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Insane

O Gosto do Pecado e o Silêncio do Dia Seguinte

O sol da manhã seguinte parecia zombar do estado emocional de Sua. Ela entrou na escola com as pernas ainda levemente trêmulas e a mente em um loop infinito, reprisando cada segundo do beijo sob a chuva e, principalmente, as promessas sussurradas por Mizi. Sua esperava qualquer coisa: um sorriso cúmplice, um olhar carregado de segredo ou até mesmo outra provocação pública.

Mas Mizi era uma mestre em desestabilizar.

Durante todo o período das aulas, Mizi agiu como se Sua fosse um móvel invisível no cenário da escola. Ela passou pelo corredor rindo com Marty, flertou brevemente com um garoto do segundo ano apenas para manter as aparências e, quando seus olhos cruzaram os de Sua no refeitório, eles estavam frios, distantes, como se o encontro na noite anterior tivesse sido um delírio febril da imaginação de Sua.

— Ela está te ignorando na cara dura — observou Hyuna, mastigando um pedaço de maçã. — Isso é tática, Sua. Ela quer que você suba pelas paredes de ansiedade.

— Está funcionando — murmurou Sua, enterrando o rosto nas mãos. — Ontem ela foi um doce com o meu irmão e... e me beijou. Hoje ela nem me deu "bom dia".

No entanto, na hora da saída, Sua reuniu a coragem que lhe restava. Ela viu Mizi perto do portão, isolada, e caminhou até ela.

— Minha mãe fez o convite de novo — disse Sua, sem rodeios. — Ela gostou de você. E o Hamin não para de perguntar quando a "moça rosa" vai voltar.

Mizi tirou os fones de ouvido, olhando para Sua com uma sobrerresta arqueada. O gelo derreteu apenas um milímetro.

— Sua mãe tem um gosto perigoso para visitas — Mizi deu um sorriso de canto, aquele que fazia o estômago de Sua dar voltas. — Mas eu prometi ao pequeno que levaria ele ao shopping hoje, não prometi? Eu cumpro minhas promessas, Sua.

A noite na casa de Sua começou de forma familiar. Mizi chegou e, novamente, foi a personificação da "garota legal". Jantou, conversou com a mãe de Sua e brincou com Hamin. O menino estava tão eufórico que a mãe de Sua, convencida de que Mizi era uma influência positiva, permitiu o passeio ao shopping para o dia seguinte, desde que Sua fosse junto para supervisionar.

— Eu confio em você, Mizi — disse a mãe de Sua, enquanto pegava as chaves do carro. — Vou levar o Hamin para o aniversário do amiguinho dele agora. Só voltamos às nove. Sua, cuide da casa.

O som do carro saindo da garagem foi o gatilho. O silêncio que se instalou na sala era denso, quase sólido. Eram 18:50. Elas tinham pouco mais de duas horas.

Mizi, que estava sentada no sofá com uma postura relaxada, levantou-se lentamente. O disfarce de "boa menina" caiu como uma pele velha, revelando a predadora de olhos dourados que Sua conhecia.

— Finalmente — disse Mizi, a voz baixando para aquele tom rouco que fazia os pelos do braço de Sua se arrepiarem. — Eu achei que aquela criança nunca ia embora.

Sua recuou um passo, mas Mizi foi mais rápida. Ela agarrou o pulso de Sua e a puxou em direção às escadas.

— Pro seu quarto. Agora.

Já dentro do quarto, a atmosfera mudou drasticamente. A luz do abajur criava sombras longas e dramáticas. Mizi não perdeu tempo com preliminares românticas. Ela se livrou das roupas com uma eficiência impaciente, ficando nua diante de Sua, que assistia a cena com a respiração suspensa.

— Você lembra do que eu prometi, não lembra? — Mizi empurrou Sua contra a parede, prendendo-a ali.

— Mizi... — Sua tentou falar, mas o som morreu em um suspiro quando sentiu as mãos de Mizi subirem por suas coxas, levantando sua saia.

Mizi não teve pressa, mas também não teve piedade. Ela pressionou o corpo contra o de Sua, forçando-a a ficar nas pontas dos pés para manter o equilíbrio.

— Eu disse que ia te fazer implorar — sussurrou Mizi, antes de morder o lóbulo da orelha de Sua.

O primeiro impacto dos dedos de Mizi fez Sua arquear as costas, um gemido agudo escapando de seus lábios. Mizi usava três dedos, movendo-os com uma precisão técnica e uma velocidade que levava Sua ao limite do delírio.

— Por favor... Mizi... — Sua arranhava os ombros de Mizi, os olhos já começando a revirar enquanto o prazer se acumulava em ondas insuportáveis.

— Cala a boca e geme para mim — comandou Mizi, aumentando o ritmo. — Deixa eu ouvir o quanto você é uma vadia necessitada.

Sua gozou pela primeira vez em pé, as pernas cedendo, sendo segurada apenas pelo aperto firme de Mizi. Mas não parou ali. Era apenas o começo.

— Já? — Mizi zombou, limpando a mão na própria coxa. — A gente mal começou, Sua. Deita na cama. De bruços.

Sua obedeceu, o corpo mole e a mente embaçada. Ela sentiu o peso de Mizi sobre suas costas. Mizi agarrou os pulsos de Sua, prendendo-os com uma única mão contra a base de suas costas, forçando-a a ficar em uma posição vulnerável, com os joelhos dobrados e o rosto pressionado contra o lençol, virado de lado.

— Mizi, eu não aguento... — Sua choramingou, a voz abafada pelo travesseiro.

— Eu não perguntei o que você aguenta — Mizi disse, a voz fria e implacável.

Sem aviso, Sua sentiu uma pressão nova e dolorosa. Mizi enfiou dois dedos em sua retaguarda, fazendo Sua soltar um grito de dor que foi rapidamente abafado pelo lençol.

— Dói... dói, para! — Sua implorou, as lágrimas começando a surgir.

— Relaxa — Mizi deu um tapa leve em sua nádega. — É só um aviso.

Mizi brincou ali por alguns segundos, apenas o suficiente para desestabilizar Sua completamente, antes de retirar os dedos e focar novamente na intimidade da garota. Dessa vez, ela não foi gentil. Enfiou dois dedos de uma vez, movendo-os com uma força bruta.

— Você queria o caos, não queria? — Mizi sibilou, acelerando o movimento. — Toma o seu caos.

Sua começou a babar no lençol, os gemidos tornando-se incoerentes, uma mistura de súplica e êxtase. Ela tentava se mover, tentava fugir do estímulo excessivo, mas Mizi a mantinha presa com uma força impressionante.

— Mais devagar... por favor, vai mais devagar! — Sua implorava, a voz falhando.

— Não — respondeu Mizi, adicionando o terceiro dedo. — Você vai aguentar cada segundo. Geme, Sua! Geme mais alto!

O quarto estava inundado pelo som dos gemidos de Sua, que agora soavam como os de uma personagem de anime em pleno clímax, agudos e constantes. Mizi continuava a xingá-la, usando palavras que Sua nunca imaginou ouvir de outra garota, alimentando o fogo que consumia as duas.

— Olha para você — Mizi zombou, vendo Sua revirar os olhos, completamente entregue. — Tão comportada na escola, e agora está aqui, babando e gozando na minha mão como se não fosse nada.

Sua atingiu o segundo, o terceiro e o quarto orgasmo em uma sucessão violenta. Seu corpo tremia em espasmos incontroláveis. Quando Mizi finalmente sentiu o gozo quente inundar seus dedos pela última vez, ela soltou os pulsos de Sua e se afastou.

Sua desabou na cama, os membros pesados como chumbo, a mente um vazio branco. Ela sentiu Mizi se aproximar por cima, apenas para pressionar o corpo contra o dela uma última vez, de forma provocativa, antes de se levantar para se vestir.

Mizi deu uma apertada firme e possessiva no seio de Sua, olhando para o relógio na parede. Eram 20:21.

— É melhor você se apressar e se limpar — disse Mizi, vestindo a jaqueta de couro com a maior naturalidade do mundo, como se tivesse acabado de tomar um copo de água. — Sua mãe chega em breve. E não esqueça: amanhã temos shopping com o seu irmão.

Mizi deu um beijo rápido e seco na testa de Sua e saiu do quarto. O som da porta da frente fechando ecoou pela casa silenciosa.

***

No dia seguinte, o ambiente escolar parecia minúsculo para o tamanho do segredo que Sua carregava. Ela encontrou Hyuna perto da biblioteca, longe dos ouvidos curiosos de Ivan e Till.

— Sua! Você está com uma cara de... — Hyuna parou, analisando as olheiras e o jeito que Sua caminhava. — Meu Deus. O que aconteceu ontem?

Sua puxou Hyuna para o corredor mais isolado do prédio de artes.

— Ela foi na minha casa de novo — começou Sua, a voz trêmula. — Minha mãe saiu com o Hamin. Ficamos sozinhas.

— E...? — Hyuna estava pendurada em cada palavra.

— Hyuna... ela é um monstro — Sua sussurrou, o rosto ficando vermelho só de lembrar. — Ela me prendeu contra a parede, depois na cama... ela disse coisas horríveis, me xingou de nomes que eu nem sabia que eram elogios em algum contexto. Ela me fez gozar quatro vezes, Hyuna. Eu achei que ia morrer. Eu estava babando no lençol e ela só... ela só continuava.

Hyuna arregalou os olhos, levando as mãos à boca.

— Ela fez o quê?!

— Ela foi rápida, foi bruta... e depois que terminou, ela simplesmente se vestiu, me deu um tchau e foi embora como se nada tivesse acontecido — Sua encostou a cabeça na parede, exausta. — E hoje ela vai levar o Hamin ao cinema. Ela está agindo como se fosse a pessoa mais normal do mundo agora.

— Sua, isso é loucura — Hyuna riu, um pouco nervosa. — A Mizi é completamente insana. Mas, me diz a verdade... você odiou?

Sua ficou em silêncio por um longo tempo. Ela lembrou da dor, do prazer avassalador, do cheiro de cereja e da sensação das mãos de Mizi prendendo seus pulsos.

— Eu não odiei — admitiu Sua, em um fio de voz. — Eu estou aterrorizada, Hyuna. Porque eu sei que, se ela me chamar de novo hoje, eu vou correndo.

— O "Confesse Alien Stage" não faz ideia do que está perdendo — comentou Hyuna, abraçando a amiga. — Vocês duas são o caos em forma de romance escolar.

Enquanto caminhavam para a aula, Sua viu Mizi de longe. Mizi estava rindo de algo que Luka dizia, mas, por um breve segundo, ela olhou na direção de Sua. Ela não sorriu, mas levou um pirulito de cereja à boca e piscou.

Sua sentiu o corpo estremecer. O jogo tinha mudado de nível, e ela sabia que não havia mais volta. O gosto da cereja agora era o gosto da sua própria rendição.

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