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Invincible X ALTEREGO

Embriaguez de Platina

A garrafa de conhaque Hennessy, uma edição rara que custava mais do que a maioria dos carros populares, estava tombada sobre a mesa de centro de mogno, restando apenas um dedo de líquido âmbar no fundo. O ar na suíte presidencial do Hotel Carlyle estava espesso, saturado pelo cheiro de tabaco caro — cortesia de Rio — e pelo perfume de sândalo de Michael.

Eram três da manhã. O mundo lá fora, com seus críticos ferozes e fãs histéricos, não passava de um borrão de luzes de neon através do vidro embaçado. Ali dentro, a "Guerra dos Gigantes" tinha se transformado em um campo de batalha muito mais íntimo e perigoso.

Rio estava jogado em uma poltrona de veludo, a gravata de seda preta desfeita e pendurada no pescoço como uma corda de enforcado. Seus olhos, geralmente afiados como navalhas, estavam nublados pela bebida, mas ainda assim mantinham uma fixação predatória em Michael.

— Sabe o que eu li hoje? — Rio começou, a voz arrastada, as palavras tropeçando umas nas outras com uma elegância bêbada. — Disseram que o seu álbum é uma "tentativa desesperada de manter a relevância". E que o meu é um "grito de socorro pretensioso".

Michael, que estava sentado no chão, encostado na beirada da cama, soltou uma risada baixa e seca. Ele segurava um copo de cristal, girando o gelo com uma lentidão hipnótica. Sua jaqueta de couro estava aberta, revelando a camiseta branca levemente amassada.

— Eles dizem isso há vinte anos, Rio — Michael respondeu, a voz mais rouca do que o normal, vibrando em uma frequência que fazia o estômago de Rio revirar. — Eles adoram construir estátuas apenas para ver o mármore rachar. Mas você... você ainda se importa com o que eles escrevem. Isso é tão... principiante.

Rio inclinou-se para frente, o movimento fazendo sua cabeça girar. Ele se levantou com uma instabilidade perigosa e caminhou até Michael, parando bem acima dele. A visão de Michael Jackson, o homem mais famoso do planeta, sentado no chão como um mortal qualquer, era algo que Rio nunca processava totalmente.

— Eu não me importo com o que eles escrevem — Rio sibilou, ajoelhando-se bruscamente entre as pernas de Michael, as mãos espalmadas no peito do Rei. — Eu me importo com o fato de que eles não fazem ideia de que eu estou aqui agora. Eles acham que eu te odeio. Eles acham que eu quero te destruir na porrada em um beco de Los Angeles.

Michael levantou o olhar, as pálpebras pesadas. Ele levou a mão livre ao rosto de Rio, o polegar traçando a linha da mandíbula com uma pressão deliberada.

— E você quer? — Michael perguntou, um sorriso de canto desafiador surgindo. — Quer me amassar naquele beco, Alexander? Ou quer que eu te amasse aqui, até você esquecer como se soletra o próprio nome?

Rio sentiu o desafio queimar em seu sangue, mais forte que o álcool. Ele agarrou o colarinho da camiseta de Michael, puxando-o para cima com uma agressividade que fez o copo de cristal tombar no tapete, esquecido.

— Eu quero os dois — Rio rosnou, o rosto a milímetros do de Michael. — Eu quero quebrar essa sua calma de santo. Quero ver você perder o controle e me tratar como o problema que eu sou.

Michael não esperou. Ele envolveu a cintura de Rio com os braços, puxando-o para o seu colo com uma força bruta que desmentia sua aparência delicada. Rio soltou um arquejo quando sentiu a dureza das coxas de Michael sob as suas. O contato era elétrico, uma descarga de estática que parecia sóbria em meio ao nevoeiro da bebida.

— Você quer um problema? — Michael sussurrou contra os lábios de Rio, o hálito quente de conhaque misturando-se ao dele. — Eu sou o maior problema que você já teve na vida.

O beijo que se seguiu não teve nada de poético. Foi um choque de dentes e línguas, uma disputa por território. Rio mordeu o lábio inferior de Michael até sentir o gosto metálico do sangue, e Michael respondeu apertando a cintura de Rio com tanta força que os dedos longos deixariam marcas roxas na pele pálida no dia seguinte.

Rio gemeu contra a boca de Michael, as mãos perdidas nos cabelos cacheados do mais velho, puxando-os com uma urgência faminta. Ele se sentia invencível e vulnerável ao mesmo tempo, uma contradição que apenas Michael conseguia extrair dele.

— Você... — Rio ofegou, afastando-se apenas o suficiente para olhar nos olhos escuros de Michael, que brilhavam com uma intensidade perigosa. — Você acha que pode me vencer em tudo. Nos gráficos, no palco... aqui.

— Eu não acho, Alexander — Michael disse, a voz agora um comando baixo. — Eu sei.

Michael inverteu as posições com uma agilidade que pegou Rio de surpresa, prensando-o contra o tapete macio da suíte. O peso do corpo de Michael sobre o seu era a única coisa que mantinha Rio ancorado à realidade. Michael desceu os beijos pelo pescoço de Rio, parando exatamente onde a marca da noite anterior ainda estava visível, e cravou os dentes ali novamente, arrancando um grito rouco do mais jovem.

— Amassar na porrada... — Michael murmurou contra a pele de Rio, as mãos descendo para o cinto dele. — Ou amassar na cama. Você ainda não entendeu que, comigo, é a mesma coisa? É tudo sobre entrega. É tudo sobre quem desmorona primeiro.

Rio sentiu a mão de Michael entrar por baixo de sua camisa, a pele fria encontrando o calor febril de seu abdômen. Ele arqueou as costas, procurando por mais, querendo que Michael preenchesse cada vazio que a fama e a solidão haviam cavado em seu peito.

— Então me desmonte — Rio desafiou, as pernas envolvendo a cintura de Michael, puxando-o para mais perto, se é que era possível. — Mostre para o seu "herdeiro" como se faz.

Michael parou por um segundo, olhando para Rio com uma expressão que misturava desejo e algo que parecia quase tristeza, ou talvez fosse apenas a embriaguez pregando peças. Ele inclinou-se e beijou a testa de Rio, um gesto de uma ternura inesperada que feriu mais do que qualquer mordida.

— Você não é meu herdeiro, Rio — Michael sussurrou, os olhos fixos nos dele. — Você é a única pessoa que me faz sentir que eu não preciso ser o Rei. E é por isso que eu vou destruir você esta noite. Para que ninguém mais consiga te recompor.

O que se seguiu foi um borrão de movimentos frenéticos, roupas sendo arrancadas e jogadas pelo quarto, e o som da respiração pesada competindo com o zumbido do ar-condicionado. No colo de Michael, Rio sentia-se como se estivesse no centro de um furacão. Cada toque de Michael era preciso, cada aperto em sua cintura era uma afirmação de posse.

Quando Rio finalmente atingiu o ápice, gritando o nome de Michael contra o ombro da jaqueta de couro que ainda estava jogada por perto, ele sentiu como se estivesse caindo de um prédio de cem andares. Michael o segurou com força, enterrando o rosto na curva do pescoço de Rio enquanto também se perdia no prazer, o corpo tremendo contra o dele.

Minutos depois — ou talvez horas, o tempo não existia ali —, eles estavam deitados no tapete, cobertos apenas pelo lençol de seda que Michael havia puxado da cama. O silêncio era confortável, quebrado apenas pelo som rítmico de suas respirações voltando ao normal.

Rio olhou para o teto, sentindo a dormência do álcool começar a ser substituída por uma exaustão absoluta.

— Se alguém entrasse aqui agora... — Rio começou, a voz fraca.

— Eles veriam dois homens cansados — Michael completou, virando a cabeça para olhar para Rio. — E uma manchete que nenhum jornal teria coragem de publicar.

Rio sorriu de canto, estendendo a mão para tocar o rosto de Michael. Seus dedos encontraram o batom borrado — o seu batom, que ele usava como parte da persona de *ALTER EGO* — em torno da boca de Michael.

— Você está horrível, Michael — Rio brincou, a voz carregada de afeição.

— E você está com o zíper da calça aberto e o pescoço marcado, Alexander — Michael retrucou, fechando os olhos. — Acho que estamos quites.

Rio riu, uma risada leve que vibrou em seu peito. Ele se aconchegou ao lado de Michael, fechando os olhos também. Amanhã, eles voltariam a ser rivais. Amanhã, o mundo voltaria a exigir que eles fossem gigantes. Mas ali, sob o efeito da platina e do conhaque, eles eram apenas dois homens que haviam encontrado um no outro a única coisa que a fama não podia comprar: uma verdade agressiva, suada e absolutamente real.

— Michael? — Rio chamou, já quase dormindo.

— Sim?

— Eu ainda vou vender mais que você na semana que vem.

Michael soltou um suspiro divertido, puxando Rio para mais perto.

— Continue sonhando, garoto. Agora durma. O Rei precisa de descanso.

E, no silêncio da suíte presidencial, a "Guerra dos Gigantes" foi suspensa por uma trégua de pele e segredos, enquanto o sol começava a surgir sobre o horizonte de Nova York, alheio ao fato de que o mundo tinha mudado um pouco naquela noite, atrás de portas trancadas.