Infantilismo
O Neon do Desejo e a Redoma de Ferro
— Você não vai sair desse jeito, Nari — disse Jungkook, a voz baixa e vibrante, enquanto cruzava os braços diante da porta da suíte.
Nari parou no meio do quarto, bufando. Ela usava um vestido de cetim prateado que Jungkook mesmo havia comprado, mas agora ele parecia ter se arrependido amargamente. O tecido era curto, subindo perigosamente pelas coxas dela a cada passo, e as alças finas deixavam seus ombros delicados totalmente à mostra.
— Mas o Kookie disse que a Nari podia ser uma menina de festa hoje! — ela protestou, batendo o pé calçado em um sapatinho de salto que a deixava um pouco mais alta e muito mais confiante. — O Tio Tae disse que eu ia parecer uma estrela!
— O Taehyung não deveria dar opinião sobre o que você veste — Jungkook respondeu, caminhando até ela. Ele estava impecável em um terno preto sob medida, sem gravata, com os primeiros botões da camisa abertos, exalando uma aura de poder e perigo.
Ele se inclinou e, com um movimento firme, puxou a barra do vestido dela para baixo, tentando ganhar alguns centímetros de decência.
— Se eu ver qualquer homem olhando para onde não deve, nós voltamos para casa na mesma hora. Entendido?
— O Kookie é muito mandão — Nari murmurou, mas logo sorriu quando ele a puxou pela cintura, colando o corpo dela ao seu. — Mas a Nari gosta quando você fica bravo. Você fica com o olho escuro.
A boate era um labirinto de luzes neon roxas e azuladas, com uma música eletrônica pulsante que fazia o chão vibrar. O camarote VIP já estava ocupado por Jimin, Taehyung e algumas amigas de Jungkook do mundo empresarial, mulheres elegantes e altivas que olharam para Nari com uma mistura de curiosidade e desdém.
Assim que entraram, Jungkook não soltou Nari nem por um segundo. Ele a posicionou estrategicamente à sua frente, as costas dela contra o seu peito, enquanto suas mãos grandes se fixavam possessivamente em sua cintura.
— Olá, casal real! — Taehyung exclamou, levantando uma taça de champanhe. — Nari, você está deslumbrante! Eu disse que esse prateado ia destacar seus olhos.
— Obrigado, Tio Tae! — Nari tentou dar um passo à frente para abraçá-lo, mas as mãos de Jungkook se apertaram em seus quadris, mantendo-a presa no lugar.
— Ela está ótima, Taehyung. Agora, mantenha a distância — Jungkook disse, o tom de voz gélido cortando a música alta.
— Calma, Jeon. Estamos entre amigos — Jimin interveio, rindo, enquanto se aproximava com uma das amigas de Jungkook, uma mulher chamada Sora. — Sora estava ansiosa para conhecer a famosa Nari.
Sora sorriu, um sorriso que não chegava aos olhos.
— Então você é a namorada do Jungkook? Você é... adorável. Parece uma bonequinha de porcelana.
Nari sentiu o tom condescendente e se encolheu levemente contra Jungkook. Ele percebeu a hesitação dela e inclinou o rosto, sussurrando perto do ouvido dela, sua respiração quente enviando arrepios pela nuca da menina.
— Não dê atenção a ela. Você é a mulher mais bonita deste lugar.
Conforme a noite avançava e o álcool começava a circular entre o grupo, a atmosfera ficou mais solta. Nari, animada pelas luzes e pela música, começou a balançar o corpo no ritmo da batida. Jungkook, no entanto, era como uma sombra vigilante. Toda vez que Nari se movia de forma mais ousada, ele puxava a barra do vestido dela para baixo, os olhos percorrendo o ambiente em busca de qualquer olhar invasor.
— Kookie, a Nari quer dançar de verdade! — ela pediu, virando-se nos braços dele. — Deixa eu ir ali com o Jimin-chi? Ele dança engraçado!
— Não, Nari. Você dança aqui, comigo — ele respondeu, colando ainda mais o corpo dela ao seu, sentindo a maciez do cetim contra seu terno. — Eu não quero outros homens esbarrando em você.
Nari fez um bico, mas a curiosidade que vinha crescendo desde a conversa sobre "coisas de adultos" com Taehyung começou a borbulhar novamente em sua mente. Ela olhou para Sora, que conversava de forma animada com outro empresário, e depois para Jimin, que parecia muito charmoso sob as luzes neon.
Ela se inclinou para trás, encostando a cabeça no ombro de Jungkook, e perguntou com a inocência brutal que só ela possuía:
— Kookie... o Tio Tae disse que o sexo é a união de amor, né?
Jungkook ficou tenso instantaneamente. Ele sentiu o sangue subir para o rosto.
— Nari, não é hora nem lugar para falar disso.
— Mas a Nari queria saber uma coisa — ela continuou, ignorando a rigidez dele. — Se a gente está em uma festa e todo mundo é amigo... a Nari pode fazer sexo com quem ela quiser? Tipo com o Tio Tae ou com o Jimin-chi?
O tempo pareceu parar para Jeon Jungkook. A música alta tornou-se um ruído branco ao fundo enquanto a frase dela ecoava em sua mente. A fúria que sentiu foi tão avassaladora que ele teve que fechar os olhos por um segundo para não explodir ali mesmo. A ideia de outro homem — especialmente seus amigos — tocando Nari daquela forma era um pensamento que ele não conseguia sequer processar sem sentir vontade de destruir tudo ao redor.
Ele a virou bruscamente para que ela ficasse de frente para ele. Seus olhos estavam, como ela mesma dissera, completamente escuros, as pupilas dilatadas de puro ódio e possessividade.
— O que você disse? — a voz dele saiu como um rosnado abafado.
Nari piscou, assustada com a intensidade da reação dele.
— É que... no filme as pessoas eram amigas... eu pensei que se a gente se ama, podia dividir o amor...
— Escute bem, Kim Nari — Jungkook disse, segurando o rosto dela com uma das mãos, os dedos firmes mas sem machucar. — Você nunca, jamais, vai repetir uma coisa dessas. Você não é de "todo mundo". Você não divide nada. Você é minha. Do topo da sua cabeça até a ponta dos seus pés.
— Mas o Kookie fica bravo por tudo! — ela protestou, as lágrimas começando a surgir. — Eu só perguntei!
Jungkook respirou fundo, tentando controlar o tremor em suas mãos. Ele não queria estragar a noite dela, mas a pergunta havia atingido o ponto mais sensível de sua insegurança. Ele a puxou para um abraço esmagador, escondendo o rosto no pescoço dela.
— Eu fico bravo porque a ideia de te perder, ou de alguém te tocar, me mata — ele sussurrou, a voz carregada de uma vulnerabilidade crua. — Você é a única coisa pura na minha vida, Nari. Se você fizer isso com outro, eu não teria mais razão para ser quem eu sou.
Nari sentiu a dor na voz dele e seu coração amoleceu. Ela o abraçou de volta, apertando a camisa dele com suas mãos pequenas.
— Desculpa, Kookie. A Nari não sabia que você ia ficar tão triste. Eu só quero o seu amor. Eu prometo que só vou fazer a luta de amor com você.
Jungkook se afastou um pouco, limpando uma lágrima que escorria pelo rosto dela. Ele forçou um sorriso, embora a raiva contra Taehyung e Jimin ainda estivesse queimando em algum lugar profundo de seu ser. Ele sabia que precisava ter uma conversa definitiva com os dois, mas não ali.
— Tudo bem, pequena. Vamos esquecer isso por enquanto. Mas não saia do meu lado.
Ele a puxou de volta para a posição anterior, protegendo-a com seu corpo. A música mudou para um ritmo mais lento e sensual. Jungkook começou a se mover com ela, suas mãos descendo da cintura para as coxas, sentindo a pele quente de Nari. Ele se inclinou e mordeu levemente o lóbulo da orelha dela, fazendo-a soltar um suspiro baixo.
— Você é minha — ele repetiu, desta vez como uma promessa sombria. — Só minha.
— Só do Kookie — ela concordou, entregando-se ao ritmo e ao calor que emanava dele.
Durante o resto da festa, Jungkook foi o epítome do namorado protetor. Ele não permitiu que ninguém chegasse a menos de um metro de distância de Nari. Quando Sora tentou puxar assunto novamente, Jungkook apenas lançou um olhar tão gélido que a mulher recuou imediatamente.
A cada dez minutos, ele verificava o vestido de Nari.
— Kookie, você vai rasgar o meu vestido de tanto puxar para baixo — ela riu, sentindo as mãos dele na barra do cetim.
— Se ele fosse um pouco mais longo, eu não teria que fazer isso — ele resmungou, mas havia um brilho de adoração em seus olhos enquanto ele a observava.
Taehyung e Jimin, percebendo o clima tenso e a forma como Jungkook vigiava Nari, decidiram manter uma distância segura. Eles sabiam que Jeon era um "dragão" quando se tratava de seu tesouro, e aquela noite ele parecia estar com as garras especialmente afiadas.
— Ele vai ter um infarto antes dos trinta — Jimin comentou com Taehyung, enquanto observavam o casal do outro lado do camarote.
— Ou vai nos matar — Taehyung respondeu, bebendo seu champanhe. — Ele está agindo como se a Nari fosse feita de ouro e nós fôssemos ladrões.
— E não somos? — Jimin sorriu de lado. — Nós adoramos provocar o gelo dele. Mas acho que hoje ele não está para brincadeiras.
Por volta das três da manhã, Nari começou a bocejar, encostando a cabeça no peito de Jungkook. O cansaço da noite e a intensidade das emoções começaram a cobrar seu preço.
— O Kookie... a Nari quer ir para casa. Meus pés estão doendo.
Jungkook não esperou um segundo. Ele a pegou no colo ali mesmo, ignorando os olhares dos presentes no camarote.
— Estamos indo — ele anunciou para os amigos, sem olhar para trás.
No banco de trás do carro de luxo, Nari se acomodou no colo de Jungkook. O silêncio do veículo era um contraste bem-vindo ao barulho da boate. Jungkook acariciava os cabelos dela, sentindo uma paz que só vinha quando eles estavam sozinhos, longe dos olhos do mundo.
— Kookie? — ela chamou, com a voz sonolenta.
— Sim, meu amor?
— Você ainda está bravo pela pergunta de antes?
Jungkook suspirou, encostando a testa na dela.
— Eu não estou bravo com você, Nari. Eu só... eu tenho muito medo de não ser o suficiente para você. De que um dia você queira alguém que não seja tão complicado ou tão frio quanto eu.
Nari abriu os olhos e tocou o rosto dele, seus dedos pequenos traçando as linhas de sua expressão preocupada.
— O Kookie é o meu sol de noite — ela disse, com a sabedoria simples das crianças. — A Nari não precisa de mais ninguém. O Tio Tae e o Jimin são só para brincar de rir. Para brincar de amar, só tem o meu Kookie de gelo.
Jungkook sentiu um nó na garganta. Ele a beijou com uma doçura que raramente permitia que aflorasse, um beijo que selava o pacto de exclusividade que ele tanto desejava.
— Eu vou cuidar de você para sempre, Nari. Mesmo que eu tenha que puxar esse vestido para baixo pelo resto da vida.
Ela riu baixinho, fechando os olhos e entregando-se ao sono nos braços do homem que era seu carcereiro, seu protetor e seu mundo.
Ao chegarem na cobertura, Jungkook a carregou até o quarto, retirando seus sapatos e o vestido prateado com uma delicadeza extrema. Ele a vestiu com um de seus próprios moletons, que ficava enorme nela, transformando-a novamente na sua menina de algodão-doce.
Ele se deitou ao lado dela, observando seu rosto sereno sob a luz da lua que entrava pela janela. A noite na boate havia sido um teste para seus nervos, mas também uma confirmação. Nari estava crescendo, descobrindo novos desejos e curiosidades, e ele teria que aprender a lidar com isso sem sufocá-la — ou sem matar seus amigos no processo.
Mas, enquanto ela estivesse ali, dormindo em seu peito, Jeon Jungkook sabia que o mundo podia tentar o quanto quisesse, mas ele nunca deixaria que nada quebrasse a redoma de ferro que ele construiu ao redor do seu coração e da sua pequena Nari. O gelo dele podia ser frio para os outros, mas para ela, era a única coisa que garantia que o seu mundo de fantasias nunca deixasse de existir.