo vou fazer o café. E depois, vamos pintar aquela parede que eu prometi.

— Com tinta de dedo? — Ela perguntou, os olhos brilhando de animação.

— Com tinta de dedo. E talvez... — ele hesitou, um brilho possessivo voltando aos seus olhos — talvez eu compre aquela boneca que você queria. Mas eu vou escolher. Uma que seja mais bonita que a do Taehyung.

Nari riu e se jogou nos braços dele, enchendo seu rosto de beijos.

— O Kookie é o melhor do mundo!

Entretanto, o mundo lá fora não havia desaparecido. No final da tarde, enquanto Nari estava distraída pintando flores coloridas na parede branca do corredor sob a supervisão atenta de Jungkook, o interfone tocou.

Jungkook atendeu, sua expressão endurecendo instantaneamente ao ouvir a voz do segurança.

— Senhor Jeon, o Senhor Park Jimin está aqui embaixo. Ele diz que trouxe o caderno de artes da Senhorita Kim e que não vai embora até entregá-lo.

Jungkook olhou para Nari, que estava com o nariz sujo de tinta azul, rindo sozinha. Ele sentiu a velha fúria borbulhar, mas desta vez, havia algo diferente. Ele sabia que Nari era dele de uma forma que Jimin nunca compreenderia.

— Mande-o subir — disse Jungkook, surpreendendo a si mesmo. — Mas avise que ele tem exatamente cinco minutos.

Nari parou de pintar, os olhos arregalados.

— O Jimin está vindo?

— Sim — disse Jungkook, caminhando até ela e limpando a mancha de tinta de seu rosto com o polegar. — Ele veio devolver seu caderno. Mas você vai ficar aqui, ao meu lado. E você vai mostrar para ele o quanto você está feliz comigo. Entendido?

— Entendido, Kookie! — Ela abraçou a cintura dele, manchando a camisa social cara com tinta colorida, mas ele nem se importou.

Quando Jimin entrou no apartamento, ele parou bruscamente ao ver a cena. O CEO frio e implacável estava descalço, com as mangas da camisa dobradas e manchas de tinta nos braços, protegendo Nari com uma mão em seu ombro. A aura entre os dois havia mudado; não era mais apenas de protetor e protegida, havia uma intimidade palpável, um segredo compartilhado que Jimin captou imediatamente.

— Aqui está o caderno — disse Jimin, a voz um pouco mais baixa do que o normal, entregando o objeto a Jungkook, e não a Nari. — Eu só queria garantir que ela estivesse bem.

— Ela está perfeitamente bem, Jimin — Jungkook respondeu, sua voz como um trovão silencioso. — Como você pode ver, estamos ocupados criando algo novo. Obrigado por devolver o que pertence à Nari. Agora, se nos der licença, temos muito o que pintar.

Jimin olhou para Nari, esperando algum sinal de que ela queria que ele ficasse, mas ela apenas acenou com a mão suja de tinta e deu um sorriso largo.

— Tchau, Jimin! O Kookie está me ajudando a fazer um jardim na parede!

Jimin suspirou, percebendo que a batalha que ele e Taehyung tentavam travar estava perdida. Jungkook havia encontrado uma forma de fundir seus dois mundos, e Nari parecia mais radiante do que nunca.

Assim que a porta se fechou atrás de Jimin, Jungkook soltou um suspiro de alívio e puxou Nari para um abraço apertado.

— Você foi uma boa menina — ele sussurrou.

— A Nari é sempre sua boa menina, Kookie.

Naquela noite, sob as luzes da cidade de Seul, o empresário frio e a menina de algodão-doce descobriram que o amor não precisava ser apenas gelo ou apenas açúcar. Podia ser uma mistura complexa de ambos, um equilíbrio delicado entre o cuidado infantil e a paixão adulta. Jungkook ainda teria suas crises de ciúmes, e Nari ainda teria suas birras por doces, mas agora, eles tinham um alicerce que ninguém poderia quebrar.

O castelo de gelo de Jeon Jungkook ainda estava lá, mas suas paredes agora eram cobertas por desenhos coloridos e o som de risadas que ecoavam por todos os cantos. E no centro de tudo, a rosa que ele tanto temia que murchasse havia finalmente florescido, protegida e amada pelo dragão que, por ela, aprendeu a ser humano.